sábado, 25 de fevereiro de 2012

UMA PALAVRA SOBRE MODISMOS, RETETÉS E HINOS DE FOGO EM PROL DE UMA ESPIRITUALIDADE SADIA NO MOVIMENTO PENTECOSTAL



Quero por meio deste artigo discorrer sobre algo que tem trazido sérios prejuízos para o meio cristão e principalmente para nós os pentecostais.

Ao se observar no youtube alguns vídeos, ou até mesmo participando de alguns cultos, que apresentam manifestações que se diz do Espirito, tem surgido várias críticas e definições acerca da procedência de tais coisas. Alguns atribuem ao Espirito Santo, já outros, como Edir Macedo atribui a possessão demoníaca, no entanto existem os que atribuem a manipulação emocional.

Mas qual será mesmo a procedência dessas manifestações?

Veremos à luz dos argumentos lógicos que serão abordados posteriormente.

No chamado "culto reteté" é muito comum uma liturgia espontânea, característica de cultos pentecostais, onde existe espaço para leitura bíblica, oração, louvor de hinos congregacionais, e as chamadas "oportunidades", em que irmãos da congregação recebem liberdade ao púlpito para louvar, pregar e/ou testemunhar.

Normalmente até ao presente momento tudo ocorre de forma decente e ordeira, até que alguém canta um hino de fogo!





AS CARACTERÍSTICAS DOS HINOS DE FOGO.



Os hinos de fogo são bem característicos e diversificados uns, por exemplo, começam com um tom suave com a voz grave da cantora, causando um clima de suspense no ar. Sempre como temas estão as palavras, “fogo”, “varão”, “reboliço”, “pentecostes”, “poder”, “renovo”, “receba”, quando do nada a musica se agita e se inicia um batuque levado ao ritmo de forró, axé ou pagode.

Outros, já vão direto ao proposito, em ritmo acelerado com a intenção de ouvir o povo gritar e de ver a sua agitação.

 É nessa parte que o clima esquenta. Ouve-se barulho de glórias e de aleluias, e basta uma pessoa começar a "marchar" para muitos outros saírem no mesmo embalo.

A coreografia da "marcha" geralmente são pessoas movendo os braços de forma horizontal, circular e rítmica, quando não, são pessoas girando em torno de si balançando os braços com os punhos fechados, pra frente e pra trás, lembrando as danças do cultos afro-brasileiros, ou até mesmo dançando. Até que o hino termina, e as pessoas envolvidas neste movimento param suas marchas e se sentam, alguns como se nada tivesse acontecido.



EM QUE ISSO TEM NOS PREJUDICADO?



Talvez esta seja a pergunta que está na mente de algum leitor sincero que busque o mover do Espírito e que, quem sabe, goste desse tipo de artificio pensando que está envolvido em algo genuíno e sadio espiritualmente.

Geralmente nas reuniões de reteté é supervalorizado as manifestações exteriores, onde se identifica que alguém está “cheio da unção” pelo fato de estar pulando, caindo, dançando ou marchando. E devido a esta supervalorização do movimentar-se, os dons espirituais acabam ficando à margem do culto, e Aquele que deveria ser o centro da reunião acaba como coadjuvante, Cristo. São nessas reuniões reteterianas que saem muitas das chamadas “profetadas”, que tanto tem prejudicado pessoas em nosso meio, pois são motivadas apenas pela emoção e não pelo real fogo do Espírito.

Nessas reuniões o que deveria ser um culto ao Senhor fica com uma atmosfera de circo e hospício, onde se tem muita palhaçada e descontrole emocional. É muito comum após esse tipo de culto ou durante mesmo, ouvirmos zombaria de vizinhos da igreja, dizendo que os “crentes estão recebendo espirito” ou que estão “loucos”. Não estou dizendo que devemos limitar o poder do Espirito pelo simples fato de existir incrédulos nos observando, mas às nossas emoções devemos limitar sim. Pois o movimento reteté é algo puramente emocional, e não existe nada de espiritual por detrás dele.

Outro motivo que causa preocupação é o fato da exposição sadia das Escrituras ficar em último plano. Nessas reuniões não existe exposição Bíblica! Isso mesmo. Não existe pregação! O que existe é barulho de alguém despreparado em cima de um púlpito que quer ver o lugar “pegar fogo” utilizando-se de versículos que ele utiliza sem se valer do seu devido contexto para uma aplicação sadia.

O prejuízo está exatamente aí, se valoriza a manifestação exterior, mas não se valoriza os dons do Espirito. Valoriza-se gritaria, sopro no microfone, rodopio de paletó, mas não se valoriza uma exposição centrada nas Escrituras. E isso deixa a igreja parecida com casas de culto afro-brasileira, pois lá é que vemos determinadas manifestações.



HINOS DE FOGO E SUA INFLUENCIA NO MOVIMENTO RETETÉ.



Além de uma pobreza bíblica gigante, os hinos de fogo também são caracterizados pelo misticismo e repetições de palavras, além de ritmos que muito se assemelham ao candomblé e a cerimônias de invocação de entidades demoníacas.

Os títulos são os mais diversos, "Divisa de fogo", "Amassa o barro", "Arrebenta Deus", enfim. Não tenho nada contra os seus autores nem muito menos contra os seus intérpretes, pois muitos deles são homens e mulheres de Deus, não estou exercendo juízo de valor sobre nenhum deles, apenas tecendo uma avaliação doutrinária e racional acerca do tipo de musicas que eles tem disseminado em nosso meio.

É comum em hinos de fogo se referir a presença real e pessoal de Jesus na igreja como o “varão de fogo” ou “varão do renovo”, sendo esta ultima uma referencia a Zc 6. 12, matando todo o contexto existente nesta passagem que se refere a uma referência Messiânica de Jesus no Milênio.

Eu não estou declarando nesse artigo que não creio no movimento do Espirito Santo. Não! Eu acredito firmemente, porém o que combato é este desvio do pentecostalismo clássico que é conhecido como movimento reteté. Embora como pentecostal eu goste de fogo e poder de Deus, esse movimento confunde pentecostes com “êxtase coletivo”.

Então amado leitor cientes disso, quero leva-los a raciocinar comigo alguns pontos dignos de reflexão.

Sem hinos de fogo não existe reteté. Significa dizer que o movimento reteté é totalmente dependente dos hinos de fogo. Diferente do verdadeiro mover do Espirito, que depende exclusivamente do próprio Espirito Santo e do Senhor Jesus que é quem batiza no Espirito.

Já percebeu que muitos movimentos corporais são feitos no ritmo do hino? Então perceba. A partir daí podemos identificar que além de emocional esse é um movimento carnal.

Mesmo levando em consideração que existem crentes sinceros que buscam uma comunhão genuína com Deus, mas que eles mesmos se acham levados inconscientemente por estes pontos supracitados.

Outro grave prejuízo na exteriorização é a superficialidade, um grande mal que atinge o pentecostalismo, herança do movimento reteté. A superficialidade encobre pecados nefastos. Temos muitas pessoas arrogantes, adúlteros, caloteiros, fornicadores, metirosos, desobedientes a pai e mãe com capa de espiritual por causa de sua superficialidade, ou seja por expressar com o corpo e com trejeitos algo que aparenta domínio e poder do Espirito, marcha, pulo e etc.



FLUIR ESPONTÂNEO VERSUS MANIPULAÇÃO EMOCIONAL.



        Aos adeptos do reteté pergunto, aonde estavam os hinos de fogo em Atos 2, 8, 10 e 19? Aonde estavam os hinos de fogo nos avivamentos dos séculos XIIV, XIIIV e no avivamento da Rua Azusa?

        Sabe qual é a resposta? Não existiam este tipo de artificio! O fluir era totalmente espontâneo e soberano.

        Em resposta a pregação cristocêntrica e às orações dos santos Deus derramou seu Espirito por diversas vezes na historia da Igreja. Não precisava de muita coisa Jesus batizava no Espirito Santo. Os crentes eram evolvidos na gloria de Deus através da oração.



EM BUSCA DE UMA ESPIRITUALIDADE SADIA PARA UM MOVER GENUÍNO DO ESPÍRITO.



Frank Bartleman foi uma testemunha ocular do derramamento do Espírito Santo em 1906 na rua Azusa, em Los Angeles. Foi considerado o "Repórter do Reavivamento da rua Azusa". Há pouco mais de 100 anos atrás, durante o derramamento, ele escreveu um folheto prevenindo quanto a um Pentecostes sem Cristo.

Ele avisou: "Não devemos possuir uma doutrina, ou buscar uma experiência, com exceção de Cristo. Muitos estão querendo buscar poder a fim de realizar milagres, buscar atenção e aplauso das pessoas para si, roubando dessa maneira, a glória pertencente a Cristo, fazendo uma bela exibição na carne. Esta necessidade parece ser maior quando se aplica aos verdadeiros seguidores do manso e humilde Jesus. O entusiasmo religioso facilmente não dá em nada. Desta maneira o espírito humano supera este espírito religioso, que se exibe. Mas necessitamos nos prender ao nosso texto: Cristo".

"Qualquer obra que exalte o Espírito Santo ou os ‘dons’ acima de Jesus, no fim acaba em fanatismo. Tudo aquilo que nos leva a exaltar e a amar Jesus é bom e seguro. O oposto leva à ruina. O Espírito Santo é uma grande luz, porém sempre focaliza Jesus para a Sua revelação."

"Em qualquer lugar onde o Espírito Santo está efetivamente no controle, Jesus é proclamado o Cabeça; o Espírito Santo, o Seu gerente."

Em outro local, o irmão Bartleman previne: "A tentação parece caminhar em favor de manifestações vazias. Isto não requer nenhuma cruz em particular, nem que se morra para si próprio. Daí o porque de ser tão popular." "Não devemos colocar o poder, os dons, o Espírito Santo, na realidade nada, à frente de Jesus. Todo ministério de missões que exalta até mesmo o Espírito Santo acima do Senhor Jesus Cristo está destinado aos agitos do erro e do fanatismo."

"Parece que há o grande perigo de se perder de vista o fato de Jesus ser ‘tudo em todos’. A obra do Calvário, a obra da expiação, devem constituir o foco da nossa consideração. O Espírito Santo jamais irá desviar a nossa atenção de Cristo para Si próprio - mas em vez disso irá revelar Cristo de uma maneira mais ampla. Corremos o perigo de fazer pouco caso de Jesus - deixando que Ele ‘se perca no templo’, devido à exaltação ao Espírito Santo e aos dons do Espírito. Jesus precisa ser o centro de tudo."

Infelizmente podemos ver que estamos vivendo esta era onde se valoriza tudo e todos menos a Cristo. As pessoas buscam experiências extraordinárias menos a Cristo.

Quero encerrar este artigo reiterando minha fala inicial, acredito no poder do Espirito não sou contra manifestações exteriores, contanto que isto não seja produto de indução emocional por meio de hinos de fogo, e lembrando que isto não avaliza uma vida espiritual centrada em Deus, descrevendo apenas um impacto espiritual momentâneo.