segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Os 10 mandamentos do namoro.

Namoro é uma fase muito bonita. É definida como o ato de galantear, cortejar, procurar inspirar amor a alguém. O namoro cristão, tenha a idade que tiver, deve ser uma convivência afetiva preliminar que amadurece e prepara o casal para o compromisso mais profundo. O contrário disso, longe dos princípios de Deus, pode resultar em uma experiência nociva e traumática. Observe alguns princípios que ajudam a manter o seu namoro dentro do ponto de vista de Deus.
1. Não namore por lazer: namoro não é passatempo e o cristão consciente deve encarar o namoro como uma etapa importante e básica para um relacionamento duradouro e feliz. Casamentos sólidos decorrem de namoros bem ajustados.
2. Não se prenda em um jugo desigual (II Co 6:14-18): iniciar um namoro com alguém que não tem temor a Deus e não é uma nova criatura pode resultar em um casamento equivocado. E atenção: mesmo pessoas que freqüentam igrejas evangélicas podem não ser verdadeiros convertidos ou não levarem o relacionamento com Deus a sério.
3. Imponha limites no relacionamento: o namoro moderno, segundo o ponto de vista dos incrédulos, está deformado e nele intimidade sexual ou práticas que levam a uma intimidade cada vez maior são normais, mas o namoro do cristão não deve ser assim, o que nos leva ao próximo mandamento.
4. Diga não ao sexo: Deus criou o sexo para ser praticado entre duas pessoas que se amam e têm entre si um compromisso permanente. É uma bênção para ser desfrutada plenamente dentro do casamento; fora dele é impureza.
5. Promova o diálogo e a comunicação: conversar é essencial, estabeleça uma comunicação constante, franca e direta e não evite conversar sobre qualquer assunto.
6. Cultive o romantismo: a convivência a dois deve ser marcada por gentileza, cordialidade e romantismo. Isso não é cafona, nem é coisa do passado e traz brilho ao relacionamento.
7. Mantenha a dignidade e o respeito: o namoro equilibrado tem um tratamento recíproco de dignidade, respeito e valorização. O respeito é imprescindível para um compromisso respeitoso e duradouro. Desrespeito é falta de amor.
8. Pratique a fidelidade: infidelidade no namoro leva à infidelidade no casamento. Fidelidade é elemento imprescindível em qualquer tipo de relacionamento coerente à vontade de Deus, que abomina a leviandade.
9. Assuma publicamente seu relacionamento: uma pessoa madura e coerente com a vontade de Deus não precisa e nem deve lutar contra seus sentimentos e muito menos escondê-los da família.
10. Forme um triângulo amoroso: namoro realmente cristão só é bom a três: o casal e Deus. Ele deve ser o centro e o objetivo do namoro.
Deixe Deus orientar e consolidar seu namoro. Viva integralmente as bênçãos que Deus tem para você através do namoro. E seja feliz.
A nós, namorados, tenhamos um ótimo dia! Deus nos abençoe!
Quem não tem um ainda, uma dica: Persevere, mas não se desespere. Deus está preparando a sua pessoa companheira (Pv 18.22).

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Relatos de fenômenos espirituais em tempos de Avivamento

João A. de Souza Filho Tradução autorizada (Autor)

Convicção de pecados
Em tempos de avivamento as pessoas experimentam muitas coisas diferentes, na alma e no corpo. Nesses tempos ocorrem fenômenos estremados que não são muito aceitos. Lendo a história dos avivamentos vemos claramente que este fenômeno de “cair no Espírito”, e de ser “derrubado” era resultado da extrema convicção de pecado que vinha sobre as pessoas. A pregação sobre avivamento incluía o arrependimento, abandono do pecado e a vida de santidade diante de Deus. Qualquer pecador ou crente carnal que ouvisse este tipo de pregação no passado teria este tipo de manifestação, como resultado da obra de Deus, convencendo a pessoa da culpa e da necessidade purificação de sua consciência.Na maioria das igrejas, qualquer pregação que leve à convicção de pecados, mostrando ao pecador a necessidade de arrependimento é tida como legalismo. Deixar a pessoa sob o terror da lei é coisa do passado e não tem relevância nesses dias. Esperamos que ao ler os relatos de avivamentos do passado, o leitor entenda a verdadeira razão para a experiência de “cair no Espírito”. Este tipo de discernimento e estudo é necessário nesses dias em que assistimos tantas manifestações e operações de falsos espíritos e de doutrinas do diabo. A imitação e a falsificação sempre aparecem paralelamente aos avivamentos verdadeiros. Quero lhes dar um exemplo do avivamento ocorrido em Ulster em 1623.
“Havia muitos convertidos em todas as congregações mencionadas, e Satanás, vendo a prosperidade do evangelho entre o povo, tratou logo de desacreditar a obra de Deus em seus corações. Isto ele fez falsificando a operação do Espírito Santo em várias pessoas em Lochlarne, que começaram a gritar durante as reuniões de adoração, alguns tendo fortes convulsões enquanto gritavam. Houve um aumento diário de pessoas que assim procediam, e, a princípio os pastores e o povo tinham pena dessa gente achando que o Espírito Santo estava operando nelas. No entanto, depois de conversar com elas e descobrir que não mostravam sinais algum de arrependimento e que não tinham uma busca intensa pelo Salvador, os pastores escreveram aos colegas solicitando que fossem até lá e que examinassem cada caso. Estes, depois de conversar com elas percebiam que eram vítimas de engano e alucinação do destruidor.”“No sábado seguinte, uma pessoa na congregação de Mr. Blair fez muito barulho, mas imediatamente, diz Mr. Blair, “Eu repreendi aquele espírito que perturbava a adoração, e ordenei, em Nome de Jesus que não mais incomodasse a congregação. Depois desta experiência este tipo de perturbação cessou”.Durante o avivamento em Cambuslang em 1742 sob o ministério do Revdo. M’Culloch, ocorreram muitos fenômenos durante as reuniões, especialmente, de pessoas que “caiam sob o poder”, como se dizia naquele tempo.
“O que estes jovens queriam dizer com o termo “caindo”, era uma espécie de gozação naquele tempo, resultado das reações físicas que se seguiam à forte convicção de pecado, pois quando alma e corpo reagem, não é de surpreender que o corpo e a alma reajam diante da dura realidade do juízo final e da eternidade”.
Paris Reidhead em seu sermão, “dez moedas e uma camisa” apresenta dos relatos deste fenômeno durante tempos de avivamento. Wesley era um pregador justo que exaltava a santidade de Deus. Sempre que exaltava a santidade divina e a lei de Deus; a justiça divina e seu conhecimento; sempre que exaltava as exigências divinas e a justiça de sua ira, virava-se para as pessoas e denunciava seus pecados, sua rebelião, sua traição a Deus e a anarquia do pecado. E o poder de Deus vinha sobre as pessoas, e há registros de que numa ocasião mais de 1.800 pessoas caíram por terra, praticamente inconscientes. Por haverem tido uma revelação da santidade de Deus; à luz desta santidade viam seu pecado, e não podendo suportar, caíam por terra.
“Mas não aconteceu apenas nos dias de Wesley, aconteceu também na América em New Haven, Connecticut, Yale. Um homem conhecido como John Wesley Redfield pregou continuamente durante três anos ao redor de New Haven, culminando com as grandes reuniões no auditório de Yale no século dezoito. A polícia já se acostumara a examinar as pessoas naquele tempo. Se encontrasse alguém caído no chão, tentavam descobrir se eram beberrões. Se estivessem bêbados levavam-no pra cadeia, mas se não tivessem cheiro de álcool, estavam caídas pela doença de Redfield. E quando encontravam alguém com a “doença de Redfiel”, levavam para um local tranqüilo e a deixavam ali até que se recuperasse totalmente.”Se eram bêbados, paravam de beber; se eram violentos, deixavam de sê-lo, e se fossem imorais, abandonavam a vida de pecado. Se eram ladrões, devolviam o que haviam roubado. Porque, ao virem a santidade de Deus contrastada com a enormidade de seu pecado, o Espírito Santo os derrubava por terra inconscientes devido ao peso de seu pecado! Quando o poder de Deus caía sobre eles arrependiam-se de seus pecados e se convertiam a Cristo.
Derrubados por terra.
O seguinte relato veio do avivamento irlandês de 1859 em que ocorriam manifestações de pessoas caindo no chão.
“Quando a pessoa fica sob convicção e em crise, sente-se fraca e não consegue sentar nem ficar em pé; ajoelha-se ou deita-se no chão. Um grande número de pessoas sob convicção nesta cidade e vizinhança, são “derrubadas por terra”, caindo repentinamente, paralisadas e sem força, como se tivessem levado um tiro certeiro. Caem e gemem profundamente, algumas gritando como se estivessem uma crise de medo, a maioria delas, orando com sinceridade: “Senhor Jesus, tem misericórdia de minha alma”. Tremem como vara verde, sentem um peso sobre o peito, uma sensação de choque e encontram alívio quando gritam, orando por libertação. Continuam assim até que experimentam a confiança em Cristo Jesus. E então, o tom da voz e os gestos retornam ao normal e o desespero dá lugar a um senso de gratidão, triunfo e adoração. A linguagem e a aparência, as lutas e o desespero convencem, como elas mesmo declaram, que tiveram um conflito moral com a velha serpente. Elas suam intensamente como vítimas angustiadas a ponto de molhar os cabelos. Algumas pessoas passam por este conflito várias vezes; outras, apenas uma vez. Não sentem vontade de comer e algumas ficam em jejum vários dias. Não dormem, ainda que permaneçam ali com seus olhos fechados”.
Caindo sob convicção.
O avivamento de Cane Ridge em 1801 tve muitos casos de “cair sob convicção” durante as reuniões. Os que experimentavam estas manifestações geralmente eram zombadores, pecadores e pessoas que estavam sob convicção de pecado debaixo do poder de Deus, mostrando seu arrependimento diante de um Deus santo.
“No pico do avivamento dizem que havia um público de vinte mil pessoas. Dia e noite as pessoas ouviam a pregação da palavra de Deus. Algumas manifestações físicas eram até bizarras. Os gritos e gemidos dos que estavam sob convicção misturavam-se aos gritos dos que encontravam alegria e gozo. O medo do inferno, do juízo e o desespero de se sentir perdido eram substituídos pela alegria da salvação. A experiência mais comum era a de “cair”. Existem relatos de que três mil pessoas ficaram prostradas nas reuniões em Cane Ridge. Alguns dos que caíam ficavam inconscientes, outros estavam cientes do que acontecia, mas não conseguiam se mover.”“As mulheres e crianças eram mais suscetíveis a este fenômeno. Mas, também havia homens que “caíam”. Mais tarde durante o avivamento centenas de pessoas contorciam-se convulsivamente e ficaram conhecidas como “solavancos”. Era comum que aqueles que vinham às reuniões para zombar também caíam sob convicção de pecados. Latidos, pulos e transes era coisas comuns”.
Este fenômeno de cair sob o poder do Espírito Santo ocorreu durante o avivamento de Jonathan Edwards. Ele afirmou que uma pessoa podia “cair dura no chão” ou por medo do inferno e sob a convicção do Espírito Santo ou porque experimentou um “pouco do céu”. R.A. Torrey viu pessoas caindo sob o poder de Deus devido a convicção de seus pecados. Hyde relata os acontecimentos da Convenção de Oração em Punjab em 1906: “Começamos a orar e de repente um peso pelas almas perdidas veio sobre nós, e o ambiente ficou tomado de choro, convulsões, e gritos, como nunca tínhamos experimentado antes. Homens fortes prostraram-se agonizando pelas almas perdidas”. Jonathan Edwards em seu livro “Religious Affections” nos dá uma palavra de sabedoria sobre este fenômeno. “Uma obra não pode ser julgada pelo que acontece no corpo das pessoas, tais como lágrimas, tremores, gemidos, gritos, agonias do corpo ou por se cair por terra sem forças. A influência sob a qual a pessoa se encontra não pode ser julgada pelos efeitos do corpo, isto porque não temos regra alguma nas escrituras a este respeito”. Que Deus dê à igreja discernimento espiritual nestes dias do fim, atentando para as palavras de Jesus: “Cuidado que ninguém os engane”. Precisamos ver pessoas sendo transformadas, como resultado de nossa pregação; pessoas que fiquem sob convicção e em contrição. Somente Deus pode transformar uma pessoa tornando-a santa, e este é o verdadeiro teste do avivamento.

Cair sob o poder do Espírito Santo

Nota introdutória
As manifestações do Espírito são surpreendentes nas Escrituras e na história da igreja. Meu objetivo, ao escrever este artigo é o de mostrar que tais experiências ocorreram em outros avivamentos da história da igreja, por isso apresento o tema à luz da Escritura, nossa regra básica de Fé.
Em todos os avivamentos ao longo da história da igreja fenômenos espirituais ocorreram em conferências, igrejas locais, em mosteiros e na vida particular de líderes como João Wesley, George Whitefield e Jonathan Edwards, o grande avivalista americano. O Espírito Santo opera como quer e em quem quer! Afirmar que as manifestações são coisas da carne ou do diabo, apenas, é desconhecer a Bíblia e a história da igreja. Em todos os avivamentos existem manifestações, e em todos os avivamentos a carne e os espíritos enganadores entram para enganar. O que começa de forma genuína tende a se corromper pela ação do homem.
Há vários episódios nas Escrituras que nos surpreendem pelos acontecimentos. Não podemos limitar o Espírito Santo em suas manifestações e temos indícios das Escrituras de algumas de suas ações. Usando as regras de interpretação bíblica, de que dois ou mais textos apresentados por diferentes autores a respeito do tema pode se constituir numa verdade, descobre-se que as manifestações do Espírito Santo estão em toda escritura. Se houvesse apenas uma citação ou uma experiência apenas, não poderíamos estabelecer uma verdade. Mas como há mais de uma citação, temos a autoridade da Palavra de Deus para abordar o tema.
A experiência de Saul. Mesmo depois do Espírito do Senhor o haver abandonado por causa de sua desobediência e entrado em Davi, (Compare 1 Sm 10.6 com 16.14), Saul teve uma experiência muito forte com o Espírito Santo. Ele mandou uma primeira escolta de soldados prender Davi na casa de Samuel em Ramá, mas o Espírito de Deus veio sobre os soldados que não regressaram a Saul; todos ficaram profetizando. Saul mandou, então uma segunda escolta que também ficou profetizando e ainda uma terceira que não pôde prender a Davi por causa do poder de Deus (1 Sm 19.18-21). O próprio Saul foi prender a Davi e o “mesmo Espírito de Deus veio sobre ele, e ia profetizando, até chegar a Naiote em Ramá” (vs 23). Veja bem, já pelo caminho Saul ia profetizando tomado pelo Espírito de Deus! Quando chegou a Ramá, diz a Bíblia na versão corrigida: “E ele também despiu os seus vestidos, e ele também profetizou diante de Samuel, e esteve nu por todo aquele dia e toda aquela noite...” Veja bem! Ele ficou todo um dia e toda uma noite caído por terra, profetizando diante de Deus. A impressão que se tem é que ele ficou fora de si, deitado e prostrado diante de Deus. Ah! Dizem os críticos, mas ele não mudou de vida! A questão aqui, neste primeiro momento, não é mudança de vida, mas uma manifestação sobrenatural. A mudança de vida requer outros fatores. Estou indicando um acontecimento histórico indiscutível.
O tabernáculo no deserto e o templo de Salomão. Temos dois exemplos ainda: um anterior a Saul, na edificação do Tabernáculo e outro na inauguração do Templo de Salomão. No primeiro, diz a Bíblia que “Moisés não podia entrar na tenda da congregação” por causa da glória do Senhor! (Ex 40.34,35) indicando que ele tentava entrar, mas era impelido ou jogado para fora! O segundo exemplo está em 2 Crônicas 5.13,14 na inauguração do templo: “E não podiam os sacerdotes ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus” (Versão corrigida). Isto é, eles estavam ali dentro ministrando quando veio a glória de Deus; sabemos, apenas que “não podiam ficar em pé” o que pode implicar que tiveram que se prostrar ou foram derrubados. Não o sabemos. Veja ainda 2 Crônicas 7.2.
Jeremias. Quando Deus falava com Jeremias ele se sentia tonto, embriagado pelo poder de Deus. Veja o que ele diz: “Sou como homem embriagado, e como homem vencido do vinho, por causa do Senhor, e por causa de suas santas palavras” (Jr 23.9). É bem possível que ao ouvir Deus falar algo sobrenatural acontecia com o profeta.
Ezequiel em transe: Ezequiel teve uma experiência ainda mais forte. Ele estava reunido com os anciãos no cativeiro, na Babilônia. Era uma reunião daqueles que foram levados cativos, quando, de repente, o Espírito do Senhor o levou para Jerusalém em visões. Seu corpo ficou ali, prostrado diante dos anciãos e ele passa a relatar, posteriormente tudo o que viu. Leia Ezequiel 8.1-3 com 11,24, o começo e o fim da visão. Como ficou o corpo de Ezequiel? Seu corpo ficou ali prostrado diante de várias pessoas enquanto seu espírito era levado a Jerusalém nas visões de Deus.
Daniel ao contemplar o Senhor, desfaleceu, perdeu as forças e seus companheiros fugiram de medo. Leia o que ele mesmo diz (Dn 10.7-11). Ele caiu não pela fraqueza de estar em jejum há três semanas, mas pela presença de Deus, porque depois, sentindo-se fortalecido, ficou em pé.
Jesus. Bastou o Senhor Jesus dizer aos soldados, “Sou eu” e eles caíram por terra. (Jo 18.6).
Os discípulos e a voz de Deus. Quando Jesus foi transfigurado diante dos discípulos aconteceu este fenômeno. Eles ouviram a voz de Deus e caíram por terra. Veja em Mateus 17.5-7.
E como foi no dia de Pentecostes? “Estão embriagados”, diziam, os moradores de Jerusalém ao virem aquelas cento e vinte pessoas falando em línguas; certamente gesticulando, e acharam que era fruto de uma bebedeira. Bêbados falam alto, gritam, dão risadas, rolam pelo chão... E que respondeu-lhes Pedro? “Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando...” (At 2.13-15). A presença do Espírito Santo na vida dos 120 dava a impressão, para os de fora, de algo ridículo, como se fosse um bando de beberrões! Não estou afirmando que estavam embriagados, mas que se comportavam como se estivessem sob efeito do vinho.
Paulo. A experiência de Paulo (que não deve ser tomada como algo corriqueiro), foi muito grande. Ele nem sabe como chegou aos céus, como ele próprio diz: “se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe” (2 Co 12.1-4). Será que muitos dos discípulos não teriam experimentado algumas das fortes manifestações do Espírito Santo que nem mesmo foram registradas nas Escrituras por acharem que era algo normal na vida deles? O próprio Paulo só foi contar a experiência doze anos depois, e, mesmo assim, nos deixa sob um véu de mistério.
Paulo também cita o que aconteceu com Moisés. Ele diz que sob a lei a glória de Deus foi tão forte que Moisés tinha que colocar um véu sobre o rosto cada vez que saia da tenda para falar ao povo. E como não será na época da graça? “Se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça” (2 Co 3.7-13). O que Paulo quer dizer? Ele explica que, se Moisés, que pregava a lei, tinha tanta glória, quanto maior glória terá os que pregam a justiça?
Paulo foi derrubado por terra pelo Senhor Jesus: “E caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9.4).
E que dizer de João, na experiência que teve em Patmos? “Quando o vi, caí a seus pés como morto” (Ap 1.10-17). Ele ficou sem forças diante de Deus!
Eliseu, Pedro, etc. Mas imagine algumas outras manifestações semelhantes ao cair, como êxtases, visões e percepções à distância que tiveram os profetas, especialmente o profeta Eliseu e Pedro (1 Rs 5.19-27; 6.8-20; At 10.1-22). À luz de todos estes textos, podemos afirmar que é possível haver manifestações do Espírito em nossas vidas das maneiras mais diversas. A história da igreja registra muitas manifestações na vida de pessoas que se consagraram a Deus.
Manifestações na história da igreja. A protestante Evelyn Underhill em vários de seus livros conta suas experiências de contemplação e o que ocorria com a presença do Espírito Santo (livros: Mysticism; The Mistery of Sacrifice; Practical Mysticism for Normal People e outros). João da Cruz, monge católico, no seu livro, Obras Espirituais, Carmelo, ensina o caminho e as experiências da vida cristã com experiências semelhantes de êxtases e arrebatamentos. Numa das obras editada pela Biblioteca de Autores Cristãos, em espanhol, o Padre I.G. Arintero trata de toda a mística da igreja com relatos surpreendentes do que aconteceu com alguns missionários da Igreja; alguns eram trasladados fisicamente para outras terras onde pregavam o evangelho e regressavam aos seus países. Esses relatos eu os tenho guardado em minha biblioteca.
Experiência dos místicos. Algumas experiências, diz ele, aconteciam com o padre Gracián: “São efeitos do divino amor, os resultados de uma alma enamorada de Deus que se chama júbilo, gozo, paz, embriaguez, desmaio, morte e fogo de amor, zelo, devoção, êxtases e raptos, amalgamento em Deus, e a divina união”. São Dionísio diz que o amor divino produz êxtases e o amante já não é seu, mas do amado! Um escritor anônimo mencionado por Sauvé diz: “As pessoas não têm consciência do que dizem ou fazem: dizem coisas sublimes e coisas que não podemos compreender... outras vezes o amor opera de modo mui distinto, deixando-as dormindo. Perdem o conhecimento como no sono e necessitam que sejam despertadas; e não é fácil despertá-las. A razão é que Deus as embriagou até deixá-las adormecidas...”
Relatos de escritores pentecostais. Nunca devemos tomar uma experiência e utilizá-la como base doutrinária. Entretanto, podemos usar o argumento histórico quando este abaliza o texto bíblico. Por isso podemos acrescentar algumas das experiências de homens de Deus do passado. Carl Brumback no livro “Que Quer Isto Dizer? (O S. Boyer, 1960), diz: “Como os críticos gostam de descrever os acontecimentos nos cultos pentecostais! Como se regozijam de se referir à maneira de eles tremerem, clamarem, dançarem, caírem e, então, dirigindo-se ao interessado perguntar seriamente: “isso tem alguma coisa em comum com o relato calmo e solene das Escrituras”. O interessado, se for um verdadeiro estudante das Escrituras, pode retrucar: “A qual relato calmo e solene das Escrituras se refere? Ao relato do Pentecostes, quando as manifestações extraordinárias e barulhentas levaram os zombadores a dizerem: “Estão embriagados?” Ou refere-se a história da cura do coxo, que deu “um salto, pôs-se em pé e, começou a andar; e entrou no templo, andando, saltando e louvando a Deus?” Ao relato em Atos 4, onde os discípulos “levantaram unanimemente a voz?” A Saulo que caiu sob o poder de Deus? Ao regozijo e louvor a Deus em alta voz da multidão na entrada triunfal, o qual o Senhor Jesus apoiou, dizendo: “Declaro-vos que, se estes se calarem, as pedras clamarão”?
Depois ele continua: “João Wesley exprimiu uma atitude sábia e com juízo, quanto às demonstrações do corpo, no seu diário de domingo de 25 de novembro de 1759: ‘O perigo foi o de dar demasiada ênfase a acontecimentos extraordinários, tais como clamores, convulsões, visões, êxtases, como se fossem indispensáveis à obra interior até o ponto da obra não avançar sem esses acontecimentos. O perigo (diz Wesley) é o de não lhes dar ênfase suficiente; de condená-los inteiramente; de imaginar que não tivessem alguma coisa de Deus, e que impedissem a sua obra.”
Na realidade, João Wesley, fundador do Metodismo, está mostrando que em seus dias havia este tipo de manifestação do Espírito Santo! De todos os líderes do passado, João Wesley foi o que mais embasamento bíblico e histórico tinha a respeito do Espírito Santo e por isso o que ele acrescenta é muito importante: “A verdade, contudo, é: (1) Deus convenceu a muitos repentina e profundamente que eram pecadores perdidos e o resultado natural foram clamores e fortes convulsões do corpo; (2) os que creram foram fortalecidos e encorajados, e a obra de Deus ficava mais evidente. Ele concedeu a muitos deles sonhos divinos, a outros êxtases e visões; (3) Muitas vezes, depois de um intervalo a natureza se misturava com a graça; (4) Satanás, igualmente, imitava essa obra de Deus, para desacreditar toda a obra... no início foi, sem dúvida, inteiramente de Deus. A sombra não desacredita a substância, nem o diamante falso deprecia o verdadeiro”. E isto em 1759!
O livro “O Fogo do Reavivamento” de Wesley Duewel (Editora Candeia, p 53) afirma que enquanto João Wesley pregava, “inúmeras pessoas caíram ao chão como se atingidas por um raio”. George Whitefield, companheiro de Wesley diz que quando pregou em Edimburgo em junho de 1742 “... durante uma hora e meia houve tanto choro, tanta aflição, manifestada de várias formas, que fica impossível descrever. O povo parecia estar sendo atingido às centenas. As pessoas eram carregadas e levadas até suas casas como soldados feridos num campo de batalha. Sua agonia e gritos eram profundamente comoventes” (ibid p 58). Ele acrescenta o que aconteceu no dia 3 de outubro numa reunião que começou as 8.30 da manhã e terminou as 8.30 da noite: “Vi 10.000 pessoas afetadas num instante, algumas com alegria, outras com choro... algumas desmaiando nos braços de amigos” (p 59).
Um outro avivamento aconteceu nos dias de Finney. Onde ele pregava as pessoas caíam sob o poder de Deus. Diz o texto que, enquanto Finney pregava “a congregação começou a cair de seus assentos, e caíam em todas as direções, pedindo misericórdia” (ibid p 87). “Algumas pessoas desmaiavam sob a convicção nos cultos da igreja e outras mais tarde em suas casas” (p 90). As biografias de Finney falam deste mover de Deus que derrubava as pessoas no chão.
Jônatham Edwards relata o que aconteceu quando pregou o sermão Pecadores nas Mãos de um Deus Irado: “Parecia que um espírito aterrador havia descido sobre as pessoas. A congregação começou a cair de seus assentos em todas as direções, clamando por misericórdia.”. Um pequeno livreto escrito por D.M. Lloyd-Jones, Jonathan Edwards e a Crucial Importância do Avivamento, Editora PES, Martyn Lloyd Jones um pregador fundamentalista defende o avivamento e relata como Jonathan Edwards manteve equilíbrio nesta questão. Jonathan Edwards escreveu: “A religião verdadeira apóia-se muito nos afetos... mostrando que não há sinais definidos de que os afetos religiosos são benignos ou não”. E Edwards afirma que a emoção e o físico são sempre afetados quando a pessoa sente o mover de Deus. Diz Lloyd: “A mulher de Edwards experimentou uma levitação, quando foi literalmente transportada de uma parte pra outra da sala sem esforço ou empenho. Às vezes pessoas desmaiavam e ficavam inconscientes nas reuniões. Edwards não ensinava que tais fenômenos eram do diabo. Ele sempre advertia os dois lados, do perigo da pessoa deixar-se levar pela carne e de ser iludida por Satanás por meio da carne. Houve uma ocasião em que ele advertiu até George Whitefield, que estava morando com ele. Whitefield tinha a tendência de obedecer e dar ouvidos a ‘impulsos’ e a agir baseado neles” (pp 24-25).
“Podemos extinguir o Espírito interessando-nos exclusivamente por teologia. Também podemos fazê-lo interessando-nos somente pela aplicação do cristianismo à educação, às artes e à política, etc.” (p 32).
Wesley Duewel relata: “No grande avivamento americano de 1858, os navios, ao se aproximarem dos portos americanos, pareciam entrar numa zona de influência do Espírito. Navio após navio chegava com o relato de uma repentina convicção e conversão” (Citado na revista Atos, Vol. 12 No. 3 p 17).
No avivamento de Cane Ridge em 1801 nos Estados Unidos um pastor presbiteriano relata: “O que vi foi para mim novo e realmente extraordinário... Muitas e muitas e muitas pessoas caíram ao chão, como homens mortos na batalha, e continuaram neste estado durante horas a fio, num estado aparentemente sem respiração e inerte – às vezes reavivando-se por alguns momentos e exibindo sintomas de vida através de um profundo gemido, ou de um grito penetrante e agudo...” (Idem p 31).
Nos primórdios das Assembléias de Deus no Brasil essas experiências faziam parte da vida dos irmãos e dos novos convertidos.
Portanto, não podemos ser sectários achando que Deus só opera de um jeito. O Espírito Santo tem muitas maneiras de se manifestar, algumas delas menciono no livro “Dons Espirituais, o Poder de Deus em Você”. Leia a Bíblia e examine cuidadosamente a história da igreja e você descobrirá muitas maneiras do Espírito Santo operar e agir nas pessoas.
Se, como afirmam alguns o cair não faz parte da obra do Espírito Santo, então temos que concordar que:
As experiências acima relatadas que aconteceram no Antigo Testamento, foram obras de um outro espírito. Mas não é o que diz a Bíblia. Saul, os sacerdotes, Jeremias, Ezequiel e Daniel foram tocados pelo Espírito de Deus!
Então, Deus estaria nos enganando. Mas isto não é verdade, pois a Palavra serve como fundamento do que acontece. O Espírito Santo é aquele que nos conduz à verdade. Ele não nos deixaria cair na mentira.
Se assim fosse os obreiros e os crentes que tiveram tal experiência estariam sob a influência de um outro espírito. Não creio, entretanto, que estejamos sendo enganados, pois tais experiências ajudaram a aumentar a percepção de Deus; a comunhão com ele e o crescimento na Fé, no amor e no ardor evangelístico. Cresceu a comunhão com Deus e solidificou o relacionamento entre os membros do corpo. Nenhum “espírito” teria interesse no crescimento espiritual dos fieis nem no reino de Deus!
Teríamos que negar nosso ministério, nosso chamamento e colocar em dúvida a conversão de tanta gente. Tais experiências têm servido para demonstrar o poder de Deus; a operação do Senhor nas vidas. É certo que há pessoas que caem sob forte convicção do Espírito Santo mas não permanecem. Este é um problema do homem e não de Deus. O fato de uma pessoa não ficar transformada quando experimenta a presença de Deus é problema da pessoa e não de Deus. É a mesma experiência que algumas pessoas têm quando, decidem-se por Cristo, choram, confessam seus pecados e, depois, continuam iguais!
Deus age a seu modo, agora, se a pessoa experimentou algo divino e não se rendeu completamente a ele é outra coisa. Mudança de vida é o que Deus espera de cada pessoa. Quantas pessoas, inclusive pastores, experimentaram uma grande transformação no passado, e ao longo dos anos se acomodaram e passaram a viver como pessoas mundanas? Não é porque Deus não agiu em suas vidas, mas porque negligenciaram o que Deus queria fazer passo a passo com elas. Não se pode negar a experiência, mas, apontar para o desleixo espiritual em não se querer crescer à maturidade cristã.
O grande perigo que aconteceu em todos os avivamentos da história que acabamos de mencionar e também nos avivamentos recentes, como Toronto, Pensacola, Lakeland, etc., é que a ênfase foi dada nas manifestações, e permitiu-se que espíritos enganadores penetrassem no avivamento causando grandes estragos na seara do Senhor. Escrevi artigos a este respeito.
A história mantém abertos seus registros para que analisemos à luz do tempo a época em que estamos vivendo.
Onde está o engano?
Temos que admitir, contudo, que muitos obreiros forçam, empurram as pessoas para que caiam e isto é criancice, infantilidade. E infelizmente há pessoas que dão credibilidade à esse tipo de pregador o colocandos nas auturas, comprando seu DVD's e etc. Obreiros há que “forçam” este tipo de manifestação. Certa vez em um culto um pregador muito conhecido aquí na cidade de Campina Grande - Pb, "batizou no Espirito Santo" mais que o próprio Jesus, pois ele forçava os crentes a falarem em línguas, e em um simples aleluia que saia "misturado" com o glória à Deus, devido a pressão psicológica do pregador, ele dizia que havia sido batizado com o Espírito Santo. Nessa "brincadeira" ele disse que fora mais de 15 batizados, mais Jesus só batizou 3 (Esse dado foi comprovado por mim). Sem Falar também dos empurrões que levavam às pessoas ao chão! Apesar da ignorância de alguns, precisamos afirmar que a manifestação do poder de Deus não precisa de nossa força humana da mesma forma que não precisamos nos agarrar a objetos, coisas ou práticas achando que desta ou daquela forma consegue-se algum favor de Deus. No caso de pessoas serem tocadas por Deus, quando o Espírito age, mesmo à distância as pessoas começam a cair, sem qualquer influência do homem.
O que não se vê na história bíblica, nem nos acontecimentos da história da igreja são manifestações bizarras como latir, como cães, cocoricar, como galinhas, agir como animais, etc. Tais manifestações nunca fizeram parte da vida da igreja em todos os avivamentos, e devem, portanto ser consideradas manifestações de outra ordem e não do Espírito de Deus.