terça-feira, 7 de outubro de 2008

O dom de línguas hoje

Na postagem anterior, tratei sobre o batismo com o Espírito Santo como um experiência atual, desta­cando o falar em línguas estranhas como a evidên­cia física inicial desse batismo. Este postagem trata­rá, de forma mui particular, sobre o dom de línguas, destacando a importância que ele tem no contexto doutrinário do Movimento Pentecostal.
A primeira alusão no Novo Testamento ao falar em línguas estranhas está nas palavras de Cristo em Marcos 16.17:
"Estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome... falarão novas línguas".
Depois, quando lemos sobre línguas estranhas, é já a manifestação delas entre os quase cento e vinte discípulos no dia de Pentecoste, em Jerusalém (At 2.4); na casa do centurião Cornélio, em Cesaréia (At 10.44-46); em Éfeso quando os doze discípulos de João foram batizados com o Espírito Santo (At 19.6,9); e, provavelmente, entre os crentes samari­tanos quando da estada de Pedro e João em Sama­ria: At 8.17-19. Em todos esses casos, as línguas (glossolalia) foram manifestas como evidência do batismo com o Espírito Santo. Depois ainda lemos na primeira epístola de Paulo aos Coríntios um capítulo inteiro (14) sobre línguas, já não como evi­dência do batismo com o Espírito Santo, mas como um dom do Espírito Santo.
Em 1 Coríntios 12.8-10 lemos:
"Porque a um pelo Espírito é dado a palavra da sabedoria; e a outro pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e a outro a operação de maravilhas; e a outro a profe­cia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a ou­tro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas."
Na opinião do antipentecostal Robert G. Gro­macki, no seu livro "Movimento Moderno de Línguas", o dom de línguas e o de interpretação de­las são os dois menores dos dons do Espírito, em ra­zão de o apóstolo Paulo havê-los citado no final da lista dos dons, no capítulo 12 de 1 Coríntios. Esta opinião cai por terra quando a lista dos dons de 1 Coríntios 12.8-10 é comparada com as palavras do versículo 28 do mesmo capítulo, que provam que Paulo não usou um critério de proporcionalidade e grandeza quanto à colocação dos dons na ordem dos seus valores. Por exemplo: nota-se que quando Paulo aconselha os crentes a buscar os melhores dons, disse que eles os buscassem com diligência mas principalmente o de profecia. Observa-se que se Paulo houvesse feito a listagem dos dons na or­dem dos seus valores, ele teria aconselhado os cren­tes a buscarem "a palavra da sabedoria" (o primei­ro dom da lista) e não o de profecia (o sexto na or­dem dos nove).
O apóstolo Paulo, ainda no capítulo 12, versos 22 e 23 de 1 Coríntios, querendo ensinar sobre a harmonia dos dons do Espírito, comparou-os aos membros do corpo que, juntos, cooperam para o bem comum do mesmo corpo:
"Os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; e os que reputamos ser me­nos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra".
Os dons são diferentes entre si como diferentes são os membros do corpo, mas não existem dons inúteis à edificação do corpo de Cristo, sejam quais forem.
1. LÍNGUAS COMO SINAL
Vale notar que as línguas estranhas têm duas funções na Bíblia. Primeira: elas são apresentadas como sinal, ou evidência de que alguém foi batiza­do com o Espírito Santo. Isso é o que vemos em pelo menos três das cinco ocasiões históricas do derra­mamento do Espírito Santo nos dias do Novo Tes­tamento.
As línguas estranhas neste aspecto manifestam-se uma única vez, isto é, no momento em que o crente recebe o batismo com o Espírito Santo. Se a partir daí o crente continua falando em línguas, es sas línguas já passam para a segunda esfera, que é o dom de línguas propriamente dito, o qual se pode manifestar de duas maneiras: línguas congrega-cionais (interpretáveis); e línguas devocionais (não-interpretáveis).
Aqueles que combatem a doutrina bíblica do batismo com o Espírito Santo intrigam-se com a ênfase que damos quanto à necessidade de se falar línguas estranhas como evidência da recepção des­se batismo, achando ser possível dar-se outra prova em detrimento desta para afirmar que o crente foi batizado com o Espírito Santo. Contudo, o que na prática tenho observado é que aqueles que dizem ter sido batizados com o Espírito mas que não fala­ram línguas, não estão tão seguros de que o foram quanto aqueles que falaram novas línguas.
2. O QUE É DOM DE LÍNGUAS?
O dom de línguas é o meio sobrenatural através do qual o Espírito Santo leva o crente a falar uma ou mais línguas nunca antes estudada, portanto, estranhas àquele que a fala. Este dom nada tem a ver com a habilidade natural de se falar diferentes idiomas. Falar em línguas pela unção do Espírito Santo é "glossolalia" e não "poliglotismo". O dom de línguas está na esfera do sobrenatural.
Muitos estudiosos desse assunto, com freqüên­cia, citam casos de missionários que, após longos anos tentando aprender a língua do povo ou da tri­bo com que trabalham, de momento começam a fa­lar aquela língua com uma fluência invejável, dis­pensando a ajuda de intérprete. E confundem, as­sim, esse fenômeno com o dom de línguas, quando o que aconteceu na verdade foi a manifestação do dom de milagres ou maravilhas.
Quando Paulo escreveu aos Coríntios: "Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos" (1 Co 14.18), não estava com isso dizendo que falava mais idiomas estran­geiros do que os crentes da igreja em Corinto. Se as­sim fosse o que Paulo estaria fazendo era demons­trar pura vaidade. Ele fazia alusão à glossolalia, ou seja, à habilidade sobrenatural de falar em línguas nunca antes estudadas.
3. QUAL A UTILIDADE DO DOM DE LÍNGUAS?
Grande é a utilidade do dom de línguas quando exercitado humildemente e com orientação do Es­pírito Santo. À luz de 1 Coríntios 14, o exercício do dom de línguas é útil para:
a. falar mistérios com Deus. "... quem fala em outra língua, não fala a homens, senão a Deus, vis­to que ninguém o entende, e em espírito fala misté­rios" (v.2);
b. edificação individual. "O que fala em outra língua a si mesmo se edifica..." (v.4);
c. orar bem. "Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato..." (v.14);
d. complemento do culto. "Que fazer, pois, ir­mãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro doutrina; este traz revelação, aquele outro língua, eainda outro interpretação", v.26.
Falar de mistérios com Deus é um grande privi­légio. Aquele que fala em línguas estranhas tem consciência de que está orando a Deus, louvando-o ou rogando algo a Ele, não obstante desconheça o significado daquilo que ora. Fala de acordo com o momento, e com uma força a jorrar dentro de si; mesmo assim, tem consciência de que é ele quem fala, e tem controle para começar ou terminar á hora que quiser. A pessoa fica perfeitamente calma e em pleno uso de suas faculdades mentais, cons­ciente do que está fazendo e do que está acontecen­do em torno dela. Freqüentemente está absorvida por uma conversa racional, e normal, imediata­mente antes e depois de falar em línguas.
Não há nenhum pecado em o crente buscar edi­ficação espiritual ou individual através de uma identificação mais íntima com Deus. John F. Mac­Arthur diz no seu livro "Os Carismáticos" que o falar em línguas é um individualismo condenado por Paulo e que o individualismo deve ser evitado pelo cristão. Essa assertiva não tem apoio nas Es­crituras. Veja, por exemplo: se o falar em línguas mostra individualismo, e se o individualismo não edifica ninguém, como iria Paulo dizer que "o que fala em outras línguas a si mesmo se edifica"? 1 Co 14.4.
Há uma grande incoerência entre a afirmação de John F. MacArthur e o pensamento de Paulo, que está mais claro no versículo 39 de 1 Coríntios 14: “... não proibais falar línguas". Se a edificação pes­soal fosse individualismo e egoísmo, Paulo jamais teria escrito a Timóteo: "Tem cuidado de ti mes­mo..." 1 Tm 4.16. Noutro lugar escreveu Judas: "Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé...", Jd 20.
Uma igreja sólida ergue-se com o respaldo da edificação individual de cada um de seus membros.
Falar a Deus em outras línguas é orar com o espírito e no espírito; fazer assim é orar bem. Atra­vés das línguas estranhas, o crente fala e o Espírito Santo comunica a ele a alegria (ou a angústia) que lhe vai no coração, o que, de outro modo, ao crente não seria revelado. Isto é o que ensina Paulo em Ro­manos 8.26:
"E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que ha­vemos de pedir como convém, mas o Espírito inter­cede por nós com gemidos inexprimíveis".
Através das línguas estranhas, podemos elevar a Deus o mais puro louvor que as nossas tribulações e tentações impedem que façamos em nossa pró­pria língua.
4. QUEM NÃO FALOU EM OUTRAS LÍNGUAS?
Robert G. Gromacki, no seu livro "Movimento Moderno de Línguas", escreve:
"Tem havido, e ainda há, muitos homens piedo­sos que não falaram línguas: Calvino, Knox, Wes­ley, Carey, Judson, Moody, Spurgeon, Torrey, Sundey e Billy Graham (...) Certamente eles têm manifestado mais santidade e têm testemunhado mais efetivamente em prol de Cristo do que muitos que pretendem ter falado línguas".
Este argumento de Gromacki baseia-se em ho­mens, antes que nas Escrituras. O fato de não se ler que esses homens falaram em línguas estranhas, implica deveras em que eles não as tenham falado? Pode-se usar o silêncio deles sobre o assunto para formar uma doutrina de negação daquilo que a Bíblia ensina com clareza meridiana? E se eles não falaram línguas, isto invalidará a promessa divina? - De maneira nenhuma!
Se o fato de alguns cristãos nobres não terem fa­lado em línguas anula a promessa de Deus, ou se o dom de línguas é inautêntico só porque os pentecos­tais "pretensamente" dizem ter falado em línguas, dar-se-ia o caso que a autenticidade ou a inautenticidade de qualquer dom divino pode ser evidencia­da pela aceitação ou pela rejeição parcial ou total desses dons. Partindo dessa premissa, atrevo-me a mostrar um número muito maior de crentes céle­bres que falaram e falam outras línguas do que aquele que os antipentecostais apontam como não tendo falado línguas.
Vem o caso de fazer aqui a indagação de Paulo, feita em 1 Coríntios 3.5: "Quem é Apoio? e quem é Paulo?...". Quem foi Calvino, Knox, Wesley, Ca-rey, Judson, Moody, Spurgeon, Torrey, Sundey? e quem é Billy Granam senão "servos por meio de quem crestes, e isto conforme o Senhor concedeu a cada um". Deve-se porventura evocar a vida piedo­sa de qualquer um desses homens de Deus com o propósito de se anular algum dom do Espírito San­to, mesmo que seja o de língua? - Evidentemente não.
5. QUAL O COMPORTAMENTO MAIS SENSATO QUANTO AO DOM DE LÍNGUAS?
Evidentemente, o melhor comportamento quan­to ao dom de línguas é o que foi demonstrado pelo apóstolo Paulo, ainda no capítulo 14 de 1 Coríntios:
a. - "Eu quero que todos vós faleis línguas es­tranhas", v.5.
b. - “... pelo que, o que fala línguas estranhas, ore para que possa interpretar", v.13.
c. -"Não proibais falar línguas", v.39.
À igreja de Corinto não faltava dom algum (1 Co 1.7), o que faltava era o ensino quanto ao uso desses dons, haja vista o abuso que se fazia deles, principalmente do dom de línguas. Diante dessa necessidade, que fez Paulo? a) Disse que todos os crentes na igreja poderiam falar em línguas, desde que o fizessem de forma ordeira e dirigida, b) Orientou no sentido de que aqueles que falavam línguas orassem para que recebesse do Espírito Santo a capacidade de interpretá-las, a fim de que a igreja fosse edificada. Paulo poderia ter escrito: "Pelo que, o que fala línguas estranhas e não pode interpretar [deixe de falar]", mas não foi assim que fez. O objetivo da observação do apóstolo, visava a dimensionar o uso correto desse dom. c) Exortou en­tão aqueles que, por não possuírem sabedoria, que­riam proibir o dom de línguas, a que dessem livre curso a esse dom.
Não há dons imperfeitos ou desnecessários, o que há é imperfeição ou omissão quanto ao uso dos dons por parte de alguns crentes.
Se alguém tem um dos membros afetado por uma enfermidade, o que deve fazer para extirpar a enfermidade desse membro? - Cortar o membro doente? Não, de modo nenhum! O que deve é tratar do membro enfermo até que este possa voltar a exercer a sua função insubstituível, para o bem de todo o corpo.
Billy Graham é de opinião que existe um dom de línguas real, em contraste com uma imitação, e que muitos dos que receberam esse dom foram transformados espiritualmente - alguns por pouco tempo e outros permanentemente.
6. NORMAS QUANTO AO USO DO DOM DE LÍNGUAS
Quanto ao exercício do dom de línguas, o após­tolo Paulo não só ratifica a liberdade que o crente tem de exercitar o dom, mas também estabelece um princípio normativo para esse exercício, prin­cipalmente no culto público, onde pessoas não-crentes tenham acesso.
Segundo Paulo, aquele que possui o dom de línguas deve observar o seguinte:
a) - "Pelo que, o que fala em outra língua, ore para que a possa interpretar", 1 Co 14.13.
Paulo diz que se alguém fala em línguas e as in­terpreta está contribuindo para a edificação da igreja, como também o faz aquele que profetiza. Assim, aquele que fala em outra língua deve ter o cuidado de não fazer do culto público um espetácu­lo de glossolalia, a não ser que possa interpretar a língua que fala.
b) - "No caso de alguém falar em outra língua, que não seja mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. Mas não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus", 1 Co 14.27,28.
O culto público nunca deve ser transformado num festival de línguas estranhas; tampouco a mensagem evangelística ou de doutrina deve ser in­terrompida pelo falar em língua estranha. Pergunta o apóstolo Paulo:
"Se, pois, toda a igreja se reunir no mesmo lu­gar, e todos se puserem a falar em outras línguas, no caso de entrarem indoutos ou incrédulos, não di­rão porventura, que estais loucos?" 1 Co 14.13.
No caso de manifestar-se o dom de línguas em culto público, que somente dois, ou quando muito três, falem em línguas; não os dois ou os três de uma só vez, mas um após o outro, e com a condição de haver quem interprete; do contrário, que "fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus", ou seja, que não perturbe a boa ordem do culto atraindo para si as atenções dos presentes, em detrimento da pregação e do louvor.
7. "FAÇA-SE TUDO DECENTEMENTE E COM ORDEM", 1 Co 14.40
Os pentecostais, em geral, são tachados de ba­rulhentos, emocionais e, às vezes, de desordeiros. Para aqueles que se lhes opõem, "faça-se tudo de­centemente e com ordem" é o versículo preferido. Para esses (os antipentecostais) "decência e or­dem" é o mesmo que silêncio. Um cemitério, por exemplo, retrata muito bem a decência e ordem que eles gostariam de ver entre os pentecostais. Os que habitam os cemitérios não perturbam ninguém, eles têm perfeita ordem; mas eu conheço milhares de pessoas que preferem mil vezes a "desordem" dos vivos à decência e ordem dos mortos. Vem ao caso lembrar as palavras do Dr. John Alexander Mackay, presidente emérito do Seminário Princeton:
"Se eu tivesse de fazer uma escolha entre a vida inculta dos pentecostais e a morte estática das igre­jas mais antigas, pessoalmente, preferiria essa vida inculta".
Noutra oportunidade disse ainda o Dr. Mackay: "Alguma coisa está errada quando a emo­ção se torna legítima em tudo, exceto na religião". Um certo pregador disse:
"Hoje em dia, vai-se ao futebol para torcer; ao cinema para chorar, e à igreja para gelar". E, pros­seguindo, disse como testar a realidade da emoção em qualquer experiência espiritual, usando esta re­gra: "Não me importa seus pulos e gritos em meio à emoção, desde que, passando aquele momento, vo­cê tenha vida equilibrada".
O medo dos "erros" dos pentecostais, manifes­tos por excesso de emoção, tem impedido que mui­tos crentes sinceros gozem um Cristianismo vivo e dotado do genuíno frescor espiritual. Eles são pes­soas incapazes de acertar, porque são dominados pelo medo de errar, pelo que jamais farão coisa al­guma. Conheço muitos crentes que estão acuados entre o profundamente humano e aquilo que po­dem experimentar pela operação do Espírito Santo, só porque os seus líderes os ensinaram a pensar e a agir assim. Lembra-me a história do pescador que, ao apanhar um peixe, o media, e, se o pescado me­disse mais de 25 centímetros de comprimento, ele o devolvia à água. Naquele instante aproximou-se um turista que, curioso com o que via, perguntou porque o pescador agia assim, ao que ele respon­deu: "É que minha frigideira só tem vinte e cinco centímetros de diâmetro, e não adianta levar para casa um peixe maior do que a medida que ela comporta". Infelizmente, muitos crentes são como esse pescador: incapazes de buscar e reter consigo uma experiência que vá além dos limites estabelecidos pelos seus teólogos e líderes.
João Wesley, o grande avivalista inglês, acerca dos gritos, convulsões, danças, visões e coisas teste­munhadas nos seus dias, disse:
"O perigo consiste em dar-lhes um pouco de va­lor, em condená-las abertamente, em imaginar que não provenham da parte de Deus; e isso serve de obstáculo ao trabalho do Espírito, pois a verdade é que:
"a. Deus tem convencido, forte e subitamente, a muitos de que são pecadores perdidos, e as conse­qüências naturais disso têm sido clamores súbitos e violentas convulsões corporais;
"b. para fortalecer e encorajar os que crêem, e para tornar a sua obra mais evidente, o Senhor fa­voreceu a alguns deles com sonhos divinos, e a ou­tros com êxtases e visões;
"c. em algumas dessas instâncias, após algum tempo, a natureza humana mescla-se com a graça;
"d. o próprio Satanás imita essa parte da obra de Deus, a fim de lançar no descrédito toda a obra; no entanto, não é mais sábio desistir dessa porção do que desistir do todo. A princípio, sem dúvida al­guma, tudo se originava inteiramente em Deus. E, parcialmente, continua assim, até os nossos pró­prios dias; e Ele nos capacitará a discernir até que ponto, em cada caso, a situação é pura, bem como onde se mescla com coisas estranhas e se degenera. A sombra não é motivo para desprezarmos a subs­tância, nem o diamante falso para recusarmos o au­têntico".
Outro depoimento digno de observação quanto a esse assunto, é do Dr. T.B.Barratt, de Oslo, No­ruega:
"Os sinais sobrenaturais, os dons do Espírito, as demonstrações do corpo, tudo é uma parte apenas desse Movimento Pentecostal, mas a grande in­fluência moral desse avivamento, o poderoso ímpe­to espiritual que ele nos traz é de monta muito maior".
Os antipentecostais, preocupados em denunciar as exceções, pisoteiam as regras. Ao tentarem ex­purgar os pentecostais do seio da Igreja, estão de­nunciando a esterilidade de suas próprias igrejas. Isso lembra o que disse o teólogo suíço, Karl Barth:
"Ao jogarem fora a água em que banharam a criança, jogaram também a criança. Ao tentarem tornar o cristianismo plausível para os céticos, o que conseguiram foi torná-lo destituído de senti­do".
O capítulo 6 de 2 Samuel relata a volta da arca do Senhor á cidade de Jerusalém. A alegria de Davi pelo evento era tal, que "saltava com todas as suas forças diante do Senhor".
Mas "sucedeu que, entrando a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul, estava olhando pela janela; e, vendo o rei Davi, que ia bai­lando e saltando diante do Senhor, o desprezou no seu coração".
No final da festa, "embriagado" pela alegria do Senhor, Davi volta para casa, e Mical, sua mulher, sai-lhe ao encontro e lhe censura o comportamento, dizendo:
"Quanto honrado foi o rei de Israel, descobrin­do-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre qualquer vadio. "Disse, porém, Davi a Mical: Perante o Senhor, que me escolheu a mim antes do que a teu pai, e a toda a sua casa, mandando-me que fosse chefe sobre o povo do Senhor, sobre Israel, perante o Senhor me tenho ale­grado. E ainda mais do que isto me envilecerei, e me humilharei aos seus olhos; e das servas, de quem me falaste, delas serei honrado", vv.20-22.
Para Mical, indiferente ao significado da volta da arca do Senhor à cidade de Jerusalém, era fácil, através da janela do palácio real, fazer mau juízo de Davi, que, feliz, em meio ao povo, dançava de alegria na presença do Senhor. Para Mical impor­tava a "etiqueta", como para os antipentecostais importa hoje a "decência e ordem" cemiterial.
Na cristandade de hoje acontece o mesmo: ser pentecostal é para muitos um agravo ao pudor evangélico. Alguém pode escrever ou dizer porque não é pentecostal, e o seu testemunho é como um grande serviço prestado a Deus; mas, se alguém es­creve porque é pentecostal, isso parece uma idioti­ce: é como Davi tentando convencer a Mical porque dançava nas ruas de Jerusalém no meio da plebe.
O último versículo do capítulo 6 de 2 Samuel diz:
"E Mical, a filha de Saul, não teve filhos, até ao dia da sua morte".
O contexto deste versículo mostra que a esterili­dade de Mical era devida à censura feita por ela ao rei Davi. Esta, sem dúvida, tem sido a inevitável sentença sob a qual têm estado grande parte das denominações cujos líderes têm feito do antipentecostalismo o seu apostolado.
Apesar disso, o número de pentecostais conti­nua crescendo, e sabe-se que há hoje em todo o mundo nada menos de cinqüenta milhões de cren­tes que têm experimentado a promessa pentecostal do batismo com o Espírito Santo, acompanhada do falar em outras línguas.
O crescimento das igrejas pentecostais tem sido considerado um verdadeiro fenômeno pelos estu­diosos de assuntos eclesiásticos. O escritor não-pentecostal, Peter Wagner, no seu livro "Cuidado! Aí vêm os Pentecostais", quanto ao comportamen­to das igrejas não-pentecostais diante do acelerado crescimento das igrejas pentecostais, escreveu:
“... as igrejas não-pentecostais ainda têm um problema: seus dirigentes reconhecem (e é óbvio) que as igrejas pentecostais estão crescendo muito mais rapidamente do que as das outras denomina­ções. Eles mesmos fazem a pergunta: 'Por que' E se tornam mais frustrados quando colocam o que está acontecendo em termos teológicos, e levantam a possibilidade de que, por alguma razão, o Espírito Santo seja capaz de trabalhar o milagre da regene­ração mais freqüentemente nas igrejas pentecostais do que em suas próprias. Em vez disso, eles deve­riam pensar: 'O que nós podemos fazer para limpar a erva daninha das nossas igrejas, de modo que o Espírito Santo possa trabalhar? '"
8. A HISTORICIDADE DO DOM DE LÍNGUAS
A história mostra que a experiência pentecostal de falar línguas estranhas constitui-se num círculo ininterrupto desde o dia de Pentecoste até os nossos dias, e continuará até que Cristo volte.
Agostinho escreveu no IV século:
"É de esperar-se que os novos convertidos falem em novas línguas".
Irineu, discípulo de Justino discípulo do apósto­lo João, escreveu:
"Temos em nossas igrejas irmãos que possuem dons proféticos e, pelo Espírito Santo, falam toda classe de idiomas".
João Crisóstomo, no V século escreveu:
"Qualquer pessoa que fosse batizada nos dias apostólicos, imediatamente falava em línguas".
Tertuliano inseriu nos seus escritos manifesta­ção dos dons do Espírito Santo, entre os quais o dom de línguas, no meio dos montanistas, movi­mento ao qual ele pertencia.
O decano Farrar, em seu livro "Das Trevas à Aurora", refere-se aos cristãos perseguidos em Ro­ma, cantando hinos e falando em línguas desconhe­cidas.
Na História da Igreja Alemã, lemos o seguinte:
"O Dr. Martinho Lutero foi um profeta, evange­lista, falador em línguas e intérprete, tudo em uma só pessoa, dotado de todos os dons do Espírito".
Na História da Igreja Cristã, escrita por Filipe Schaff, edição de 1882, ele escreve que o fenômeno de falar em línguas tem reaparecido de quando em quando nos avivamentos dos Camisards e dos Cevennes, na França e entre os primitivos Quakers e Metodistas, seguidores de Lasare da Suécia em 1841-1843, e entre os irlandeses em 1859, e final­mente, até os nossos dias.
Na história dos avivamentos de Finney, Wesley, Moody e outros, houve demonstração do poder do Espírito Santo no dom de falar línguas com pros­trações físicas e estremecimento debaixo do poder de Deus.
Charles G. Finney assegura em sua auto­biografia que o Senhor se manifestou aos seus discí­pulos nesta geração, assim como fez nos tempos apostólicos.
James Gilchrist Lawson, em seu livro "Profun­das Experiências de Cristãos Famosos", escreve: "Em algumas ocasiões o poder de Deus se mani­festava em tal grau nas reuniões de Finney, que quase todos os presentes caíam de joelhos em ora­ção, ou melhor, oravam com lamentos e queixumes inenarráveis pelo derramento do Espírito de Deus". O Rev. R. Boyd, batista, amigo íntimo de Dwight L. Moody, relata no seu livro "Provas e Triunfes da Fé", edição de 1875:
"Quando cheguei ao Vitória Hall, Londres, en­contrei a assembléia ardendo. Os jovens estavam falando em línguas e profetizando. Qual seria a ex­plicação de tão estranho acontecimento? Somente que Moody os estava dirigindo naquela tarde".
Stanley Frodsham, em seu livro "Estes Sinais Seguirão", dá detalhes do poderoso derramamento do Espírito Santo em 1906, em Los Angeles, Cali­fórnia:
"Centenas de leigos e ministros, todos por igual, de todo os Estados Unidos - metodistas, episco­pais, batistas, presbiterianos, e os denominados se­guidores da doutrina da Santidade - de diferentes nacionalidades, foram batizados com o Espírito Santo e falavam em outras línguas, seguindo-se os sinais".
No seu livro "Demonstração do Espírito San­to", H.H. Ness escreveu:
"Quando o fogo pentecostal brotou com ímpeto entre os cristãos das igrejas da Aliança Missionária Cristã nos estados de Ohio, Pensilvânia, Nova Ior­que e outros estados do Noroeste dos Estados Uni­dos, faz alguns anos, em muitos deles houve de­monstração do poder do Espírito Santo, o que foi visto, sentido e ouvido. Resultaram notáveis mila­gres de cura divina - recuperação de saúde de ce­gos, surdos, mancos e outros afligidos - pela oração da fé. Mais ainda, não houve ali somente prostra­ções e línguas desconhecidas, mas houve também surpreendentes casos em que pessoas foram levan­tadas do solo pelo poder de Deus".
Nestes últimos anos tem-se tornado comum ler em jornais, revistas e livros, a respeito da experiên­cia de falar línguas estranhas entre evangélicos de denominações até então invulneráveis à ação sobre­natural do Espírito Santo.
O jornal episcopal "The Living Church", há al­guns anos, trouxe o seguinte sobre o fenômeno de falar línguas estranhas:
"O falar em línguas não é mais um fenômeno de alguma seita estranha do outro lado da rua. Está em nosso meio, e vem sendo praticado pelo clero e pelos leigos, homens de nomeada e boa reputação na igreja. Sua introdução generalizada se chocaria contra nosso senso estético e contra algumas de nossas mais intrincheiradas idéias preconcebidas. Mas sabemos que somos membros de uma igreja que de toda sorte precisa de um choque - se Deus tem escolhido este tempo para dinamitar o que o bispo Sterling, de Montana, designou de 'respeita­bilidade episcopal', não conhecemos explosivo de efeito mais terrivelmente eficaz".
No "The Episcopalian" de 15/05/1968, disse o Rev. Samuel M. Shoemaker:
"Sem importar o que significa o antigo-novo fe­nômeno do 'falar línguas', o mais admirável é que se declara, não apenas no seio dos grupos pentecos­tais, mas também entre os episcopais, os luteranos e os presbiterianos.
Eu mesmo não passei por essa experiência, mas tenho visto pessoas que a têm re­cebido, e isso as tem abençoado e dado um poder que não possuíam antes. Não pretendo entender esse fenômeno, mas estou razoavelmente certo de que indica a presença do Espírito Santo, assim como a fumaça que sai de uma chaminé indica a presença de fogo por baixo. E sei com certeza que isso significa que Deus quer entrar na igreja anti­quada e autocentralizada como geralmente ocorre, para que lhe outorgue uma modalidade de poder que a torne radiante, excitante e altruísta. Devería­mos procurar compreender e ser reverentes para com esse fenômeno, ao invés de desprezá-lo ou zombar dele".
9. CESSOU O DOM DE LÍNGUAS?
No seu livro "Os Carismáticos", John F. Ma­cArthur escreve o seguinte:
"Primeiro Coríntios 13.8 declara claramente que 'as línguas cessarão'. Quanto a esse 'cessar', o verbo grego não se encontra na voz passiva mas na voz reflexiva, que sempre enfatiza o sujeito que faz a ação. O que essa frase no versículo 8 está dizendo é que 'as línguas cessarão por si mesmas'.
"Se as línguas cessarão por si, a questão é quando? Depois de diversos anos de estudo, em que li to­dos os lados da questão e discuti com carismáticos como também com pessoas não-carismáticas, estou convencido, sem dúvida alguma, de que as línguas cessaram na era apostólica, e que, quando cessaram, foi uma coisa permanente".
É evidente que este raciocínio do antipentecostal John F. MacArthur é falho e não honra as Escrituras, nem se harmoniza com a historicidade da glossolalia que se tem tornado um círculo ininterrupto desde o dia de Pentecoste até os nossos dias. O dom de línguas é um dom atualíssimo.
Para melhor compreensão do assunto, é importante citar não só o versículo 8 de 1 Coríntios 13, mas também os versículos 9 e 10:
"A caridade nunca falha; mas havendo profe­cias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciências desaparecerá; porque em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado".
MacArthur assegura que as línguas cessaram na era apostólica, porém, como os demais antipentecostais, é de opinião de que "profecia" e "ciência" são dons ainda operantes na igreja de hoje. É sim­plesmente inconcebível que as línguas tenham ces­sado, e "profecia" e "ciência" que estão sujeitas ao mesmo espaço de vigência, ainda continuem.
A alusão de Paulo às línguas, profecia e ciência, é feita em termos de comparação com a caridade. É evidente que há circunstancia em que o próprio amor chega a faltar, mas isto não é regra, mas uma exceção.
John F. MacArthur tem dificuldade em fixar com exatidão bíblica, quando o dom de línguas ces­saria. A maioria dos antipentecostais, cujas obras tenho consultado, são de opinião de que 1 Coríntios 13.10 - “... mas quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado" - significa que quando fosse encerrado o cânon divino (segundo eles) o que Paulo se refere como "o que é perfeito", então o que é perfeito em parte (segundo eles, refe­rente ao dom de línguas e aos demais dons), será aniquilado.
Se as Escrituras não dizem o que dizem os seus escritos, como dirão aquilo que dizem os antipente­costais? Ao escrever sobre uma aparente transitoriedade do dom de línguas, o apóstolo Paulo se refe­ria simplesmente às limitações às quais estamos su­jeitos até que aquele que é perfeito (Jesus Cristo) apareça na plenitude da sua glória, quando então seremos semelhantes a Ele: Jó 19.25-27; Sl 17.15; 1 Jo 3.2.
"De igual modo, agora só podemos ver e com­preender um pouquinho a respeito de Deus, como se estivéssemos observando seu reflexo num espe­lho muito ruim; mas o dia chegará quando o vere­mos integralmente, face a face. Tudo quanto sei agora é obscuro e confuso, mas depois verei tudo com clareza, tão claramente como Deus está vendo agora mesmo o interior do meu coração", 1 Co 13.12 (0 Novo Testamento Vivo).
10. MAIS EVIDÊNCIAS DA ATUALIDADE DO DOM DE LÍNGUAS
Sabe-se que, hoje, nada menos de cinqüenta mi­lhões de cristãos, espalhados por todas as partes do mundo, em diferentes denominações, falam em línguas. São crianças, jovens, e adultos que gozam do glorioso privilégio de adorar a Deus em novas línguas. Sabe-se que até irmãos mudos-surdos têm sido tomado pelo Espírito Santo e inspirados a falar em línguas como acontece a qualquer pessoa nor­mal. Mesmo igrejas até há pouco invulneráveis à operação do Espírito Santo, têm levantado a sua voz, num vibrante testemunho quanto à atualidade dos dons do Espírito Santo.
Sob o patrocínio do Rev. Sílvio Ribeiro Ladeira, pastor da Igreja Presbiteriana Independente de Carapicuíba, São Paulo, foi publicado recentemente o livro "O Movimento Carismático e a Teologia Re­formada", de autoria do Dr. J. Rodman Williams, que traz a opinião de ilustres teólogos e de famosas igrejas quanto à atualidade do dom de línguas.
A. A. Hoekema, teólogo reformado conservador, escreve:
"... não podemos certamente limitar o Espírito Santo, sugerindo que seria impossível para Ele con­ceder o dom de línguas hoje."
A "Dutch Reformed Church" da Holanda, em sua carta pastoral de 1960, sobre a Igreja e os Gru­pos Pentecostais, diz:
"Achamos presunçoso afirmar que o falar em línguas foi algo somente para o início do Cristia­nismo. A evidência bíblica em Atos e 1 Coríntios 12 a 14 é demasiado explícita para isso. O fato de falar em línguas ter também um significado em nossos dias, não pode ser, portanto, posto de lado."

O batismo com o Espírito Santo hoje

A doutrina do batismo com o Espírito Santo tem-se feito numa das pedras basilares da doutrina pentecostal, por vários séculos; pois, está provado que, o batismo com o Espírito Santo, além de bibliocêntrico é também prático e experimental.
Um dos sinais prenunciados pelos profetas do Antigo Testamento, alusivo ao fim dos tempos para judeus e gentios, trata do derramamento do Espíri­to Santo em grande profusão sobre a terra.
No livro do profeta Joel, capítulo 2, versículos 28 e 29, lemos:
"E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito".
Mais de quinhentos anos haviam-se passado desde que esta profecia fora anunciada, quando, pelas campinas verdejantes da Judéia, e pelas mar­gens úmidas do Jordão, apareceu João Batista, o precursor do Salvador, anunciando:
"E eu, em verdade, vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito San­to e com fogo", Mt 3.11.
Não tardou, até que Cristo, na força do Espírito, começasse o seu ministério, no desenvolver do qual, também falou sobre a obra do Espírito Santo, co­meçando com o novo nascimento, seguindo-se o ba­tismo com o mesmo Espírito. Ele próprio disse quando de sua estada numa festa dos judeus em Jerusalém:
"Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios d’água viva correrão do seu ventre".
Acrescenta o apóstolo João:
"E isto disse ele do Espírito que haviam de rece­ber os que cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por Jesus ainda não ter sido glorifi­cado", Jo 7.38,39.
Após ressuscitar dos mortos, noutro lugar, antes de subir ao Pai, diante dos seus discípulos, outra vez disse Jesus:
"... vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias... Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra", At 1.5,8.
Após ter dito isto, foi Jesus elevado ao Céu, e, já à mão direita do Pai, cumpre o que prometeu a seus discípulos. Escreve o evangelista Lucas:
"E, cumprindo-se o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e im­petuoso, e encheu toda a casa em que estavam as­sentados. E foram vistas por eles línguas repartidas como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem", At 2.1-4.
A multidão atônita diante do Cenáculo, onde o Espírito Santo era derramado, divide-se em dois grupos distintos. 0 primeiro grupo, moderadamen­te, indaga: "Que quer isto dizer?", enquanto o ou­tro grupo, mais precipitadamente, afirma: "Estão embriagados!" A estes responde Pedro: "Estes homens não estão embriagados, como vós pensais". Àqueles, fala o mesmo apóstolo:
“... isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Es­pírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos fi­lhos e as vossas filhas profetizarão; os vossos mancebos terão visões, e os vossos velhos sonharão so­nhos; e também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e minhas servas naqueles dias, e profetizarão", At 2.15-18.
Lucas vai mais adiante com a sua narração, e diz que os que compunham aquela grande multi­dão, ouvindo a explicação dada pelo apóstolo Pe­dro, "compungiram-se em seu coração, e pergunta­ram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, varões irmãos? E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; porque a promessa vos diz res­peito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe; a tantos quantos Deus nosso Senhor cha­mar", At 2.37-39.
Os anos e os séculos vão se escoando e o momen­to do arrebatamento da Igreja se aproximando, en­quanto milhões de pentecostais, espalhados por to­dos os continentes, estão confirmando que estas pa­lavras do apóstolo Pedro, ditas na manhã do Pente­coste, cumpriram-se em suas vidas. Elas ainda se cumprem na vida daqueles que buscam o Espírito Santo em maior medida.
1. FALSOS CONCEITOS SOBRE O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
No decorrer dos anos, muitíssimos conceitos er­rôneos têm surgido a respeito do batismo com o Espírito Santo. Muitas "boas intenções" têm con­tribuído para que se generalizem tais conceitos. De um lado estão os antipentecostais a confundirem o batismo com o Espírito Santo com a conversão e o novo nascimento. Do outro lado estão muitas cor­rentes "renovacionistas" e "carismáticas", que fa­lam de um batismo com o Espírito Santo alienado da autenticidade bíblica. No centro, porém, estão também não poucos obreiros pentecostais tradicio­nais, que já não nutrem nenhum interesse por ele­var as suas congregações, principalmente os crentes mais novos, à experiência do batismo com o Espíri­to Santo. Tenho tido a desagradável surpresa de verificar que em muitas das nossas igrejas, o número daqueles que ainda não tiveram esta expe­riência é consideravelmente maior do que o daque­les que já a experimentaram. Tenho verificado também que grande número daqueles que já rece­beram o batismo com o Espírito Santo já não vive o mesmo nível de vida espiritual demonstrado nos dias imediatos à recepção dessa bênção. Torna-se evidente, portanto, que se continuarmos assim, não demorará virmos a ser conhecidos como pentecos­tais apenas na forma.
Nenhum obreiro deveria estar plenamente sa­tisfeito até que visse sua própria congregação ar­dendo sob o fogo do Espírito. Muitos obreiros são bons avivalistas nos campos e igrejas de outros obreiros, enquanto que a sua própria congregação está clamando por um homem que a ajude a des­vendar os horizontes do Espírito Santo.
Muitas igrejas hoje, em face da maneira como agem seus pastores, são comparadas às antigas lo­comotivas "Maria Fumaça", em que uma pessoa era o maquinista e outra o foguista. Muitos pasto­res são apenas o "maquinista" de sua igreja, isto é: administram bem, são bons doutrinadores tratan­do-se de assuntos gerais: são zelosos pelos bens imóveis e financeiros da comunidade, mas, quando acham que precisam de uma fogueira (um aviva­mento) no meio da sua igreja, têm de convidar um "foguista" de outra igreja para promovê-la.
Não é meu propósito desencorajar a cooperação mútua entre os obreiros da causa do Senhor. Em absoluto. Isto faz bem à igreja e ao visitante. O que quero salientar, porém, é que a vontade de Deus é ser o pastor, ao mesmo tempo, "maquinista" e "fo­guista" da igreja da qual cuida.
Não basta falar sobre o batismo com o Espírito Santo. Ao obreiro consciente da responsabilidade que Deus lhe confiou, compete também promover reuniões especiais de jejum, estudos bíblicos e ora­ções, tornando o ambiente propício à busca do ba­tismo com o Espírito Santo, a uma vida de renova­ção espiritual.
Há alguns anos, quando realizava uma cruzada de evangelismo na cidade de Santa Luzia, no Esta­do do Maranhão; na manhã do último dia daquela Cruzada, testemunhei o maior derramamento do Espírito, em toda a minha vida, quando mais de duzentos irmãos foram batizados com o Espírito Santo, de acordo com Atos 2. Desde aquela manhã, Deus me tem feito sentir a necessidade de se dar mais ênfase a este palpitante assunto, seja nos púl­pitos das igrejas, seja através de livros, revistas e jornais, pois, quanto maior for o número de crentes batizados com o Espírito Santo hoje, mais gloriosos serão os momentos finais da história da Igreja na terra.
O fato lastimável de que milhões de almas estão condenadas ao fogo do Inferno deve despertar em cada crente o interesse de, sem demora, começar a arder sob o fogo do Espírito Santo, para dalguma forma salvar a alguns enquanto ainda há tempo.
Vivamos mais no Espírito! Falemos mais do Espírito e nossas congregações terão o Espírito em maior medida.
2. O QUE NAO É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO
Inicialmente, digo que o batismo com o Espírito Santo não é a mesma coisa que o novo nascimento.
Ambas são experiências distintas. Jesus primeira­mente disse a seus discípulos: "Vós já estais lim­pos, pela palavra que vos tenho falado", Jo 15.3. Só depois eles foram batizados com o Espírito Santo. Os crentes samaritanos e os doze discípulos de Éfe­so já tinham os seus nomes escritos no Livro da Vida quando receberam o dom do Espírito Santo. O próprio Jesus Cristo, não obstante tenha sido ge­rado por obra e graça do Espírito, só aos trinta anos de idade foi ungido pelo Espírito Santo e capacita­do para a sua missão: Lc 4.17-20. Só na casa de Cor­nélio houve conversão e batismo com o Espírito Santo simultaneamente, mesmo assim, conversão e batismo com o Espírito Santo são experiências dis­tintas.
Sobre o assunto escreve o Dr. Torrey:
"Um homem pode ser regenerado pelo Espírito Santo e ao mesmo tempo não ser batizado com o Espírito Santo.
Na regeneração se implanta no ho­mem a vida pelo poder do Espírito Santo, e ele que a recebe é salvo. No batismo com o Espírito Santo implanta-se o poder no crente, e ele que recebe esse poder está capacitado a servir..."
Adrew Murray escreve:
"Os discípulos tinham plena consciência de que o batismo com o Espírito Santo não era o primeiro revestimento para a regeneração, mas sim uma co­municação definida da presença e poder do Senhor glorificado".
J. R. W. Stott procura analisar a questão par­tindo do seguinte raciocínio:
"Se todos os crentes estão batizados com o Espírito Santo, a maioria parece não tê-lo sido! Al­guns crentes asseguram ter recebido uma experiên cia posterior e distinta, ligada ao Espírito Santo, e a reivindicação destes parece ser verdadeira".
O batismo com (ou no) Espírito Santo não é a mesma coisa que o batismo do Espírito Santo. Se isto é verdade, que quis dizer o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 12.13, quando afirma que "todos nós fo­mos batizados em um Espírito formando um cor­po?" Dr. John MacNiel responde a esta pergunta com suficiente clareza:
"Quando Paulo afirma em 1 Coríntios 12.13 que 'por um Espírito fomos batizados em um corpo' refere-se a todos os crentes, os quais têm recebido vida por meio do Espírito Santo, e desta maneira passaram a formar parte do corpo místico de Cris­to. Esta é a forma que tem Paulo de explicar o novo nascimento de João 3.7".
No batismo do Espírito Santo, o próprio Espíri­to é o batizador, imergindo o neoconvertido no cor­po místico de Cristo, a sua Igreja, e fazendo-o membro vivo e ativo desse corpo. Esse batismo tem lugar no momento da conversão: Rm 6.3; 1 Co 12.13; Gl 3.27.
Já no batismo com ou no Espírito Santo, o bati­zador é Jesus, enquanto que o Espírito Santo é o elemento no qual o crente é imergido, ou batizado: Mt 3.11; Jo 1.33; 15.26; At 1.5.
O batismo com o Espírito Santo não é a mesma coisa que a santidade. Não é uma apólice de seguro contra naufrágio espiritual, nem um salvo-conduto de posse do qual o crente pode abusar da bondade e misericórdia divinas. Partindo do princípio de que maior responsabilidade tem quem mais luz possui, o crente, uma vez batizado com o Espírito Santo, deve estar atento às palavras de advertências do apóstolo Paulo:
"... não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção", Ef 4.30; "Não extingais o Espírito", 1 Ts 5.19.
3. O QUE É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO?
O batismo com o Espírito Santo é o âmago da experiência do Pentecoste. Um verdadeiro pente­costal não é quem simplesmente pertence a uma denominação com esse nome, mas alguém que foi batizado com o Espírito Santo e continua a trans­bordar da sua virtude.
O batismo com o Espírito Santo é o cumprimen­to integral e total da promessa do Pai, sobre a qual falou Jesus: At 1.4.
O batismo com o Espírito Santo é a unção indis­pensável a todo crente, que, possuidor da natureza divina, tem o dever de ser testemunha de Cristo e do seu Evangelho por todos os lugares, até os con­fins da terra: At 1.8.
O batismo com o Espírito Santo é o fluir das fontes cristalinas da salvação, que manam na al­ma do pecador perdoado, pela bondade do Senhor: Jo 7.38,39.
Disse o jornalista John L. Sherril:
"O batismo com o Espírito Santo é o dom do amor em sua intensidade até então desconhecida para nós. A sua conseqüência natural é sermos im­pelidos à frente, para o mundo, pelo poder desse amor transbordante, buscando oportunidades de compartilhar com outros aquilo que nos foi outor­gado".
O batismo com o Espírito Santo é um batismo de fogo, de luz e de alegria, de união e de comunhão espiritual, de entusiasmo e de poder.
4. QUANDO O CRENTE DEVE SER BATIZADO COM O ESPÍRITO SANTO?
A Bíblia não sugere com precisão o tempo em que o crente deve receber o batismo com o Espírito Santo. Os próprios casos citados no Novo Testa­mento, mais precisamente no livro de Atos, são muito distintos uns dos outros. Por exemplo: os gentios da casa de Cornélio, em Cesaréia, foram salvos e imediatamente batizados com o Espírito Santo: At 10.44-46. Paulo teve essa mesma expe­riência só três dias após se ter encontrado com o Salvador na estrada de Damasco: At 9.9,17,18. Os cristãos samaritanos tiveram a visitação do Espíri­to só muitos dias após a experiência da conversão: At 8.14-17. O mesmo aconteceu com os 12 discí­pulos de João Batista encontrados por Paulo em Éfeso (At 19.1-7), que só foram batizados com o Es­pírito Santo muitos anos depois da conversão. Os mesmos fatos se repetem ainda nos nossos dias.
Tenho testemunhado o fato de irmãos que têm recebido o batismo com o Espírito no momento da conversão, outros nos primeiros dias de fé, e outros ao longo dos anos de vida em comunhão com Cris­to.
5. EM QUAIS CIRCUNSTÂNCIAS O CRENTE PODE RECEBER O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO?
Os casos de batismos com o Espírito Santo narrados pela Escritura mostram quão diferentes podem ser as circunstâncias em que o crente pode encontrar-se no momento de receber o batismo com o Espírito Santo. Por exemplo: os apóstolos foram batizados com o Espírito Santo após dez dias de es­pera. Os gentios em Cesaréia tiveram esta expe­riência enquanto ouviam a Pedro. Os doze discípu­los de Éfeso foram cheios do Espírito após uma con­versa racional e informal com o apóstolo Paulo.
Nos nossos dias, são inúmeros os casos de ir­mãos que foram batizados com o Espírito Santo nas mais diferentes circunstâncias: uns tiveram a experiência enquanto oravam, outros enquanto cantavam, estudavam as Escrituras ou pensavam nas coisas do Alto; outros enquanto dirigiam o car­ro pelas movimentadas ruas de uma cidade, outros ainda enquanto trabalhavam na roça ou na ordenha do gado no estábulo. São tantas as circunstân­cias em que os crentes podem estar envolvidos no momento da recepção desta bênção, que nos é im­possível mencioná-las.
No seu livro "O Espírito Santo", publicado pela EETAD, o pastor Estêvam Ângelo de Souza narra o seguinte fato:
"Uma senhora estava faminta por receber o ba­tismo com o Espírito Santo. Uma noite sonhou que estava no Cenáculo, no dia de Pentecoste.
Mesmo em sonho, pensou que este era o momento ideal e o lugar apropriado para ser cheia do Espírito Santo. Ainda em sonho, levantou as mãos e começou a re­gozijar-se e, agradecendo a Deus, acordou falando em línguas pela primeira vez".
6. COMO RECEBER O BATISMO COM O ES­PÍRITO SANTO?
Ê difícil estabelecer-se com precisão o que é ne­cessário que o crente faça para poder receber o ba­tismo com o Espírito Santo; principalmente porque a Bíblia não estabelece uma regra precisa quanto a isso. Alguns dos escritores que tenho lido a este res­peito, no afã de ajudar aqueles que buscam o dom do Espírito Santo, muitas vezes tiram simplesmen­te o significado bíblico desta bênção pela maneira como encaram a sua busca. Ainda lembro-me dos primeiros anos da minha busca por esta bênção. Li obras como: "Sete Passos para Ser Cheio do Espíri­to Santo", "O Que Fazer para Receber o Batismo com o Espírito Santo" e outras semelhantes. Eu fa­zia como o livro ensinava, mas terminava na mes­ma. Porém os anos se passaram, e num dia em que eu menos esperava, fui batizado com o Espírito Santo. Já não mais me lembrava do que havia lido. Cumpriu-se em mim o que disse Paulo: "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade", Fp 2.13.
Como já disse, muitos daqueles que tentam aju­dar os crentes na busca do batismo com o Espírito Santo, às vezes deixam a aquisição desta bênção mais na dependência daquilo que a pessoa pode e deve fazer, do que na dependência da suficiência de Deus, e quando, assim acontece, a bênção deixa de ser um dom de Deus, para tornar-se num galardão ou gratificação que Deus dá ao crente em troca do esforço demonstrado.
É anti-bíblico o ensino de que o crente deve dar "dez glórias a Jesus" ou "sete aleluias" como meio de ser batizado com o Espírito Santo. Já foi dito que a Bíblia não fala com precisão quanto ao que o crente deve fazer para receber essa bênção de Deus, porém é evidente que alguns princípios estabeleci­dos sabiamente têm ajudado a muitos. Por exem­plo, o Rev. Andrew Murray apresenta sete itens que o crente pode ter em mente na busca do batismo com o Espírito Santo, e são:
Há tal bênção para receber.
É para mim.
Não a tenho.
Estou ansioso por obtê-la.
Estou pronto a abandonar tudo o que estiver em conflito com ela.
Entrego-me completamente a Deus para que a receba.
Pela fé, recebo-a agora.
Poderia apresentar outras formas de ajuda àqueles que buscam o batismo com o Espírito Santo, mas como elas são tão diferentes entre si, e como o desejo é o pai da invenção, oro para que Deus, na sua multiforme maneira de agir, estabeleça o princípio a ser seguido por cada um na busca dessa bênção gloriosa.
7. O CRENTE DEVE BUSCAR O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO?
O crente deve buscar o batismo com o Espírito Santo, e é bíblico fazê-lo. Ainda que alguns crentes tenham recebido o batismo com o Espírito Santo num momento em que não buscavam de joelhos, é certo que ninguém jamais teve esta experiência sem que de fato a desejasse; e a busca é a mais ge­nuína demonstração do desejo.
Um dos ensinos preferidos pelos antipentecostais, é que o crente não deve buscar o batismo com o Espírito Santo, pois, segundo eles, o crente que assim faz está sujeito a receber um espírito de de­mônio em lugar do Espírito Santo. Este ensino é não só absurdo como também é uma blasfêmia. O que Jesus ensinou a respeito disto foi o seguinte:
"E eu vos digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; bus­cai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; porque o que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-á. E qual é o pai dentre vós que, se o fi­lho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou tam­bém, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião! pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quando mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?" Lc 11.9-13.
O crente não batizado como o Espírito Santo deve pedir a Jesus, o doador do Espírito Santo, que o batize, e também (é bíblico) os crentes já batiza­dos devem orar em favor dos que ainda não foram batizados, para que sejam cheios do Espírito. Pedro e João oraram para que os crentes samaritanos fos­sem batizados com o Espírito Santo (At 8.17); o mesmo fez Ananias com Saulo: At 9.17. Paulo im­pôs as mãos sobre os doze discípulos em Éfeso, e, enquanto orava, o Espírito Santo veio sobre eles de sorte que tanto falavam em línguas como profetiza­vam.
Quando o crente ora buscando o batismo com o Espírito Santo, não está com isto pressionando Deus a quebrar uma norma que o seu conselho preestabeleceu para outorgar o Santo Espírito ao peticionante. Segundo a Bíblia, ' o derramamento do Espírito Santo sobre cada crente, individual­mente, é o cumprimento integral de uma promessa fiel feita pelo Pai, através dos seus profetas, e de Je­sus Cristo (At 1.4), e o que Deus diz é: "... eu velo sobre a minha palavra para a cumprir", Jr 1.12.
O Dr. Torrey, o mais autorizado biógrafo do fa­moso evangelista D.L.Moody (pois foi seu compa­nheiro de ministério por muitos anos), escreve sobre o evangelista:
"A razão que explica porque Deus usou D.L.Moody se acha no fato de que ele era definiti­vamente dotado do poder divino - tinha recebido o batismo com o Espírito Santo.
"Moody não duvidava de que recebera o batis­mo com o Espírito Santo. Quando ele era moço es­forçava-se muito e tinha um desejo tremendo de conseguir alguma coisa, porém faltava-lhe poder. Estava trabalhando na força da carne. Nesse tem­po havia duas humildes senhoras metodistas que costumavam assistir às reuniões por ele dirigidas na Associação Cristã de Moços. Elas, no fim do cul­to, muitas vezes se despediam de Moody dizendo: 'Estamos orando a seu favor'. Afinal ele ficou um tanto sentido com isto e uma noite perguntou-lhes: 'Por que estão orando por mim? Por que não oram em favor dos perdidos? ' Responderam: 'Estamos pedindo que Deus lhe conceda poder'. Ele não com­preendeu esta declaração, mas começou a meditar e depois procurou as senhoras, pedindo esclareci­mento sobre a questão. Elas lhe falaram, então, a respeito do batismo com o Espírito Santo. Em se­guida, Moody pediu licença para orar juntamente com elas. Uma das mulheres me contou que ele orou com intensíssimo fervor naquela ocasião. Orou não somente com elas, mas também orou sozinho.

"Pouco tempo depois, quando Moody estava na cidade de Nova Iorque, a caminho da Inglaterra, andando um dia pela rua, no meio do tumulto e da confusão da grande cidade, recebeu a resposta à sua oração: o poder de Deus desceu sobre ele. Moo­dy foi às pressas para a casa de um amigo e pediu permissão para retirar-se para um quarto onde pu­desse estar a sós por algum tempo. Ali passou umas horas em comunhão com Deus, enquanto o Espírito derramou sobre ele um tão imenso gozo, que trans­bordava. Saiu daquele lugar definitivamente cheio do Espírito Santo.
"Muitas vezes, recebendo eu um convite para ir pregar numa igreja qualquer, Moody me fazia este pedido: 'Torrey, você deve pregar sobre o Batismo com o Espírito Santo, sem falta'. Numa ocasião eu lhe perguntei: 'Sr. Moody, pensa que eu tenho só estes dois sermões: 'Dez razões porque creio que a Bíblia é a Palavra de Deus' e 'O Batismo com o Espírito Santo? ' 'Não importa isso, replicou, mas deve pregar sobre esses dois assuntos"'.
Observe que Moody não só desejou o batismo com o Espírito Santo, mas também o buscou e o re­cebeu, por isso o Dr. Scofield, na realização da ceri­mônia fúnebre do famoso evangelista, disse: "Moody foi batizado com o Espírito Santo e sabia disso".
Muitos crentes prostram-se de joelhos diante de Deus na busca do batismo com o Espírito Santo, mas logo desfalecem. A razão disso normalmente está no seguinte: quando se propõem a orar sobre o assunto, ficam mais preocupados com suas pró­prias dúvidas, buscando perdão de pecados já per­doados, ou tratando de assuntos que deveriam estar ausentes da sua mente naquele momento sole­ne, do que com o buscar a bênção prometida.
Para o devido sucesso na busca a que se pro­põe o crente deve evitar perder-se em divagações e atalhos sempre estranhos ao verdadeiro desejo e à busca de tão elevado dom.
Leitor, busque o batismo com o Espírito Santo com o mesmo desejo do qual é possuído o náufrago quando busca terra seca onde sobreviver, e o Deus que não dá o seu Espírito por medida (Jo 3.34), lhe atenderá graciosamente.
8. O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO É PARA OS CRENTES DE HOJE?
Evidentemente sim. Para cada negativa que os antipentecostais venham a apresentar quanto a is­so, a Bíblia tem grande número de passagens que ratificam o ensino de que o batismo com o Espírito Santo é para os crentes dos nossos dias.
Como é possível afirmar-se pela Bíblia que a ex­periência do batismo com o Espírito Santo era res­trita à Igreja Primitiva, e ao mesmo tempo asseve­rar que a regeneração e o batismo em águas são para os homens do nosso tempo?
Quanto à dimensão da promessa do batismo com o Espírito Santo, disse o apóstolo Pedro:
"... porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe; a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar", At 2.37-39.
Ainda que o sol brilhe sete vezes mais que o nor­mal, não dará mais luz do que este texto lança so­bre o assunto. Pedro não disse nada mais senão que a experiência do batismo com o Espírito Santo, tal como foi manifesto no dia de Pentecoste, era u ma realidade que continuaria a se repetir na vida da Igreja até o arrebatamento.
Por qual razão os apóstolos teriam de ser batiza­dos com o Espírito Santo e nós não?
"É que eles se­riam os continuadores da obra de Cristo", respon­dem os antipentecostais. E o que somos nós hoje? Perguntaria mais: Dos apóstolos foi exigida maior responsabilidade no lançamento do fundamento doutrinário da Igreja do que é exigida de nós hoje quanto à expansão e conservação desse fundamen­to? Evidentemente não! Não foi este o pecado dos crentes da Galácia, que tendo começado a obra de Deus no Espírito, no final estavam tentando aper­feiçoá-la na carne? Gl 3.3. Se nos dias apostólicos, o Diabo já era o leão que ruge "procurando alguém a quem possa tragar", hoje muito mais. Se o mundo naqueles dias já era mau e os homens obstinados no pecado, hoje também é assim. Então, se a nossa missão hoje é tão importante quanto à dos primei­ros discípulos e apóstolos do Senhor, não nos deve­mos conformar em desempenhá-la com menor por­ção do Espírito Santo do que a que eles possuíam.
Em Atos 15.8,9, sobre o propósito do batismo com o Espírito Santo relacionado àqueles que não eram apóstolos, disse o apóstolo Pedro no Concilio de Jerusalém:
"E Deus, que conhece os corações, lhes deu tes­temunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós; e não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé". (Compare essa passagem com o versículo 44 do capítulo 10 do mesmo livro de Atos.)
Ora, se Deus não fez nenhuma diferença entre os apóstolos e os gentios daquele tempo quanto à experiência do enchimento do Espírito Santo, como temos de hoje dar ouvidos á voz desafinada desses teólogos antipentecostais que nos tentam conven­cer de que a experiência do batismo com o Espírito Santo não é para os nossos dias?
O Dr. A.B. Simpson, fundador da Aliança Cris­tã Missionária, escreveu o seguinte:
"Primeiro, o Senhor nasceu pelo Espírito, logo foi batizado com o Espírito, e posteriormente ini­ciou seu ministério no poder do Espírito Santo. Es­pero que assim como 'o que santifica, como os que são santificados, são todos um', de igual maneira nós devemos seguir seus passos e imitar sua vida. Nascidos do Espírito nós também devemos ser ba­tizados com o Espírito Santo, e logo viver a vida de Cristo e repetir sua obra".
Disse o falecido missionário Jonathan Gofort:
"As Sagradas Escrituras me dizem que o Se­nhor Jesus se propôs que o Espírito Santo devia continuar entre nós, manifestando-se em forma po­derosa, como no Pentecoste. A eficácia do batismo com o Espírito Santo e o fogo diminuem gradual­mente da alma do homem só quando ela se extin­gue voluntariamente".
A.J. Gondon chama a nossa atenção para o se­guinte:
"Observamos que Cristo, nosso exemplo nisto como nas demais coisas, não iniciou seu ministério enquanto não recebeu o Espírito Santo..."
De uma biografia de Charles G. Finney, escrita pelo Dr. Raymond Edman, destacam-se os dois pa­rágrafos seguintes, nos quais o biografado mostra o que foi a experiência do batismo com o Espírito Santo em sua vida. Diz Finney:
"Não há palavras que exprimam o maravilhoso amor que foi derramado em meu coração. Chorei alto, de alegria e de amor; e não sei se devo dizer que literalmente gritei pela alegria inexprimível do meu coração. Ondas de alegria vieram sobre mim, e vie­ram, e vieram, uma após outra, até que me lembro que bradei:
'Morrerei se estas ondas continuarem a vir sobre mim'. Então eu disse: 'Senhor, não supor­to mais! ', contudo não tinha medo da morte.
"Não sei quanto tempo continuei nesse estado, com a força desse batismo a envolver-me, a perpas­sar-me. Sei que já era tarde quando veio falar comi­go um dos componentes do meu conjunto. (Eu era dirigente do coro.) Ele era membro da igreja. En­controu-me nesse estado de pranto e perguntou: 'Sr. Finney, que há com o senhor? ' Durante algum tempo não pude responder. Ele então insistiu: 'O senhor está sentindo alguma dor? ' Dominando-me da melhor forma que pude, respondi: 'Não, porém estou tão feliz que nem posso viver!..."
O evangelista americano, batista, Billy Graham, disse certa vez:
"Nas principais denominações temos olhado com bastante suspeita para nossos irmãos das igre­jas pentecostais, por causa da ênfase que dão à dou­trina do Espírito Santo. Mas acredito que é chega­da a hora de concedermos ao Espírito Santo o lugar que lhe pertence, por direito, nas nossas igrejas. Precisamos aprender uma vez mais o que significa ser batizado com o Espírito Santo".
A experiência do batismo com o Espírito é tão real, prática e experimental para o crente de hoje, quanto o novo nascimento o é para aquele que confessa a Jesus Cristo como Salvador e Senhor da sua vida.
9. QUAL A EVIDÊNCIA FÍSICA INICIAL DE QUE O CRENTE FOI BATIZADO COM O ESPÍRITO SANTO?
Todos os casos de batismos com o Espírito San­to relatados no livro de Atos, constituem uma sóli­da base para a afirmação de que o falar em línguas estranhas é a evidência física inicial de que o crente foi batizado com o Espírito Santo. Detenhamo-nos um pouco em analisar os cinco casos distintos como são apresentados no referido livro.
a. No dia de Pentecoste. "E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concediaque falassem", At 2.4.
Essa foi a primeira manifestação do Espírito Santo, após Jesus ter dito: "... e vós sereis batiza­dos com o Espírito Santo, não muito depois destes dias", At 1.5.
A demonstração comum ou evidência física ini­cial de que todos foram cheios do Espírito Santo, foi que todos falaram em línguas estranhas; línguas que não haviam aprendido, faladas, portanto, pela operação sobrenatural do Espírito Santo.
b. Entre os crentes em Samaria. "Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Sa­maria recebera a Palavra de Deus, enviaram lá Pe­dro e João, os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo. (Porque so­bre nenhum deles tinha ainda descido, mas somen­te eram batizados em nome do Senhor Jesus.) En tão lhe impuseram as mãos, e receberam o Espíri­to Santo", At 8.14-17.
Ainda que o texto bíblico citado não mostre ex­plicitamente que os samaritanos hajam falado em línguas estranhas como evidência do batismo com o Espírito Santo, vários autores, mesmo não-pentecostais, são de opinião que eles tenham falado em línguas; pois, se não houvesse a manifestação das línguas, como os apóstolos teriam notado a di­ferença entre eles antes e depois da oração com im­posição de mãos?

O versículo 18 de Atos 8 diz:
"E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofere­ceu dinheiro...".
Simão não era suficientemente tolo a ponto de propor dinheiro para adquirir poderes para realizar operações espirituais abstratas. Ele queria poderes para operar fenômenos como os que ele via e ouvia naquele momento.
c. Sobre Saulo em Damasco. "E Ananias foi, e entrou na casa, e, impondo-lhe as mãos, disse: Ir­mão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no ca­minho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo, e logo lhe caí­ram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado", At 9.17,18.
Também no caso de Saulo, o texto bíblico não diz explicitamente que ele tenha falado em línguas, mas diz que ele foi cheio do Espírito. Ora, se é váli­do admitir que ele foi cheio do Espírito Santo na­quele momento, não há motivo por que se duvidar de que tenha falado em línguas. Do punho do pró­prio apóstolo Paulo lemos as seguintes palavras:
"Dou graças a Deus, porque falo mais línguas do que vós todos", 1 Co 14.18.
d. Em casa do centurião Cornélio. "E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gen­tios. Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus", At 10.44-46.
Foi a ênfase dada por Pedro e seus companhei­ros a que os gentios em Cesaréia haviam recebido o dom do Espírito Santo da mesma forma como os quase cento e vinte no dia de Pentecoste, que apa­ziguou o ânimo dos apóstolos em Jerusalém, de sor­te que disseram: "Na verdade até aos gentios deu Deus arrependimento para a vida!" At 11.18.
e. Sobre os discípulos em Éfeso. "E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito San­to; e falavam línguas e profetizavam", At 19.6.
Observe: vinte anos após o dia de Pentecoste, o batismo com o Espírito Santo ainda era acompa­nhado com a evidência inicial de falar línguas es­tranhas. Esta evidência satisfazia não só a um dos requisitos da doutrina apostólica quanto á manifes­tação do Espírito Santo, como também cumpria parte da palavra de Jesus em Marcos 16.17:
"Estes sinais seguirão aos que crêem: ...falarão novas línguas".
Crisóstomo, um dos grandes mestres da Igreja antiga, afirmou, muitos anos após os dias de Paulo:
"Quem quer que fosse batizado nos dias apostó­licos, logo falava línguas: recebiam eles o Espírito Santo".
Também o grande mestre Myer Pearlman disse mais recentemente:
"O batismo com o Espírito Santo nos tempos apostólicos era uma experiência na qual o Espírito de Deus fazia tal impacto direto e poderoso sobre o espírito do homem, que resultava num estado de êxtase e, naquele estado estático, uma pessoa fala­va extaticamente numa linguagem que jamais aprendera. Quando o mesmo Espírito de Deus rea­liza o mesmo impacto sobre nós, hoje, como ele fa­zia sobre aqueles primeiros discípulos, nós também experimentamos o mesmo estado estático e a mes­ma linguagem estática."
A experiência do batismo com o Espírito Santo, como a da salvação, é uma experiência definida na vida do crente. E o falar em outras línguas no ato do batismo com o Espírito Santo, não só o define como um fato marcante, mas também transforma-o num capítulo a mais na vida do cristão.
10. EXISTE UM BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO E OUTRO COM FOGO?
A opinião de grande parte dos antipentecostais é que, á luz das palavras de João Batista: "... ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo" (Mt 3.11), está evidenciada a existência do batismo com o Espírito Santo e também de um batismo com fo­go. Segundo eles, o batismo com o Espírito Santo era para os apóstolos, enquanto que o batismo com fogo refere-se á manifestação do fogo do juízo divi­no sobre o Israel incrédulo e sobre os ímpios na con­sumação do século. Ê evidente que este ensino não encontra apoio nas Escrituras.
O que o texto bíblico evidencia é que o batismo com o Espírito Santo contém em si o batismo com fogo. A expressão “... e com fogo...", mostra a ação do Espírito Santo operando como agente purifica­dor na vida do crente. Observe que no derrama­mento do Espírito Santo no dia de Pentecoste, acompanhado do som como de um vento veemente e impetuoso, foram manifestas línguas repartidas como que de fogo: At 2.2,3. O fogo, nesse caso, não indica julgamento presente nem futuro, mas, o que aquela experiência significava para a vida daqueles frágeis e imperfeitos discípulos de Cristo.
Exemplo semelhante é visto na vida do profeta Isaías em evento com ele ocorrido, conforme narra o capítulo 6. Após a visão que o profeta teve do Se­nhor e da glória divina, disse ele:
"Ai de mim, que vou perecendo! porque eu sou um homem de lábios impuros, e habito no meio dum povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos! Mas um dos serafins voou para mim trazendo na sua mão uma brasa vi­va, que tirara do altar com uma tenaz; e com ela to­cou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e purificado o teu pecado", vv. 5-7.
Na experiência de Isaías, como na dos discípu­los no Pentecoste, o fogo não simbolizava juízo mas a ação purificadora do Espírito Santo em suas vi­das.
A ação purificadora do fogo foi manifesta até entre os israelitas durante a peregrinação no deser­to. Quando eles lutaram e venceram os midianítas, como era comum ao vencedor, lançaram mão das riquezas dos vencidos, como despojo de guerra, pelo que disse-lhes Moisés:
"... o ouro, e a prata, o cobre, o ferro, o estanho, e o chumbo, toda coisa que pode suportar o fogo, fa­reis passar pelo fogo, para que fique limpa...", Nm 31.22,23.
Se o fogo aqui indicasse juízo, tudo teria sido lançado no fogo para ser destruído, e não para ser purificado. Portanto, batismo com o Espírito Santo e com fogo é um só batismo.
11. O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO E A SUA INFLUÊNCIA NO TESTEMUNHO E NO SERVIÇO CRISTÃO
A experiência da salvação do homem começa no Calvário, enquanto que o seu serviço começa no Pentecoste, ou seja, com a experiência do batismo com o Espírito Santo. No texto áureo do livro de Atos, Jesus disse:
"Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Sa­maria, e até aos confins da terra", 1.8.
Pode haver desculpas para os que permanecem na inércia espiritual até que sejam capacitados pelo Espírito Santo para o serviço de Deus, mas isso não deve ocorrer após a experiência do batismo com o Espírito Santo.
O batismo com o Espírito Santo não nos é dado como um diploma de honra ao mérito. A finalidade deste batismo está prescrita na própria promessa de concessão: capacitar o crente para o trabalho di­vino. Corre sério risco o crente que, após batizado com o Espírito Santo, entrega-se ao mofo. Davi per­maneceu em Jerusalém, quando devia estar entre os seus soldados na luta contra os filhos de Amom. Sabeis o que lhe aconteceu? - ele cometeu um du­plo pecado: homicídio e adultério: 2 Sm 11.
A experiência do batismo com o Espírito Santo está intimamente associada ao fato de o Dr. Frank Lauback ter se tornado o maior alfabetizador do mundo de sua época. Veja como ele mesmo explica esse fenômeno:
"Quando Cristo esteve neste mundo, estava li­mitado a realizar o seu ministério em um só lugar e em uma só ocasião de cada vez. Era um único ho­mem, que andou á beira-mar de uma única região do mundo. Curava a todas as pessoas em quem to­cava, mas o seu toque estava necessariamente limi­tado pelo tempo e pelo espaço.
"Ora, faz sentido que o Pai tenha enviado o seu Filho apenas para esse ministério limitado? Não penso que se possa sustentar tal opinião, porque Ele fez provisão para levar avante a obra, mediante o Espírito Santo - a nós, pois, compete completar a missão de Cristo. Somos suas múltiplas mãos, pés, voz e coração. Imperfeitos e parciais para dizer a verdade, nem por isso deixamos de ser seu corpo curador. E é por intermédio do Espírito Santo que recebemos o poder de levar avante a obra dos após­tolos. Trata-se de um pensamento que nos leva a meditar; de um pensamento desafiador mesmo: quando recebemos o Espírito Santo em nossas vi­das, recebemos a mesma força urgente e transmis­sora de vida que impulsionava o Mestre".
O veterano missionário Stanley Jones disse o que para ele foi o batismo com o Espírito Santo:
"Foi então que aprendi a diferença entre um discípulo e um apóstolo. O discípulo é passivo, o apóstolo é ativo. Discípulo é aquele que se assenta aos pés de Cristo. Apóstolo é um homem que sai pelo mundo como embaixador de Cristo: um mis­sionário, se assim quisermos chamá-lo. (E um mis­sionário pode ser alguém que não tenha de ir mais longe que a porta do vizinho.) Mas o importante é que é justamente essa experiência do batismo com o Espírito Santo que transmuta o passivo em ati­vo".
O extinto pastor batista F.B.Meyer, escreveu: "Jesus foi concebido pelo Espírito Santo e duran­te trinta anos foi dirigido e ensinado pelo Espírito, divino.
Não era acaso um com o Espírito? Certo que era. Por que então necessitava da unção? Por que sua natureza humana necessitou de ser fortale­cida pelo Espírito antes que pudesse realizar com êxito o seu ministério no mundo? Jesus esperou trin­ta anos até que foi ungido, e só depois foi que disse: 'O Espírito do Senhor é sobre mim, pelo que me un­giu para pregar boas-novas aos pobres'. Nunca se deve esquecer que o ministério do Senhor Jesus Cristo não foi realizado no poder da segunda pessoa da bendita Trindade, mas sim, no poder da terceira pessoa - o Espírito Santo.
12. MEMBROS DE DENOMINAÇÕES NÃO-PENTECOSTAIS PODEM RECEBER O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO?
É claro que crentes de denominações não-pentecostais podem receber o batismo com o Espí­rito Santo. Poderia citar aqui dezenas de casos de leigos e líderes de denominações tradicionais que ti­veram a experiência do batismo com o Espírito Santo de acordo com o relato de Atos 2. Há alguns anos, testemunhei como um pastor presbiteriano foi batizado com o Espírito Santo enquanto prega­va num culto na Assembléia de Deus, na cidade de Imperatriz, Estado do Maranhão.
Numa outra cidade do mesmo Estado, onde realizávamos uma cruzada de evangelização; entre mais de 200 irmãos que foram batizados com o Espírito Santo na manhã do último dia, encontra­va-se um irmão batista, que se aproximara da reu­nião por mera curiosidade. Ele foi batizado com o Espírito Santo estando do lado de fora do templo, enquanto contemplava o que acontecia no interior.
Na cidade de Miguel Alves, Estado do Piauí -meu primeiro campo de atividades pastorais - pou­cos meses após a minha chegada ali, num dia pela manhã, bem cedo, fui chamado às pressas para ir à casa de uma família de irmãos batistas, a fim de ver se era possível explicar um fenômeno que havia acontecido entre eles a partir da meia-noite ante­rior. Chegando àquela casa o que vi foi simples­mente fantástico: quase todos os membros da famí­lia haviam recebido o batismo com o Espírito Santo, inclusive algumas crianças de menos de dez anos de idade. Desde então tornou-se comum muitos ir­mãos denominacionais receberem o batismo com o Espírito Santo em cultos de vigília realizados na­quele campo.
Em 1960 o ministro episcopal Denis Benett, di­rigente de uma das maiores paróquias de sua igreja em Los Angeles, foi batizado com o Espírito Santo. Desde então, muitos proeminentes líderes lutera nos, como Larry Christenson; e batistas, como John Hadley, John Osteen, e Robert Chandler Dal­ton, foram igualmente contemplados com o dom do Espírito Santo.
Há alguns anos, o periódico "Pentecostal Evangel", trouxe a seguinte notícia:
"Um ministro evangélico dos Estados Unidos disse recentemente aos crentes batistas, reunidos em Convenção Nacional, que o movimento carismático trouxe profundas mudanças à sua própria igreja. 'Este movimento trouxe um senso de amor, de fraternidade e de dedicação', declarou o pastor Keneth Pagard, da Primeira Igreja Batista de Chu­la Vista, Califórnia. Ele é um dos dirigentes da Fra­ternidade Carismática Batista Americana. O pas­tor afirmou que 'carismático' implica 'experimen­tar o poder miraculoso de Deus'.
Afirmou ainda que foram operadas várias curas na sua igreja, e que houve manifestações de dons do Espírito Santo, in­clusive o de profecia e o de falar em outras línguas".
Para o periódico "El Evangelio", disse o evan­gelista Lowery:
"As brisas do Espírito de Deus sopraram com renovada intensidade, penetrando irresistivelmente nas velhas denominações vitalizando-as. Glória a Deus!
"O falar em línguas manifestou-se nos lugares menos imagináveis, e veio a ser o princípio de uma nova vida, de um novo amor e de uma nova luz. To­cou a 'Alta Jerarquia' e a 'Baixa Congregação'; sa­cudiu igualmente liberais e conservadores. O Se­nhor mostrou, deste modo, que não faz acepção de pessoas, mas olha para os corações. Os pentecostais estão intrigados pela soberania exercida pelo Espí­rito Santo. Mas, bem-aventurados os modernos 'pedros', os quais, depois de grandes conflitos emo­cionais e doutrinários com as suas secas liturgias, decidiram-se pelo Espírito de Deus! Os ventos refrescantes têm soprado; deixemos que soprem com a força de um furacão. Aleluia!"
Veio-me às mãos o livro "Suprema Necessida­de", no qual o autor, Reynaldo Prestes Nogueira, pastor batista e Juiz de Direito na cidade de Rio Claro, Estado de São Paulo, fala da sua recente ex­periência do batismo com o Espírito Santo.
Não devemos pôr obstáculos à marcha do Espí­rito Santo, nem tampouco fazê-lo uma propriedade exclusiva de nós pentecostais. "O vento sopra onde quer", foi o que disse Jesus. Quanto mais cedo con­siderarmos isto, mais ampla será a nossa visão do potencial do Espírito Santo em nossos dias.
13. QUE DIZER DO CHAMADO MOVIMENTO DE RENOVAÇÃO CARISMÁTICA (RCC), OU CATÓLICOS PENTECOSTAIS?
Creio na soberania do Espírito Santo mostrada nas palavras de Jesus que disse: "O vento sopra onde quer" (Jo 3.8); portanto, posso crer que um católico-romano possa receber o batismo com o Espírito Santo; e poderia citar aqui casos de católi­cos que tiveram essa experiência bem antes que chegassem ao pé do púlpito de uma igreja pentecos­tal. O que, no entanto, devemos ter em mente, é sa­ber até que ponto o que vem acontendo entre deter­minadas camadas da Igreja Católica, ou seja: se a chamada "Renovação Carismática Católica" é re almente uma obra do Espírito Santo, ou é mais um dos ardis artimanhosos do ecumenismo. São pou­quíssimas as provas que até aqui tenho quanto a autenticidade bíblica desse movimento.
Já por alguns anos circula em língua portugue­sa, o livro de Kevin e Dorothy Ranaghan, "Católi­cos Pentecostais", o qual narra fatos ocorridos en­tre os "católicos pentecostais" na América, princi­palmente relacionados à experiência do batismo com o Espírito Santo. Vale a pena analisar alguns dos "fatos" constantes desse livro.
Perguntado sobre o que o batismo com o Espí­rito Santo significava em sua vida religiosa, res­pondeu Thomas Noé, ex-estudante da Universi­dade Notre Dame:
"Há umas duas semanas, estava eu sentado em classe, esperando que fosse iniciada a aula de Teo­logia e usava o tempo disponível para rezar o rosá­rio. (Um hábito que adquirira depois que recebera o batismo com o Espírito Santo.) O Espírito Santo tem preenchido cada parte da minha experiência re­ligiosa. Descobri um novo grau de significação em todos os sacramentos, especialmente na confissão e na eucaristia.
Cheguei a entender de maneira mais perfeita a eucaristia como sacrifício e voltei à con­fissão freqüente, da qual tinha dúvidas quanto ao seu valor como agente de correção. Descobri uma profunda devoção por Maria, e posso agora louvar a Deus, coisa que antes nunca pude fazer" (os grifos são meus).
Bertz Ghezzi, outro ex-aluno da Universidade Notre Dame, e atualmente professor de História do Grand Valley State College de Michigan, sobre sua experiência com o Espírito Santo, diz:
"As devoções naturais, como a de Maria, por exemplo, tornaram-se mais significativas (e eu que era um dos que colocavam Maria completamente fora de cena, anos atrás!) (Os grifos são meus).
Kevin e Dorothy Ranaghan, a certa altura do seu livro escrevem:
"Em certa reunião de oração em South Bend, um padre que estava assistindo à sua primeira reu­nião perguntou a um homem que estava perto dele, onde havia aprendido grego. A resposta foi: 'Que grego? ' O padre disse então ao grupo que ouvira distintamente o homem repetir as primeiras sen­tenças da 'Ave Maria', em grego, durante sua ora­ção".
Prosseguem os Ranaghans:
"Naquela ocasião houve um duplo dom de Deus. A reunião tomou daquela hora em diante, um sabor nitidamente mariano. A oração, as discussões e as reflexões centralizaram-se em Maria como o tipo de todos os cristãos, que, cobertos e fortalecidos pelo Espírito de Deus, trazem Cristo ao mundo. Alguns de nós que não somos muito chegados á devoção mariana excessiva, ficamos um pouco perturbados após aquela reunião; e também um pouco apreensi­vos, pensando que o Espírito de Deus não ficara muito satisfeito em ver que o centro de nossas aten­ções passava de Jesus Cristo para Maria. Ficamos depois outra vez confundidos, mas alegres ao mes­mo tempo, ao descobrirmos que o dia seguinte era uma das maiores festas marianas do ano, no calen­dário litúrgico. Nossa reunião na noite passada não fora uma temerosa digressão, mas uma grande oca­sião! Fora uma vigília, uma preparação dirigida pelo Espírito para a festa que se seguiria . (O grifo é meu).
O que é visto nos textos citados desse livro cons­titui-se num verdadeiro disparate à luz de João 16.13,14, onde Jesus diz:
"Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, por­que há de receber do que é meu, e vo-lo há de anun­ciar".
Quando o crente recebe o batismo com o Espíri­to Santo, suas atenções desprendem-se de si mes­mo e de seus ídolos, e prendem-se em Jesus exclusi­vamente, tomando-o objeto de exaltação, louvor e glorificação.
O batismo com o Espírito Santo pode ser expe­rimentado por diferentes pessoas de diferentes seguimentos do Cristianismo, mas sempre com o mesmo propósito - levar o crente a glorificar única e exclusivamente a Jesus Cristo.

14. O QUE O CRENTE DEVE FAZER PARA TER EM SI SEMPRE NOVA A EXPERIÊNCIA DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO?
Este tem sido o problema crucial para mui­tos crentes que, tendo recebido o batismo com o Espírito Santo, já não vivem aquele mesmo ní­vel de espiritualidade que possuíam nos primei­ros dias seguintes ao do batismo. Daí passam a viver um certo tipo de saudosismo: "Ah! aqueles dias!..." "Oh! se aqueles dias voltassem!" Esta é uma parte da triste história de muitos que entristeceram o Espírito Santo e que fize­ram silenciar a voz dele em suas consciên­cias.
A quem tiver interesse de viver, não como alguém que "foi" batizado com o Espírito San­to, mas como alguém que "é" batizado com o Espírito Santo, aconselho:
a. Reserve uma hora especial todos os dias para ler e estudar a Bíblia, destacando um versículo, ou um pensamento dela para meditar durante o dia. Considere um pecado deixar de ler a Bíblia.
b. Reserve algum tempo para, a sós, orar a Deus, não permitindo que coisa alguma justifique a sua falta de oração.
c. Ponha a sua mente e consciência à dispo­sição do Espírito de Deus, permitindo que Ele molde-a de sorte que você saiba estar sempre no centro da vontade de Deus.
d. Proponha no seu coração fazer algo espe­cial e específico pela causa do Evangelho. Até que essa oportunidade surja, faça algo como: evangelismo pessoal, visitação aos presídios e aos hospitais, ajudar como componente do coro ou da banda etc. Procure o pastor da sua igreja e fale a ele de seus próprios interesses e planos quanto à obra de Deus. Não se esqueça de que uma mente desocupada é uma oficina para o Diabo trabalhar.
Assim não faltará o óleo do Espírito Santo em seu vaso; sua pólvora continuará sempre seca e sua lâmpada sempre acesa para glória e honra do Deus a quem você se propôs servir e honrar.

O movimento pentecostal no banco dos réus

Tem sido considerável o número de livros escritos nestes últimos anos por autores antipentecostais, com o propósito de denegrir a nossa fé. Pelo que me consta, nunca um escritor de confissão pen­tecostal, no Brasil, assumiu a responsabilidade de escrever uma refutação a esses livros. Em geral, os nossos líderes têm deixado que o próprio progresso do Movimento Pentecostal e a fé dinâmica das igre­jas que o compõem silenciem a pena dos seus opo­nentes gratuitos; mas isso tem sido inútil, pois os tais não se convencem nem diante de fatos. Para eles, mais importa uma boa pitada de confusão teo­lógica, do que as provas documentadas por vidas transformadas; esquecendo-se eles que teologia sem uma genuína experiência de vida é semelhante à fé sem as obras - é morta.
Evidentemente, não possuo procuração dos líderes da minha igreja, a Assembléia de Deus - pio­neira e guardiã da legítima doutrina pentecostal no Brasil - para escrever este trabalho. Na verdade, nemcreio ser necessário tê-la, haja vista que, na quali­dade de obreiro engajado na pregação do Evangelho e na defesa da verdade, tenho tão grande res­ponsabilidade na defesa da verdade, como a têm os mais destacados líderes da Assembléia.
Não escrevo este livro como teólogo ou "doutor” nisto ou naquilo. Revelada a minha formação secu­lar, seria motivo de vergonha para qualquer um dos "doutores" que hoje, em diferentes denominações, se dizem senhores da verdade, pelo que se julgamno direito de escrever livros e artigos com o objetivode minar as bases espiritual e moral do Movimento Pentecostal. O que aqui escrevo é fruto de minhas próprias experiências em face da beligerância anti-pentecostal na nossa Pátria.

1. COM A PALAVRA, A ACUSAÇÃO
Um dos livros mais pretensiosos e, de propósito, eminentemente antipentecostal, foi publicado em 1972, pela Junta de Educação Religiosa e Publica­ções da Convenção Batista Brasileira (JUERP). Esse livro tem por título: "Movimento Moderno de Línguas", de autoria do batista americano, Robert G. Gromacki.
Numa análise feita por Gromacki quanto à origem do Movimento Pentecostal, após analisar-se o movimento é de origem divina, satânica, psicológi­ca ou artificial, ele conclui que tem de ser considerado "não somente como uma simulada contrafação, porém como sendo realmente de origem satânica".
Outro livro, "A Doutrina do Espírito Santo", trabalho encomendado pela Convenção Batista Brasileira, combate as células "renovacionistas" surgidas no seio dessa Convenção, trazendo, inclu­sive, palavras pouco elogiosas ao Movimento Pen­tecostal, sempre tido pelos autores (treze líderes batistas brasileiros), como "confusão", "gritaria", "descontrole físico", "emocionalismo demasiado" etc.
H.E.Alexander, um dos autores antipentecostais mais lidos no Brasil, em seu livro "Pentecostismo ou Cristianismo?" mostra o Movimento Pente­costal como uma ameaça à integridade do verda­deiro Cristianismo. Escreve:
"Temos, portanto, de evitar todo equívoco e afir­mar com precisão que, se existe um 'Movimento de Pentecoste' há também um considerável número de crentes que diligenciam não ser deste 'movimento', mas que, no entanto, possuem um forte espírito 'pentecostista'. Por este fato, é que nós julgamos neces­sário falar de 'pentecostalismo', pois que pretendemos em absoluto não fazer parte deste 'movimento', pois pode-se ter certas concepções mentais e certas inter­pretações errôneas que, como é óbvio, engendram um espírito que não é outra coisa senão um espírito es­tranho, semelhante ao do Pentecostismo".
Mais à frente escreve Alexander:
"Perante os erros e estragos do Pentecostismo, há somente uma atitude digna do cristão. Se ele caiu neste erro, que confesse a Deus e se separe ab­solutamente daquilo que a Bíblia condena. Quanto ao crente que teve algum contacto com estes desvarios, mas que começa a discerni-los, que se afaste deles e saiba que Deus o destina a outra coisa: ao serviço frutuoso... Porém, que se mantenha bem perto de seu Salvador, pela razão seguinte: um espírito estranho não deixa nunca sua vítima esca­par com facilidade. Quando numa alma começam a surgir dúvidas a respeito do Movimento Pentecos­tal e seu espírito começa a discernir a verdade quanto as contrafações, aos exageros e erros doutri­nários que caracterizam o Pentecostismo, se ela abrir-se com algum adepto deste movimento, have­rá então reação imediata: 'Não nos compreende mais, suas dúvidas são causadas pelo pecado'. Ou então, o que é pior ainda: 'Verá o que vai suceder-lhe se nos deixar, o julgamento de Deus o atingirá'. E chamam a isto de 'Despertamento' e 'Pentecos­te!' Ou, em vez de ameaças, apelarão para o sentimentalismo, como pretexto de amor, lágrimas -procedimento que não é são nem santo, e do qual é, às vezes, difícil livrar-se. Porém, com o socorro de Deus, andando na obediência de Cristo e sua Pala­vra, aquele que tiver sido dominado pelos pentecos­tais será libertado."
Para H.E.Alexander, o Movimento Pentecostal ou "Pentecostismo", como ele prefere chamar, nada mais é do que um dos ramos do Espiritismo, Feiticismo, Macumba, ou coisa semelhante; movi­mento de cuja influência aqueles que a ele se ape­gam devem ser exorcisado pelo ensino antipentecostal.
Francisco Huling, autor do opúsculo: "É Bíblico o Pentecostismo?", escreveu:
"Deus libertou o autor deste folheto do erro pen­tecostal alguns anos atrás. Um domingo de manhã, numa reunião pentecostal, um membro levantou-se e começou a ler o capítulo 14 de 1 Coríntios, e eu escutei-o atentamente. De repente uma mulher le­vantou-se e começou a levantar os braços e a 'falar em línguas' e depois mais uma, e mais outra, até que nove ao todo estavam num estado de êxtase descontrolada. Mas mesmo entre o barulho e o pan­demônio que faziam, eu consegui ouvir as palavras: 'Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos... Mas faça-se tudo descentemente e com ordem', 1 Co 14.33,40. O con­traste completo entre o que eu via e o que as Escri­turas diziam ajudaram-me a pensar, e eu comecei a ver que o Pentecostalismo não é de Deus, mas sim do Diabo".
No seu livro, "Os Carismáticos", John F. Ma­cArthur, denuncia e condena o Movimento Caris­mático, por, segundo ele, fazer da experiência algo superior às Escrituras.
Poderia continuar citando textos de muitos ou­tros livros de autores antipentecostais, que tenho na minha biblioteca, porém, deixo de fazê-lo por duas razões: primeiro, por absoluta falta de espaço, e em segundo lugar, porque contêm praticamente as mesmas blasfêmias e desprezo pelo Movimento Pentecostal.
2. COM A PALAVRA, A DEFESA
Como um processo não se compõe só de acusa­ção, mas também de provas e defesa, seria impru­dente o juiz condenar ou absolver o réu sem antes ouvir a sua defesa. Partindo deste princípio, ao Mo­vimento Pentecostal assiste o direito de que alguém levante a sua voz em defesa desse movimento. Isto é o que têm feito muitos ilustres cristãos e não pou cos estudiosos durante estes últimos anos, entre os quais vou citar alguns apenas.
Para a revista "Life", conceituado periódico da imprensa secular americana, a respeito do Movi­mento Pentecostal, o Dr. Van Dusen, disse:
"Há várias fontes de poder que têm feito desta terceira força (o Movimento Pentecostal), o mais extraordinário fenômeno religioso de nosso tempo. Seus grupos pregam uma mensagem bíblica direta, facilmente compreensível. Comumente prometem uma experiência imediata, transformadora da vida pelo Deus vivo em Cristo, que é muito mais signifi­cativa para muitos indivíduos do que a versão dela que se encontra nas igrejas convencionais.
"Eles abordam diretamente as pessoas - em seus lares, nas ruas, ou em qualquer lugar -, não es­peram que venham primeiro à igreja. São dotados de grande ardor espiritual, o que algumas vezes, mas nem sempre, é excessivamente emocional. Pastoreiam seus convertidos em um grupo comuni­tário íntimo, apoiador - uma das características de cada renovação espiritual vital, desde que o Espíri­to Santo desceu sobre os discípulos no primeiro Pentecoste. Dão forte ênfase ao Espírito Santo tão negligenciado por tantos crentes tradicionais como sendo a presença imediata e poderosa de Deus, tanto na alma humana individualmente, como na comunidade cristã. Acima de tudo, espe­ram que os seus seguidores pratiquem um cristia­nismo ativo, incansável, sete dias por semana.
"Até recentemente, os demais protestantes con­sideravam esse movimento como um fenômeno temporário e passageiro, que não merecia grande atenção. Mas agora há um reconhecimento sério e crescente de suas verdadeiras dimensões e de sua provável dinâmica. A tendência de rejeitar a sua mensagem cristã como inadequada está sendo substituída pela mais humilde disposição de inves­tigar os segredos de seu imenso alcance...
"Tenho chegado a sentir que o Movimento Pen­tecostal, com sua ênfase sobre o Espírito Santo, é mais do que apenas mais um reavivamento. É uma revolução que em importância se compara ao esta­belecimento da primeira igreja apostólica, e com a Reforma Protestante."
A revista "Novas de Alegria", órgão da As­sembléia de Deus de Portugal, traz o testemunho dum respeitado professor de Teologia no Instituto Superior de Ciências Humanas e Teológicas do Porto, Portugal, do qual se destaca o seguinte pará­grafo:
"O que descobri no Movimento Pentecostal é muito diferente daquilo que procurei! Aconteceu comigo o que aconteceu com os Magos que procura­vam um Príncipe num palácio luxuoso e encontra­ram um menino desfavorecido num curral de ani­mais; o mesmo que aconteceu à Samaritana que procurava um Messias sabedor, um Cristo "supers-tar" e encontrou um judeu fatigado; o mesmo que aconteceu a Maria Madalena no Domingo de Pás­coa: procurava um morto e encontrou um Ressusci­tado. Pois eu fui 'observar' a reunião de oração dos pentecostais e senti-me observado pelo Espírito ad­quirindo a consciência das minhas resistências á ação do Espírito Santo em mim. Descobri a minha 'resistência intelectual', pois senti que 'relativizava' a ação do Espírito nas pessoas, testemunhada pelos textos bíblicos, reduzindo-a aos limites do es quema teológico pré-fabricado, aprendido nos li­vros. Senti que era presunção a mais pretender ma­nipular a liberdade soberana do Espírito! Descobri que só não 'aspirava aos dons espirituais', mas até os recusava! Fui observar a oração dos pentecostais e fiquei surpreendido com a intensidade da oração feita por um grupo de jovens durante duas horas! Fui para lá como mero espectador e encontrei-me envolvido por um cristianismo dinâmico, contagiante e alegre, pressentindo então o que significava o Batismo no Espírito Santo praticado dentro do Movimento Pentecostal".
A respeito do Movimento Pentecostal, Russel Spittler, escreveu:
"Alguns julgam que se trata duma nova Refor­ma esforçando-se por encontrar o seu Lutero à por­ta duma catedral desconhecida. Outros interpre­tam o fato como uma crise de crescimento, com os elementos da velha humanidade a quebrar-se para se juntarem de novo com mais espiritualidade. Há quem o considere como um fenômeno prosaico, o movimento inevitável do pêndulo, o regresso a algu­mas verdades esquecidas, ou a superstições perigo­sas.
"De qualquer modo, está a operar-se uma mu­dança nos ideais do mundo. A sabedoria reinante, que influenciou e formou as últimas décadas, en­contra-se na ofensiva. Ela tem sido chamada de li­beralismo, racionalismo, espírito científico - con­ceitos que, não sendo idênticos, estão correlaciona­dos. Mas atualmente a confiança do homem, no seu poder para controlar o mundo, está em nível inci­piente. A Tecnologia é considerada um aliado peri­goso e o progresso é suspeito...
"O declínio da Ciência e o despertar da Religião são oportunidades sem precedentes que se abrem ao Movimento Pentecostal. Ao nível das massas populares há um mundo cheio de ciência, razão, materialismo e liberalismo. As pessoas têm sede das coisas espirituais. Deixai os batizados no Espí­rito Santo cingirem os seus lombos para um comba­te renovado e intrépido. Aos que a procuram sem sa­ber, proclamai-lhes, proclamai-lhes essa maravi­lhosa experiência!"
Àqueles que acusam os pentecostais, principal­mente a Assembléia de Deus, de fazer proselitismo, de emocionalismo excessivo, de atingirem apenas as classes inferiores, e de interpretarem a Bíblia li­teralmente, responde o escritor presbiteriano William R. Read:


a. - "Alguns crentes, que agora pertencem à As­sembléia de Deus, pertenceram anteriormente a outras igrejas evangélicas, mas para cada um des­tes, há pelo menos vinte, que não tiveram qualquer espécie de contacto com outros evangélicos, antes de sua conversão...
b. - "Há casos em que o emocionalismo tem sido usado em excesso, mas comumente é canaliza­ do... para fins construtivos. Poder-se-ia argumen­tar que a existência de vida transformada, e cresci­mento vigoroso, embora com alguns excessos, é me­lhor do que as igrejas estagnadas, e cristãs apenas de nome, no seu formalismo correto e frio...
c. - "Ser criticada como igreja das classes infe­riores, é para a Assembléia, mais um elogio do que uma crítica. É nessa parte da estrutura social que está a maioria da população. Maioria que se consti­tui num tremendo campo de trabalho. É nela que os pentecostais estão-se multiplicando. Têm por isso mesmo, posição bastante favorável, no presen­te.
d. - "É verdade que a Bíblia é a autoridade má­xima para esse exército de pregadores, que está constantemente pregando, onde quer que consigam reunir um grupo que os ouça. Os líderes são cuida­dosos no estudo das Escrituras. É espantoso verifi­car como esses homens, antes analfabetos, podem ler a Bíblia, interpretá-la, pregar e ensinar. As bíblias ficam gastas pelo abrir e fechar e pelo cons­tante manuseio. Esta fé simples na Bíblia, dá-lhes a convicção e, quando pregam ou ensinam, fazem-no com a autoridade da Bíblia. Os ouvintes percebem que os pentecostais estão pregando com uma con­vicção profunda, bíblica e pessoal. Um simples 'As­sim diz o Senhor', constitui prova suficiente para muitos, pois os problemas intelectuais estão ausen­te em seu caminho da fé em Jesus Cristo. Essa abordagem, que se centraliza na Bíblia, pode ser criticada, mas não deixa de ser um dos pontos for­tes do movimento pentecostal. Têm eles sido fiéis à luz que receberam das Escrituras. A bênção de Deus, o Deus da Bíblia, é evidente em seu ministério .
Quanto à acusação de John F. MacArthur, feita contra os pentecostais, que, segundo ele, dão pri­mazia à experiência, em atitude de desprezo à ver­dade já revelada na Bíblia, faça-se a seguinte consi­deração:
O fato de que haja crentes que têm feito da ex­periência uma nova fonte de revelação para a vida, em substituição à orientação que já foi dada pela Bíblia, isto é exceção e não regra, que pode ser verificada não só nos círculos pentecostais, mas até mesmo nos arraiais não-pentecostais. Mas a preo­cupação de MacArthur vai além disto: ele insinua que a experiência cristã é algo de pouca ou de ne­nhuma importância.
A experiência tende a ser má quando aquele que a possui não se apóia nas Escrituras nem mostra uma vida de comunhão com Deus. Porém, confor­me escreveu o apóstolo Paulo, a verdadeira expe­riência é a soma - tribulação + experiência, donde advêm a esperança, "e a esperança não traz confu­são", Rm 5.3-5.
O cego de nascença que foi curado por Jesus, cuja história se acha narrada no capítulo 9 do Evangelho de João, pôs fim a uma grande demanda teológica com os judeus incrédulos, dizendo ape­nas: "Se é pecador, não sei; uma coisa sei, e é que, havendo eu sido cego, agora vejo", Jo 9.25. Expe­riências são fatos, e contra fatos não há argumen­tos.
Ao endemoninhado gadareno a quem libertara, Jesus disse: "Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti", Mc 5.19. O texto sa­grado acrescenta: "E ele foi, e começou a anunciar em Decápolis quão grandes coisas Jesus lhe fizera; e todos se maravilhavam", v.20.
Diante da grande multidão que o acusava em Jerusalém; em sua defesa, o apóstolo Paulo contou sua própria experiência, a começar desde seus an­cestrais até o seu ministério no momento em que foi preso, como meio de abrandar-lhes a ira: At 22.
Salvação, batismo com o Espírito Santo, dons espirituais, comunhão com Deus e com os santos, são experiências para serem não só vividas mas igualmente contadas aos outros. Contar aos outros o que Deus fez por nós é uma forma de continuar­mos com a bênção recebida em nossas vidas. E isto desagrada não só aos "apóstolos," da causa antipentecostal: desagrada o Diabo também.
Evidentemente, cada causa tem opositores à al­tura da sua dignidade. E para sobreviver sob o acir­rado fogo da artilharia antipentecostal, jamais lan­çaremos mão das armas dos que se nos opõem. Ho­je, como sempre, prevalece "a palavra do Senhor a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violên­cia, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exér­citos", Zc 4.6.
Acreditar na afirmação de Gromacki e Francis­co Huling, de que o Movimento Pentecostal é de origem satânica, seria o mesmo que admitir que Satanás se tenha convertido e se feito aliado de Deus na redenção do mundo, pois, quem tem feito mais que os pentecostais pela evangelização dos po­vos? Russell Spittler disse que "os pentecostais sem­pre foram melhores no evangelizar que no escrever tratados de teologia. Somos mais conhecidos pelas missões ao estrangeiro que pelos livros teológicos". Mas não temos porque nos envergonhar disso, pois quando ganhamos uma alma sabemos estar cum­prindo com o desejo maior de Deus - a conquista de almas, e a Bíblia diz: "O que ganha almas sábio é", Pv 11.30.
O Movimento Pentecostal continuará triunfan­do e por fim triunfará, porque ele não é um movi­mento do homem, mas do Espírito Santo. E um mo­vimento do Espírito Santo não pode ser destruído por livros.

3. COM A PALAVRA, O JUÍZ
Em todas as demandas teológicas de fé e de reli­gião, a Bíblia Sagrada é o juiz. E em face das alega­ções da acusação e da defesa feita ao Movimento Pentecostal, qual o veredicto? O réu será condena­do ou absolvido?
Através de seus escritos, os antipentecostais che­gam mesmo a sugerir que a doutrina pentecostal não passa de batismo com o Espírito Santo, glossolalias e dons do Espírito Santo. Isto se deve à premeditada aversão que têm aos pentecostais. O sectarismo denominacional e a jactância pessoal os impedem de ser sinceros e imparciais nas suas pes­quisas. Não encontram a verdade quanto aos pen­tecostais porque, na realidade, fazem questão em não achá-la.
Na verdade, nem precisariam dar-se a penoso estudo para descobrirem que o Movimento Pente­costal crê:
em um só Deus eterno, subsistente em três pessoas: o Pai, eterno e imutável; o Filho, eterna­mente gerado do Pai; e o Espírito Santo, emanante do Pai: Dt 6.4; Mt 28.19; Mc 12.29; Jo 15.26;
na divina inspiração da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o cará­ter cristão: 2 Tm 3.14-17;
no nascimento virginal de Jesus, em sua morte vicaria e expiatória, em sua ressurreição corporal dentre os mortos e em sua ascensão vitoriosa aos céus: Is 7.14; Rm 8.34; At 1.9;
na pecaminosidade do homem que se desti­tuiu da glória de Deus, e que somente pelo arrepen­dimento e pela fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo pode ser restaurado a Deus: Rm 3.23; At 3.19;
na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Jesus Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus, para tornar o homem digno do reino dos céus: Jo 3.3-8;
no perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma, recebi­dos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efe­tuado por Jesus Cristo em nosso favor: At 10.43; Rm 10.13; 3.24-26; Hb 7.25; 5.9;
no batismo bíblico efetuado por imersão do corpo inteiro uma só vez, em água, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, conforme deter­minou o Senhor Jesus Cristo: Mt 28.19; Rm 6.1-6; Cl 2.12.
na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida santa mediante a obra expiatória e re­dentora de Jesus Cristo no Calvário, através do po­der regenerador, inspirador e santificador do Espí­rito Santo, que nos capacita a viver como fiéis tes­temunhas do poder de Cristo: Hb 9.14; 1 Pe 1.15,16;
no batismo bíblico com o Espírito Santo, como bênção distinta do novo nascimento, que nos é dado por Deus mediante a intercessão de Cristo, com a evidência física inicial de falar em outras línguas, conforme a sua vontade: At 1.5; 2.4; 10.44-46; 19.1-7;
na atualidade dos dons espirituais distribuí­dos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edifica­ção, conforme a sua soberana vontade: 1 Co 12.1-12;
na segunda vinda pré-milenial de Cristo, em duas fases distintas: Primeira - invisível ao mundo, para arrebatar a sua Igreja fiel da terra, antes da Grande Tribulação; segunda - visível e corporal, com sua Igreja glorificada, para reinar sobre o mun­do durante mil anos: 1 Ts 4.16,17; 1 Co 15.51-54; Ap 20.4; Zc 14.5; Jd 14;
que todos os crentes comparecerão ante o Tri­bunal de Cristo, para receberem a recompensa dos seus feitos em favor da obra de Cristo na terra: 2 Co 5.10;
no juízo vindouro que justificará os fiéis e con­denará os infiéis: Ap 20.11-15;
na vida eterna de gozo e felicidade para os fiéis e de tristeza e tormento para os infiéis: Mt 25.46.
Qualquer ensino contrário ao contido na fé pen­tecostal, ainda que alegadamente baseado na Bíblia, não passa de artifício criado por uma teolo­gia desvirtuada e que em nada honra a Deus.

O Dr. James I. McCord, presidente do Seminá­rio Teológico de Princeton, disse:
"Nossa época terá de tornar-se a Era do Espíri­to, do Espírito de Deus ativo no mundo, a sacudir e a esmagar todas as nossas formas de estruturas, produzindo reações favoráveis consoantes com o Evangelho e com as necessidades do mundo".
Também o Dr. Ernest Wriht, de Havard, não faz muito tempo, disse:
"A consumação do reino de Deus será assinala­da por um grande reavivamento com acontecimen­tos carismáticos. Então, tanto os líderes como o povo estarão cheios do Espírito; dotados de poder do Espírito em escala até esse tempo desconheci­da".
Concluindo, escreveu Robert C. McQuilkin, em seu livro: "A Mensagem Pentecostal para Hoje":
"Não limitemos a Deus em suas operações sobrenaturais, mas nos preparemos para novos e grandes derramamentos do Espírito Santo, que se produzirão nos dias posteriores aos atuais. Aproxi­mam-se os dias quando nada poderá anular a força aterradora do inimigo, exceto o poder sobrenatural que muitos crentes têm experimentado".
Portanto, o veredicto da Bíblia é que o Movi­mento Pentecostal triunfará, pois só através dele é que o avivamento desejado, buscado e esperado tem encontrado livre curso no mundo hoje.
A nossa fervente oração a Deus é no sentido de que Ele sopre o vento do seu Espírito sobre aqueles que, tendo feito da causa antipentecostal o seu apostolado maior, estão tal qual os ossos secos do vale da visão de Ezequiel, e os faça bênção para as suas congregações tão carentes do toque poderoso do Deus vivo. Assim, juntos num mesmo pensa­mento e sentimento, nos faremos receptores do grande avivamento que na sua plenitude será der­ramado por Deus sobre o mundo.