domingo, 22 de junho de 2008

Ser Cheio com o Espírito


O Dr. Billy Graham Como no livro The Holy Spirit ("O Espírito Santo") incluiu um capítulo intitulado "Como Ser Cheio com o Espírito". Ele diz: "É interessante que a Bíblia em lugar algum nos dá uma fórmula nítida e concisa para sermos cheios com o Espírito". Ele sugere que isso talvez ocorra devido ao fato de os crentes na primeira igreja não precisarem aprender a ser cheios. "Eles sabiam que vida cheia do Espírito era a vida cristã normal".(1)
O Dr. W. Graham Scroggie, estimado pastor batista e comentarista de Edimburgo, advertia os interessados sobre a natureza da experiência. Baseando suas observações sobre muitos anos no âmbito da convenção e sua própria experiência, ele advertiu que " 'ser cheio com o Espírito' não é necessariamente uma experiência drástica... uma experiência estranha e emocional. As emoções podem ou não manifestar-se. Isto depende em parte do temperamento da pessoa. A autenticidade não se baseia no que é externo, mas no que Deus faz bem no fundo da nossa natureza. Ela não é necessariamente acompanhada de alegria e êxtase".
O Dr. Scroggie acrescentou: "Em minha experiência foi 'alegria indizível e cheia de glória'. A alegria tornou-se dor e enquanto andava pelas ruas de Londres naqueles dias... tive de pedir a Ele para modificá-la, pois parecia que minha alma ia dilacerar meu corpo". (2) Ele se refere a esta alegria como um acompanhamento e não como uma evidência. Não se trata de algo que "desumaniza". Não nos tornamos pessoas superiores; tornamo-nos cheios do Espírito, não dominadores ou superiores a outros. Continuamos sendo nós mesmos, com a nossa personalidade, mas ela está agora purificada, embelezada e repleta de poder.

PASSOS SIMPLES PARA SER CHEIO DO ESPÍRITO
Os passos necessários para ser cheio do Espírito foram descritos de muitas formas, mas eles enfatizam essencialmente as mesmas coisas. Por exemplo, o Exército de Salvação no seu folheto It Can Happen ("Pode Acontecer") lista sete pontos: Ansiar, Reconhecer, Abandonar, Abdicar, Pedir, Apropriar-se, Agir.
Entrega total significa que confirmamos Cristo como Senhor sobre cada uma das partes do nosso corpo. O Dr. Harold Lindsell ensina: "Antes de alguém ser cheio do Espírito Santo, ele ou ela deve voluntariamente colocar-se sob o senhorio de Jesus Cristo no sentido de tornar-se escravo. Esta escolha não será forçada sobre quem quer que seja, mas é a... condição estabelecida para aqueles que desejam ser cheios com o Espírito Santo",
Ele acrescenta que não podemos reivindicar a promessa de Deus para nos capacitar a viver no plano mais alto, a não ser que tornemos Jesus Cristo Senhor desta maneira. "A norma para a vida cristã é fazer Cristo sentar no trono do nosso coração. Paradoxalmente, quando Cristo é verdadeiramente Senhor, é então que o crente alcança o ponto mais elevado da auto-satisfação". (3)
Billy Graham escreve: "É surpreendente como inúmeros cristãos jamais tratam realmente desta questão da soberania de Cristo". (4) Ele declara: "Estou convencido que ser cheio do Espírito não é uma opção, mas uma necessidade. Isto é indispensável para a vida abundante e para o serviço proveitoso... E planejado, necessário e disponível para todos. Essa a razão da Escritura ordenar a todos nós: "Enchei-vos do Espírito". (5) Ele sugere que os passos para ser cheio com o Espírito são compreensão, submissão e andar pela fé.
O Dr. R. A. Torrey, depois de falar do novo nascimento, cita estes passos para a plenitude do Espírito: obedecer (que ele define como "a entrega incondicional da vontade a Deus"); desejar; pedir; ter fé. (6)
O Dr. Bill Bright, fundador da Cruzada Estudantil para Cristo, dá maior ênfase à fé, mas em sua quase completa explicação ele menciona estes pontos: Deseje, Entregue, Confesse, Apresente e Ore (ou peça) como preparação do coração para a fé. (7)
Charles Cowman, fundador da OMS International, descreveu estes passos para obter a plenitude do Espírito: Considere-se morto para o pecado, entregue-se, creia na promessa e obedeça. Note a semelhança básica no que esses líderes espirituais dizem. Vamos resumir e confirmar essas coisas nos seguintes passos. Deixe o Espírito Santo guiar e capacitar você para dar esses passos se você ainda não tiver feito isso.

1. Veja se tudo está certo entre você e Deus. Você se tornou um filho de Deus pelo novo nascimento? Deus não enche pessoas não-salvas com o Seu Espírito. Nem enche aqueles que sabe estarem vivendo em desobediência aberta e obstinada a Ele. Graham enfatiza: "Devemos lidar completamente com o pecado em nossas vidas, se quisermos ser cheios com o Espírito Santo". (8) Qualquer coisa pela qual o Espírito tenha condenado você, qualquer coisa que tenha separado você do melhor de Deus ou velado a Sua face, deve ser abandonada. Você deve andar na luz se quiser ser cheio do Espírito (1 Jo 1:7).

2. Reconheça a sua necessidade e a provisão de Deus. Seja honesto com Deus. Confesse suas derrotas e as áreas em sua vida onde você reconhece sua necessidade espiritual. Não se apresse a ponto de fazer uma confissão geral, uma simples admissão geral de necessidade. "Senhor, qualquer que seja a minha necessidade, por favor satisfaça-a", ou "Senhor, o Senhor sabe como sou fraco." Tome tempo para sondar o seu coração diante do Senhor e mencione as suas necessidades diante dEle. Pode ser útil fazer uma lista de coisas que o Espírito leve à sua atenção e depois entregar uma a uma ao Senhor. Peça a Ele que lembre você das falhas que você esqueceu.
Há uma grande bênção em esvaziar o seu coração de fracassos, derrotas, preconceitos, atitudes e atos. Cite um por um e coloque-os debaixo do sangue de Cristo que limpa e purifica. O Espírito Santo irá provavelmente chamar sua atenção para coisas que você não sabia que estavam ali.
Alegre-se depois na plena provisão que Cristo fez para você na cruz. Alegre-se na provisão do Espírito Santo que já reside em seu coração e que deseja preencher cada aspecto do seu ser com a Sua presença purificadora e Sua capacitação para a vida e o serviço. Alegre-se com o fato de a promessa de Deus estar à sua disposição. "Para vós outros é a promessa" (At 2:39).

3. Tenha fome e sede da plenitude do Espírito. Deus é sempre movido pela fome e sede espiritual e promete repetidamente satisfazer as necessidades de nossa alma. Jesus nos assegura: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos" (Mt 5:6). Ele se pôs de pé no templo e falou: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito" (Jo 7:37-39). A água é o símbolo do Espírito Santo. "Todos vós os que tendes sede, vinde às águas", Deus chama através de Isaías (55:1). "Derramarei... torrentes sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito" (Is 44:3). A palavra "terra" não se encontra no hebraico. É uma promessa para os "sedentos", e o Espírito satisfaz a nossa sede.
Enquanto a plenitude do Espírito não for todo o desejo da sua alma, você não será provavelmente cheio. Quando você trata a experiência como algo desejável, mas está disposto a continuar sem ela, não receberá a plenitude. Torrey disse: "Homem algum jamais recebeu esta bênção, enquanto sentiu que podia passar sem ela". "De toda a boa vontade buscaram o Senhor, e por eles foi achado" (2 Cr 15:15). O hebraico diz literalmente: "Buscaram a Deus com todo o seu desejo". Deus disse através de Jeremias: "Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração" (Jr 29:13). As principais razões para o fracasso em participar da experiência são provavelmente não desejar o Espírito Santo de todo o coração e não fazer uma entrega total do "eu".
4. Entregue-se totalmente ao senhorio de Cristo. Faça uma consa­gração total de tudo que você é, e de todo o seu futuro. Apresente-se a si mesmo na totalidade do seu ser — corpo, alma e espírito. Ofereça-se como um sacrifício vivo para ser totalmente de Deus. Isto pode perfeitamente envolver a morte para a sua vontade em uma ou várias áreas. Você deve morrer para a sua carnalidade, para tudo o que é do "mundo". Você pode agora dizer com Paulo: "Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gl 2:19-20).
"Considerai-vos mortos para o pecado, mais vivos para Deus em Cristo Jesus. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal... oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus como instrumentos de justiça" (Rm 6:11-13). Fomos temporariamente crucificados com Cristo na cruz. Afirmamos agora isso por um ato da vontade em auto-entrega. Este é o esvaziar do "eu" que deve preceder o enchimento com o Espírito Santo. Faça uma entrega total da sua vontade, antecipadamente, para o que quer que Deus lhe revele no seu futuro. Esteja disposto a abandonar seus planos, ambições e vontade, se Deus revelar alguma coisa que seja contrária à Sua vontade. A partir de agora você não mais pertence a si mesmo.
Pense na sua vida como um talão de cheques. Rendição absoluta significa assinar todos os cheques em branco, colocando neles o nome do Espírito Santo e permitindo que Ele preencha os espaços como achar melhor, através dos seus amanhãs. Você já disse o seu sim eterno à Sua vontade, conforme Ele a torna conhecida. Você é dEle. Ele é Senhor, e você, com amor e alegria, obedece diariamente.

5. Peça em oração. A promessa de Cristo não poderia ser mais clara: "Se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?" (Lc 11:13). Quando os nossos corações estão preparados, tendo dado os primeiros quatro passos, estamos prontos para pedir a Deus do fundo do nosso coração que cumpra a Sua promessa.
O ato de pedir e de apropriar-se não requer oração prolongada, pois Deus está sempre pronto para cumprir a Sua promessa. Todavia, as biografias de muitos cristãos descrevem como eles tiveram fome e sede e oraram algumas horas ou mesmo dias antes de seus corações parecerem estar prontos para dar o último passo de apropriação da fé. Talvez Deus use esse período em que a pessoa pede e se estende para Ele, a fim de aprofundar a nossa sede dEle, ou para capacitar-nos a compreender novos níveis de necessidade espiritual em nossa natureza. Do ponto de vista de Deus não é preciso haver espera. Todavia, Ele pode abençoar grandemente, para o nosso bem espiritual, um tempo de espera diante dEle. Durante tal período, o Espírito sonda os nossos corações. Jesus nos diz que em tais casos devemos deixar de orar e primeiro acertar as coisas com a outra pessoa (Mt 5:23-24).
A promessa de recompensa feita por Deus para a nossa espera na Sua presença em oração é certa. Isaías nos assegura: "Os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam" (Is 40:31). O termo hebraico para "esperar" nessa passagem significa "esperar com expectativa confiante e com fé".

6. Apropriar-se pela simples confiança. Como é abençoado que o encher do Espírito seja pela fé! É pela fé, sendo então para quem quiser. É pela fé, e pode ser portanto seu neste momento. Você não precisa esperar para tornar-se mais digno. Não precisa provar a si mesmo mediante a autodisciplina ou orações e jejum prolongado. Não é por obras, é um dom de Deus. É pela graça, mediante a fé, que somos cheios do Espírito.
Quando Pedro descreveu como o Espírito encheu os gentios na casa de Cornélio, e comparou isso com a maneira como os 120 foram cheios no Pentecostes, explicou que Deus deu o Espírito Santo aos gentios da mesma forma que dera àqueles no Cenáculo no Pentecostes. "E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, puríficando-lhes pela fé os corações" (At 15:9). Deus sempre purifica e dá poder quando enche com o Seu Espírito, e a apropriação significa que o que Deus ordenou foi o exercício da fé.
O Dr. A. J. Gordon escreve: "Parece claro pelas Escrituras que é ainda o dever e privilégio dos crentes receber o Espírito Santo mediante um ato consciente e definido de fé, assim como receberam Jesus Cristo... Como pecadores é que aceitamos Cristo para a nossa justificação, mas como filhos é que aceitamos o Espírito para nossa santificação".
Nada poderia ser mais simples, todavia nada é mais exigente. Quando linhas elétricas são instaladas e ligadas à fonte de força, até uma criança pode acender as luzes ligando uma chave. Do mesmo modo, quando tivermos preparado os nossos corações, acertando tudo entre Deus e nós, reconhecendo nossa necessidade e a provisão de Deus, tendo fome e sede da plenitude do Espírito, rendendo-nos totalmente ao senhorio de Cristo e pedindo em oração, tudo o que precisamos fazer é tocar Deus com fé. Não é uma questão do poder da nossa fé, mas é a grandeza da provisão de Deus que conta.
Creia que Cristo deseja intensamente encher você com o Seu Espírito. Ele quer que você seja tudo que Ele o criou para ser. Creia na alegria que isso trará ao coração de Jesus quando Ele o vir cheio com a Sua presença e poder. Creia no plano maravilhoso de Deus para você! Como Ele deseja usar a sua liderança e a sua vida de um modo diferente dos seus próprios planos e pensamentos! O registro completo você não conhecerá até a eternidade, mas Deus irá ocasionalmente encorajá-lo com pequenas notícias sobre como Ele fez de você uma bênção.
Creia e mantenha-se humilde, dando a Deus toda a glória, e Cristo usará você cada vez mais enquanto o dirige na Sua procissão triunfante (2 Co 2:14). "Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito" (Pv 4:18).

LEMBRE-SE DESTAS REALIDADES ESPIRITUAIS
1. O encher do Espírito é instantâneo. A fé, assim como o enchimento do Espírito, não é um processo gradual. A fé recebe no mais íntimo do seu ser a plenitude da presença e poder do Espírito, Alegre-se! Quando o seu coração preparado crê, nesse momento você é cheio com o Espírito.

2. O encher do Espírito não é uma questão de sentimentos. É uma realidade espiritual, mediante a fé. A sua confiança não está nos seus sentimentos, mas em Deus e na Sua promessa. Muitos testemunharam sobre uma percepção esmagadora da presença, amor ou do poder de Deus. Deus pode ou não decidir abençoar você desta forma. Ele sabe o que é melhor para o seu futuro caminhar na fé. Mas o poder está presente quer você o sinta, quer não. Ele será manifestado enquanto você serve e obedece a Deus.

3. Você pode ser repetidas vezes cheio com o Espírito. O Capítulo 11 indicou que a Bíblia registra enchimentos repetidos do Espírito. Também mencionei que Zacarias apresenta um quadro dos ser­vos flamejantes de Deus sendo mantidos em chamas pelo constante influxo do Espírito. Essa a razão de Zacarias 4:6 poder tornar-se uma experiência contínua no serviço do Senhor. "Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos."

4. Alegre-se na plenitude de Deus e continue a orar e obedecer. Você foi cheio com o Espírito. Deixe Deus usar você agora. Ele não o encheu para tornar a vida fácil para você, mas para capacitá-lo para uma vida santa e um serviço eficaz. Enquanto você mantiver o canal limpo com Deus, o Seu poder continuará a fluir para a sua pessoa. Você não pode reter a plenitude do Espírito sem oração e obediência.
Algumas vezes você perceberá que entristeceu o Espírito e sentirá a perda da abundância da Sua presença e poder. Você pode sentir a falta da operação do Espírito por causa do seu ministério ativo ou por qualquer das razões citadas no Capítulo 13. Busque o perdão de Deus e peça que Ele renove o Seu poder sobre você. A oração e a obediência trarão a renovação que você almeja.
Surgirão muitas ocasiões em sua liderança quando precisará de uma manifestação especial da presença de Deus, uma capacitação renovada, uma nova unção. Louvado seja Deus! Ele está esperando para satisfazer todas as suas necessidades. Ele conhece o seu ministério e as situações que você enfrenta muito melhor do que você. Todos os Seus recursos estão à sua disposição. Ore e obedeça. Atravesse a vida orando e obedecendo. Deus não falhará em relação a você.
"Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém" (Ef 3:20,21). E a Ele seja a glória através da sua vida e ministério, enquanto você vive e anda na plenitude da presença e poder do Seu Espírito.
Faça deste lindo hino da igreja a sua oração. Ele tem sido cantado para o Senhor há um século. Que ele possa expressar o clamor do seu coração hoje:

Enche-me Agora

Paira sobre mim, Espírito Santo,
Banha meu coração e minha fronte trêmulos;
Enche-me com a Tua presença sagrada,
Vem, ó vem, e enche-me agora.

Coro:
Enche-me agora, enche-me agora
Jesus, vem e enche-me agora
Enche-me com a Tua presença sagrada,
Vem, ó vem, e enche-me agora.

Tu podes encher-me, Espírito gracioso,
Embora eu não possa dizer-te como;
Mas preciso de Ti, preciso grandemente de Ti,
Vem, ó vem, e enche-me agora.

Sou fraco, cheio de fraquezas,
Aos Teus pés santos me inclino;
Abençoa, Espírito divino e eterno,
Enche com poder, e enche-me agora.

Limpa, consola, abençoa e salva a mim,
Banha, ó banha, meu coração e minha fronte;
Tu és consolador e Tu salvas,
Estás agora enchendo docemente.

Elwood H. Stokes

quinta-feira, 19 de junho de 2008

A ATUALIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS

INTRODUÇÃO OS NOVE DONS EXTRAORDINÁRIOS
Neste trabalho, nos propomos a demonstrar a atualidade dos dons espirituais. Desejamos comprovar que os dons extraordinários não cessaram com a ultimação do Novo Testamento. Segundo alguns expoentes, os dons dividem-se em ordinários e extraordinários. Na primeira classificação incluem-se os dons de natureza comum. Na segunda encontramos aqueles dons de caráter sobrenatural. Na opinião de muitos eruditos, alguns desses dons de natureza sobrenatural cessaram quando o Novo Testamento foi completado. Esses dons extraordinários são aqueles nove alistados em I Coríntios 12:8-10: (1) palavra da sabedoria, (2) palavra do conhecimento, (3) fé, (4) curas, (5) operação de milagres, (6) profecia, (7) discernimento de espíritos, (8) variedade de línguas, (9) interpretação de línguas. Afirma-se que nos dias de hoje não devem existir esses dons, porque eles tinham a função de causar efeito, autenticar a mensagem apostólica e servir de sinal para a inauguração de uma nova era que estava surgindo no plano dispensacional de Deus.
Para levar a efeito nosso propósito, dividimos este ensaio em dois capítulos. Na primeira parte apresentamos os pressupostos filosóficos que devem ser vistos como evidências, e não como provas, da atualidade dos dons extraordinários. É importante salientar que, toda vez que utilizarmos a expressão "dons extraordinários" neste trabalho, estaremos nos referindo aos nove dons alistados em I Coríntios 12:8-10. A segunda parte traz argumentos escriturísticos extraídos das Sagradas Escrituras (Basearemos nossos argumentos em uma única passagem bíblica: a passagem clássica de I Coríntios 13:8-13 onde, alguns supostamente encontram elementos para negarem a atualidade dos dons extraordinários). Obviamente, nas Escrituras reside nossa melhor força argumentativa, pois é dela que extraímos o material mais apropriado, sem, contudo, desprezarmos as fontes extra-bíblicas, pois estas trouxeram grande contribuição a este trabalho. Reconhecemos, entretanto, que qualquer outra fonte, por melhor que seja, seria inútil se estivesse desassociada do reconhecimento da superioridade, inerrância e infabilidade das Escrituras Sagradas. É, pois, da análise da Bíblia que ousamos apresentar provas incontestáveis da atualidade dos dons extraordinários. A filosofia nos foi muito útil, mas apenas como ferramenta de apoio, e não como prova cabal. A filosofia demonstra as evidências. As Escrituras comprovam os fatos.
Apesar da suficiência das Escrituras, era nosso desejo enriquecer este trabalho com outras fontes, além dos argumentos filosóficos. Gostaríamos de ter apresentado os fatos históricos, o que certamente abrilhantaria esta tese. Mas a escassez de tempo e espaço nos obrigou a limitarmos nosso trabalho em apenas duas fontes.
Não temos a pretensão de sermos inéditos, pois em toda parte podemos encontrar, com certa profusão, obras sobre o assunto. Também não pretendemos esgotar este tema, pois homens com mais capacidade do que nós escreveram obras com superior qualidade. Neste sentido nosso trabalho está muito aquém da obra destes eruditos, e não poderemos satisfazer plenamente aqueles que, eventualmente, desejem uma análise mais profunda sobre este tema.
Naturalmente, cremos que ainda outros surgirão, pois para os mistérios de Deus nunca haverá uma palavra definitiva. Nenhum ser humano pode, hoje, arrogar para si o múnus de falar em nome de Deus. Embora tenhamos, num certo sentido, "inspiração" da parte do Espírito de Deus, devemos saber que "...nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação..." (II Pe.1:20). A Atualidade dos Dons Espirituais 5

CAPÍTULO I
ARGUMENTOS FILOSÓFICOS
Os argumentos filosóficos são aqueles que se relacionam com o saber humano à parte da revelação divina. O campo da filosofia são as diversas áreas do conhecimento, pois ela trabalha tanto com o conhecimento teórico quanto com o conhecimento experimental, e a relação existente entre estes dois universos.
I. EPISTEMOLÓGICO
O primeiro argumento filosófico que examinaremos é o epistemológico. "A epistemologia é o campo da filosofia que investiga a natureza e a origem do conhecimento. 1
A epistemologia estuda como sabemos. 2
"Na área da epistemologia devemos fazer as seguintes perguntas: "Como conhecemos alguma coisa? Quando é justificada a alegação de que alguém sabe? É possível o conhecimento indubitável (certo) acerca de qualquer coisa"? 3
Para respondermos à pergunta "como podemos conhecer"? devemos analisar as nossas fontes de conhecimento ou a origem de nossas crenças. As seguintes fontes serão aqui analisadas: o testemunho de outras pessoas, a intuição (usada aqui no sentido de instintos, sentimentos, e desejos), o raciocínio, e a experiência sensória. Estas fontes levam a cinco lógicas ou critérios para validar as crenças. São elas a fé ou o autoritarismo, o subjetivismo, o racionalismo, o empirismo, e o pragmatismo.

1. AUTORITARISMO: Esta fonte baseia-se no testemunho de autoridades. Começamos nossa aprendizagem ao aceitar as crenças da nossa família. Posteriormente aceitamos o que nos é dito por nossos professores e amigos. Ainda depois de formados, dependemos do testemunho de livros, jornais, etc. Aceitamos todas essas fontes quando acreditamos serem elas boas. Desse modo delegamos autoridade às fontes que acreditamos fidedignas. Essa autoridade tem origem em 4 elementos:

1.1. O Prestígio da Autoridade: As autoridades evangélicas que defendem a atualidade dos dons extraordinários são pessoas de prestígio. Elas gozam de nossa confiança, e não somente da nossa, mas até mesmo da de seus oponentes. Portanto, a palavra desses irmãos, homens de erudição comprovada, tem um peso decisivo sobre nossas crenças. Algumas autoridades que podemos citar são: D. M. Lloyd Jones, John R. W. Stott, Ray C. Stedman, David Yonggi Cho, C. P. Wagner, Caio Fábio D'Araujo Filho, entre outros.

1.2. O Número de Defensores: O grande número de pessoas que defendem a atualidade dos dons é algo que deve ser levado em conta. Se os dons extraordinários tivessem cessado, então grande multidão de evangélicos estariam sendo enganados. Será que Deus permitiria tal coisa?

1.3. A Persistência na Crença: Apesar dos ataques que vem sofrendo ao longo da história, a crença nos dons extraordinários tem persistido até o presente. Se os dons extraordinários manifestados imediatamente após o período apostólico, as manifestações históricas contemporâneas, bem como as atuais da era moderna, fossem de fato falsificações, há muito elas teriam desaparecido da lembrança do povo evangélico. Ele não fariam nenhuma questão de ressuscitá-las.

1.4. A Antigüidade da Crença: A crença nos dons extraordinários não é nenhuma inovação da Igreja Moderna. Ela existe desde o nascimento da Igreja; tem o selo apostólico como garantia, bem como a autenticação do Espírito Santo nas suas mais diversas operações através da Igreja.

2. SUBJETIVISMO: Temos aqui o argumento baseado na intuição, isto é no sentido dos instintos, sentimentos e desejos. Isto não significa que nossas crenças acerca da realidade dos dons extraordinários tem sua origem em dados dos sentidos ou coisas semelhantes, mas, sim, através de nosso contato imediato com o conhecido. Portanto este elemento pressupõe que o conhecedor tenha algum tipo de contato direto com o que é conhecido, ou seja com o objeto da crença, que no nosso caso, são os dons extraordinários. Para melhor elucidação também classificamos o subjetivismo em duas categorias: realismo direto e misticismo.

2.1. Realismo Direto ou do Bom Senso: É o ponto de vista concebido pelo homem comum, sem qualquer reflexão filosófica, porém caracterizada pelo bom senso e bom juízo. Pessoas psiquicamente sadias não ousariam defender uma experiência subjetiva se de fato não acreditassem nela. Pode ser que estivessem enganadas, mas não por muito tempo. Pode ser que alguns se enganassem, mas não todos. Uma experiência subjetiva, isto é, pessoal, interior, é algo que costuma ficar gravado no espírito pelo resto de nossas vidas, principalmente se esta tem sua origem na pessoa do Espírito Santo de Deus. Este fato deve ser considerado como evidência de que o Espírito Santo ainda opera extraordinariamente, através dos dons, em nossos dias.

2.2. Misticismo: É o subjetivismo supra-racional, que tem a ver com o conhecimento de Deus. Certamente podemos conhecer a Deus, e de fato o conhecemos, mas alguns conhecimentos estão além da razão humana. É o caso também dos dons extraordinários, que conhecemos hoje em parte, mas não o compreendemos totalmente. A experiência mística de muitos irmãos comprovam a atualidade dos dons extraordinários.

3. RACIONALISMO: Este elemento aponta para a razão, para aquilo que é cognoscível. Há boas razões para acreditarmos nos dons extraordinários para hoje. Os próprios argumentos deste trabalho se constituem em algumas destas razões.
A Atualidade dos Dons Espirituais 7

4. EMPIRISMO: Aponta para o elemento baseado mais na experiência do que na razão. É claro que a experiência de um cristão não deve servir como padrão para autenticação dos dons, mas o grande número de experiências sentidas por tantos cristãos, servem para evidenciar que algumas delas são pelo menos genuínas. Já que o empirismo se baseia na experiência, é óbvio supor que esta se serve dos sentidos e daquilo que se descobre com eles.

4.1. Sentidos Físicos: Visão, olfato, audição, tato e paladar. Relatos de experiências espirituais envolvendo a visão é a mais comum que encontramos. Mas também já se ouviu falar de manifestações envolvendo a audição, o olfato e outros sentidos.

4.2. Sentidos Emocionais: Inúmeros irmãos têm sido tocados em suas emoções, quando as operações espirituais do Espírito Santo de Deus se manifestam. Deveríamos mesmo acreditar que essas experiências foram apenas produto da emoção humana? Não seriam de fato o resultado da operação do Espírito? Quando Deus se manifesta, homem algum pode resistir a ponto de permanecer emocionalmente estático.

5. PRAGMATISMO: Este argumento considera a funcionalidade, utilidade e resultados práticos do objeto conhecido.

5.1. Funcionalidade: Os dons que conhecemos funcionam mesmo?

5.2. Utilidade: Os dons são realmente úteis?

5.3. Resultado: Os dons extraordinários de hoje têm bons resultados práticos?
II. METAFÍSICO
Este nome provém de uma palavra grega que significa "depois da física". Através do uso do termo este veio a significar "além" do físico. Daí, a metafísica, para alguns filósofos, "é o estudo do ser ou da realidade." 4
Enquanto que a epistemologia ocupa-se com as capacidades e as limitações de quem sabe, "a metafísica trata da existência e da natureza daquilo que é sabido." 5
A metafísica considera, pois, as qualidades e os relacionamentos das coisas conhecidas, ou seja: a realidade. De que forma então podemos conhecer realisticamente (metafisicamente) os dons extraordinários? Só podemos conhecer o desconhecido por intermédio do que conhecemos, o real desconhecido pelo real desconhecido, o irreal desconhecido pelo irreal desconhecido. Só podemos conhecer aquilo que é verdadeiro por meio daquilo que não é verdadeiro. Logo podemos conhecer a realidade verdadeira por meio da realidade falsa. Conhecemos muito bem as falsificações demoníacas, e por meio delas podemos conhecer a verdadeira manifestação de Deus. Se existe o falso, necessariamente deve também existir o verdadeiro. A realidade dos falsos dons extraordinários, comprovam a existência dos verdadeiros dons extraordinários. A Atualidade dos Dons Espirituais 8
CAPÍTULO II
ARGUMENTOS ESCRITURÍSTICOS
Os argumentos escriturísticos são aqueles baseados na revelação de Deus, em sua palavra escrita, isto é nas Sagradas Escrituras.
I. EXEGÉTICO
O argumento exegético baseia-se na interpretação do texto bíblico original. Para este trabalho utilizaremos a passagem de I Coríntios 13:8-13, que tem sido usada por muitos comentaristas para defender a negação dos dons extraordinários neste tempo presente. Um destes comentarista é B. F. Cate, autor do livro "The Nine Gifts of the Spirit. Are not in the church today" (Os Noves dons do Espírito. Não se manifestam na igreja no dia de hoje). Veremos então a interpretação de B. F. Cate, e, em seguida apresentaremos nossa exegese do texto em questão.

1. A Visão de B. F. Cate de I Coríntios 13:8-13:
Cate inicia o primeiro capítulo de seu livro fazendo esta pergunta: "Os Nove Dons: Quando Cessaram Eles?" Em seguida passa a argumentar da seguinte maneira: "Paulo diz: 'O amor jamais acaba.' Isto implica que os dons acabariam; portanto, ele prossegue dizendo: 'mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque em parte conhecemos e em parte profetizamos (versículo 8 e 9). a razão por que eles só conheciam em parte era que então ainda não estava completamente revelado aquilo do Novo Testamento que agora está escrito. 'Quando, porém,' diz Paulo, 'vier o que é perfeito (a ultimação do Novo Testamento), então o que é em parte (profecia, etc.) será aniquilado' (versículo 10). Depois ele ilustra isso dizendo: 'Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das cousas próprias de menino' (versículo 11). Nos dias primitivos da presente dispensação, quando foi escrita esta epístola, eles eram como meninos; mas estava aproximando-se rapidamente o tempo quando desistiriam 'das cousas próprias de menino' (os nove dons), e andariam pela fé no 'caminho sobremodo excelente' do 'amor' e na luz da completa revelação de Deus.
"Paulo ilustra novamente, dizendo: 'Porque agora (quando esta epístola foi escrita) vemos como em espelho, obscuramente (em parte conhecemos), então (quando a revelação de Deus ao homem fosse completada) veremos face a face; agora conheço em parte, então conhecerei como também sou conhecido' (versículo 12). Conhecer 'como também sou conhecido,' significa: nós, agora que a revelação de Deus está completa, não mais 'em parte conhecemos,' mas conhecemos a mente de Deus (para esta dispensação) tal como Ele conhece nossa mente." 6
Cate prossegue dizendo: "Existem alguns que encontram dificuldade em ver que 'o que é perfeito' em I Coríntios 13:9,10 refere-se à perfeição
A Atualidade dos Dons Espirituais 9


(ultimação) da revelação de Deus para a era da igreja. Paulo, ao demonstrar que 'o amor jamais acaba,' mas que os nove dons cessariam quando o Novo Testamento chegasse à sua ultimação, refere-se apenas a três deles como exemplo do todo (versículo 8). Depois, nos versículos 9 e 10 ele reduz isto a um único dom - o da profecia - como um exemplo do todo. Vejamos mais uma vez o que dizem estes versículos: 'Porque em parte conhecemos, e em parte profetizamos. quando, porém, vier o que é perfeito, então o que é em parte (profetizar) será aniquilado.' Paulo não está falando a respeito da perfeição dos santos; está falando a respeito da perfeição da profecia. Demonstra assim que o dom de profecia deveria cessar quando a revelação de Deus para a era da Igreja chegasse à perfeição." 7
Esta é a visão de Cate. Com amor e respeito àqueles que pensam dessa forma, passaremos a contra-argumentar esta posição. Nós cremos que, na passagem, Paulo fala da perfeição dos santos, e defenderemos esta tese, porque se o fizermos, ficará também demonstrado que os dons extraordinários existem hoje. Isto porque Paulo deixa claro, na passagem, que os profetas deveriam profetizar 'em parte' até que viesse 'o que é perfeito.' Portanto, se 'o que é perfeito' ainda não veio, então nós ainda temos profetas profetizando 'em parte' ainda hoje.

2. Uma Análise de I Coríntios 13:8-13: Nesta passagem analisaremos os vocábulos "perfeito", "quando", "agora", "então" e "conhecer".

2.1. O Perfeito do Versículo 10: O termo grego usado em I Coríntios 13:10 é teleio (téleios).Esta palavra pode ser traduzida de várias maneiras: (1) "perfeito", referindo-se à coisas (Rm.12:2; ICo.13:10; Tg.1:4,17,25; Hb.9:11, IJo.4:18, etc.); (2) "perfeito", referindo-se à pessoas, com o sentido de "maduro" ou "adulto" em sentido moral e espiritual (Mt.5:48; 19:21; Fp.3:15; Cl.1:28; ICo.2:6; 14:20; Ef.4:13; Hb.5:14); (3) "perfeito", referindo-se à Deus em sua perfeição absoluta (Mt.5:48). 8
No versículo 10 de I Coríntios 13, o termo grego teleion (téleion) é "adjetivo pronominal, nominativo, neutro, singular." 9
De acordo com isto, a tradução correta do texto deveria ser: "quando. porém, vier aquilo que é perfeito, então aquilo que é em parte será aniquilado." Isto porque este adjetivo, na língua grega, não é feminino nem masculino, mas está no gênero neutro. Portanto, o argumento de Cate, de que "o que é perfeito em parte" se refere a profecia, se desfaz; e isto por duas razões: (1) A palavra grega profecia, usada no versículo 8 (profhteia = profeteía), é "substantivo, nominativo, feminino, plural." 10
Se a palavra "profecia" é feminina, então "aquilo que é perfeito" também deveria estar no gênero feminino para concordar, mas não está. (2) Se "o que é perfeito" fosse a revelação profética completada pelo Novo Testamento, então "o que é perfeito em parte," a revelação profética do Antigo Testamento, teria sido aniquilada. De fato o Antigo Testamento foi aperfeiçoado ou completado pelo Novo Testamento, mas de forma alguma ele foi aniquilado ou cessou em seus efeitos. Jesus disse que nenhuma profecia do Antigo Testamento cessaria até que tudo se cumprisse (Mt.5:18). Jesus não disse que a lei cessaria até que tudo fosse revelado (a revelação do Novo Testamento), mas até que tudo se cumprisse. Como poderia o Antigo Testamento ter sido aniquilado se ainda há A Atualidade dos Dons Espirituais 10
muitas profecias para serem cumpridas? "...a Escritura não pode falhar." (Jo.10:35).
Cremos que a palavra "perfeito" contém nesta passagem a idéia do fim ou do objeto consumado ou completado, pois de acordo com o contexto da epístola, Paulo, logo adiante, no capítulo 15, passa a tratar da ressurreição. Em I Coríntios 15:24 o apóstolo diz: "...então virá o fim..." A palavra fim é telo (télos). Portanto deve referir-se à ressurreição ou perfeição dos santos na consumação, quando toda a profecia terá sido completada, finalizada ou aperfeiçoada 11
(Lc.22:37) e a fé terá o seu fim, quando deixaremos de ver por enigma, e veremos face a face ao Nosso Salvador: "(Cristo) a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas." (I Pedro 1:8,9).
Uma passagem esclarecedora pode ser encontrada em Romanos 10:4, onde lemos que "...o fim ( télos) da lei é Cristo...". Obviamente a lei não teve seu fim (ela não foi aniquilada, veja Mt.5:17), mas ela foi aperfeiçoada por Cristo: "Anulamos, pois, a lei, pela fé? Não, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei." (Rm3:31). Pela nossa fé em Cristo, a lei está sendo, em nós, confirmada e aperfeiçoada, até que chegue a ressurreição, quando deixaremos de andar por fé (IICo.5:7) para andar por vista, pois veremos Cristo face a face: "...quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque havemos de vê-lo como Ele é."(I João 3:2). Na ressurreição alcançaremos nossa perfeição espiritual, deixaremos de ser meninos, e conheceremos plenamente a Cristo, como dEle somos conhecidos: "...até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos..." (Ef.4:13,14). O contexto desta passagem diz que Cristo "...concedeu dons aos homens... até que todos cheguemos à unidade da fé..." (vv.8,13). De acordo com este contexto, os dons de Cristo devem durar até que se completem as observações feitas por Paulo no versículo 13. Neste sentido, nem mesmo o dom de apóstolo, mencionado no versículo 11, teria cessado.
2.2. O Quando do Versículo 10: A palavra quando usada neste versículo é traduzida do grego otan (hótan). Este termo é uma "partícula temporal" que pode ser traduzida por "no tempo que." 12
Portanto o versículo está dizendo que "o que é perfeito em parte" somente será aniquilado "no tempo que vier o que é perfeito," e esse tempo ainda é futuro, pois hótan se refere a "um tempo definido e específico." Esse tempo definido e específico era futuro para o apóstolo Paulo, quando ele escrevia a epístola, e ainda hoje, é futuro para nós.
2.3. O Quando do Versículo 11: O quando deste versículo, no grego, não é hotan, como no versículo anterior, mas ote (hóte), que também é uma "partícula temporal," 13 mas se refere a um tempo indefinido, pois Paulo não estava falando da época em que ele era criança, mas de um tempo indefinido, ao qual ele chama de "tempo de menino," que ele usa para contrastar com o tempo definido pela vinda daquilo que é perfeito. A Atualidade dos Dons Espirituais 11
2.4. O Agora do Versículo 12: Esta palavra aparece duas vezes no versículo 12, como tradução do vocábulo grego arti (arti). Trata-se de um advérbio, com sentido de "já, imediatamente, no presente, presentemente," como é utilizado em Jo.9:19,25: I Pe.1:6,8. "No grego helenístico o sentido é ampliado para referir-se ao presente em geral." 14
Segundo Grosheide, arti expressa "um contraste entre esta dispensação e a futura." 15
De acordo com isto, o agora do versículo 12 não expressa apenas o tempo do apóstolo Paulo, quando a epístola foi escrita por ele, mas também o tempo presente, até o final da presente dispensação.
2.5. O Agora do Versículo 13: A palavra agora deste versículo é traduzida do grego nune (nune), que pode também ter a idéia de tempo (At.22:1; 24:13; Rm.3:21; Ef.2:13; etc.), mas no versículo em questão, foi usado com sentido lógico e não temporal, como é usado em I Co.5:11; 15:20; Hb.9:26; etc. Nesses casos, a idéia de tempo é "enfraquecida ou totalmente ausente" e deve ser melhor traduzida por "porém, mas, ora." 16
Nesse sentido o que o apóstolo está dizendo é que neste tempo presente ainda "vemos como em espelho, obscuramente," porque vemos por meio da fé (II Co.5:7), e da esperança (Rm.8:24,25) que "é a certeza das cousas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem." (Hb.11:1). "Logo..." - diz o apóstolo - "...permanecem a fé, a esperança e o amor..." (v.13). Estas três virtudes são necessárias para haver o conhecimento de Deus. A fé e a esperança nos concedem um conhecimento parcial (Rm.1:17; Ef.3:17-19; IITm.3:15), por isso cessarão, quando o conhecimento completo vier. O amor, porém permanecerá pela eternidade, quando vier o que é perfeito, pois o amor "...é o vínculo da perfeição." (Cl.3:14).
2.6. O Então do Versículo 12: A palavra grega para este vocábulo é tote (tóte). Este advérbio indica tempo, e está em conexão com o "quando" do versículo 10, que também é temporal. Segundo o léxico, deve ser traduzido por "naquele tempo." 17
2.7. O Verbo Conhecer dos Versículos 9 e 12: Este verbo aparece quatro vezes no texto. Nas duas primeiras ocorrências, é usado o verbo grego gnwskw (gnôskô): "...em parte conhecemos..."(v.9), "...agora conheço em parte..."(v.12). Nas outras duas ocorrências o verbo grego é preposicionado com o prefixo grego epi (epi): epignwskw (epignôskô): "...então conhecerei como também sou conhecido..."(v.12). O prefixo adicionado ao vocábulo dá um sentido pleno ao verbo. A Nova Versão Internacional do Novo Testamento traduz com mais exatidão o versículo 12: "Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido." 18
Note que na primeira ocorrência, Paulo acrescenta as palavra "em parte" ao verbo conhecer, porque o seu conhecimento, quando ele escrevia a epístola era parcial. Mas ele diz que, no tempo (então) em que viesse aquilo que é perfeito, ele veria face a face e teria o pleno conhecimento. Barrett diz que "As palavras apresentam a inadequação do atual conhecimento humano de Deus, em A Atualidade dos Dons Espirituais 12
contraste com o conhecimento que Deus tem do homem e o conhecimento de Deus que os homens terão na era futura." 19
É claro que Paulo não atingiu o pleno conhecimento. Ele caminhava com esforço na vida cristã, para obter o melhor nível de perfeição, mas sabia que seria impossível atingi-lo nesta vida: "...para o conhecer e o poder da sua ressurreição... para de algum modo alcançar a ressurreição dentre os mortos. Não que eu o tenha já recebido, ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma cousa faço: esquecendo-me das cousas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos perfeitos (maduros até um certo nível), tenhamos este sentimento; e, se porventura pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos."(Fp.3:10-16). Entretanto quando Paulo estava para morrer, sabendo que iria encontrar-se com o Senhor face a face, ele escreveu: "Combati o bom combate, completei (telew = teléô = aperfeiçoei) a carreira, guardei (threw = têréô = permenecí fiel) a fé."(II Tm.4:7). O sentido de teléo neste verso é: "terminar, completar, chegar ao alvo." 20
O que é verdade para Paulo, também é para nós. Nenhum cristão hoje ousa dizer que tem o pleno conhecimento de Deus ou das coisas de Deus. Paulo, que não atingiu esse nível, possuía muito mais conhecimento do que nós que temos a Escritura completa. é certo que podemos ter um pleno conhecimento subjetivo da verdade (IITm.2:25), mas o conhecimento pleno, objetivo e absoluto, só a deus pertence (Dt.29:29). Portanto "...conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor: como a alva a sua vinda é certa..." (Os.6:3), porque "...a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste... Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles esteja." (Jo.17:3,26).
II. HERMENÊUTICO
Este argumento baseia-se nas leis de interpretação do texto bíblico. Não há em todo o Novo Testamento nenhum texto que diga claramente que os dons extraordinários cessariam. O único texto que poderia dar alguma margem à esta interpretação é o de I Coríntios 13: 8-13. Este texto, por ser um pouco obscuro, e de difícil interpretação, tem sido usado para demonstrar a extinção dos dons extraordinários para a época posterior à época apostólica. Contudo, uma boa exegese, como a que acabamos de apresentar, no sub-capítulo anterior, dissolve toda a dúvida quanto a existência dos dons extraordinários para hoje.
III. PROFÉTICO
O argumento profético tem a ver com o caráter profético da mensagem, do sinal operado ou propriamente da manifestação do dom extraordinário. O genuíno dom extraordinário tem que ser puro e santo. Suas asseverações devem ser claras e exatas, não deixando nenhuma margem à dúvida. Desassemelham-se das adivinhações, prognósticos, agouros e feitiçarias, com os quais não devem ter nenhum vínculo, o mínimo que seja (Dt.18:9-14). A palavra profética, por exemplo, deve acontecer exatamente como foi predita: "Se disseres no teu A Atualidade dos Dons Espirituais 13
coração: como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Sabe que quando esse profeta falar, em nome do Senhor, e a palavra dele se não cumprir nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o Senhor não disse; com soberba a falou o tal profeta: não tenhas temor dele." (Dt.18:21,22).
Inúmeros crentes têm sido beneficiados com a manifestação do genuíno dom extraordinário. Vidas foram edificadas ao receberem uma palavra profética de edificação, exortação e consolo (I Co.14:3). Poderia vir de Satanás algo que promovesse o bem estar dos santos? Certamente que não! "Acaso pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?" (Tg.3:11).
IV. ESPIRITUAL
Este argumento, tão importante quanto o profético, baseia-se não no caráter do dom propriamente, mas no caráter espiritual da pessoa através da qual o dom se manifesta. Ele se focaliza no instrumento que manifesta o dom, e não na manifestação do dom. É preciso discernir o caráter da pessoa que fala ou manifesta algum dom extraordinário. Esta pessoa é séria em sua vida com Deus? Leva uma vida santa e irrepreensível? É conhecida? Deixa transparecer alguma suspeita? Tudo isso deve ser levado em conta, mesmo que o sinal por ela predito, venha a acontecer: "Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti, e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, e disser: vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o Senhor vosso Deus vos prova, para saber se amais o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, e de toda a vossa alma." (Dt.13:1-3). Deus permite a manifestação de "...poder, e sinais e prodígios da mentira..." (II Ts.2:9), para enganar aqueles que "...não acolheram o amor da verdade..." (II Ts.2:10). Portanto, todo sinal ou dom extraordinário, por mais portentoso que seja, que contraria a verdade da palavra de Deus deve ser rejeitado porque não vem de Deus. O Novo Testamento apresenta um caso interessante o nosso para exame. Diz a bíblia que "..indo nós para o lugar da oração, nos saiu ao encontro uma jovem possessa de espírito adivinhador... seguindo a Paulo e a nós, clamava dizendo: estes homens são servos do Deus Altíssimo, e vos anunciam o caminho da salvação..." (At.16:16,17). Note que nesta passagem tudo que o espírito dizia acerca de Paulo e seus companheiros era verdade, porém tratava-se de um espírito adivinhador, isto é, um demônio que "...adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores." (At.16:16). Paulo tratou logo de expulsar aquele espírito (At.16:18) para proteger a pureza de sua mensagem, a qual ele anunciava gratuitamente, sem fins lucrativos, para que os seus ouvintes não a considerassem equivalente à mensagem que aquele espírito anunciava.
Temos encontrado homens seríssimos em sua vida com Deus. Estes têm servido de instrumentos nas mãos divinas, como canais de manifestação de dons extraordinários. Se rejeitarmos a existência dos dons extraordinários, teríamos que rejeitar a muitos homens e mulheres de Deus. A Atualidade dos Dons Espirituais 14
CONCLUSÃO
Nesta conclusão queremos salientar uma palavra final sobre o texto de I Coríntios 13:8-13, muito usado por nossos oponentes para negar a atualidade dos dons extraordinários, e, por nós, para defender a sua existência. Reconhecemos algumas dificuldades que a passagem apresenta. Paulo não diz claramente o que é "o perfeito." Dissemos neste trabalho tratar-se, o perfeito da ressurreição. Alguns têm afirmado tratar-se da vinda de Jesus; outros, por sua vez, dizem que é o amor. Todas essas posições trazem dificuldades. A ressurreição (anastasi = anástasis) vinda (parousia = parousía), e o amor (agaph = agápê) são palavras femininas, enquanto que a palavra perfeito (telo = télos) está no gênero neutro. Talvez pudéssemos dizer, referindo-se à ressurreição, que Paulo estava falando do evento da ressurreição, do seu fenômeno. Daí teríamos uma possível solução. O mesmo se poderia dizer em relação à vinda de Cristo.
Uma coisa, porém, podemos afirmar sem vacilar. Aquilo que é perfeito não é a profecia do Novo Testamento, como afirmou B. F. Cate. Isto demonstramos ao longo deste ensaio. Nós acreditamos que o perfeito é o conjunto de todas estas coisas: a vinda de Jesus, seu amor completado em nós, a ressurreição, o cumprimento das promessas futuras, encontradas nas Escrituras, que virão na consumação desta era. Todos estes elementos, é claro, não poderia ser gramaticalmente descrito por uma só palavra, masculina ou feminina. Paulo vinculou o todo à uma só palavra: "o perfeito," e esta, para descrever tantas perfeições de Deus, só poderia estar no neutro, porque se refere à muitas coisas.
De qualquer forma, seja o que for o perfeito, claro ficou que ele ainda não veio, e mesmo que não saibamos o que possa ser (esta nossa dificuldade prova que não conhecemos plenamente hoje), é fato inegável que os dons extraordinários não cessaram. A Atualidade dos Dons Espirituais 15

Os dons do Espírito Santo

Os dons do Espírito Santo
(Pr. Rubens PaesArapongas, Igreja Presbiteriana Renovada- PR )
Todo movimento de renovação espiritual, para ser legítimo, precisa aceitar e pôr em prática, de forma irrestrita, as doutrinas bíblicas relacionadas à ação do Espírito Santo.E uma delas é a existência dos dons espirituais para os nossos dias.Os dons são ferramentas que o Espírito de Deus entrega aos crentes, conforme sua vontade e propósito, sempre visando à edificação do Corpo de Cristo.
A Igreja está envolvida numa intensa batalha espiritual. Seus conflitos não se travam contra poderes humanos, mas contra potestades do mal. Por isso, é importante ter recursos espirituais para lutar contra os poderes que escravizam o homem, levando-o ao pecado.
Os dons são para hoje ou não?
Para os grupos carismáticos e pentecostais, a atualidade dos dons espirituais é um fato incontestável. Mas não ocorre a mesma coisa nas igrejas chamadas de históricas ou tradicionais. Nestas, a não-aceitação da atualidade dos dons sempre foi motivo de discussões e divisões.
Para alguns teólogos, os dons eram apenas para os dias apostólicos, para a igreja primitiva. Quem pensa dessa maneira toma por base o texto de 1Co 13: 8-10. A expressão “quando vier o que é perfeito”, no v. 10, significaria que, ao cessar a era apostólica, ou quando estivesse completo o cânon do Novo Testamento, também cessariam os dons. Contudo, a crença de que os dons eram apenas para o primeiro século da era cristã não é unanimidade nem mesmo dentro das igrejas históricas.
Os argumentos favoráveis à existência dos dons para os nossos dias são muito mais convincentes. Há em 1Co 13: 8-10 uma clara referência à volta de Cristo. Só após a segunda vinda de Cristo é que não mais precisaremos usar os dons.
Jesus prometeu capacitar os crentes para a pregação da Palavra, Lc 10: 19. A história da Igreja confirma o uso dos dons nos seguintes períodos: IV século - Irineu, Tertuliano, Crisóstomo e Agostinho; séculos V ao XV, os Valdenses, os Albigenses, os Jansenitas e os pietistas alemães; no século XIX os metodistas; os Quakers, Wesley, Whitefield, Moody, além de outros que passaram por essa experiência.
A diversidade de dons
Os dons têm sua origem na ação do Espírito Santo, 1Co 12: 1-11. Ele é quem os distribui soberanamente aos crentes, com objetivos específicos, 1Co 12: 7, 11.
Geralmente, ao estudarmos os dons espirituais nos prendemos àqueles mencionados em 1Co 12. Mas há diferentes listas de dons no Novo Testamento:
Romanos 12: 6-8: profetizar, ministrar, exortar, contribuir, presidir e exercer misericórdia. O contexto desses versículos enfatiza que todos somos membros do Corpo de Cristo e dependemos uns dos outros. Cada crente contribui para o crescimento do Corpo, usando o dom específico que tem recebido.
Efésios 4: 11-16: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores-mestres. Através desses ministérios os crentes são equipados para o serviço. À proporção que cada um presta sua contribuição, todo o corpo vai sendo edificado, v. 12, e cada membro em particular vai crescendo e adquirindo maturidade espiritual, vv. 13-16.
1 Coríntios 12: 4-10: palavra de sabedoria, palavra de conhecimento, fé, dons de curar, operações de milagres, profecia, discernimento de espíritos, variedade de línguas, interpretação de línguas. Essa passagem, juntamente com os vv. 28 a 31, se complementa ao narrar os dons do Espírito Santo. No v. 7 o apóstolo ensina duas grandes lições. A primeira é de que o Espírito concede dons a cada crente: “a manifestação do Espírito é concedida a cada um...”. Outra lição é a do fim proveitoso dos dons. Não há distribuição de dom sem finalidade específica.
d) 1Coríntios 12: 28: apóstolos, profetas, mestres, operadores de milagres, dons de curar, socorros, governar, variedades de línguas.
e) 1Pedro 4: 10-11: falar, servir. O objetivo dessa passagem é acentuar que, se o crente recebe um dom espiritual, deve empregá-lo a serviço dos outros membros, conforme o poder de Deus e para a glória do Senhor.
Manifestação do Espírito no Antigo e Novo Testamentos
Há uma nítida diferença entre o agir do Espírito no Antigo Testamento e no Novo. No AT, o Espírito Santo agia sobre algumas pessoas específicas, com um propósito especial, dando-lhes capacidade para executarem certas tarefas. Alguns exemplos:
Belzaleel recebeu habilidades para trabalhar na obrado tabernáculo, Êx 35: 30-31;
Otoniel Gideão, Jefté e outros receberam podervindodo Espírito para livrar e governar Israel;
veja também estas ações especiais do Espírito no AT, dando habilidade específicas a certas pessoas para profetizar, Nm 11:26-27; operar milagres, Js 10: 12-13; ter fé, 1Re 18: 23-30; ter discernimento, 2Rs 5: 25-27; ter sabedoria, 1Rs 4: 29 e Gn 41: 25.
No Novo Testamento, no entanto, há uma nova perspectiva sobre o mover do Espírito Santo. Vê-se que o Espírito age irrestritamente no Corpo de Cristo. Ele é o selo que identifica que o salvo é propriedade de Deus, Ef 1: 13; 4: 30. Todo salvo tem o Espírito, Rm 8: 9. O Espírito é quem habilita os crentes para o serviço cristão. Ele é o distribuidor dos dons.
Conclusões
Há algumas importantes lições que temos de ter em mente sobre os dons:
1. devemos procurar com zelo os melhores dons, ou seja, aqueles que trazem edificação aos irmãos, 1Co 12: 31;
2. os dons devem ser usados para o benefício da igreja e não para proveito próprio;
3. cada cristão deve procurar desenvolver seus dons, 1Tm 4: 14 e 2Tm 1: 6;
4. se os dons não forem bem usados poderão provocar confusão no seio da Igreja, causando escândalo à obra de Deus;
5. o exercício dos dons espirituais não indica o grau de espiritualidade de uma pessoa. Compare 1Co 1: 4-7 com 1 Co 3: 1-3. Embora os coríntios tivessem muitos dons, foram chamados de crianças em Cristo. O termômetro para se medir a espiritualidade de um crente é o fruto do Espírito, Gl 5: 22-23.
6. Os dons só terão valor diante de Deus se forem exercidos com amor.
Fonte: Revista de EBD Aleluia 58, lição 6 - junho de 1999
Publicado no Jornal Aleluia de dezembro de 2004

História dos Avivamentos Espirituais

Avivamento é quando o Espírito Santo renova, reaviva e desperta a igreja sonolenta, abatida e corrompida pelo pecado. É revitalização onde já existiu vida. Ou, como disse Robert Coleman, é "o retorno de algo à sua verdadeira natureza e propósito".
Segundo o Dr. Martin Loyd-Jones: “É uma experiência na vida da Igreja quando o Espírito Santo realiza uma obra incomum. Ele a realiza, primeiramente, entre os membros da Igreja: é um reviver dos crentes. Não se pode reviver algo que nunca teve vida; assim, por definição, o avivamento é primeiramente uma vivificação, um revigoramento, um despertamento de membros de igreja que se acham letárgicos, dormentes, quase moribundos.”
Quando há esse impacto da obra do Espírito de Deus na vida da igreja, os resultados imediatos do avivamento são sentidos no povo de Deus: senso inequívoco da presença de Deus; oração fervorosa e louvor sincero; convicção de pecado na vida das pessoas; desejo profundo de santidade de vida e aumento perceptível no desejo de pregação do evangelho. Em outras palavras, a igreja amortecida e tristemente doente é a primeira a ser beneficiada pelo avivamento.
Outro mito muito freqüente é afirmar que algumas igrejas são “frias” e outras mais “espirituais”. Não existem igrejas frias! Existem sim, pessoas frias, mortas ou acomodadas espiritualmente! Isso existe!
Todo avivamento espiritual promovido por Deus, tem o objetivo final de transformar a sociedade não-cristã. Isto acontece porque, além da atuação soberana do Espírito Santo no mundo, na igreja passa a existir uma conscientização profunda de sua missão; isto é, a missão integral de servir o mundo evangelística e socialmente. No avivamento a igreja vive a missão para a qual foi chamada.
A sociedade não-cristã, por sua vez, volta-se para Deus em resposta ao evangelho. Acertadamente o Dr. Héber de Campos comenta que "o reavivamento começa na igreja e termina na comunidade maior onde ela vive. Os efeitos do reavivamento são muito mais perceptíveis nas mudanças morais que acontecem na região ou num país onde ele acontece. Ele não se limita simplesmente aos membros das igrejas atingidas pela obra de Deus. Ele causa impacto em toda a comunidade onde a igreja de Deus está inserida".

Ao fazermos uma análise histórica dos fatos e acontecimentos, desde o povo de Israel na Antiga Aliança, até a igreja de nossos dias, no Novo Testamento percebemos que o povo tem oscilado entre ondas de grande avivamento espiritual e períodos de profundas trevas e degradação pecaminosa.
Associado a cada período de avivamento espiritual observamos que o antecedeu um longo período de intercessão, jejum e oração. Na verdade os avivamentos espirituais precisam ser gerados espiritualmente por intercessores, em nosso Seminário sobre Avivamento Espiritual desenvolvemos com maior propriedade esse tema, porém é importante que você tenha em mente um pequeno resumo dos principais avivamentos espirituais da história.

Destacam-se pelo menos doze movimentos de avivamento só nas páginas do Antigo Testamento, isso sem nos aprofundarmos em cada um dos reis que lideraram o reino do norte (Israel) e reino do sul(Judá). No Novo Testamento a Igreja Primitiva apresenta-se como uma igreja avivada, mas ainda em Atos, percebemos que Deus precisou despertá-los espiritualmente, os pais da igreja ao longo dos séculos seguintes nos deixaram inúmeros relatos de avivamentos espirituais que vieram sobre cada geração de cristãos.
Infelizmente a história também nos mostra que tristemente ocorreram negros períodos de falta de avivamento, em especial destaco a Idade Média.

Existe pelo menos quatro fatores que precedem cada avivamento, porém não são comuns a todos. O texto que segue abaixo foi resumido a partir do livro “The Solemn Assembly” (A Assembléia Solene) por Richard Owen Roberts-1989.

1) Declínio Espiritual e Moral. Cada avivamento é precedido por um período de declínio moral e espiritual entre o povo de Deus. Como exemplos que ilustram este problema, podemos citar Êxodo 32 e 33, onde o declínio incluiu a fabricação do bezerro de ouro para ser adorado; e no tempo de Davi, que foi precedido por mais de seis décadas em que a Arca da Aliança de Deus estava fora do lugar certo em Jerusalém.

2) Execução do Juízo Divino. Sem exceção, os avivamentos sempre foram precedidos por alguma espécie de juízo da parte de Deus. Enquanto alguns destes juízos foram imediatos e finais, resultando em mortes entre os ímpios, outros foram misericordiosos e redentores, resultando em quebrantamento, oração, arrependimento e intensa busca da face de Deus.

3) Surgimento Líder ou Líderes Consagrados ao Senhor. Este fato pode ser ilustrado, examinando a relação completa dos avivamentos no Velho Testamento:
a) Avivamento com Moisés – (Êxodo 32 e 33)
b) Avivamento com Samuel – (1 Samuel 7, com capítulos 1-6 dando o contexto)
c) Avivamento com Davi – (2 Samuel 6,7)
d) Avivamento com Asa – (2 Crônicas 14-16)
e) Avivamento com Josafá – (2 Crônicas 17-20)
f) Avivamento com Jeoiada – (2 Crônicas 23,24)
g) Avivamento com Ezequias – (2 Crônicas 29-32)
h) Avivamento com Josias – (2 Crônicas 34,35)
i) Avivamento com Zorobabel – (Esdras 1-6)
j) Avivamento com Esdras – (Esdras 7-10)
k) Avivamento com Neemias – (Neemias 1-13)
l) Avivamento com Joel – ( Joel 1, 2)

Obviamente, em cada caso Deus mesmo levantou um líder que tinha o pesado encargo das necessidades morais e espirituais do seu povo. As palavras de Moisés em Êxodo 32.32 destacam isso enfaticamente: “Agora, peço-te, perdoa o seu pecado; ou, se não, risca-me do livro que escreveste”. O intercessor é essa pessoa que se coloca na “brecha” para intermediar espiritualmente pelo povo (Ez 22:30-31).

4) Manifestação Extraordinária do Poder de Deus. Embora esta ação tenha sido diferente em cada avivamento, a mais freqüente tomada era da Assembléia Solene. Outra vez, observemos o que aconteceu em cada caso.

a) Êxodo 33.7-11 – Moisés tomou a tenda e armou-a fora do arraial, a uma boa distância do arraial. Chamou a este lugar de “tenda do encontro”, e exigia a todos que quisessem buscar ao Senhor que fossem para fora do arraial, para longe do local do pecado, ao tabernáculo, para encontrar-se com o Senhor.
b) 1 Samuel 7.5,6 – Samuel ordenou que todo Israel se ajuntasse em Mispa, numa Assembléia Solene, onde orou por eles, e onde jejuaram e confessaram seus pecados.
c) 2 Samuel 6.14 e 1 Crônicas 13-18 – Depois de um princípio desastrado, quando pecaram contra o Senhor colocando a Arca da Aliança num carro novo (o método filisteu), Davi e o povo a carregaram de acordo com a Palavra do Senhor, em humilhação com regozijo. Davi dançou diante de Deus com toda sua força, cingido de uma estola sacerdotal de linho.
Depois de colocar de lado sua coroa e roupagens reais, Davi portou-se como um homem comum entre homens comuns. Embora não haja menção de uma Assembléia Solene no relato de 2 Samuel, a passagem paralela de 1 Crônicas a reconta em detalhes.
d) 2 Crônicas 15.9-15 – Asa convocou uma Assembléia Solene em Jerusalém onde o povo entrou numa aliança para buscar o Senhor Deus de seus pais com todo seu coração e toda sua alma.
e) 2 Crônicas 20.3-13 – Josafá chamou uma Assembléia Solene por todo o Judá e Jerusalém, e o povo jejuou e buscou ao Senhor.
f) 2 Crônicas 23.16 – Jeoiada, numa Assembléia Solene, fez uma aliança entre si, todo o povo e o rei, para que fossem o povo do Senhor. Então procederam a fazer uma limpeza de todo o mal da terra.
g) 2 Crônicas 29.5 em diante – Ezequias e os líderes estabeleceram um decreto que foi circulado extensivamente, exigindo que todo o povo se reunisse para uma Assembléia Solene e a celebração da Páscoa. Quatorze dias inteiros foram dedicados para buscar e adorar ao Senhor.
h) 2 Crônicas 34.31-33 – Josias reuniu o povo numa Assembléia Solene, e entraram numa aliança com o Senhor para andar em todos seus caminhos e cumprir todas as palavras da aliança, escritas no livro.
i) Esdras 6.16-22 – Zorobabel dirigiu o povo numa Assembléia Solene e uma celebração de sete dias da Páscoa, em que se separaram da impureza das nações, e se comprometeram a buscar ao Senhor Deus de Israel.
j) Esdras 8.21-23; 9.5-15 – Esdras proclamou um jejum no Rio Aava, para que todos pudessem se humilhar e buscar ao Senhor. No fim, fizeram uma humilhação pública, e afastaram o pecado de si, através de uma Assembléia Solene.
k) Neemias 8.1 em diante – Uma Assembléia Solene foi realizada na frente da Porta das Águas, onde foi lido o livro da lei de Moisés, hora após hora, e um compromisso foi feito por escrito, de afastar o pecado e buscar ao Senhor com todo seu coração.
l) Joel 1.13; 2.12-17 – Joel chamou uma Assembléia Solene em que todo o povo deveria comparecer, e onde todos deviam voltar ao Senhor com todo seu coração, com jejum, choro e lamentação, e onde deviam rasgar seus corações e não suas vestes.

Considere a situação na época da Assembléia Solene convocada pelo profeta Joel. O povo, como era comum, era culpado de pecado flagrante, que não fora confessado e nem abandonado. Deus os visitou com um juízo corretivo: uma praga de gafanhotos em tal proporção que nada semelhante havia sucedido até então.
“O que ficou do gafanhoto cortador, comeu-o o gafanhoto migrador; o que ficou do gafanhoto migrador, comeu-o o gafanhoto devorador; o que ficou do gafanhoto devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor”.
Além da terrível praga dos insetos, uma seca cruel afligira a terra. Os ébrios lamentavam porque não tinham vinho novo para beber; os sacerdotes choravam porque a oferta de manjares e a libação foram cortadas da casa do Senhor, os campos estavam arruinados, e a própria terra estava de luto, os lavradores uivavam, os animais gemiam e andavam errantes, pois não havia pasto para eles.
O próprio povo pranteava como virgem cingida de pano de saco pelo marido da sua mocidade.
O profeta anunciou as ordens: “Cingi-vos de pano de saco, e lamentai-vos ó sacerdotes: gemei ministros do altar! Entrai e passai, vestidos de pano de saco, durante a noite, ministros do meu Deus.”
“Santificai um jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, e todos os moradores desta terra para a casa do Senhor vosso Deus, e clamai ao Senhor”. “Tocai a trombeta em Sião, e daí o alarme no meu monte santo! Tremam todos os moradores da terra”.
“Ainda assim, agora mesmo diz o Senhor: Voltai para mim de todo o vosso coração, com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes. Voltai para o Senhor vosso Deus.”
“Tocai a trombeta em Sião, santificai um jejum, proclamai um dia de assembléia solene. Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai os filhinhos, e os que mamam. Saia o noivo da sua recâmara, e a noiva do seu tálamo. Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a teu povo, ó Senhor, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que as nações façam escárnio dele.”
O jejum, clamor, oração de intercessão movem o coração de DEUS, em resposta ao quebrantamento espiritual do povo, promessas foram dadas como encorajamento:
“Então o Senhor teve zelo da sua terra, e se compadeceu do seu povo. O Senhor responderá ao seu povo: Eu vos envio o trigo, o vinho novo e o azeite, deles sereis fartos, e não vos entregarei mais ao opróbrio entre as nações. Farei o exército do Norte partir para longe de vós e lançá-lo-ei em uma terra seca e deserta, a sua frente para o mar oriental, e a sua retaguarda para o mar ocidental. E subirá o seu mau cheiro, e subirá o seu fedor...”
Em resposta ao arrependimento coletivo do povo através de usar o meio divinamente ordenado da Assembléia Solene, a terra se regozijou e se alegrou. Os pastos do deserto ficaram verdes outra vez.
As árvores e vides deram seu fruto. E o fruto que deram não era um fruto comum, mas um fruto extraordinário, pois Deus aproximou mais os períodos de chuva, e fez com que o sol brilhasse sobre a terra, de tal forma que as eiras se encheram de trigo, e os lagares transbordaram.
Tão grande foi a bênção derramada pelo Deus que se compraz num povo quebrantado e contrito, que ele recuperou a eles os anos perdidos ao grande exército de gafanhotos.
O povo tinha em abundância, e estava satisfeito, louvando o nome do Senhor que operara maravilhosamente com eles. Sabiam que Deus estava no seu meio, que ele era o único Deus, e que não havia nenhum outro!

Encontramos uma oração por avivamento e a promessa de sua ocorrência em Joel 2.28-32; Habacuque 2.14-3.19 e Malaquias 4.
Infelizmente, alguns que se chamam “cristãos” não levam muito a sério este assunto de Assembléia Solene, porque todos os exemplos citados foram do Antigo Testamento. Neste caso, deveriam pensar a respeito de todo o tempo de preparação para o Pentecostes, à luz da Assembléia Solene, vemos que aqueles dias no cenáculo foram de fato uma Assembléia Solene, onde Deus manifestou poderosamente seu Espírito Santo, inaugurando assim a Igreja Neo-Testamentária.
Cada uma das pessoas levantadas por Deus para mobilizar os avivamentos foram antes de tudo grandes guerreiros de Intercessão, Jejum e Oração!
No apogeu de um grande avivamento Jesus aparece e é batizado por João Batista, depois de sair de um longo período de jejum e oração no deserto e ter vencido as tentações do diabo. Escolhe e treina seus discípulos; ascende aos céus, deixando-os na expectativa de receberam a promessa do Espírito (Lc 24.49-53; At 1.1-26).
O poderoso derramamento do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, inaugura o avivamento aquilo que Jesus havia predito (At 2.1-47). Marca-se, assim, o início de uma nova era na história da redenção. Por três anos Jesus trabalhara na preparação desse dia: – o dia em que a Igreja, discipulada por intermédio de seu exemplo, redimida por seu sangue, garantida por sua ressurreição, sairia em seu nome a proclamar o Evangelho “até os confins da terra” (At 1.8).
O livro de Atos registra a dimensão desse avivamento. Avivamento em Jerusalém, em Samaria, em Antioquia da Síria e em Éfeso. E de lá para cá, são muitos os relatos da obra vivificadora do Espírito Santo na história da igreja, como por exemplo, na Alemanha com a Reforma Protestante do século XVI, na Inglaterra no século XVIII, entre os negros Zulus da África do Sul na década de 60 e na Coréia do Sul nestes últimos tempos, e o mais recente talvez seja o da décata de 90 em Toronto, Canadá.

Nos Estados Unidos, em 1734. Havia uma consciência da necessidade de alcançar os não-crentes e fortalecer os já convertidos. Jonathan Edwards (1703-1758), com sua simplicidade de vida e muita oração, exerceu grande impacto sobre as pessoas. George Whitefield (1714-1770) foi outro grande avivalista desse período. O resultado do trabalho desses homens foi milhares de conversões e o nascimento de muitas igrejas. Na Nova Inglaterra (EUA), numa população de 300 mil pessoas, houve entre 30 e 40 mil conversões. Houve fortalecimento moral nos lares, fundação de cursos teológicos e de obras sociais.

Já na Europa, várias ondas de grandes avivamentos começaram após a metade do século XVII. Em 1670, na Alemanha, o pastor Philip Spener organizou reuniões para estudo bíblico e oração nas casas. Surgiram obras sociais e um novo vigor espiritual veio sobre a igreja luterana. Fundaram-se muitos campos missionários.
O avivamento dos Morávios iniciou-se em 1727. Começaram a buscar ao Senhor em oração e, de repente, houve um derramar do Espírito sobre a igreja. Havia choro, quebrantamento e manifestações até entre crianças. Os morávios iniciaram um ministério de oração contínua que durou mais de 100 anos, 24 horas de oração diária e ininterrupta.
Na Inglaterra, João Wesley foi o instrumento de Deus para mudar a história da igreja. Homem de oração deu ênfase ao estudo bíblico. Opôs-se ao álcool, à guerra, à escravidão. Houve muitas conversões.
Já no século XIX alguns homens foram instrumentos de Deus para liderar grandes avivamentos:
Charles G. Finney foi poderoso na Palavra, na oração e no testemunho. Viveu nos Estados Unidos. Sob a influência de sua pregação, igrejas foram renovadas, nasceram novas comunidades, pessoas deixaram vícios, etc.
Charles H. Spurgeon (1834-1892) foi professor de crianças na EBD e viu muitos pais se converterem com o testemunho dos filhos. Spurgeon foi poderoso na pregação. Sinais e prodígios eram comuns em suas reuniões. Esse avivamento iniciou-se na Inglaterra e alcançou outros países.
Dwight L. Moody viveu de 1837 a 1899, nos Estados Unidos da América. Calcula-se que cerca de 500 mil pessoas entregaram-se a Cristo por seu intermédio. Dedicou-se a EBD. Começou com 12 crianças e, em poucos anos, esse número chegou a 12 mil.
Que Deus derrame do seu Espírito sobre nós para que possamos, como igreja e povo brasileiros, experimentar mais uma vez aquele "fogo abrasador" que nos purifica e nos santifica para uma vida cristã de obediência à sua Palavra e somente assim transformarmos nossa sociedade tão corrompida pelo pecado.

Desafio: Deus está levantando uma geração de cristãos verdadeiramente comprometidos com o evangelho. Um comprometimento radical, um concerto profundo, uma vida no altar, semelhante ao que aconteceu na vida de cada personagem bíblico analisado neste capítulo: - Você esta disposto a ser um Agente Mobilizador de Avivamento em sua comunidade? Você esta disposto a correr riscos, se expor, denunciar o pecado, derrubar os postes ídolos em sua vida? E em sua igreja? E cidade?
Lembre-se que Marcos 10:30 “que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna” e 2 Timóteo 3:12 “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.”

Caso a resposta seja sim, comece agora mesmo a jejuar, orar e a interceder!

Benefícios do Falar em Linguas

LÍNGUAS ESTRANHAS
Benefícios do Orar em Línguas Estranhas
- Agora, porém, irmãos, se eu for ter convosco falando em outras línguas, em que vos aproveitarei, se vos não falar por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia, ou de doutrina? 23 - Se, pois, toda a igreja se reunir no mesmo lugar, e todos se puserem a falar em outras línguas , no caso de entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão, porventura, que estais loucos?39 - Portanto, meus irmãos, procurai com zelo o dom de profetizar e não proibais o falar em outras línguas 1 Co 1 4:6
Tenho viajado por muitas cidades e depois de ministrar em diversas denominações evangélicas afirmo com muita propriedade que a contemporaneidade dos Dons Espirituais de acordo com I Co 12, 13, 14 já não gera as mesmas brigas como no passado, porém, infelizmente ainda gera em alguns líderes um certo desconforto e frustração.A verdade é que ainda resta um considerável grupo de pastores e teólogos que tiveram uma formação acadêmica tradicional, profundamente influenciada pelos princípios iluministas de séculos passados. A alta crítica textual, a teologia da libertação e tantos outros movimentos que surgiram na história da igreja aparentemente trouxeram algumas verdades relevantes. Porém ao analisarmos seus frutos descobrimos a árvore, isto corresponde há um verdadeiro câncer em meio ao pensamento teológico. É chegada a hora de revermos algumas leituras teológicas do passado, toda teologia precisa ser avaliada pelos resultados práticos que ela produz e não pela lógica e depuração do raciocínio grego ocidental. Tendo em mente este quadro, fica fácil entendermos a motivação de diversos líderes da década de 70, que ao experimentarem um avivamento espiritual em suas comunidades locais, foram logo forjando a errônea argumentação contrária ao estudo teológico. Quem nunca ouviu o chavão neopentecostal “...a letra mata e o Espírito vivifica...”.O fato é que não só a letra, no sentido literal da palavra, mas também a letra, pode nos matar espiritualmente. Da mesma forma que apenas as experiências empíricas, espiritualmente não nos dão consistência para crescimento. Muito mais que o estudo teológico, o problema das igrejas, líderes e cristãos sempre foi uma vida de pecado e superficialidade devocional. Elementos que nos levam para o sepulcro caiado.Já passei daquela fase, em que investia tempo argumentando com outros irmãos, líderes e até pastores tentando provar biblicamente que Deus continua sendo o mesmo, ontem, hoje e o será eternamente. As escrituras estão repletas de argumentos, provas e evidências de que ao longo da história, Deus sempre permaneceu imutável em seus princípios, valores e métodos. Creio piamente que ainda em nossos dias Deus tem seus valentes espalhados pelo globo terrestre manifestando o poder do Espírito Santo com sinais tão sobrenaturais quantos os que Moisés realizou diante de Faraó. Certo amigo, compartilhou comigo o testemunho de um missionário amigo dele, que tem dedicado sua vida a evangelizar pessoas simples, moradoras nas montanhas do México e que ao longo de todos os anos de seu ministério, esse missionário já presenciou mais de 30 pessoas serem ressuscitadas pelo poder do Senhor Jesus. A Bíblia afirma em Jo 14:12 “...Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai...” Para muitos essa declaração é bobagem e não deve ser interpretada literalmente, para outras essas obras maiores significa o crescimento e dispersão da igreja ao redor da terra, mas particularmente penso que faz referência as manifestações do poder do Espírito Santo em nossos dias. Quando houve a reforma protestante sabemos pela história, que surgiu outro movimento de menor expressão chamado contra reforma, o qual liderados pela igreja católica romana afirmavam ser os únicos detentores da verdade bíblica e revelação divina na terra, reivindicando sobre si autoridade única na qualidade de madre igreja.A feitiçaria dos monges jesuítas se manifestou de diversas formas e estratégias para tentar silenciar a voz profética dos reformadores. Entre as máximas do pensamento jesuíta, temos o mentiroso e errôneo ensinamento de que o Antigo Testamento não é mais importante para igreja dos dias de hoje, como se refletisse um Deus sanguinário e vingativo, cuja máxima era “dente por dente e olho por olho”. Dizem que o A.T. deve ser lido apenas para entendermos o contexto cultural da época, mas não precisa ser levado muito a sério. Pura mentira e manipulação teológica, Jesus não veio cancelar a lei, mas sim cumpri-la! Em nenhum momento as escrituras nos ensinam que o Novo Testamento substitui o Antigo Testamento, a única verdade registrada pelo autor do livro de Hebreus é que o A.T. era a sombra de uma realidade futura a ser manifesta ao homens através da pessoa de Jesus Cristo.
MT 5:17 “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir”.
O sangue de Jesus não cancela nem ignora ou despreza o sangue dos novilhos e rolinhas sacrificados na Antiga Aliança. O sangue de Jesus é simplesmente superior, maior, verdadeiro que o sangue dos animais sacrificados no passado. Ele não os substitui, mas é infinitamente superior!A igreja romana sempre recorreu aos inúmeros testemunhos de milagres registrados na história para legitimar sua veracidade e atacar os “hereges” protestantes exigindo que estes realizassem os mesmos milagres que Pedro e outros apóstolos e santos canonizados realizaram ao longo dos seus ministérios. Na reforma, isso constituiu um ponto crítico de divergência, pois os teólogos católicos apontavam para um mar de milagres registrados desde o tempo dos pais até a idade média. Não foram esses milagres realizados em associação com santos católicos, sacrários católicos e relíquias católicas? Não eram eles provas de que o catolicismo era verdadeiro? Em contra partida, de sua parte que prova ofereciam os protestantes de que sua interpretação da Bíblia estava correta? Poderiam eles produzir milagres em apoio a seus ensinamentos? Eles se viram forçados a desenvolver uma resposta que explicasse porque aquele número de testemunhos de milagres aparentemente infinito durante os 1500 anos anteriores não apresentava nenhuma força para tirar-lhes a credibilidade.Os reformadores Calvino, Lutero, Zuínglio, Simons, Stattler, entre outros não operavam milagres como Paulo, Pedro ou Tiago. Existem alguns manuscritos afirmando que Lutero orava em línguas estranhas, e que tivera algumas experiências de cura com uma de suas filhas, apenas isso. No lugar de acreditarem nas palavras de Jesus em Jo 14:12, sobre as “obras maiores”, desenvolveram uma Teologia Cessacionista que afeta os pensamentos de muitos líderes até hoje. É importante lembrarmos que naquele momento histórico da igreja, Deus não estava restaurando o ministério profético nem o apostólico como Ele esta fazendo em nossos dias. Ele estava restaurando o ministério do mestre, a Bíblia passou a ser traduzida para inúmeros idiomas, foi impressa e ensinada para as massas populares, a impressão gráfica foi inventada para atender essa necessidade e os cultos começaram a ser realizados na língua nativa do povo e não mais em latim. Séculos depois veremos Deus restaurando o ministério de evangelismo com as grandes cruzadas realizadas por evangelistas que chamavam o povo ao arrependimento e novo nascimento. Além de Calvino, Lutero também disse: "... o tempo dos milagres já passou". Com uma declaração mentirosa como essa é evidente que não presenciariam milagres nem mesmo “obras iguais” às realizadas por Jesus e muito menos as “obras maiores”! Talvez você seja uma dessas pessoas, cessacionistas que foi programada para acreditar que a igreja primitiva, aquela dos apóstolos e dos milagres é diferente da igreja de nossos dias e as manifestações sobrenaturais já terminaram. Que atualmente Deus não opera mais da forma como lemos nas páginas das sagradas escrituras, e que a igreja primitiva encerrou em At 28:23-31(...). Logo, você acredita que a igreja de nossos dias é diferente daquela apresentada pelos apóstolos. Caso você seja assim, questionador e pragmático quero que saiba que compreendo suas dúvidas, conheço seus argumentos e sei muito bem como você entra em crise ao ouvir outro irmão pentecostal gritando em línguas estranhas perto de você. Compreendo tudo isso que você sente, pois um dia eu também fui assim. Confesso que perdi um tempo precioso de minha caminhada cristã acreditando nessas crendices e superstições teológicas, precisando repetir para mim mesmo que todos os outros cristãos avivados estavam errados e eu na minha mediocridade da cosmovisão grega tinha a razão acima de meus sentimentos. Esse sentimento é muito parecido ao do espírita kardecista que por conviver intimamente com o oculto e sobrenatural se julga superior e mais preparado que os demais cristãos nominais.O fato é que quero falar sobre o “Dom do Espírito”, o qual recebemos mediante fé, obediência e soberana vocação divina. Desta vez não vou nem compartilhar testemunhos de paralíticos que já vi andar, ou surdos que passaram a ouvir muito menos tratarei de pessoas que tinham uma das pernas centímetros mais curta que a outra e depois de um período de ministração do Espírito Santo, tiveram sua perna milagrosamente restaurada, centenas de pessoas que receberam dentes de ouro ou outros objetos metálicos que instantaneamente mudaram de propriedade e ficaram dourados.Quero falar apenas sobre orarmos em línguas estranhas, algo que na perspectiva do apóstolo Paulo é “o menor de todos os dons”. Alguns céticos e outros frustrados fundamentalistas aproveitam essa declaração de Paulo para mentir dizendo que esse assunto não é importante e não merece considerações.Coisa alguma que Deus nos dá é sem valor. Nada, absolutamente nada que o Pai tem reservado para sua igreja é em vão; tudo tem proveito e utilidade. Em sua grandiosa graça, Ele nos concede suas dádivas com a finalidade de sermos aperfeiçoados e edificados.O falar em línguas não é algo sem importância. Ele foi dado para o nosso benefício, para a nossa edificação pessoal. Nesta prática há benefícios que transformam nossas vidas, e que quando negligenciados entristecem profundamente Deus.Esse mesmo apóstolo Paulo, também disse: “E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação” I Co 14.5. Existem muitas crendices e superficialidades a respeito do falar em línguas estranhas. Uma delas é acreditarmos que pessoas que falam em línguas são mais espirituais do que as que ainda não receberam esse dom. Isso é um mito pentecostal, biblicamente não há nada que fale a respeito!Outra mentira que me disseram é que para receber o dom de falar em línguas estranhas é que preciso sacrificar-se; e assim inconscientemente anular e/ou competir com todo o sacrifício que Jesus já realizou por nós na cruz do calvário. Contudo, de todos os mitos o pior que escutei foi o conceito de “Batismo do/com/no Espírito Santo” como condição para vida eterna. Algumas igrejas ensinam até os dias de hoje e tentam nos convencer de que no momento da conversão, o Espírito Santo não passa a habitar em nós. Segundo eles, precisamos falar em outras línguas para sermos salvos, ou então, jamais entraremos no Reino dos Céus. Qual é o pior de todos esses mitos?
Para quem Deseja Receber esse Dom:
Não fique confuso, nem com medo desse assunto, vá em frente, supere todas as mentiras teológicas que você já escutou a esse respeito e analise os seguintes fatos:
I Co 14:2-6 - “...Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios. 3 Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando.4 O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a igreja. 5 Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis; pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação. 6 Agora, porém, irmãos, se eu for ter convosco falando em outras línguas, em que vos aproveitarei, se vos não falar por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia, ou de doutrina?”
(1) No momento em que recebemos Jesus como nosso único e suficiente Senhor e Salvador, o Espírito Santo passa a fazer habitação dentro de nós, e nós somos selados por Ele Ef 1:13. Logo, isso significa que é um erro dizer que uma pessoa crente em Cristo Jesus não possua o Espírito Santo habitando dentro dela só porque não fala em línguas estranhas. Porém, o Espírito Santo é uma pessoa com a qual não só podemos, mas devemos nos relacionar. Diga-se de passagem que podemos entristecê-lo conforme está escrito em Ef 4:30 e culminar num processo de apostasia espiritual.
(2) Dons Espirituais são para cristãos que desejam cumprir a tarefa da grande comissão Mt 28, eles não são concedidos para brincarmos de colecionar o maior número de dons e assim arrotarmos espiritualidade. Gosto de estimular cristãos recém convertidos a orarem pedindo a Deus que Ele os conceda o dom falar em línguas estranhas, creio que isso é muito saudável e edificante para uma pessoa recém convertida, pois a Bíblia nos ensina que “quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus” I Co 14:2. Já que Paulo falou que esse é o menor dos dons espirituais porque não começar por ele mesmo? Na verdade, você dificilmente irá operar milagres ou ressuscitar mortos sem um período de tempo, meses ou anos exercitando sua fé em comunhão profunda com Deus e “edificando-se a si mesmo” através do exercício espiritual do orar em línguas.Alguns irmãos são tão orgulhosos que não querem perder tempo orando a Deus pedindo o “menor dos dons”, querem apenas ser usados por Deus como pastores, mestres, em palavra de conhecimento ou profecia. Mas, não estão dispostos a serem usados por Deus em línguas estranhas, para edificarem a si próprios num primeiro instante e quem sabe mais tarde mediante interpretação edificar a igreja.O apostolo Paulo não diz que quem “ora em línguas e as interpreta edifica-se a si mesmo”, ele diz que “quem ora em línguas, edifica-se a si”. A edificação coletiva da igreja no culto publico é que só acontecera quando o mesmo orar em línguas e interpretá-las, mas a edificação pessoal e individual daquele e orar em línguas estranhas não ocorre na interpretação e sim no simples fato dele estar “falando mistérios com Deus”.
(3) Não é porque você foi selado no Espírito Santo no momento de sua conversão, que agora você esteja vivendo na plenitude do Espírito e que tenha intimidade com Deus Espírito Santo. Essa intimidade espiritual é algo sectário a conversão, que só experimentaremos mediante uma vida consagrada aos pés da cruz, disciplinada em jejuar e orar periodicamente e treinada a ouvir a voz do Mestre. Somente assim estaremos experimentando os “poderes da era vindoura” Hb 6:5 e presenciaremos os sinais do Reino de Deus seguirem as nossas pregações. “...Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja....” I Co 14:12
(4) Quando recebemos o dom de falar em línguas, geralmente surge em nossa mente palavras ou frases que jamais estudamos ou tivemos oportunidade de decorar anteriormente. Assim como crianças quando aprendem falar, experimentamos repetir tais expressões. Muitos recebem o Dom, mas por causa do medo ou vergonha, permanecem calados. O Dom não é exercitado e o cristão sai frustrado pensando que Deus iria tomar a boca dele, semelhante a uma metralhadora e sair disparando frases em outros dialetos, idiomas que jamais foram por ele estudados ou até mesmo na língua dos anjos, e assim a interpretação só poderia ser espiritual, mediante a operação de outro Dom, chamado de interpretação das línguas estranhas. Quando conversava com amigos que já haviam recebido esse dom, costumava perguntar-lhe como é que isso funcionava! Minha incredulidade e meu pragmatismo precisavam ser saciados, e as respostas deles só me deixavam ainda mais confuso. Certa vez uma amiga falou que orar em línguas era “semelhante a uma cachoeira que jorrava muita água de nosso interior”, muito poético na minha opinião, porém nada esclarecedor.Esqueça todas as coisas que já lhe disseram a respeito desse assunto. A verdade é que existe muita gente por ai, que nunca falou em línguas estranhas, nem presenciou alguém exercitando esse dom, mas abre sua boca para emitir pareceres dúbios sobre esse assunto.Até hoje, talvez, você só tenha recebido ensinamento sobre esse assunto por intermédio de algum pastor especialista nas escrituras, que porém nunca “orou em línguas” nem “falou em mistérios com Deus”... é muito provável que o ensino dessa pessoa tenha sido cheio de boas intenções, mas desconecto de uma experiência prática para valida-lo profundamente. Recomendo que você procure ouvir o ensinamento de outras pessoas que além da teoria bíblica, gastem oito ou dez horas por semana orando em línguas estranhas com Deus e posteriormente faça suas comparações e conclusões pessoais. É verdade que ninguém precisa colocar o dedo na tomada para saber que ali existe uma corrente elétrica. Mas também é verdade que o depoimento de uma pessoa que já levou um choque elétrico é muito mais convincente que o depoimento de alguém que apenas leu sobre os riscos da eletricidade em um livro. É impossível descrever qualquer tipo de experiência com Deus, podemos observar seus frutos, seus resultados e assim discernir a árvore, porém tentar explicar o que acontece no interior do ser humano quando ele fala em línguas é pura perda de tempo. Cada experiência é individual, Deus tem uma forma muito especial de se manifestar a você, e com certeza ela é tão individual que será diferente da forma como ele se manifesta a mim. Sugiro que você parar de questionar as manifestações sobrenaturais do Espírito Santo e a passe a clamar em oração pedindo que Ele venha conceder a você essas mesmas experiências. O homem da pós-modernidade está cansado de observar, estudar, criticar, ouvir ou meditar a respeito de Deus, assim fizeram os cristãos de séculos atrás. O que a humanidade procura na pós-modernidade é muito mais que apenas entender Deus e estuda-lO. Queremos é ter intimidade com ELE em toda sua plenitude.Isso explica o grande crescimento de seitas e movimentos esotéricos, espiritualistas, ocultistas e até mesmo o ressurgimento do satanismo em resposta a essa necessidade que a geração da pós-modernidade carrega latente em sua alma e em resposta ao ostracismo religioso de muitas denominações cristãs. Agostinho disse que “o homem foi feito para Deus e só poderá encontrar satisfação em Deus”. Existe uma necessidade latente em todo ser humano de experimentar o espiritual e não apenas freqüentar igrejas para ouvir alguém falando sobre Ele.
(5) Em virtude de muitos ficarem inibidos, receosos ou até mesmo medrosos em relação as manifestações do Espírito Santo, muitos líderes preferem dar liberdade para Deus manifestar seus dons II Co 3:17 ao invés de ficar policiando todos os presentes na reunião para saber se toda palavra falada em alta voz em línguas estranhas está ou não sendo interpretada, conforme diz I Co 14:18-32. Muitas vezes orei dessa forma no culto e aparentemente nenhum dos presentes se levantou atrás de mim para interpretar o que eu estava dizendo, mas no final do culto algumas vezes fui surpreendido por pessoas que me procuraram para dizer que haviam recebido aquela interpretação e ficaram com medo de compartilhar com toda a igreja ou era algo tão individual que preferiram permanecer calados e guardar apenas para si o que estava sendo interpretado, pois afinal, “os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas;” I Co 14:32.
(6) Alguns ainda insistem em argumentar dizendo que em público no culto da igreja a aplicação do texto de I Co 14:27-28 “ ...No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus.” deve ser literal. Para esses eu solicito que leiam no mesmo capítulo os versículos 34 e 35 que dizem: “conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina. Se, porém, querem aprender alguma coisa, interroguem, em casa, a seu próprio marido; porque para a mulher é vergonhoso falar na igreja”.Infelizmente o zelo de alguns líderes frustrados por não falarem em línguas estranhas tem impedido outros irmãos de darem liberdade para as manifestações espirituais de Deus durante os cultos em algumas igrejas, assim todo seu zelo cai por terra ao esquecerem o que diz o verso 39 “Portanto, meus irmãos, procurai com zelo o dom de profetizar e não proibais o falar em outras línguas.”
(7) Não busque as experiências, mas busque a Deus, deixe que os sinais do Reino sigam você naturalmente! Retire de seu coração as motivações carnais. Deus não tem obrigação de suprir sua baixa auto-estima nem seu complexo de inferioridade dando-lhe as manifestações sobrenaturais que você tanto idealiza. Experimente tornar-se amigo de Deus, semelhante a Enoque que andava com Ele, e você descobrirá o extraordinário poder do Espírito Santo manifesto em sua vida.
Para Aqueles que já Receberam o Dom:
A maioria dos crentes que já receberam o Dom e passaram a falar em línguas, precisam compreender que receberam de Deus mediante a imposição de mãos algo que pode ser apagado, quando não exercitado - 2 Tm 1:6 “Por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos”. Os conceitos são diversos, mas a maioria não vê um propósito no uso contínuo da linguagem sobrenatural da oração do Espírito Santo. Então, pergunto: se quem fala em línguas não entende com profundidade o motivo para exercitar esse dom, o que esperar daqueles que ainda não falam? Mas, quando a igreja começar a experimentar o sublime propósito desta dádiva de Deus, haverá um anseio maior pela manifestação do falar em línguas em nossas reuniões. Já é tempo de compreendermos que mediante o uso das línguas podemos enriquecer nossa espiritualidade, sendo edificados. Há bênçãos e vantagens a serem desfrutadas na disciplina dessa prática. Sei que o apóstolo Paulo não pensava de forma diferente, pois chegou a ponto de declarar: "...dou graças ao meu Deus, que falo em línguas mais do que todos vós..." I Co.14:18.Caso não houvesse proveito algum nas línguas, será que Paulo agradeceria a Deus por isso? Você acha ainda que ele as usaria tanto, como ele enfatiza ao dizer que o fazia mais do que todo o povo de Coríntos? Perceba que os irmãos da época falavam mesmo em línguas.! Havia um uso intenso nesta igreja, que chegou até mesmo a transformar-se em abuso, que foi um dos motivos que fez com que o apóstolo escrevesse corrigindo-os.Note que ele não disse que falava em línguas mais do que eles no sentido de diversidade, ou inúmeros idiomas como alguns lideres tradicionais gostam de interpretar. A ênfase recai no valor da prática, o que claramente aponta para a quantia de tempo que ele investia nesta atividade. E por que agradecer a Deus por gastar tanto tempo falando em línguas se o mesmo capítulo nos fala que enquanto falamos em línguas nossa mente fica infrutífera? É evidente que Paulo descobriu uma mina de ouro, ou seja, uma fonte de poder e edificação pessoal! I Co 14:4 “...O que fala em línguas, edifica-se a si mesmo..”
Edificar é construir, fazer crescer, levantar algo. Do ponto de vista espiritual edificação significa crescimento; falta construir algo a mais sobre o alicerce da fé em Jesus. O falar em línguas acrescenta em nós, de forma paulatina, tudo o que necessitamos para o nosso andar com Deus. Foi durante longos períodos de jejum e oração, depois de horas ininterruptas repetindo poucas palavras e expressões que em mistério havia recebido de Deus que Ele foi diversificando as línguas espirituais, e assim, pude entender a variedade de línguas.Caso você tenha recebido do Senhor a ministração de qualquer dom espiritual e há muitos anos já não os exercita mais, é hora de começar a orar, pedindo que o Espírito Santo venha sobre sua vida agora e reavive o dom em você!
Judas 1:3 e 20 “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. 20 - Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo”. Filipenses 2:12 “De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai [desenvolvei] a vossa salvação com temor e tremor”.Deus está esperando por suas orações!A obra do Espírito Santo – Tradução ou Interpretação?
Ao falar da linguagem sobrenatural da oração do Espírito Santo, é preciso que fique bem claro que há uma sociedade nesta manifestação. O Espírito Santo não fala em línguas, somos nós que o fazemos; mas por outro lado, não falamos de nós mesmos, somente o que o Espírito do Senhor nos inspira a falar. Se uma das partes desta sociedade faltar, não haverá a manifestação. Partindo, deste princípio, tenha em mente o momento em que a manifestação inicia na sua vida, é você quem deve tomar a atitude de abrir a boca e começar a falar. Deus não ora em línguas por você, Ele espera que você o faça para edificar sua fé, recebida no momento da conversão. Lutero já dizia que o Espírito Santo se aproxima em pontas de pés. Mas, por que sermos cheios do Espírito Santo? Isso não seria fanatismo religioso? Ficar falando em línguas diferentes e muitas vezes sem recebermos as interpretações?Isso pode parecer infantil, mas acredite não é! Existe um valor nessa manifestação e você precisa descobrir qual é a dimensão da edificação que acontecerá nessa disciplina. O falar em línguas faz parte do propósito de Deus para nossas vidas. É uma poderosa ferramenta que o Espírito Santo usa para trabalhar em cada um de nós de forma profunda. Porém, penso ser muito perigoso afirmar e tentar elaborar uma teologia para dizer que todos são obrigados a falar em línguas, pois o próprio apóstolo Paulo nos diz em 1 Co 14:5 “Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas...”; aqui fica claro o desejo do apóstolo. Isso é diferente de afirmar que todos devem ou serão obrigados a falar em outras línguas. Diferente do que ele mesmo afirma no verso 31“...Porque todos podereis profetizar, um após outro, para todos aprenderem e serem consolados.” o dom de línguas por mais espiritual que seja, pode vir a ser utilizado de forma carnal e egoística, como estava acontecendo na igreja de Corinto. Egoísta sim, pois como esse é o menor dos dons ele também é o único dom que edifica apenas a pessoa que esta orando, não abençoa aos demais membros da comunidade como é o caso do dom de curar enfermidades, operar maravilhas ou até mesmo o de profecia. Ao declarar todos podereis profetizar, compreendo que o apóstolo Paulo estava dizendo ao povo que estava ao alcance das mãos deles esse dom. Que existe uma grande probabilidade de Deus conceder-lhes tal dom se assim seus filhos lhe pedirem. Creio que essa mesma aplicação pode ser feita a outros dons, e não esta limitada a profecia. Podemos parafrasear Paulo e dizer que todos podereis curar enfermos ou quem sabe todos podereis receber palavra de sabedoria ou conhecimento, no sentido de haver a disposição da igreja na terra a manifestações desses diversos dons para capacitar os cristãos a cumprirem a tarefa da grande comissão. Veja 1 Co 12.11, diz que o Espírito Santo “distribui as manifestações como lhe apraz”, e não como “nos apraz”.Rm 8:26-28 “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. 27 E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos. 28 Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito...”Quais gemidos inexprimíveis são esses? Choro, lágrimas e quebrantamento? Para alguns esses gemidos são o falar em línguas estranhas. Penso ser um erro fazermos tal afirmação. Todavia, quando estamos em oração de parto espiritual podemos vir a gemer em espírito e às vezes até gritei, sentindo literalmente dores abdominais e falava poucas palavras ou frases em língua estranha. Outras vezes já presenciei o contrário, num período de oração de parto espiritual retirei-me com algumas pessoas para uma sala reservada, onde ficamos sentados e sem fazer muito barulho, sentimos as dores de parto trazendo a existência algo que no mundo espiritual já estava ligado. Quem nunca entrou em trabalho de parto espiritual, jamais compreenderá o barulho de alguns irmãozinhos. Porém, isso é assunto para outra ocasião. A linguagem sobrenatural de oração é uma ferramenta do Espírito de Deus para realizar em nós sua obra. Certa vez um líder de igreja adepta a teologia cessacionista me falou que tinha um teste simples para desmascarar a “farsa das línguas estranhas”. Segundo ele, seria necessário apenas gravar 5 pessoas orarando em línguas estranhas e depois levar as cinco gravações para outros profetas que as interpretassem, então veríamos que seriam interpretações totalmente diferentes entre si, o que na opinião daquele líder desqualificava totalmente a operação do dom de línguas estranhas. Numa rápida leitura, parece inteligente esse argumento, mas ao analizarmos profundamente veremos que esse teste é uma verdadeira heresia. Fruto de uma mente nicotizada pela religiosidade e cosmovisão cristã secularizada. Existe uma diferença significativa ente o conceito de “tradução das línguas estranhas” idealizado e inventado por esse líder religioso, e o conceito escriturístico apresentado pelo apostolo Paulo de “interpretação das línguas estranhas”. Traduzir nos prenderia a uma semântica literal, semelhante ao que acontece nos cursinhos de idiomas convencionais. Porem interpretar as línguas estranhas não esta relacionado a palavras ou frases semanticamente estruturadas, simplesmente por que na linguagem sobrenatural da oração não existe estruturação semântica. Ela é feita de “gemidos inexprimíveis”, choro, grito, urros ou frases desconectas de uma tradução literal, mas carregadas de sentimentos, visões ou interpretação espiritual.
Isaias 21:2-3 - "Dura visão me foi anunciada: o pérfido trata perfidamente, e o destruidor anda destruindo. Sobe, ó Elão, sitia, ó Média, que já fiz cessar todo o seu gemido. 3 Por isso os meus lombos estão cheios de angústia; dores se apoderam de mim como as dores daquela que dá à luz; fiquei abatido quando ouvi, e desanimado vendo isso".
Deus fala de várias formas diferentes e muitas interpretações das línguas estranhas poderão acontecer através de visões, audição física ou simplesmente impressões no espírito, seguido de sentimentos ou forte intuição e não uma “tradução literal de palavras”. Simplesmente imagens mentais ou físicas enquanto ouvimos outra pessoa orar em línguas estranhas. Nesse texto de Daniel xxxx o Senhor falou com o profeta das três maneiras, ele viu, ouviu e sentiu dores. Isso explica a falácia do teste sugerido pelo líder cristão secularizado, o qual na sua falta de experiência com as operações distintas dos dons do Espírito Santo, confunde coisas básicas. Creio que Deus pode “interpretar as línguas estranhas” de modo literal e semântico, porém isso é uma experiência empírica e específica. Tentar fazer dessa experiência uma sistematização semântica para interpretação espiritual de mistérios do Reino de Deus é no mínico ridículo. Talvez esses lideres planejem publicar um dicionário?!?Cada experiência é única e exclusiva para determinada pessoa, ainda que o som que saia da boca das pessoas ao orar em línguas possam ser semanticamente e sonoramente idênticos, eles não são “traduzidos espiritualmente”, mas sim “interpretados espiritualmente” para aquele indivíduo, com sentimentos e significado específicos para aquela pessoa. O mistério das línguas não esta no fato de sempre serem frases e expressões diferentes, mas recai sobre o fato de terem sido recebidos na mente do profeta sem ele nunca tê-los estudado, mediante uma experiência espiritual, mística de intimidade na adoração a Deus. Com a prática podem ser diversificados e intensificados ainda mais.
Tiago relatou sobre o poder da fala:
Há um motivo especial porque o Espírito Santo toca justamente em nossa fala, a partir do momento que vem sobre nós. Centenas de pessoas já testemunharam que perderam seu medo de falar publicamente depois de terem recebido esse dom. A fala é um ponto estratégico, e o Espírito Santo não toca exatamente nesta área em vão.
“...Pois todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, esse é homem perfeito, e capaz de refrear também todo o corpo. Ora, se pomos freios na boca dos cavalos, para que nos obedeçam, então conseguimos dirigir todo o seu corpo. Vede também os navios que, embora tão grandes e levados por impetuosos ventos, com um pequenino leme se voltam para onde quer o impulso do timoneiro. Assim também a língua é um pequeno membro, e se gaba de grandes coisas. Vede quão grande bosque um tão pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; sim, a língua, qual mundo de iniqüidade, colocada entre os nossos membros, contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, sendo por sua vez inflamada pelo inferno. Pois toda a espécie tanto de feras, como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se doma, e tem sido domada pelo gênero humano; mas a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal..." Tg 3:2-8
A ciência tem descoberto atualmente aquilo que a igreja primitiva descobriu a mais de dois mil anos. O Espírito Santo já havia revelado a seu povo que o sistema nervoso da fala influencia todo o corpo. Mas, além da influência natural, a Bíblia está mostrando que a fala tem também uma influência espiritual; mostrando que podemos submeter o controle de nossa fala a Deus ou a Satanás.Teste recentes tem demonstrado que o ser humano possui áreas de seu cérebro que jamais serão estimuladas por impulsos elétricos pelo simples exercício do psique. Temos áreas do nosso cérebro que foram feitas por Deus para só receberem estímulos elétricos mediante exercício do nosso espírito e não penas o psique. Isso foi facilmente observado por médicos neurologistas e pastores ao ligarem eletrodos a pessoas que ficaram orando em línguas e adorando a Deus por horas seguidas ou pessoas que foram submetidas a rituais de exorcismo. No caso das línguas estranhas, constatou-se um significativo estimulo sobre as glândulas coronário e tireóide com a liberação de substancias que combatem a depressão e o stress na corrente sanguínea. Qual a causa do Espírito Santo controlar justamente esta área tão estratégica de nossa vida ao encher-nos com seu poder?É que através da fala que Ele poderá ampliar seu domínio em nós, e trabalhar com maior eficácia na execução do seu ministério! Também se multiplicam aos milhares, os testemunhos de pessoas que só receberam o dom de falar em línguas estranhas depois que passaram a confessar para um confidente seus pecados, policiaram seus pensamentos e eliminaram seus antigos hábitos de falar palavrões. O Espírito Santo trabalha nos homens. Desde o antigo testamento, fazendo isso Gn 6:3. Ele convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo Jo 16:8. O Espírito Santo está trabalhando neste exato momento, nos quatro cantos da terra, mesmo naqueles que ainda não conhecem Deus. Entretanto, naqueles que ainda não conheceram Jesus o Espírito Santo ainda não mora dentro delas, e elas nem sequer O conhecem, como declarou o Senhor Jesus: "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre, a saber, o Espírito da verdade, o qual o mundo não pode receber; porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque ele habita convosco, e estará em vós". Jo 14:16,17.Nós precisamos conhece-lO profundamente e Ele habitará em nós. Portanto, a forma como o Espírito Santo age em nossas vidas é muito mais profunda do que naqueles que ainda não são cristãos. Encontramos no novo testamento o Espírito Santo falando com o gentio Cornélio, e essa obra faz parte de seu ministério. Mas, se o Espírito Santo age nos gentios, ímpios, incircuncisos, chame como você preferir, você pode imaginar o quanto Ele não deseja operar em nós?Ele veio habitar em nós para cumprir a parte que toca no propósito divino. Quando Paulo escreve para Timóteo, fala do “bom depósito” em nós 2Tm 1:14; ou seja, há um investimento de Deus em nossas vidas! O propósito de Deus ao enviar o Espírito Santo para habitar em nós foi para que Ele produzisse algo em nossas vidas. Ao enviar Jesus ao mundo para morrer na cruz, o Pai estava depositando em toda a criação.E saiba com certeza que o Espírito Santo não quer permanecer inativo. Habitar em você é parte do trabalho d’Ele, e à medida que você se rende, o agir Dele vai tornando-se cada vez mais intenso. O Espírito de Deus está em você para realizar a parte d’Ele no propósito eterno de Deus; veio lapidar a obra da redenção, pois esta é a parte que lhe cabe na ação da Trindade.Tenha em mente o fato de que “todos podereis profetizar”, essa afirmação não obriga Deus a conceder-nos os dons que desejamos. Porém, já vimos que Paulo nos incentiva a escolhermos com zelo os melhores dons. Logo, fica claro a motivação do coração de nosso Deus. O Senhor é um pai que deseja ver-nos crescendo em intimidade e profundidade espiritual com Ele. Muito mais interessado em que você receba e exercite os Dons Espirituais, esta o próprio Deus que mediante sua graça e amor, nos concede a ação do seu Espírito, em nós e através de nós! Até quando ficar com medo?Não seja tímido meu irmão. Ore agora mesmo pedindo a Deus que lhe conceda o menor dos dons. Ao começar pelo falar em línguas estranhas.Lembre-se do que esta escrito em:
Lc 11:13 - Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?
Mt 3:11 - Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo
Línguas Estranhas: Um Único DOM, com Quatro Operações Diferentes:
Muita divergência teológica e confusão relacionada a pratica do orar em línguas esta no fato de muitos lideres cristão desconhecerem as quatro operações distintas do dom de falar em línguas. O dom é um único, mas as formas como ele pode entrar em operação são quatro:
Línguas Estranhas como Idiomas Diferentes – At 2Línguas Estranhas para Interpretação – I Co 14.5 e I Co 12.30Línguas Estranhas como Sinal aos Incrédulos – I Co 14.21-33Línguas Estranhas para Edificação Pessoal – Mc 16.17 e I Co 14.4
1 - Línguas Estranhas como Idiomas Diferentes – No dia de pentecostes, quando cento e vinte pessoas estavam reunidas no cenáculo para jejuar e orar, esperavam, criam e obedeciam aquilo que Jesus lhes havia predito em Lucas 24.49 que do alto o Pai lhes concederia o revestimento de poder.
LC 24:49 “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder”.
Essa é a segunda vez que vemos alguém ensinar algo sobre línguas estranhas, salvo as palavras do próprio Senhor Jesus em Marcos 16, onde ele cita as línguas estranhas como um sinal que seguira aos que crerem.Porém nesse episódio da inauguração da igreja neo-testamentaria, no cenáculo onde estavam reunidos, a operação do dom das línguas estranhas foi manifesto através de uma habilidade sobrenatural de pessoas que nunca estudaram idiomas de diferentes nações conhecidas naquela época e poderem misticamente falarem e interpretarem, seguidos de outras evidencias como alegria, fogo, vento impetuoso e embriagueis física sem terem ingerido bebida alcoólica.
Atos 2.1-13 “E, CUMPRINDO-SE o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar;2 E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.3 E foram vistas por eles línguas [nuvens] repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.4 E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.5 E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu.6 E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.7 E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando?8 Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?9 Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia,10 E Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos,11 Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.12 E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer?13 E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto [vinho].
Veja que mediante o ser “cheios do Espírito Santo” começaram a falar em outras línguas nunca antes estudadas por aquele galileus, por que o Espírito lhes concedia que assim o falassem. Nesse episodio não são línguas angelicais, mas sim idiomas e dialetos terrenos, de diferentes nações que foram sobrenaturalmente manifestos. Existem pessoas que defendem a idéia das pessoas terem apenas “ouvido em seu idioma natural” enquanto eram verbalizadas línguas estranhas, ou angelicais. Porém existe outro grupo de estudiosos que defendem a idéia deles terem verbalizado palavras em idiomas nunca antes estudados e consequentemente terem sido bem compreendidos pelos visitantes de Jerusalém. Particularmente, creio que pouco importa esse debate. Creio que pode ter ocorrido ambas manifestações simultaneamente. A prática empírica tem demonstrado que ambas manifestações são possíveis quando o dom de línguas estranhas é operado como idiomas diferentes. Da mesma forma como em Babel Deus estava dispersando a humanidade ao redor da terra através da diversidade de línguas, por causa do seu pecado e mecanismo idólatra de culto religioso; agora no pentecostes Deus estava entregando a sua igreja uma das ferramentas chaves para reunir todos os “povos, tribos e nações” ao redor do trono de Senhor Jesus para o adorar e ser redimidos por Ele – poder do Espírito Santo. E novamente as línguas estranhas são manifestas, porém agora agrupando ao invés de dispersar. A diferença das línguas manifestas em Babel é que elas tinham o propósito de destruir um empreendimento humano, desconecto de Deus e as línguas estranhas manifestas no pentecostes têm por objetivo edificar espiritualmente a igreja e “anunciar as grandezas de Deus” aos homens de diversas culturas. Muita confusão teológica relacionada a esse tema, tem raízes no próprio episódio de Atos capítulo dois, pois se até mesmo no dia de pentecostes essa manifestação divina deixou as pessoas “confusas” e “pasmas”, o mesmo continua acontecendo hoje em nossos dias. Porém os pólos são extremos, pois uns ficaram “maravilhados” e outros simplesmente “zombam” dizendo que estavam embriagados...Essa é uma das operações do dom de línguas estranhas mais extraordinárias que já presenciei e experimentei. Quando tinha 18 anos de idade, participei do primeiro encontro luterano sobre o Espírito Santo na cidade de Ivoti-RS, na reunião do sábado a tarde fui levado por alguns moradores da cidade a um hospital geriátrico para orar por uma senhora muito idosa, que vivia abandonada naquele lugar e foi muito rejeitada pelos filhos. Ao entrar no seu quarto, fiquei assustado com a aparência daquela mulher, estava ali abandonada pelos filhos e sentenciada a morrer o quanto antes possível. Ela tinha várias enfermidades, dificuldade de ouvir e falar pois não tinha um vocabulário em português com mais de dez frases. Uma vez ao mês vinha um pastor luterano que orava com ela em alemão e dava-lhe a ceia do Senhor, apesar do hospital ser um projeto social romano. Minha tradutora me introduziu e falou que havíamos vindo aquele hospital para orar por ela, muito cansada foi logo reagindo com violência e agressividade. Começou a nos insultar em alemão e a fazer queixas dos filhos e das noras que só queriam a herança material. Percebi logo que não haveriam palavras nem aconselhamento eficiente naquela tarde sem que o Espírito Santo tomasse a iniciativa em revelar-nos a chave para a cura da alma e do corpo doentes. Assim que aquela senhora ficou em silêncio, eu levantei minha voz em oração e comecei a orar em línguas estranhas. Estávamos dentro de um hospital romano, com uma enorme estátua da “aparecida” sorrindo pra mim ao lado da cabeceira da cama e era possível sentir o espírito de rejeição, ira, falta de perdão e morte sobre aquela mulher. Com meus olhos abertos continuei orando em línguas estranhas e simplesmente deixei que a unção de Deus fluísse com liberdade sobre aquele leito de enfermidade. Enquanto orava em línguas pedi inúmeras vezes que Deus me desse a interpretação de todo aquele mistério, mas durante uns quarenta minutos aproximadamente não tive nenhuma visão, audição ou mensagem interpretada, apenas pude compartilhar do sentimento de rejeição e vingança que ainda estavam ativos sobre a vida dela. Depois de uns quarenta minutos orando em línguas estranhas, percebi que a agressividade havia desaparecido dos olhos dela e agora haviam lágrimas com um olhar de arrependimento. Continuei falando em línguas por mais alguns minutos até perceber que aquele “peso de intercessão” havia sido removido do meu coração. Enxuguei minhas lágrimas e beijei aquela vovozinha, quando a tradutora me interrompeu exclamando: - não sabia que você falava alemão tão bem assim!Eu fiquei assuntado com a observação e por um instante pensei que fosse uma piada. Então tornei a dizer que não falava alemão! Mas a vovozinha me falou que eu havia acabado de fazer o resumo biográfico da vida dela em forma de oração. Tudo o que eu havia orado em alemão era verdade e segundo ela, haviam detalhes que só Deus poderia saber, como por exemplo: as surras que ela levada do pai, o trabalho duro na agricultura, o dia em que foi violentada sexualmente pelos irmãos e os abortos que ela havia feito ao longo da juventude... Aquela senhora estava me dizendo que havia acabado de ouvir-me falar em alemão. Foi então que eu compreendi a operação das línguas estranhas de Atos 2, em momento algum eu havia falado em alemão, eu simplesmente orei em línguas e eu não recebi nenhuma sílaba de tradução, pois línguas estranhas não são traduzidas, elas são interpretadas. As duas pessoas que estavam comigo no quarto do hospital, não ouviram-me falando em línguas, elas me ouviram falando em alemão e puderam provar se o conteúdo da mensagem fazia algum sentido ou não. Simplesmente o rio de cura fora ativado sobre aquele lugar e o arrependimento e perdão puderam ser verbalizados por aquela mulher. Mais tarde recebi a informação da enfermeira que naquela noite, ela jantou toda a refeição e ainda pediu para repetir. Testemunhos semelhantes a esses existem aos milhares. Em outra ocasião pude ver mulçumanos entregando suas vidas a Cristo porque juravam ter-me ouvido falar em árabe enquanto eu estava falando em línguas numa praia pouco movimentada. Sob esse contexto em que os mulçumanos compreenderam a explicação do plana da salvação misteriosamente, creio que as línguas estranhas foram também um sinal aos incrédulos, pois eram mulçumanos. Nunca estudei árabe nem alemão, mas creio que algo semelhante aconteceu no dia de pentecostes, quando as pessoas falavam em línguas estranhas pelo Espírito Santo de Deus e os mais diversos “turistas” que haviam vindo para Jerusalém em função da festa anual os ouviam em suas próprias línguas, isso também serviu-lhes de sinal aos incrédulos. Duas operações diferentes das línguas estranhas em um único episodio.Alguns estudiosos dizem que são nove idiomas diferentes entre as diversas nacionalidades descritas em Atos 2, outros divergem com respeito a esse número de idiomas manifestos no pentecostes. O fato é que existe uma relação de idiomas ou nacionalidades presentes nessa manifestação:
Pardos e medos; Elamitas;Moradores da Mesopotâmia;Judéia;Capadocia; Ponto;Ásia;Frígia; Panfília;EgitoPartes da Líbia;Cirene;Forasteiros romanos;Cretenses;Árabes.
Certa vez um pastor amigo, estava pregando numa cruzada evangelística, e a plataforma havia sido instalada próxima a região portuária. Ele não compreendeu por que no final da mensagem, um número tão grande de chineses haviam vindo a frente para receber Jesus como senhor e salvador. O mais intrigante era que todos falavam chinês ou inglês e compreenderam a pregação da mensagem que ele havia feito em português. Ao término do culto os marinheiros queriam conversar com ele em chinês, porém ele lhes garantiu que não falava chinês. Todos ficaram pasmos, pois o haviam ouvido pregar em seu idioma natal. Somente então meu amigo, percebeu que a mesma manifestação de Atos 2 havia ocorrido durante aquela pregação, porém nesse episódio ele não ficou falando em línguas estranhas na plataforma, apenas pregou em português e o Espírito Santo se encarregou de fazer com que o som que saia da boca do pregador em português entrasse no ouvido dos marinheiros em chinês.
2 - Línguas Estranhas para Interpretação – No capítulo 14 da primeira carta aos Corintios, o apóstolo Paulo vai descrevendo uma série de ensinamentos sobre as línguas estranhas e a profecia. Ao observarmos os parágrafos que fazem parte do texto original, perceberemos que existe um bloco de versículos referindo-se a uma operação do dom de falar em línguas estranhas diferente das outras. É o que o apóstolo chama: -“os segredos do seu coração ficarão manifestos”. Existe uma diferença no propósito da operação das línguas estranhas com interpretação e sem interpretação. Durante anos acreditei no ensino equivocado de que línguas estranhas sem interpretação não possuem propósito algum. Isso é uma mentira, as pessoas fazem esse tipo de afirmação errônea porque não levam em consideração as distintas operações do mesmo dom.
I Co 14.1-5 – “SEGUI o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar.2 Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.3 Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação.4 O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja.5 E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação”.
O apostolo traça diversas comparações entre o falar em línguas e o profetizar. Mas quando fala da operação das línguas estranhas ele ainda diz que elas trazem edificação para “si mesmo” ou pode ser igualada a profecia, no caso de haver interpretação. Então vamos lá:
Línguas Estranhas sem Interpretação Línguas Estranhas com Interpretação Profecia
Não fala a homens, senão a Deus Fala aos homens, da parte de Deus Fala aos homens, da parte de DeusNinguém o entende Todos o entendem Todos o entendemFala mistérios com Deus Comunica os mistérios aos homens Comunica os mistérios aos homensExercita sua fé Edifica – Exorta - Consola Edifica – Exorta - ConsolaEdifica-se a si mesmo Edifica a igreja Edifica a igrejaQuero que todos vós faleis em línguas Equivale-se ao dom da profecia quando houver intérprete – I Co 14.5d Muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior
As línguas sem interpretação são exatamente o oposto do profetizar. Já as línguas com interpretação são exatamente iguais a profecia. Para operarmos na unção profética não é obrigatório o falar em línguas. Ao contrário do que muitos pensam ficar orando em línguas por oito ou dez horas ininterruptas é incrivelmente edificante. Edifica o indivíduo que de aplicou a tal exercício espiritual. O edifica, por que as escrituras assim o afirmam e essa simples fé literal no texto bíblico desata sobre a vida do intercessor
I Co 14.27-28 “E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus”.
No simples exercício de orar em línguas, mesmo sem interpretação a pessoa fala a Deus. Isso demonstra que existe um propósito bem definido nessa prática, portanto temos aqui uma linguagem de oração espiritual. Um canal de comunicação diretamente com Deus. Em I Co 14.14 diz “Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto”.Para cristão influenciados pela leitura de mundo grega, predominante no mundo ocidental, “ficar com a mente infrutífera” parece ser algo terrível, quase uma abominação, mas saiba que não é!Esse é o grande segredo da oração em línguas sem interpretação, comunicar-se com Deus através de uma linguagem espiritual, a qual pode ser sentida, vista ou ouvida onde “o meu espírito ora bem”, outras traduções dizem “o meu espírito ora eficientemente”. E com a virtude de não termos nenhuma interferência nessa comunicação pela nossa mente, pois como o texto bíblico diz, ela permanece “sem fruto”. Incrível, a alma, o psique, a mente sendo submetida ao controle do espírito. Ela fica infrutífera enquanto nosso espírito ora eficientemente, ora bem, ora de fato conforme a sua tardução. Onde residem suas lembranças dolorosas do passado? Seus ódios e rancores? Suas dificuldades de perdoar ou pedir perdão? Onde ficam guardadas aquelas imagens mentais de pornografia, violência ou morte que algum dia do passado você mesmo escolheu assistir? Todo esse lixo fica alojado em nossa mente. A fé cristã precisa ser lúcida e coerente. Precisamos saber dar explicação da razão de nossa fé em Jesus, e isso necessariamente não precisa ser místico nem transcendente, é apenas uma explicação lógica. Porem isso não faz da experiência cristã um produto da dedução, filosofia e lógica grega. Nossa fé deve ser algo passivo de ser experimentado de modo prático, concreto e real, e não apenas analisado ideologicamente.
A tradução da Bíblia Viva diz: “falam todos em línguas para a interpretação?” ICo 12.30.
A tradução Revista e Atualizada diz:“falam todos diversas línguas? interpretam todos?” I Co 12.30.
Em minha opinião a tradução Bíblia Viva foi mais feliz em sua tradução. Particularmente creio que existem as “línguas para interpretação” e as “línguas para edificação pessoal”. Somente quando alguém falar em línguas para interpretação é que o dom de interpretação de línguas entrara em operação. Como será possível alguém operar no dom de interpretação das línguas se ninguém puder orar na reunião pública em línguas estranhas, ainda que para sua edificação pessoal?Não creio que no culto público tenhamos que proibir o falar em línguas estranhas, ainda que as pessoas estejam apenas orando em línguas para edificação pessoal. Creio que esse exercício de fé pode ser feito a sós no quarto, ou individualmente no culto coletivo sim. Pois a final de contas, o culto é um lugar aonde os cristão vão para adorar a Deus e serem edificados espiritualmente. É ridícula a idéia de proibir o falar em línguas na reunião publica. Não era isso que o apostolo Paulo tinha em mente. Acredito que os exageros que o apostolo Paulo estava corrigindo em corinto, estavam relacionados a confusão entre as línguas como sinal aos incrédulos, línguas para interpretação publica e línguas para edificação pessoal. Certa vez, em uma igreja em que eu fora convidado para ministrar um dos nossos seminários, pude observar a mesma falta de maturidade que havia entre os corintos em relação ao exercício das línguas estranhas. Aquela cena que eu observei, ilustrou-me perfeitamente o que estava acontecendo em corinto e o apostolo Paulo estava corrigindo ao escrever-lhes:
I Co 14.26-32 “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.27 E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete.28 Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus.29 E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.30 Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro.31 Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados.32 E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas”.
Certa senhora com aparência de espiritual, saiu de seu lugar e foi até o outro lado da igreja com uma das mãos na boca e a outra levantada aos céus. Ao chegar a um jovem e impor-lhe as mãos, começou a orar em línguas.Até ai tudo bem, fiquei observando aquele comportamento com o intuito de julgar a eventual profecia. Achei que a profetiza não precisava ter chamado a atenção para ela ao ter se deslocado até o outro lado da igreja, mas relevei o fato. Enquanto orava em línguas em tom audível o ministério de louvor diminuiu a intensidade dos instrumentos e obviamente toda a igreja dirigiu sua atenção ao que estava acontecendo próximo ao altar. A profetiza começou a sapatear e a rodar em círculos ao redor do jovem, batia palmas e emitia sons estranhos. O jovem estava muito receptivo, mas esperava atentamente ao que Deus tinha reservado para comunicar a ele através daquela mulher. Num determinado momento, pensei que ela fosse aplicar um “golpe de artes marciais”, pois além de falar em línguas em tom audível, ter saído do seu lugar e ido ao encontro de um desconhecido, sapateado e rodado ao redor dele, agora ela mexia as mãos e mexia a coluna... isso já eram mais de dez minutos de “mistérios” ainda não interpretados...Prosseguiu com sua coreografia patética até que deu três pulinhos para trás e encerrou a mensagem com um longo sopro de ar. Para minha maior surpresa, ela virou as costas para o jovem, e voltou para sentar no seu lugar. Ninguém compreendeu nada, absolutamente nada! Nem o jovem que estava aparentemente aberto para o mistério, nem eu, muito menos a igreja! Então o ministério de louvor tornou a intensificar a música e todos voltaram a cantar. Como sou profeta, sai do meu lugar e fui atrás daquela “profetiza”. Ela tipificava uma espécie de “Maria Santarrona” que infelizmente não estão em extinção dentro de muitas igrejas. Toquei no seu ombro e perguntei: - “Qual a interpretação das línguas estranhas que você acabou de ministrar sobre aquele jovem? Ninguém entendeu nada!” Para minha surpresa a resposta dela foi ainda pior: - “Quem é espiritual compreende os mixxtéériiiiiooosss de Jeooovaaaa na terra!”Por uma fração de segundos desejei quebrar o pescoço daquela amada irmã! Mas ficou evidente que não era uma pessoa madura espiritualmente, nem a igreja compreendia a diferença entre línguas para edificação pessoal e línguas para interpretação. Não creio que Paulo estava instituindo uma regra rígida que inibia ou proibia o orar em línguas para edificação pessoal no culto público, como alguns pastores sugerem hoje em dia. Do mesmo modo como não devemos generalizar e aplicar de modo literal o que esta escrito no versículo 34, creio que não é inteligente fazermos uma aplicação geral ao que esta escrito no versículo 28. Pois o próprio apóstolo termina o capitulo 14 dizendo “e não proibais falar línguas” – I Co 14.39.
I Co 14.34 “As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei”.I Co 14.28 “Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus”.
A aplicação hermenêutica do versículo 28 não deve ser geral, a todas as operações distintas das línguas estranhas, mas específica a operação da “língua estranha para interpretação” e em alguns casos as “línguas estranhas como sinal aos incrédulos”. Apenas no contexto desse parágrafo é que devemos exigir a obrigatoriedade da interpretação. Mas não tenho dúvidas que a motivação de Paulo era corrigir atitudes como a dessa profetiza, que saiu do seu lugar, impôs as mãos sobre um desconhecido e reivindicou autoridade profética sobre as suas palavras. As únicas palavras que ela pronunciou em português para todos compreenderem foi: - “assim diz o senhor” depois emendou línguas estranhas e movimentos de artes marciais. Infelizmente alguns guetos denominacionais, estão repletos desse tipo de “profeta ninja” que fazem questão de chamar atenção para si e reivindicar sobre suas palavras autoridade profética com frases de efeito, mas ao analisarmos seu conteúdo ficamos horrorizados.Qualquer pessoa pode orar em línguas para edificação pessoal no culto público, num tom audível, contanto que não atrapalhe aos demais irmãos que estiverem ao seu redor. Não era isso que o apostolo Paulo estava corrigindo. Porém mesmo que a mensagem profética não seja para toda a igreja, como um coletivo. Ainda que sua interpretação seja um recado específico para uma pessoa específica, esta “língua estranha para interpretação” precisa ser obrigatoriamente seguida de interpretação pública de modo que permita a análise e o julgamento dos demais irmãos presentes na reunião. Profetas ou intercessores maduros não ficarão ofendidos com o julgamento, pois sabem que as escrituras assim nos recomendam.
I Co 14.29 “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem”.

3 - Línguas Estranhas como Sinal aos Incrédulos – Ainda no capítulo 14 da primeira carta aos Corintios, depois de ter introduzido o ensinamento das línguas estranhas o apóstolo Paulo nos fala sobre a operação das línguas estranhas como sinal aos incrédulos. Já vimos que isso também ocorreu em Atos capítulo dois, por ocasião do pentecostes, pois ao contrário da mentira ensinada por alguns líderes... esses “dons carismáticos” não escandalizarão os visitantes de nossas igrejas. No episódio bíblico não escandalizaram ninguém, justo pelo contrário, simplesmente três mil almas se converteram e foram acrescentadas a comunidade cristã. Engraçado você não acha? Nicotizam as mentes dos cristãos nominais para não orarem em línguas no culto público, pois segundo essa perspectiva teológica os “incrédulos ficarão escandalizados” e não “irão compreender”. Mas em contrapartida, para não perderem a membresia desse pequeno grupo inclinado as manifestações pentecostais que geralmente Deus levanta nas mais diversas estruturas denominacionais, simplesmente os “toleram e suportam em amor”, contanto que orem em línguas estranhas escondidos dentro da torre do sino da igreja!Mas existe ainda uma terceira operação das línguas estranhas que são um sinal aos incrédulos, fora o texto de Atos 2 em I Co 14.21-33 temos todo um parágrafo relacionado a essa operação.
I Co 14.21-25 – “Está escrito na lei: Por gente de outras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor. 22 De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis. 23 Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? 24 Mas, se todos profetizarem, e algum indouto ou infiel entrar, de todos é convencido, de todos é julgado. 25 Portanto, os segredos do seu coração ficarão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós.
Novamente podemos observar que as línguas estranhas como sinal aos incrédulos seguida de interpretação é comparada a profecia. Porém nesse contexto existe uma maior ênfase na operação da palavra de ciência e palavra do conhecimento simultâneos ao falar em línguas. O principal propósito nesse caso é “revelar os segredos do coração” dos incrédulos. Como existem muitos segredos constrangedores para serem expostos publicamente numa reunião coletiva, creio que em algumas circunstancias específicas haverá a interpretação desse tipo de línguas estranhas através dos dons de palavra de ciência e palavra do conhecimento simultâneos ao período em que alguém orar audivelmente em línguas. Talvez não ocorram visões, audições ou sentimentos e impressões no espírito, simplesmente palavras de conhecimento ou sabedoria. É muito freqüente nesse tipo de operação das línguas estranhas a própria pessoa incrédula receber em secreto a interpretação das línguas estranhas, ter seus segredos revelados pelo Espírito e ficar inibida de comunicar publicamente a interpretação que ela recebeu. Quando isso acontecer num culto público é importante que quem ficou falando em línguas estranhas para revelar os segredos do coração do incrédulo pergunte se alguém receber a interpretação e se deseja testificar para toda a igreja. Ainda que não queira compartilhar os detalhes da revelação por em constrangedor em algumas circunstancias é fundamental que seja dado alguma testificação, como por exemplo: - “Eu recebi a interpretação, nessa mensagem foi revelado algumas áreas de minha vida em que estou constrangido de comunicar publicamente, mas entendi o chamado para o arrepednimento e vou colocar isso em ordem na minha vida”. Um dia talvez essa pessoa compartilhe publicamente esse testemunho.Quando vejo profetas imaturos exporem pessoas a um constrangimento publico, principalmente durante o culto da igreja, fico extremamente preocupado. Não creio que Deus sinta prazer em constranger publicamente os cristãos carnais de nossas igrejas, creio que Ele sempre nos chama para o arrependimento e sabe a medida da força que precisa ser aplicada nos “puxões de orelha”. Sei que existem textos bíblicos em que os profetas falaram da parte de Deus e trouxeram a publico o pecado de reis e sacerdotes corrompidos. Creio que isso pode acontecer hoje em dia, mas não com a freqüência e modo que é praticado em alguns cultos pentecostais. Alem do mais, nesses contextos de profecias publicas que expunham os pecados dos reis, eram sempre o produto final de inúmeras outras tentativas anteriores em chama-los para o arrependimento. Alguns profetas quando “profetizam “ sobre a vida de pessoas em pecados de adultério ou fornicação parecem mais juizes ou carrascos do que homens de Deus que visam a “edificação, a exortação e o consolo”.
Em minha experiência pessoal com o Senhor Jesus, vivi anos abraçado a um extremo de teologia de reforma e logo apos minha experiência pneumática com os dons espirituais fui abraçar o outro extremo do pentecostalismo. Eram dias difíceis para mim, tinha entre dezessete e dezoito anos, e logo depois do meu primeiro ano “falando em línguas estranhas” entrei numa crise profunda de frustração com alguns lideres pentecostais e suas estruturas denominacionais. Nesse período eu não passava de mais um cristão recém pentecostalizado, inseguro, cheio de medos e envolvido numa capa recente de falsa espiritualidade pois acreditava conhecer os oráculos divinos pois agora sentia fogo nas minhas mãos, chorava espontaneamente acima da média e falava em línguas estranhas. Porém ate esse momento de minha caminhada cristã, ninguém havia me ensinado sobre as diferentes operações do dom de línguas estranhas e eu nunca havia dedicado mais de alguns minutos durante o culto publico para falar em mistérios com Deus. Um dos exercícios chaves para amadurecermos no exercício do falar em línguas é orarmos tanto quanto Paulo orava. Hoje eu dedico dez a quinze ininterruptas durante um ou dois dias por mês para ficar orando em línguas estranhas a fim de permitir que minha mente não atrapalhe nessa linguagem de oração celestial e o meu espírito ore bem!Como eu era recém pentecostalizado, imaturo e presunçoso, não demorou muito tempo para mim esfriar espiritualmente e começar a sofrer fortíssimas tentações na área sexual. Lembro-me de um período de meses em que já não orava mais nem estava freqüentando a igreja pois profissionalmente eu estava fazendo um curso intensivo com aulas durante os dias úteis e finais de semana. Duas colegas de curso foram logo se aproximando de mim e depois de algumas semanas de treinamento começaram a se insinuar sexualmente. Num primeiro momento rejeitei a idéia mas logo depois comecei a fazer pequenas concessões em minha imaginação. Era duas lindas mulheres, uma casada e outra solteira que compartilhavam de uma vida bissexual e a fantasia erótica de ter uma relação sexual com duas mulheres simultaneamente estava assentada a uma carteira de distancia de mim. Como um abismo chama outro abismo, estava amargurado com os irmãos da igreja, frustrado por um namoro fracassado, sem comunhão e sem praticar minhas orações e devocionais... Logo, minha mente estava aprisionada as mais pervertidas imaginações sexuais. Já não conseguia mais acompanhar o conteúdo daquele curso e resolvi escrever um bilhetinho para aquelas lindas colegas de sala de aula dizendo que estava disposto a experimentar a proposta delas. Isso foi numa quinta feira e combinamos um encontro no final da aula do domingo pela manha, onde passaríamos a tarde juntos. Porém na sexta feira, em meu horário de almoço eu estava caminhando no centro da cidade quando recebi um panfleto com o seguinte título: “SEXTA FEIRA É O DIA DO JEJUM E DA ORACAO NA IGREJA BRASIL PARA CRISTO”. Imediatamente o Senhor falou comigo e disse para mim faltar a aula de sexta-feira a noite e ir para essa vigília de oração. Embora recém pentecostalizado nas Assembléias de Deus, resisti a idéia de ir a uma reunião em outra igreja pentecostal, mas ainda carregava muito orgulho e desconfiança das minhas raízes luteranas... fiquei o restante da tarde com a mensagem divina de responder positivamente aquele panfleto. Resolvi obedecer, já estava em depressão e angustiado pelos meus pecados cometidos e pelos pecados que eu estava prestes a consumar. Cheguei arrasado na igreja, quando ali entrei pude perceber que o pastor já estava no meio de sua pregação e alguns segundos depois de eu ter entrado na nave do templo, o pastor parou de pregar em português e começou a falar em línguas estranhas como sinal aos incrédulos. Ele ficou no púlpito da igreja, com o templo lotado, falando em línguas por mais de 40 minutos sem que ninguém da igreja interpretasse uma frase. Simplesmente a igreja discerniu que algo genuinamente do Espírito Santo estava acontecendo, pois eu fiquei em pé na porta do templo chorando copiosamente desde o instante em que aquele pastor começou a orar em línguas estranhas no púlpito até o instante em que ele parou. Eu sabia que ele não estava falando em português, eu sabia que ele falava em línguas pois podia observar os olhares dos outros irmãos que não estavam recebendo nenhuma interpretação de todas aquelas palavras. Porem eu só conseguia chorar e me arrepender, reconciliar-me com o meu Senhor pois no meio daquela multidão eu era o único que estava recebendo a interpretação da mensagem. Aquele pastor sabia de todas as minhas conversas com aquelas duas mulheres no curso que eu estava fazendo, sabia do meu chamado ministerial, da minha frustração com lideres, igrejas e ex-namorada. Durante aqueles quarenta minutos em que ele falou em línguas estranhas para que o segredo do meu coração fosse manifesto, ele foi extremamente preciso ao me confrontar para o arrependimento. Lembro-me que ao terminar as línguas estranhas ele olhou para toda a igreja que já estava cansada de assistir línguas e disse-lhes: - “Eu tenho certeza que alguém aqui recebeu a interpretação dessas línguas estranhas mas ficou com vergonha de anunciar publicamente para o restante da congregação. Quem é essa pessoa?”.Foi então que eu ainda me recuperando do choro ergui o meu braço e disse: - “Fui eu que recebi a interpretação e foi sobre algo terrível que eu iria praticar amanha a tarde que o Senhor falou comigo”. Então toda igreja glorificou a Deus e o pastor falou para mim procurá-lo num horário de gabinete pastoral para saber maiores detalhes.Imediatamente virei as costas e voltei para casa. Já sabia o que eu tinha que fazer, cancelei aquele encontro e toda minha depressão foi embora. Tornei a congregar com meus irmãos, pedi perdão e perdoei alguns lideres e depois dessa experiência tornei algumas poucas vezes aquele templo em que o Senhor havia usado aquele pastor tão misteriosamente. Fico pensando, se aquele pastor tivesse exposto publicamente meus pecados e intenções pecaminosas com aquelas garotas será que algum dia eu voltaria aquela igreja? Com certeza eu teria sido confrontado no meu pecado, teria me arrependido e procurado nunca mais retornar aquele lugar!Em outra ocasião ouvi o testemunho de um ex-mulçumano xiíta que ao chegar na cidade de Foz do Iguaçu-PR viu a bandeira de Israel no púlpito de uma igreja evangélica e como ainda não dominava o idioma português planejou um atentado terrorista para explodir aquele templo.No primeiro culto que foi assistir a fim de observar as colunas de concreto que sustentavam todo o edifício, o ministro de louvor parou de cantar e simplesmente ficou falando em línguas estranhas por uns trinta minutos aproximadamente. Todos ficaram irritados com aquele episódio e houve até irmãos que criticaram aquele jovem ministro de louvor. Porém o Espírito do Senhor estava dirigindo aquele irmão numa oração em línguas estranhas para que os segredos do coração daquele mulçumano fossem manifestos. O produto final dessa operação das línguas estranhas foi a conversão daquele missionário islâmico e seu pedido de perdão publico por ter maquinado a morte daqueles irmãos. Temos que parar de acreditar na mentira que a operação dos dons espirituais no culto publico irão assustar as pessoas. Não vejo Jesus fugindo para uma salinha reservada a fim de expulsar demônios das pessoas oprimidas por satanás. Muito menos tratando opressão demoníaca com copo de água com açúcar e dizendo para toda a igreja que aquilo não era possessão demoníaca, mas simplesmente um ataque epilético. Vejo Jesus curando enfermos e expulsando demônios nas praças e em público, sem precisar colocar um microfone na boca do moribundo para fazer sensacionalismo. Lembro-me da ultima semana em que trabalhei secularmente como profissional de informática, antes de ir morar e estudar no seminário do Vale da Benção em Araçariguama-SP. A secretária do gerente de exportação da empresa estava profundamente triste e ansiosa, pois seu pai estava internado no hospital sem perspectivas de vida. Ela sabia que eu estava saindo da empresa “para ser pastor” e ir estudar num seminário. Conhecia o testemunho de inúmeras pessoas dentro da empresa que já haviam recebido algum tipo de ministração espiritual através de minha vida e pediu-me para ir orar pelo pai dela. Imediatamente o Senhor me dirigiu a jejuar e orar por três dias, quando fui ao hospital orar pelo homem. Ao conhecer o restante da família percebi que eram extremamente católicos romanos, mas muito mais esotéricos, com fortes inclinações kardecistas. Falei que estava ali para invocar a manifestação do Deus vivo, que eles já haviam rezado para tantos intermediários nas ultimas semanas e o quadro clínico só estava piorando. Mas que Jesus iria curar aquele homem e depois da oração mais um dia de observação e ele ganharia alta hospitalar. Lembro-me que a esposa pegou nas minhas mãos e creu com uma ingenuidade simples, enquanto alguns jovens presentes no quarto começaram a rir e a debochar. Simplesmente ungi aquele homem e estava com os olhos abertos mas não podia falar, impus minhas mãos sobre ele e fiquei falando em línguas estranhas. Não tive nenhuma interpretação, imagino que os presentes naquele quarto também não a tiveram, simplesmente o espírito de morte que estava sobre aquele lugar foi dissipado e uma doce presença encheu todos os corações. Eles começaram a chorar espontaneamente, nenhuma palavra, nenhum apelo, nenhuma ilustração, nenhum texto bíblico lido e nenhuma pregação eloqüente. Simplesmente línguas estranhas. Aquele homem começou a tossir e pude ver um demônio saindo enquanto ele tossia. Tive a convicção de que era hora de parar de orar em línguas e ir embora. No dia seguinte minha companheira de trabalho veio me agradecer, falou que todos os seus familiares ficaram maravilhados com o episódio. O médico ficou impressionado com a reação do sistema imunológico do pai dela, e no dia seguinte ele receberia alta para retornar para casa. Não deixei cartão de visita, panfleto, nem folder com os horários de cultos da minha igreja. Não fiz proselitismo, nem os manipulei dizendo que tinham que passar a congregar em minha igreja, pois a enfermidade retornaria se assim não procedessem. Ela simplesmente me pediu os horários de cultos e o endereço de onde nos reuníamos. Ficava no extremo oposto ao bairro onde ela morava, lembro-me do único dia em que os vi indo lá nos visitar. Tempo depois, eu já estava no campo missionário, ela me comunicou que toda sua família havia se convertido e passado a congregar numa igreja do evangelho quadrangular próximo a sua casa. Nesse caso, creio que a interpretação de todas aquelas línguas estranhas que eu havia orado no quarto do hospital ocorreu na simples visão do demônio saindo dos pulmões enquanto aquele homem tossia. Não ouve confusão, mas sim conversões.
I Co 14.26-33 - “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.27 E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete.28 Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus.29 E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.30 Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro.31 Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados.32 E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.33 Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos.
Nem sempre quando estiver ocorrendo essa operação do dom de “línguas estranhas como sinal aos incrédulos” a interpretação precisará ser pública. Nesse caso, ao contrário do “orar em línguas para interpretação” o que é necessário é a interpretação para o incrédulo dos “segredos de seu coração” e não obrigatoriamente esses segredos serão compartilhados com todo o coletivo da igreja. Essa interpretação dos “segredos do coração dos incrédulos” poderá ser em algumas circunstâncias compartilhadas com a coletividade da igreja, em outras apenas revelado a pessoa individualmente, e ela saberá que Deus esta operando naquele lugar. Tanto nas operações de “línguas estranhas como sinal aos incrédulos” como “línguas estranhas para interpretação”, é necessário que haja a interpretação. Quando o profeta sair do seu lugar e for ao encontro de outra pessoa, seja ela incrédula ou não, e lhe impor as mãos e reivindicar autoridade profética sobre suas palavras, este profeta não poderá esquivar-se da interpretação, ainda que essa operação de interpretação possa ocorrer por intermédio de uma terceira pessoa. Só não devemos deixar passar em branco, caso ocorra do intercessor orar em línguas impondo as mãos sobre outro e ninguém receber nenhum tipo de interpretação consistente. Aqueles que julgaram a atitude desse intercessor devem “puxar as orelhas com amor” a fim de ocorrer o amadurecimento. Todo profeta maduro cometeu erros ao longo do seu ministério profético. Profetizou coisas que não ocorreram ou estavam parcialmente corretas e em alguns aspectos erradas. Ele não é maduro porque nunca errou, ele é maduro porque soube reagir aos julgamentos com humildade e maturidade. A bíblia não diz que devemos apedrejar os profetas quando eles profetizam e não se cumprir a sua palavra. A bíblia diz que quando profetizarem, a mensagem se cumprir e o produto final desse cumprimento profético for a idolatria e a corrupção pecaminosa, então esse profeta falou da parte de um espírito de adivinhação e devera ser morto, conforme a lei. Mas quando profetizar e não se cumprir, apenas deve ser admoestado e “não reconhecido como profeta”. Ou seja, não devemos levá-lo a serio como profeta. A bíblia não diz que como profeta eu não posso errar, ela diz que os demais devem julgar o conteúdo da mensagem. Isso indica a possibilidade do erro do profeta, o qual poderá amadurecer no exercício do dom se for humilde para pedir perdão e ser exortado. O que a bíblia ensina é que as pessoas que recebem as mensagens proféticas não devem ser tolas de dar crédito o tudo o que lhes foi dito, sem antes submeter essa profecia ao crivo da palavra de Deus e a testificação do Espírito Santo em nosso espírito. Vejamos os textos:
Deuteronômios 18.1-5 - “QUANDO profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, 2 E suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; 3 Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o SENHOR vosso Deus vos prova, para saber se amais o SENHOR vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma. 4 Após o SENHOR vosso Deus andareis, e a ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele servireis, e a ele vos achegareis. 5 E aquele profeta ou sonhador de sonhos morrerá, pois falou rebeldia contra o SENHOR vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito, e vos resgatou da casa da servidão, para te apartar do caminho que te ordenou o SENHOR teu Deus, para andares nele: assim tirarás o mal do meio de ti”.
Deuteronômios 18.22 – “Quando o profeta falar em nome do SENHOR, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele”.

4 - Línguas Estranhas para Edificação Pessoal – Tenho observado que os lideres na sua grande maioria estão divididos em dois grupos. O primeiro é aquele que oram muito em línguas e não estão preocupados com a interpretação, a ênfase deles esta em II Co 3.17 onde diz que ”Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”. O segundo grupo são os mais conservadores e preferem assumir a posição inversa, sua ênfase esta em II Co 14.40 onde diz “Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”.Particularmente creio que ambos estão errados em seus extremos. O primeiro com medo de não dar liberdade e entristecer ao Espírito Santo por resistir ao vinho novo. O segundo por nutrir um zelo farisaico ao ponto de não levar em consideração a natureza dinâmica e renovadora do Espírito Santo. Lembre-se que o que impediu os fariseus de reconhecerem Jesus como Messias não foi a superficialidade do estudo das escrituras, mas sim seu zelo. De tanto zelarem pela lei, fizeram dela um fim em si mesma, e não um meio para experimentarem Deus. Logo quando Jesus começou a quebrar paradigmas religiosos da época, provaram que amavam mais seus paradigmas dogmáticos que a revelação da lei do Senhor.
I Co 14:4 – “O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja”.
Sempre que a bíblia falar em “orar no espírito” creio que ela esta se referindo ao exercício de orarmos em línguas estranhas. Esse ensino fica muito claro em ICo 14.15 que diz “Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento”. Orar com o entendimento não é menos espiritual que orar em “línguas estranhas” ou orar “com o espírito”, só possui um propósito diferente. O que temos que ter em mente quando encontramos essa expressão “orar com o espírito” nas escrituras é que no versículo anterior Paulo nos ensina que ICo 14:14 “Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto”.Essa ferramenta de orar em espírito para edificação da fé pessoal é um sinal que esta disponível a todo que crer. Seu propósito primário não é edificar o coletivo da igreja e sim a fé do indivíduo que se dispor a passar dez ou quinze horas seguidas orando em línguas, “com seu espírito orando bem, e sua mente infrutífera”.
EF 6:18 “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos”.
Parece estranho para alguém que vive um conceito de “graça barata”, achando que uma vez salvo sempre salvo e você nunca mais terá nem dor de dente. Mas a bíblia nos chama para crescermos na graça e no conhecimento. Jesus diz que os fariseus erravam por não conhecerem as escrituras nem mas manifestações do poder de Deus.
Judas 1.3 – “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”.
Que fé é essa que precisamos “batalhar” por ela e que “uma vez por todas nos foi dada”?Temos aqui a dinâmica da fé, algo vivo e um chamado ao crescimento espiritual e não ao comodismo ou conformismo de uma espiritualidade secularizada pelo pecado.
Judas 1.20-21 – “Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, 21 Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna”.
Veja como o próprio versículo vinte nos ensina a como edificar algo sobre a porção de fé que nos foi dada no dia de nossa conversão – “orando no Espírito Santo”, ou seja em “línguas estranhas para edificação pessoal” (I Co 14.15). A bíblia nos diz que cada um profetize segundo a “medida da sua fé” em Rm xxx .Por ser Deus justo e não fazer acepção de pessoas, será que Ele poderia dar a uns uma medida de fé maior que a outros? Seria por isso que uns operam milagres sobrenaturais e outros apenas resumem seus ministérios ao ensino da palavra? O interessante é que na ocasião do novo nascimento, na conversão o cristão recebe “uma vez por todas” uma medida de fé. Uma essência divina eu nos permite experimentar Deus e todas as suas manifestações. Porem somos responsáveis por aquilo que faremos com essa fé, que uma vez por todas já nos foi concedida, por ocasião do novo nascimento. Creio que o revestimento de poder é uma experiência sectária a conversão. São coisas distintas. Mas não creio que Deus virá do alto e colocara dentro de nos o dom de curar enfermos, profecia ou línguas estranhas... As línguas estranhas, e todos os outros dons que Deus tem reservado para sua caminhada cristã, já estão dentro de você. Basta apenas render o nosso espírito ao toque e ao fluir do Espírito Santo em nós e através de nós. Precisamos “remover todo o acumulo de malícia e iniqüidade da nossa alma” conforme esta escrito em Tiago 1.21.Não será pela repetição de centenas de frases como “aleluia” ou “glória a Deus” que receberemos as línguas estranhas. Mas sim, pelo exercício de adoração e arrependimento que as línguas estranhas, que já estão dentro de todos aqueles que nasceram de novo, se manifestarão espontaneamente naqueles que crerem e se apropriarem por meio da fé. Uma fé que não é certificado de espiritualidade superior a dos demais, mas segundo Judas é apenas uma fé relacionada a “comum salvação” Judas 3.
I Co 14:2 – “Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios”.
Existem pessoas em algumas igrejas que não falam em línguas a Deus, mas falam em línguas para impressionar uma jovem moça solteira da igreja ou fazer uma média com o dirigente do ponto de pregação. Essas pessoas por mais que “falem em línguas” essa oração não lhes resulta em edificação pessoal, não desata sobre as suas vidas e ministérios um manto de milagres nem autoridade espiritual. Vivem inconstantes em seus caminhos, de ânimo duplo e muitas vezes a única evidência espiritual que apresentam são os problemas que geram para suas lideranças pois alem de orarem em línguas ao vento, desenvolveram uma falsa espiritualidade do dom da “língua comprida”. Precisamos orar em línguas a Deus. Periodicamente quando enfrento circunstancias que não sei como resolver, nem por onde começar a analisar e muito menos como sistematizar por “oração com entendimento” minhas dores e meus sentimentos, simplesmente digo: - “Espírito Santo, por favor me auxilie durante esse período de oração e conduza o meu espírito a orar ao Pai da forma mais eficiente possível com respeito a esse determinado assunto...” e imediatamente após fico oito a dez horas seguidas falando em línguas estranhas. Geralmente não sinto nada, nem arrepios, nem calafrios. O único produto dessa disciplina espiritual é minha garganta seca e a necessidade de tomar muito líquido. Mas creio que a palavra de Deus é verdadeira quando ela ensina que quem fala em línguas, fala a Deus e a si mesmo se edifica espiritualmente!
I Co 14:4 – “O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja”.
I Co 14:5 – “E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação”.
Muitas vezes depois desses longos períodos de oração Deus manifesta sinais imediatos, outras vezes não. Apenas precisei orar dez horas ininterruptas em línguas estranhas para conseguir organizar meus sentimentos e sistematizar minhas idéias num plano de ação coerente, para alcançar a solução de alguns problemas. Creio que é isso que CL 1:9 quer dizer quando nos fala em “toda a sabedoria e inteligência espiritual”
Cl 1.9 – “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual”.
I Co 14:12 – “Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja”.
I Co 14.13-18 – “Por isso, o que fala em língua desconhecida, ore para que a possa interpretar.14 Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto.15 Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento.16 De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes?17 Porque realmente tu dás bem as graças, mas o outro não é edificado.18 Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos”.
I Ts 5.17-21 – “Orai sem cessar. 18 Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. 19 Não extingais o Espírito. 20 Não desprezeis as profecias. 21 Examinai tudo. Retende o bem”.

Diferença entre Sinais e Dons Espirituais:
Muitos cristãos entram em crise ao ler I Co 12.29-31 e depois comparar com Mc 16.15-20.
I Co 12.29-31 - “Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres?30 Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos?31 Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente.
Mc 16.15-20 – “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.16 Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.17 E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas;18 Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.19 Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus.20 E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém”.
Como é possível o apóstolo Paulo ensinar que nem todos falarão em línguas estranhas em ICo 12.30 e nosso Senhor Jesus Cristo ensinar em Mc 16.17 que falar novas línguas serão um dos sinais daqueles que crerem nEle? Será que temos um equivoco doutrinário aqui, ou simplesmente os óculos através dos quais fomos programados a fazer a leitura do dom de falar em línguas estão embasados e precisamos limpá-los? Eu não vejo nenhuma divergência doutrinaria nesse paradoxo, pois existe uma gigantesca diferença entre sinais e dons espirituais. Quando confundimos esses dois conceitos e tentamos interpretar como se fossem idênticos, cometeremos erros graves. Quando Jesus ensina sobre o sinal de falar novas línguas, Ele esta dizendo que essa experiência esta disponível a todos aqueles que crêem. A fé ativará esses sinais descritos em Marcos 16 e a operação dessa fé será literal e não alegórica. Inclusive quando fala com respeito a “pegar serpentes e beber alguma coisa mortífera”. Isso é literal!O contexto em que Jesus esta relacionando esses sinais, é um contexto evangelístico, onde Deus fará prodígios e confirmará a pregação com sinais aos incrédulos. Todo cristão nascido de novo, disposto a colaborar na tarefa da grande comissão e com o mínimo de fé para crer nesses sinais experimentará tais manifestações porque Jesus o disse. Simples!Não experimentarão esses sinais por serem ultra, super, mega espirituais, não experimentarão esses sinais por serem superiores aos demais cristão nominais, não experimentarão esses sinais por viverem em um nível de santidade superior aos demais... toda essa conversa é superstição pentecostal. Experimentarão esses sinais porque ousaram crer nas palavras de Jesus e Ele honra, zela por sua palavra. São os sinais que seguem aos que crêem e não os que crêem que devem viver seguindo aos sinais de um lado para o outro, inconstantes e sem profundidade espiritual. Já o apostolo Paulo quando esta ensinando a igreja de corinto sobre os dons espirituais, ele não esta falando num contexto evangelístico. Justo o contrário, ele fala num contexto de edificarem-se mutuamente através do exercícios dos dons espirituais. E nesse contexto de corpo de Cristo reunido para edificarem-se mutuamente uns aos outros, Paulo afirma que nem todos falarão em línguas para interpretação.
A tradução da Bíblia Viva diz: “Falam todos em línguas para a interpretação?” ICo 12.30.
O que é diferente de algumas traduções em língua portuguesa que dizem: “falam todos diversas línguas? interpretam todos?” I Co 12.30.
Dentro dessa perspectiva quando eu estou em uma praça pública ministrando cura ou libertação aos incrédulos, eu não oro pedindo pelos dons espirituais, pois dons são para edificação da igreja durante um seminário local e não evangelismo de rua. Eu clamo a Deus pedindo pelos sinais que Ele prometeu. Não dou ordem a Deus, mas dou ordem a enfermidade, as circunstâncias demoníacas na vida das pessoas ali presentes que saiam pelo poder do nome de Jesus. Oro muito em línguas, como um sinal e um exercício de fé para minha vida pessoal. Principalmente antes de ministrar os sinais sobrenaturais do Espírito Santo, pois creio que preciso falar em línguas com Deus a fim de edificar minha fé e presenciar os milagres que Deus já determinou nas regiões celestiais manifestar naquela ocasião. Interpretar línguas estranhas não é sinal evangelístico, o falar sim. Interpretar línguas é dom para edificação do corpo reunido. O dom de línguas estranhas pode ser tanto um sinal como uma operação de dom espiritual. Dependendo do contexto em que ele esta sendo exercitado. Semelhantemente a cura de enfermidade, pode ser ministrada sobre a vida de um incrédulo como sinal, a fim de confrontá-lo no seu antigo sistema de crenças e levá-lo a uma profissão de fé em Jesus ou a cura de enfermidade, também pode se ministrada sobre a vida de um cristão como dom espiritual a fim de edificá-lo espiritualmente. A bíblia nos fala para não sermos ignorantes no que diz respeito aos dons espirituais, mas é assustador o número de cristão genuínos que fizeram a opção consciente e outras vezes, inconsciente de simplesmente apagarem esse assunto de sua caminha de fé com medo dos exageros. Todo medo é uma expressão da ausência de fé.
ICo 12:1 “ACERCA dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”.
O chamado universal de todo cristão é crescer e amadurecer em sua fé para tornar-se simplesmente como Jesus. Não fomos chamados a uma experiência estática e fixa, mas ao relacionamento intimo e dinâmico do Senhor. Nesse processo de crescimento espiritual, é perfeitamente possível atrofiarmos nossos dons e talentos espirituais, mas o exercício espiritual do falar em línguas estranhas é uma chave preciosa para edificarmos nossa fé e operarmos [ou desenvolvermos, conforme sua tradução] nossa salvação (Filipenses 2.12).
FP 1:19 – “Porque sei que disto me resultará salvação, pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo”.