segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Os 10 mandamentos do namoro.

Namoro é uma fase muito bonita. É definida como o ato de galantear, cortejar, procurar inspirar amor a alguém. O namoro cristão, tenha a idade que tiver, deve ser uma convivência afetiva preliminar que amadurece e prepara o casal para o compromisso mais profundo. O contrário disso, longe dos princípios de Deus, pode resultar em uma experiência nociva e traumática. Observe alguns princípios que ajudam a manter o seu namoro dentro do ponto de vista de Deus.
1. Não namore por lazer: namoro não é passatempo e o cristão consciente deve encarar o namoro como uma etapa importante e básica para um relacionamento duradouro e feliz. Casamentos sólidos decorrem de namoros bem ajustados.
2. Não se prenda em um jugo desigual (II Co 6:14-18): iniciar um namoro com alguém que não tem temor a Deus e não é uma nova criatura pode resultar em um casamento equivocado. E atenção: mesmo pessoas que freqüentam igrejas evangélicas podem não ser verdadeiros convertidos ou não levarem o relacionamento com Deus a sério.
3. Imponha limites no relacionamento: o namoro moderno, segundo o ponto de vista dos incrédulos, está deformado e nele intimidade sexual ou práticas que levam a uma intimidade cada vez maior são normais, mas o namoro do cristão não deve ser assim, o que nos leva ao próximo mandamento.
4. Diga não ao sexo: Deus criou o sexo para ser praticado entre duas pessoas que se amam e têm entre si um compromisso permanente. É uma bênção para ser desfrutada plenamente dentro do casamento; fora dele é impureza.
5. Promova o diálogo e a comunicação: conversar é essencial, estabeleça uma comunicação constante, franca e direta e não evite conversar sobre qualquer assunto.
6. Cultive o romantismo: a convivência a dois deve ser marcada por gentileza, cordialidade e romantismo. Isso não é cafona, nem é coisa do passado e traz brilho ao relacionamento.
7. Mantenha a dignidade e o respeito: o namoro equilibrado tem um tratamento recíproco de dignidade, respeito e valorização. O respeito é imprescindível para um compromisso respeitoso e duradouro. Desrespeito é falta de amor.
8. Pratique a fidelidade: infidelidade no namoro leva à infidelidade no casamento. Fidelidade é elemento imprescindível em qualquer tipo de relacionamento coerente à vontade de Deus, que abomina a leviandade.
9. Assuma publicamente seu relacionamento: uma pessoa madura e coerente com a vontade de Deus não precisa e nem deve lutar contra seus sentimentos e muito menos escondê-los da família.
10. Forme um triângulo amoroso: namoro realmente cristão só é bom a três: o casal e Deus. Ele deve ser o centro e o objetivo do namoro.
Deixe Deus orientar e consolidar seu namoro. Viva integralmente as bênçãos que Deus tem para você através do namoro. E seja feliz.
A nós, namorados, tenhamos um ótimo dia! Deus nos abençoe!
Quem não tem um ainda, uma dica: Persevere, mas não se desespere. Deus está preparando a sua pessoa companheira (Pv 18.22).

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Relatos de fenômenos espirituais em tempos de Avivamento

João A. de Souza Filho Tradução autorizada (Autor)

Convicção de pecados
Em tempos de avivamento as pessoas experimentam muitas coisas diferentes, na alma e no corpo. Nesses tempos ocorrem fenômenos estremados que não são muito aceitos. Lendo a história dos avivamentos vemos claramente que este fenômeno de “cair no Espírito”, e de ser “derrubado” era resultado da extrema convicção de pecado que vinha sobre as pessoas. A pregação sobre avivamento incluía o arrependimento, abandono do pecado e a vida de santidade diante de Deus. Qualquer pecador ou crente carnal que ouvisse este tipo de pregação no passado teria este tipo de manifestação, como resultado da obra de Deus, convencendo a pessoa da culpa e da necessidade purificação de sua consciência.Na maioria das igrejas, qualquer pregação que leve à convicção de pecados, mostrando ao pecador a necessidade de arrependimento é tida como legalismo. Deixar a pessoa sob o terror da lei é coisa do passado e não tem relevância nesses dias. Esperamos que ao ler os relatos de avivamentos do passado, o leitor entenda a verdadeira razão para a experiência de “cair no Espírito”. Este tipo de discernimento e estudo é necessário nesses dias em que assistimos tantas manifestações e operações de falsos espíritos e de doutrinas do diabo. A imitação e a falsificação sempre aparecem paralelamente aos avivamentos verdadeiros. Quero lhes dar um exemplo do avivamento ocorrido em Ulster em 1623.
“Havia muitos convertidos em todas as congregações mencionadas, e Satanás, vendo a prosperidade do evangelho entre o povo, tratou logo de desacreditar a obra de Deus em seus corações. Isto ele fez falsificando a operação do Espírito Santo em várias pessoas em Lochlarne, que começaram a gritar durante as reuniões de adoração, alguns tendo fortes convulsões enquanto gritavam. Houve um aumento diário de pessoas que assim procediam, e, a princípio os pastores e o povo tinham pena dessa gente achando que o Espírito Santo estava operando nelas. No entanto, depois de conversar com elas e descobrir que não mostravam sinais algum de arrependimento e que não tinham uma busca intensa pelo Salvador, os pastores escreveram aos colegas solicitando que fossem até lá e que examinassem cada caso. Estes, depois de conversar com elas percebiam que eram vítimas de engano e alucinação do destruidor.”“No sábado seguinte, uma pessoa na congregação de Mr. Blair fez muito barulho, mas imediatamente, diz Mr. Blair, “Eu repreendi aquele espírito que perturbava a adoração, e ordenei, em Nome de Jesus que não mais incomodasse a congregação. Depois desta experiência este tipo de perturbação cessou”.Durante o avivamento em Cambuslang em 1742 sob o ministério do Revdo. M’Culloch, ocorreram muitos fenômenos durante as reuniões, especialmente, de pessoas que “caiam sob o poder”, como se dizia naquele tempo.
“O que estes jovens queriam dizer com o termo “caindo”, era uma espécie de gozação naquele tempo, resultado das reações físicas que se seguiam à forte convicção de pecado, pois quando alma e corpo reagem, não é de surpreender que o corpo e a alma reajam diante da dura realidade do juízo final e da eternidade”.
Paris Reidhead em seu sermão, “dez moedas e uma camisa” apresenta dos relatos deste fenômeno durante tempos de avivamento. Wesley era um pregador justo que exaltava a santidade de Deus. Sempre que exaltava a santidade divina e a lei de Deus; a justiça divina e seu conhecimento; sempre que exaltava as exigências divinas e a justiça de sua ira, virava-se para as pessoas e denunciava seus pecados, sua rebelião, sua traição a Deus e a anarquia do pecado. E o poder de Deus vinha sobre as pessoas, e há registros de que numa ocasião mais de 1.800 pessoas caíram por terra, praticamente inconscientes. Por haverem tido uma revelação da santidade de Deus; à luz desta santidade viam seu pecado, e não podendo suportar, caíam por terra.
“Mas não aconteceu apenas nos dias de Wesley, aconteceu também na América em New Haven, Connecticut, Yale. Um homem conhecido como John Wesley Redfield pregou continuamente durante três anos ao redor de New Haven, culminando com as grandes reuniões no auditório de Yale no século dezoito. A polícia já se acostumara a examinar as pessoas naquele tempo. Se encontrasse alguém caído no chão, tentavam descobrir se eram beberrões. Se estivessem bêbados levavam-no pra cadeia, mas se não tivessem cheiro de álcool, estavam caídas pela doença de Redfield. E quando encontravam alguém com a “doença de Redfiel”, levavam para um local tranqüilo e a deixavam ali até que se recuperasse totalmente.”Se eram bêbados, paravam de beber; se eram violentos, deixavam de sê-lo, e se fossem imorais, abandonavam a vida de pecado. Se eram ladrões, devolviam o que haviam roubado. Porque, ao virem a santidade de Deus contrastada com a enormidade de seu pecado, o Espírito Santo os derrubava por terra inconscientes devido ao peso de seu pecado! Quando o poder de Deus caía sobre eles arrependiam-se de seus pecados e se convertiam a Cristo.
Derrubados por terra.
O seguinte relato veio do avivamento irlandês de 1859 em que ocorriam manifestações de pessoas caindo no chão.
“Quando a pessoa fica sob convicção e em crise, sente-se fraca e não consegue sentar nem ficar em pé; ajoelha-se ou deita-se no chão. Um grande número de pessoas sob convicção nesta cidade e vizinhança, são “derrubadas por terra”, caindo repentinamente, paralisadas e sem força, como se tivessem levado um tiro certeiro. Caem e gemem profundamente, algumas gritando como se estivessem uma crise de medo, a maioria delas, orando com sinceridade: “Senhor Jesus, tem misericórdia de minha alma”. Tremem como vara verde, sentem um peso sobre o peito, uma sensação de choque e encontram alívio quando gritam, orando por libertação. Continuam assim até que experimentam a confiança em Cristo Jesus. E então, o tom da voz e os gestos retornam ao normal e o desespero dá lugar a um senso de gratidão, triunfo e adoração. A linguagem e a aparência, as lutas e o desespero convencem, como elas mesmo declaram, que tiveram um conflito moral com a velha serpente. Elas suam intensamente como vítimas angustiadas a ponto de molhar os cabelos. Algumas pessoas passam por este conflito várias vezes; outras, apenas uma vez. Não sentem vontade de comer e algumas ficam em jejum vários dias. Não dormem, ainda que permaneçam ali com seus olhos fechados”.
Caindo sob convicção.
O avivamento de Cane Ridge em 1801 tve muitos casos de “cair sob convicção” durante as reuniões. Os que experimentavam estas manifestações geralmente eram zombadores, pecadores e pessoas que estavam sob convicção de pecado debaixo do poder de Deus, mostrando seu arrependimento diante de um Deus santo.
“No pico do avivamento dizem que havia um público de vinte mil pessoas. Dia e noite as pessoas ouviam a pregação da palavra de Deus. Algumas manifestações físicas eram até bizarras. Os gritos e gemidos dos que estavam sob convicção misturavam-se aos gritos dos que encontravam alegria e gozo. O medo do inferno, do juízo e o desespero de se sentir perdido eram substituídos pela alegria da salvação. A experiência mais comum era a de “cair”. Existem relatos de que três mil pessoas ficaram prostradas nas reuniões em Cane Ridge. Alguns dos que caíam ficavam inconscientes, outros estavam cientes do que acontecia, mas não conseguiam se mover.”“As mulheres e crianças eram mais suscetíveis a este fenômeno. Mas, também havia homens que “caíam”. Mais tarde durante o avivamento centenas de pessoas contorciam-se convulsivamente e ficaram conhecidas como “solavancos”. Era comum que aqueles que vinham às reuniões para zombar também caíam sob convicção de pecados. Latidos, pulos e transes era coisas comuns”.
Este fenômeno de cair sob o poder do Espírito Santo ocorreu durante o avivamento de Jonathan Edwards. Ele afirmou que uma pessoa podia “cair dura no chão” ou por medo do inferno e sob a convicção do Espírito Santo ou porque experimentou um “pouco do céu”. R.A. Torrey viu pessoas caindo sob o poder de Deus devido a convicção de seus pecados. Hyde relata os acontecimentos da Convenção de Oração em Punjab em 1906: “Começamos a orar e de repente um peso pelas almas perdidas veio sobre nós, e o ambiente ficou tomado de choro, convulsões, e gritos, como nunca tínhamos experimentado antes. Homens fortes prostraram-se agonizando pelas almas perdidas”. Jonathan Edwards em seu livro “Religious Affections” nos dá uma palavra de sabedoria sobre este fenômeno. “Uma obra não pode ser julgada pelo que acontece no corpo das pessoas, tais como lágrimas, tremores, gemidos, gritos, agonias do corpo ou por se cair por terra sem forças. A influência sob a qual a pessoa se encontra não pode ser julgada pelos efeitos do corpo, isto porque não temos regra alguma nas escrituras a este respeito”. Que Deus dê à igreja discernimento espiritual nestes dias do fim, atentando para as palavras de Jesus: “Cuidado que ninguém os engane”. Precisamos ver pessoas sendo transformadas, como resultado de nossa pregação; pessoas que fiquem sob convicção e em contrição. Somente Deus pode transformar uma pessoa tornando-a santa, e este é o verdadeiro teste do avivamento.

Cair sob o poder do Espírito Santo

Nota introdutória
As manifestações do Espírito são surpreendentes nas Escrituras e na história da igreja. Meu objetivo, ao escrever este artigo é o de mostrar que tais experiências ocorreram em outros avivamentos da história da igreja, por isso apresento o tema à luz da Escritura, nossa regra básica de Fé.
Em todos os avivamentos ao longo da história da igreja fenômenos espirituais ocorreram em conferências, igrejas locais, em mosteiros e na vida particular de líderes como João Wesley, George Whitefield e Jonathan Edwards, o grande avivalista americano. O Espírito Santo opera como quer e em quem quer! Afirmar que as manifestações são coisas da carne ou do diabo, apenas, é desconhecer a Bíblia e a história da igreja. Em todos os avivamentos existem manifestações, e em todos os avivamentos a carne e os espíritos enganadores entram para enganar. O que começa de forma genuína tende a se corromper pela ação do homem.
Há vários episódios nas Escrituras que nos surpreendem pelos acontecimentos. Não podemos limitar o Espírito Santo em suas manifestações e temos indícios das Escrituras de algumas de suas ações. Usando as regras de interpretação bíblica, de que dois ou mais textos apresentados por diferentes autores a respeito do tema pode se constituir numa verdade, descobre-se que as manifestações do Espírito Santo estão em toda escritura. Se houvesse apenas uma citação ou uma experiência apenas, não poderíamos estabelecer uma verdade. Mas como há mais de uma citação, temos a autoridade da Palavra de Deus para abordar o tema.
A experiência de Saul. Mesmo depois do Espírito do Senhor o haver abandonado por causa de sua desobediência e entrado em Davi, (Compare 1 Sm 10.6 com 16.14), Saul teve uma experiência muito forte com o Espírito Santo. Ele mandou uma primeira escolta de soldados prender Davi na casa de Samuel em Ramá, mas o Espírito de Deus veio sobre os soldados que não regressaram a Saul; todos ficaram profetizando. Saul mandou, então uma segunda escolta que também ficou profetizando e ainda uma terceira que não pôde prender a Davi por causa do poder de Deus (1 Sm 19.18-21). O próprio Saul foi prender a Davi e o “mesmo Espírito de Deus veio sobre ele, e ia profetizando, até chegar a Naiote em Ramá” (vs 23). Veja bem, já pelo caminho Saul ia profetizando tomado pelo Espírito de Deus! Quando chegou a Ramá, diz a Bíblia na versão corrigida: “E ele também despiu os seus vestidos, e ele também profetizou diante de Samuel, e esteve nu por todo aquele dia e toda aquela noite...” Veja bem! Ele ficou todo um dia e toda uma noite caído por terra, profetizando diante de Deus. A impressão que se tem é que ele ficou fora de si, deitado e prostrado diante de Deus. Ah! Dizem os críticos, mas ele não mudou de vida! A questão aqui, neste primeiro momento, não é mudança de vida, mas uma manifestação sobrenatural. A mudança de vida requer outros fatores. Estou indicando um acontecimento histórico indiscutível.
O tabernáculo no deserto e o templo de Salomão. Temos dois exemplos ainda: um anterior a Saul, na edificação do Tabernáculo e outro na inauguração do Templo de Salomão. No primeiro, diz a Bíblia que “Moisés não podia entrar na tenda da congregação” por causa da glória do Senhor! (Ex 40.34,35) indicando que ele tentava entrar, mas era impelido ou jogado para fora! O segundo exemplo está em 2 Crônicas 5.13,14 na inauguração do templo: “E não podiam os sacerdotes ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus” (Versão corrigida). Isto é, eles estavam ali dentro ministrando quando veio a glória de Deus; sabemos, apenas que “não podiam ficar em pé” o que pode implicar que tiveram que se prostrar ou foram derrubados. Não o sabemos. Veja ainda 2 Crônicas 7.2.
Jeremias. Quando Deus falava com Jeremias ele se sentia tonto, embriagado pelo poder de Deus. Veja o que ele diz: “Sou como homem embriagado, e como homem vencido do vinho, por causa do Senhor, e por causa de suas santas palavras” (Jr 23.9). É bem possível que ao ouvir Deus falar algo sobrenatural acontecia com o profeta.
Ezequiel em transe: Ezequiel teve uma experiência ainda mais forte. Ele estava reunido com os anciãos no cativeiro, na Babilônia. Era uma reunião daqueles que foram levados cativos, quando, de repente, o Espírito do Senhor o levou para Jerusalém em visões. Seu corpo ficou ali, prostrado diante dos anciãos e ele passa a relatar, posteriormente tudo o que viu. Leia Ezequiel 8.1-3 com 11,24, o começo e o fim da visão. Como ficou o corpo de Ezequiel? Seu corpo ficou ali prostrado diante de várias pessoas enquanto seu espírito era levado a Jerusalém nas visões de Deus.
Daniel ao contemplar o Senhor, desfaleceu, perdeu as forças e seus companheiros fugiram de medo. Leia o que ele mesmo diz (Dn 10.7-11). Ele caiu não pela fraqueza de estar em jejum há três semanas, mas pela presença de Deus, porque depois, sentindo-se fortalecido, ficou em pé.
Jesus. Bastou o Senhor Jesus dizer aos soldados, “Sou eu” e eles caíram por terra. (Jo 18.6).
Os discípulos e a voz de Deus. Quando Jesus foi transfigurado diante dos discípulos aconteceu este fenômeno. Eles ouviram a voz de Deus e caíram por terra. Veja em Mateus 17.5-7.
E como foi no dia de Pentecostes? “Estão embriagados”, diziam, os moradores de Jerusalém ao virem aquelas cento e vinte pessoas falando em línguas; certamente gesticulando, e acharam que era fruto de uma bebedeira. Bêbados falam alto, gritam, dão risadas, rolam pelo chão... E que respondeu-lhes Pedro? “Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando...” (At 2.13-15). A presença do Espírito Santo na vida dos 120 dava a impressão, para os de fora, de algo ridículo, como se fosse um bando de beberrões! Não estou afirmando que estavam embriagados, mas que se comportavam como se estivessem sob efeito do vinho.
Paulo. A experiência de Paulo (que não deve ser tomada como algo corriqueiro), foi muito grande. Ele nem sabe como chegou aos céus, como ele próprio diz: “se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe” (2 Co 12.1-4). Será que muitos dos discípulos não teriam experimentado algumas das fortes manifestações do Espírito Santo que nem mesmo foram registradas nas Escrituras por acharem que era algo normal na vida deles? O próprio Paulo só foi contar a experiência doze anos depois, e, mesmo assim, nos deixa sob um véu de mistério.
Paulo também cita o que aconteceu com Moisés. Ele diz que sob a lei a glória de Deus foi tão forte que Moisés tinha que colocar um véu sobre o rosto cada vez que saia da tenda para falar ao povo. E como não será na época da graça? “Se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça” (2 Co 3.7-13). O que Paulo quer dizer? Ele explica que, se Moisés, que pregava a lei, tinha tanta glória, quanto maior glória terá os que pregam a justiça?
Paulo foi derrubado por terra pelo Senhor Jesus: “E caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9.4).
E que dizer de João, na experiência que teve em Patmos? “Quando o vi, caí a seus pés como morto” (Ap 1.10-17). Ele ficou sem forças diante de Deus!
Eliseu, Pedro, etc. Mas imagine algumas outras manifestações semelhantes ao cair, como êxtases, visões e percepções à distância que tiveram os profetas, especialmente o profeta Eliseu e Pedro (1 Rs 5.19-27; 6.8-20; At 10.1-22). À luz de todos estes textos, podemos afirmar que é possível haver manifestações do Espírito em nossas vidas das maneiras mais diversas. A história da igreja registra muitas manifestações na vida de pessoas que se consagraram a Deus.
Manifestações na história da igreja. A protestante Evelyn Underhill em vários de seus livros conta suas experiências de contemplação e o que ocorria com a presença do Espírito Santo (livros: Mysticism; The Mistery of Sacrifice; Practical Mysticism for Normal People e outros). João da Cruz, monge católico, no seu livro, Obras Espirituais, Carmelo, ensina o caminho e as experiências da vida cristã com experiências semelhantes de êxtases e arrebatamentos. Numa das obras editada pela Biblioteca de Autores Cristãos, em espanhol, o Padre I.G. Arintero trata de toda a mística da igreja com relatos surpreendentes do que aconteceu com alguns missionários da Igreja; alguns eram trasladados fisicamente para outras terras onde pregavam o evangelho e regressavam aos seus países. Esses relatos eu os tenho guardado em minha biblioteca.
Experiência dos místicos. Algumas experiências, diz ele, aconteciam com o padre Gracián: “São efeitos do divino amor, os resultados de uma alma enamorada de Deus que se chama júbilo, gozo, paz, embriaguez, desmaio, morte e fogo de amor, zelo, devoção, êxtases e raptos, amalgamento em Deus, e a divina união”. São Dionísio diz que o amor divino produz êxtases e o amante já não é seu, mas do amado! Um escritor anônimo mencionado por Sauvé diz: “As pessoas não têm consciência do que dizem ou fazem: dizem coisas sublimes e coisas que não podemos compreender... outras vezes o amor opera de modo mui distinto, deixando-as dormindo. Perdem o conhecimento como no sono e necessitam que sejam despertadas; e não é fácil despertá-las. A razão é que Deus as embriagou até deixá-las adormecidas...”
Relatos de escritores pentecostais. Nunca devemos tomar uma experiência e utilizá-la como base doutrinária. Entretanto, podemos usar o argumento histórico quando este abaliza o texto bíblico. Por isso podemos acrescentar algumas das experiências de homens de Deus do passado. Carl Brumback no livro “Que Quer Isto Dizer? (O S. Boyer, 1960), diz: “Como os críticos gostam de descrever os acontecimentos nos cultos pentecostais! Como se regozijam de se referir à maneira de eles tremerem, clamarem, dançarem, caírem e, então, dirigindo-se ao interessado perguntar seriamente: “isso tem alguma coisa em comum com o relato calmo e solene das Escrituras”. O interessado, se for um verdadeiro estudante das Escrituras, pode retrucar: “A qual relato calmo e solene das Escrituras se refere? Ao relato do Pentecostes, quando as manifestações extraordinárias e barulhentas levaram os zombadores a dizerem: “Estão embriagados?” Ou refere-se a história da cura do coxo, que deu “um salto, pôs-se em pé e, começou a andar; e entrou no templo, andando, saltando e louvando a Deus?” Ao relato em Atos 4, onde os discípulos “levantaram unanimemente a voz?” A Saulo que caiu sob o poder de Deus? Ao regozijo e louvor a Deus em alta voz da multidão na entrada triunfal, o qual o Senhor Jesus apoiou, dizendo: “Declaro-vos que, se estes se calarem, as pedras clamarão”?
Depois ele continua: “João Wesley exprimiu uma atitude sábia e com juízo, quanto às demonstrações do corpo, no seu diário de domingo de 25 de novembro de 1759: ‘O perigo foi o de dar demasiada ênfase a acontecimentos extraordinários, tais como clamores, convulsões, visões, êxtases, como se fossem indispensáveis à obra interior até o ponto da obra não avançar sem esses acontecimentos. O perigo (diz Wesley) é o de não lhes dar ênfase suficiente; de condená-los inteiramente; de imaginar que não tivessem alguma coisa de Deus, e que impedissem a sua obra.”
Na realidade, João Wesley, fundador do Metodismo, está mostrando que em seus dias havia este tipo de manifestação do Espírito Santo! De todos os líderes do passado, João Wesley foi o que mais embasamento bíblico e histórico tinha a respeito do Espírito Santo e por isso o que ele acrescenta é muito importante: “A verdade, contudo, é: (1) Deus convenceu a muitos repentina e profundamente que eram pecadores perdidos e o resultado natural foram clamores e fortes convulsões do corpo; (2) os que creram foram fortalecidos e encorajados, e a obra de Deus ficava mais evidente. Ele concedeu a muitos deles sonhos divinos, a outros êxtases e visões; (3) Muitas vezes, depois de um intervalo a natureza se misturava com a graça; (4) Satanás, igualmente, imitava essa obra de Deus, para desacreditar toda a obra... no início foi, sem dúvida, inteiramente de Deus. A sombra não desacredita a substância, nem o diamante falso deprecia o verdadeiro”. E isto em 1759!
O livro “O Fogo do Reavivamento” de Wesley Duewel (Editora Candeia, p 53) afirma que enquanto João Wesley pregava, “inúmeras pessoas caíram ao chão como se atingidas por um raio”. George Whitefield, companheiro de Wesley diz que quando pregou em Edimburgo em junho de 1742 “... durante uma hora e meia houve tanto choro, tanta aflição, manifestada de várias formas, que fica impossível descrever. O povo parecia estar sendo atingido às centenas. As pessoas eram carregadas e levadas até suas casas como soldados feridos num campo de batalha. Sua agonia e gritos eram profundamente comoventes” (ibid p 58). Ele acrescenta o que aconteceu no dia 3 de outubro numa reunião que começou as 8.30 da manhã e terminou as 8.30 da noite: “Vi 10.000 pessoas afetadas num instante, algumas com alegria, outras com choro... algumas desmaiando nos braços de amigos” (p 59).
Um outro avivamento aconteceu nos dias de Finney. Onde ele pregava as pessoas caíam sob o poder de Deus. Diz o texto que, enquanto Finney pregava “a congregação começou a cair de seus assentos, e caíam em todas as direções, pedindo misericórdia” (ibid p 87). “Algumas pessoas desmaiavam sob a convicção nos cultos da igreja e outras mais tarde em suas casas” (p 90). As biografias de Finney falam deste mover de Deus que derrubava as pessoas no chão.
Jônatham Edwards relata o que aconteceu quando pregou o sermão Pecadores nas Mãos de um Deus Irado: “Parecia que um espírito aterrador havia descido sobre as pessoas. A congregação começou a cair de seus assentos em todas as direções, clamando por misericórdia.”. Um pequeno livreto escrito por D.M. Lloyd-Jones, Jonathan Edwards e a Crucial Importância do Avivamento, Editora PES, Martyn Lloyd Jones um pregador fundamentalista defende o avivamento e relata como Jonathan Edwards manteve equilíbrio nesta questão. Jonathan Edwards escreveu: “A religião verdadeira apóia-se muito nos afetos... mostrando que não há sinais definidos de que os afetos religiosos são benignos ou não”. E Edwards afirma que a emoção e o físico são sempre afetados quando a pessoa sente o mover de Deus. Diz Lloyd: “A mulher de Edwards experimentou uma levitação, quando foi literalmente transportada de uma parte pra outra da sala sem esforço ou empenho. Às vezes pessoas desmaiavam e ficavam inconscientes nas reuniões. Edwards não ensinava que tais fenômenos eram do diabo. Ele sempre advertia os dois lados, do perigo da pessoa deixar-se levar pela carne e de ser iludida por Satanás por meio da carne. Houve uma ocasião em que ele advertiu até George Whitefield, que estava morando com ele. Whitefield tinha a tendência de obedecer e dar ouvidos a ‘impulsos’ e a agir baseado neles” (pp 24-25).
“Podemos extinguir o Espírito interessando-nos exclusivamente por teologia. Também podemos fazê-lo interessando-nos somente pela aplicação do cristianismo à educação, às artes e à política, etc.” (p 32).
Wesley Duewel relata: “No grande avivamento americano de 1858, os navios, ao se aproximarem dos portos americanos, pareciam entrar numa zona de influência do Espírito. Navio após navio chegava com o relato de uma repentina convicção e conversão” (Citado na revista Atos, Vol. 12 No. 3 p 17).
No avivamento de Cane Ridge em 1801 nos Estados Unidos um pastor presbiteriano relata: “O que vi foi para mim novo e realmente extraordinário... Muitas e muitas e muitas pessoas caíram ao chão, como homens mortos na batalha, e continuaram neste estado durante horas a fio, num estado aparentemente sem respiração e inerte – às vezes reavivando-se por alguns momentos e exibindo sintomas de vida através de um profundo gemido, ou de um grito penetrante e agudo...” (Idem p 31).
Nos primórdios das Assembléias de Deus no Brasil essas experiências faziam parte da vida dos irmãos e dos novos convertidos.
Portanto, não podemos ser sectários achando que Deus só opera de um jeito. O Espírito Santo tem muitas maneiras de se manifestar, algumas delas menciono no livro “Dons Espirituais, o Poder de Deus em Você”. Leia a Bíblia e examine cuidadosamente a história da igreja e você descobrirá muitas maneiras do Espírito Santo operar e agir nas pessoas.
Se, como afirmam alguns o cair não faz parte da obra do Espírito Santo, então temos que concordar que:
As experiências acima relatadas que aconteceram no Antigo Testamento, foram obras de um outro espírito. Mas não é o que diz a Bíblia. Saul, os sacerdotes, Jeremias, Ezequiel e Daniel foram tocados pelo Espírito de Deus!
Então, Deus estaria nos enganando. Mas isto não é verdade, pois a Palavra serve como fundamento do que acontece. O Espírito Santo é aquele que nos conduz à verdade. Ele não nos deixaria cair na mentira.
Se assim fosse os obreiros e os crentes que tiveram tal experiência estariam sob a influência de um outro espírito. Não creio, entretanto, que estejamos sendo enganados, pois tais experiências ajudaram a aumentar a percepção de Deus; a comunhão com ele e o crescimento na Fé, no amor e no ardor evangelístico. Cresceu a comunhão com Deus e solidificou o relacionamento entre os membros do corpo. Nenhum “espírito” teria interesse no crescimento espiritual dos fieis nem no reino de Deus!
Teríamos que negar nosso ministério, nosso chamamento e colocar em dúvida a conversão de tanta gente. Tais experiências têm servido para demonstrar o poder de Deus; a operação do Senhor nas vidas. É certo que há pessoas que caem sob forte convicção do Espírito Santo mas não permanecem. Este é um problema do homem e não de Deus. O fato de uma pessoa não ficar transformada quando experimenta a presença de Deus é problema da pessoa e não de Deus. É a mesma experiência que algumas pessoas têm quando, decidem-se por Cristo, choram, confessam seus pecados e, depois, continuam iguais!
Deus age a seu modo, agora, se a pessoa experimentou algo divino e não se rendeu completamente a ele é outra coisa. Mudança de vida é o que Deus espera de cada pessoa. Quantas pessoas, inclusive pastores, experimentaram uma grande transformação no passado, e ao longo dos anos se acomodaram e passaram a viver como pessoas mundanas? Não é porque Deus não agiu em suas vidas, mas porque negligenciaram o que Deus queria fazer passo a passo com elas. Não se pode negar a experiência, mas, apontar para o desleixo espiritual em não se querer crescer à maturidade cristã.
O grande perigo que aconteceu em todos os avivamentos da história que acabamos de mencionar e também nos avivamentos recentes, como Toronto, Pensacola, Lakeland, etc., é que a ênfase foi dada nas manifestações, e permitiu-se que espíritos enganadores penetrassem no avivamento causando grandes estragos na seara do Senhor. Escrevi artigos a este respeito.
A história mantém abertos seus registros para que analisemos à luz do tempo a época em que estamos vivendo.
Onde está o engano?
Temos que admitir, contudo, que muitos obreiros forçam, empurram as pessoas para que caiam e isto é criancice, infantilidade. E infelizmente há pessoas que dão credibilidade à esse tipo de pregador o colocandos nas auturas, comprando seu DVD's e etc. Obreiros há que “forçam” este tipo de manifestação. Certa vez em um culto um pregador muito conhecido aquí na cidade de Campina Grande - Pb, "batizou no Espirito Santo" mais que o próprio Jesus, pois ele forçava os crentes a falarem em línguas, e em um simples aleluia que saia "misturado" com o glória à Deus, devido a pressão psicológica do pregador, ele dizia que havia sido batizado com o Espírito Santo. Nessa "brincadeira" ele disse que fora mais de 15 batizados, mais Jesus só batizou 3 (Esse dado foi comprovado por mim). Sem Falar também dos empurrões que levavam às pessoas ao chão! Apesar da ignorância de alguns, precisamos afirmar que a manifestação do poder de Deus não precisa de nossa força humana da mesma forma que não precisamos nos agarrar a objetos, coisas ou práticas achando que desta ou daquela forma consegue-se algum favor de Deus. No caso de pessoas serem tocadas por Deus, quando o Espírito age, mesmo à distância as pessoas começam a cair, sem qualquer influência do homem.
O que não se vê na história bíblica, nem nos acontecimentos da história da igreja são manifestações bizarras como latir, como cães, cocoricar, como galinhas, agir como animais, etc. Tais manifestações nunca fizeram parte da vida da igreja em todos os avivamentos, e devem, portanto ser consideradas manifestações de outra ordem e não do Espírito de Deus.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O ESPÍRITO NA EXPERIÊNCIA HUMANA.

Esta secção concerne às várias operações do Espírito em relação com os homens.

1. Convicção.
Em João 16:7-11 Jesus descreve a obra do Consolador em relação ao mundo. O Espírito agirá como "promotor de Justiça", por assim dizer, trabalhando para conseguir uma condenação divina contra os que rejeitam a Cristo. Convencer significa levar ao conhecimento verdades que de outra maneira seriam postas em dúvida ou rejeitadas, ou provar acusações feitas contra a conduta. Os homens não sabem o que é o pecado, a justiça e o juízo; portanto, precisam ser convencidos da verdade espiritual. Por exemplo, seria inútil discutir com uma pessoa que declarasse não ver beleza alguma numa rosa, pois sua incapacidade demonstraria falta de apreciação pelo belo. Precisa ser despertado nela um sentido de beleza; precisa ser "convencida" da beleza da flor. Da mesma maneira, a mente e a alma obscurecidas nada discernem das verdades espirituais antes de serem convencidas e despertadas pelo Espírito Santo. Ele convencerá os homens das seguintes verdades:
(a) O pecado de incredulidade. Quando Pedro pregou, no dia de Pentecoste, ele nada disse acerca da vida licenciosa do povo, do seu mundanismo, ou de sua cobiça; ele não entrou em detalhes sobre sua depravação para os envergonhar. O pecado do qual os culpou, e do qual mandou que se arrependessem, foi a crucificação do Senhor da glória; o perigo do qual os avisou foi o de se recusarem a crer em Jesus. Portanto, descreve-se o pecado da incredulidade como o pecado único, porque, nas palavras dum erudito, "onde esse permanece, todos os demais pecados surgem e quando esse desaparece todos os demais desaparecem". É o "pecado mater", porque produz novos pecados, e por ser o pecado contra o remédio para o pecado. Assim escreve o Dr. Smeaton: "Por muito grande e perigoso que seja esse pecado, tal é a ignorância dos homens a seu respeito que sua criminalidade é inteiramente desconhecida até que seja descoberta pela influência do Espírito Santo, o Consolador. A consciência poderá convencer o homem dos pecados comuns, mas nunca do pecado da incredulidade. Jamais homem algum foi convencido da enormidade desse pecado, a não ser pelo próprio Espírito Santo."
(b) A justiça de Cristo. "Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais" (João 16:10). Jesus Cristo foi crucificado como malfeitor e impostor. Mas depois do dia de Pentecoste, o derramamento do Espírito e a realização do milagre em seu nome convenceram a milhares de judeus de que não somente ele era justo, mas também era a fonte única e o caminho da justiça. Usando Pedro, o Espírito os convenceu de que haviam crucificado o Senhor da Justiça (Atos 2:36, 37), mas também ele lhes assegurou que havia perdão e salvação em seu nome (Atos 2:38).
(c) O juízo sobre Satanás. "E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado" (João 16:11). Como se convencerão as pessoas na atualidade de que o crime será castigado? Pela descoberta do crime e seu subseqüente castigo; em outras palavras, pela demonstração da justiça. A cruz foi uma demonstração da verdade de que o poder de Satanás sobre a vida dos homens foi destruído, e de que sua completa ruína foi decretada. (Heb. 2:14,15; l João 3:8; Col. 2:15; Rom. 16:20.) Satanás tem sido julgado no sentido de que perdeu a grande causa, de modo que já não tem mais direito de reter, como escravos, os homens seus súditos. Pela sua morte, Cristo resgatou todos os homens do domínio de Satanás, devendo estes aceitar sua libertação. Os homens são convencidos pelo Espírito Santo de que na verdade são livres (João 8:36). Já não são súditos do tentador; já não são obrigados mais a obedecer-lhe, agora são súditos leais de Cristo, servindo-o voluntariamente no dia do seu poder. (Sal. 110:3.) Satanás alegou que lhe cabia o direito de possuir os homens que pecaram, e que o justo Juiz devia deixá-los sujeitos a ele. O Mediador, por outra parte, apelou para o fato de que ele, o Mediador, havia levado o castigo do homem, tomando assim o seu lugar, e que, portanto, a justiça, bem como a misericórdia, exigiam que o direito de conquista fosse anulado e que o mundo fosse dado a ele, o Cristo, que era o seu segundo Adão e Senhor de todas as coisas. O veredito final divino foi contrário ao príncipe deste mundo — e ele foi julgado. Ele já não pode guardar seus bens em paz visto que Um mais poderoso o venceu. (Luc. 11:21, 22.)

2. Regeneração.
A obra criadora do Espírito sobre a alma ilustra-se pela obra criadora do Espírito de Deus no princípio sobre o corpo do homem.
Voltemos à cena apresentada em Gên. 2:7. Deus tomou o pó da terra e formou um corpo. Ali jazia inanimado e quieto esse corpo. Embora já estando no mundo, e rodeado por suas belezas, esse corpo não reagia porque não tinha vida; não via, não ouvia, não entendia.
Então "Deus soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente". Imediatamente tomou conhecimento, vendo as belezas e ouvindo os sons do mundo ao seu redor. Como sucedeu com o corpo, assim também sucede com a alma. O homem está rodeado pelo mundo espiritual e rodeado por Deus que não está longe de nenhum de nós. (Atos 17:27.) No entanto, o homem vive e opera como se esse mundo de Deus não existisse, em razão de estar morto espiritualmente, não podendo reagir como devia. Mas quando o mesmo Senhor que vivificou o corpo vivifica a alma, a pessoa desperta para o mundo espiritual e começa a viver a vida espiritual. Qualquer pessoa que tenha presenciado as reações dum verdadeiro convertido, conforme a experiência radical conhecida como novo nascimento, sabe que a regeneração não é meramente uma doutrina, mas uma realidade prática.

3. Habitação.
Vide João 14:17; Rom. 8:9; 1Cor. 6:19; 2Tim. 1:14: 1João 2:27; Col. 1:27; 1João 3:24; Apo. 3:20. Deus está sempre e necessariamente presente em toda parte; nele vivem todos os homens; nele se movem e têm seu ser. Mas a habitação interior significa que Deus está presente duma maneira nova, mantendo uma relação pessoal com o indivíduo. Esta união com Deus, que é chamada habitação, morada, é produzida realmente pela presença da Trindade completa, como se poderá ver por um exame dos textos supra citados. Considerando que o ministério especial do Espírito Santo é o de habitar no coração dos homens, a experiência é geralmente conhecida como morada do Espírito Santo.
Muitos eruditos ortodoxos crêem que Deus concedeu a Adão não somente vida física e mental mas também a habitação do Espírito, a qual ele perdeu por causa do pecado. Essa perda atingiu não somente a ele mas também os seus descendentes. Essa ausência do Espírito deixou o homem nas trevas e na debilidade espiritual. Quando, não logo, pouco a pouco, ataca essas falhas, uma após outra, ora estas ora aquelas, entrando nos mínimos detalhes de modo tão cabal que, não podendo escapar à influência do Espírito, um dia esse homem será perfeito, glorificado pelo Espírito, e resplandecente com a vida de Deus".

4. Recebimento dos dons.
Requisitos. Deus é soberano na questão de outorgar os dons; é ele quem decide quanto à classe de dom a ser outorgado. Ele pode conceder um dom sem nenhuma intervenção humana, e mesmo sem a pessoa o pedir. Mas geralmente Deus age em cooperação com o homem, e há alguma coisa que o homem pode fazer nesse caso. Que se requer daqueles que desejam os dons?
(a) Submissão à vontade divina. A atitude deve ser, não o que eu quero, mas o que ele quer. Às vezes queremos um dom extra-ordinário, e Deus pode decidir por outra coisa.
(b) Ambição santa. "Procurai com zelo os melhores dons" (1Cor. 12:31; 14:1). Muitas vezes a ambição tem conduzido as pessoas à ruína e ao prejuízo, mas isso não é razão de não a consagrarmos ao serviço de Deus.
(c) Desejo ardente pelos dons naturalmente resultará em oração, e sempre em submissão a Deus. (Vide 1Reis 3:5-10; 2 Reis 2:9, 10.)
(d) Fé. Alguns têm perguntado o seguinte: "Devemos esperar pelos dons?" Posto que os dons espirituais são instrumentos para a edificação da igreja, parece mais razoável começar a trabalhar para Deus e confiar nele a fim de que conceda o dom necessário para a tarefa particular. Desse modo o professor da Escola Dominical confiará em Deus para a operação dos dons necessários a um mestre; da mesma maneira o pastor, o evangelista e os leigos. Uma boa maneira de conseguir um emprego é ir preparado para trabalhar. Uma boa maneira de receber os dons espirituais é estar "na obra" de Deus, em vez de estar sentado, de braços cruzados, esperando que o dom caia do céu.
(e) Aquiescência. O fogo da inspiração pode ser extinguido pela negligência; daí a necessidade de despertar (literalmente "acender") o dom que está em nos (2Tim. 1:6; 1 Tim. 4:14).

5. A prova dos dons.
As Escrituras admitem a possibilidade da inspiração demoníaca como também das supostas mensagens proféticas que se originam no próprio espírito da pessoa. Apresentamos as seguintes provas pelas quais se pode distinguir entre a inspiração verdadeira e a falsa.

(a) Lealdade a Cristo. Quando estava em Éfeso, Paulo recebeu uma carta da igreja em Corinto contendo certas perguntas, uma das quais era "concernente aos dons espirituais", 1Cor. 12:3 sugere uma provável razão para a pergunta. Durante uma reunião, estando o dom de profecia em operação, ouvia-se uma voz que gritava: "Jesus é maldito." é possível que algum adivinho ou devoto do templo pagão houvesse assistido à reunião, e quando o poder de Deus desceu sobre os cristãos, esses pagãos se entregaram ao poder do demônio e se opuseram à confissão: "Jesus é Senhor", com a negação diabólica: "Jesus é maldito!" A história das missões modernas na China e em outros países oferece casos semelhantes. Paulo imediatamente explica aos coríntios, desanimados e perplexos, que há duas classes de inspiração: a divina e a demoníaca, e explica a diferença entre ambas. Ele lhes lembra os impulsos e êxtases demoníacos que haviam experimentado ou presenciado em algum templo pagão, e assinala que essa inspiração conduz à adoração dos ídolos. (Vide 1Cor. 10:20.) De outra parte, o Espírito de Deus inspira as pessoas a confessarem a Jesus como Senhor. "Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor senão pelo Espírito Santo" (1Cor. 12:3; Vide Apo. 19:10; Mat. 16:16, 17; 1João 4:1,2). Naturalmente isso não significa que a pessoa não pode dizer, como um papagaio, que Jesus é Senhor. O sentido verdadeiro é que ninguém pode expressar a sincera convicção sobre a divindade de Jesus sem a iluminação do Espírito Santo. (Vide Rom. 10:9.)

(b) A prova prática. Os coríntios eram espirituais no sentido de que mostravam um vivo interesse nos dons espirituais (1Cor. 12:1; 14:12). Entretanto, embora gloriando-se no poder vivificante do Espírito, parecia haver falta do seu poder santificador. Estavam divididos em facções; a igreja tolerava um caso de imoralidade indescritível; os irmãos processavam uns aos outros nos tribunais; alguns estavam retrocedendo para os costumes pagãos; outros participavam da ceia do Senhor em estado de embriaguez. Podemos estar seguros de que o apóstolo não julgou asperamente esses convertidos, lembrando-se da vileza pagã da qual recentemente haviam sido resgatados e das tentações de que estavam rodeados. Porém ele sentiu que os coríntios deviam ficar impressionados com a verdade de que por muito importantes que fossem os dons espirituais, o alvo supremo de seus esforços devia ser: o caráter cristão e a vida reta. Depois de encorajá-los a que "procurassem os melhores dons" (1Cor. 12.31), ele acrescenta o seguinte: "Eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente." A seguir vem seu sublime discurso sobre o amor divino, a coroa do caráter cristão. Mas aqui devemos ter cuidado de distinguir as coisas que diferem entre si. Aqueles que se opõem ao falar em línguas (que são antibíblicos em sua atitude, 1Cor. 14:39), afirmam que se faria melhor buscar o amor, que é o dom supremo. Eles são culpados de confundir os pensamentos. O amor não é um dom, mas um fruto do Espírito. O fruto do Espírito é o desenvolvimento progressivo da vida de Cristo enxertada pela regeneração; ao passo que os dons podem ser outorgados repentinamente a qualquer crente cheio do Espírito, em qualquer ponto de sua experiência. O primeiro representa o poder santificador do Espírito, enquanto o segundo implica seu poder vivificante. não obstante, ninguém erra em insistir pela supremacia do caráter cristão. Por muito estranho que pareça, é um fato comprovado que pessoas deficientes na santidade podem exibir manifestações dos dons. Devemos considerar os seguintes fatos:
1) o batismo no Espírito Santo não faz a pessoa perfeita de uma vez. A dotação de poder é uma coisa; a madureza nas graças cristãs é outra. Tanto o novo nascimento como o batismo no Espírito Santo são dons da graça de Deus e revelam sua graça para conosco. Todavia, pode haver a necessidade duma santificação pessoal que se obtenha por meio da operação do Espírito Santo, revelando pouco a pouco a graça de Deus em nós.
2) A operação dos dons não tem um poder santificador. Balaão experimentou o dom profético, embora no coração desejasse trair o povo de Deus por dinheiro.
3) Paulo nos diz claramente da possibilidade de possuir os dons sem possuir o amor. Sérias conseqüências podem sobrevir àquele que exercita os dons à parte do amor. Primeiro, ser uma pedra de tropeço constante para aqueles que conhecem seu verdadeiro caráter; segundo, os dons não lhe são de nenhum proveito. Nenhuma quantidade de manifestações espirituais, nenhum zelo no ministério, nenhum resultado alcançado, podem tomar o lugar da santidade pessoal. (Heb. 12:14.)

(c) A prova doutrinária. O Espírito Santo veio para operar na esfera da verdade com relação à deidade de Cristo e sua obra expiatória. É inconcebível que ele contradissesse o que já foi revelado por Cristo e seus apóstolos. Portanto, qualquer profeta, por exemplo, que negue a encarnação de Cristo, não está falando pelo Espírito de Deus (1João 4:2, 3).

6. Glorificação.
Estará o Espírito Santo com o crente no céu? Ou o Espírito o deixará apos a morte? A resposta é que o Espírito Santo no crente é como uma fonte de água que salta para a vida eterna (João 4:14). A habitação do Espírito representa apenas o princípio da vida eterna, que será consumada na vida vindoura. "A nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a Fé", escreveu Paulo, cujas palavras significam que experimentamos unicamente o princípio duma salvação que ser consumada na vida vindoura. O Espírito Santo representa o começo ou a primeira parte dessa salvação completa. Essa verdade tomará expressão sob estas três ilustrações:
(a) Comercial. O Espírito é descrito como "o penhor da nossa herança, para a redenção da possessão de Deus" (Efés. 1:14; 2Cor. 5:5). O Espírito Santo é a garantia de que a nossa libertação ser completa. é mais do que penhor; é a primeira prestação dada com antecedência, como garantia de que se completar o resto.
(b) Agrícola. O Espírito Santo representa as primícias da vida futura. (Rom. 8:23.) Quando um israelita trazia as primícias dos seus produtos ao templo de Deus, era esse um modo de reconhecer que tudo pertencia a Deus. A oferta duma parte simbolizava a oferta do todo. O Espírito Santo nos crentes representa as primícias da gloriosa colheita vindoura.
(c) Doméstica. Assim como se dá às crianças uma pequena porção de doce antes do banquete, assim na experiência do Espírito , os crentes por enquanto apenas "provaram... as virtudes do século futuro" (Heb. 6:5). Em Apo. 7:17 lemos que "o Cordeiro que está no meio do trono... lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida". Note-se o plural nessas últimas palavras. Na vida vindoura, Cristo será o Doador do Espírito; o mesmo que concedeu uma prova antecipada, conduzirá seus seguidores a novas porções do Espírito e aos meios de graça e enriquecimento espiritual, desconhecidos durante a peregrinação terrena.

7. Pecados contra o Espírito Santo.
As benévolas operações do Espírito trazem grandes bênçãos, mas essas inferem responsabilidades correspondentes. Falando de modo geral, os crentes podem entristecer, mentir à Pessoa do Espírito, e extinguir seu poder. (Efés. 4:30; Atos 5: 3, 4; 1Tess. 5:19.) Os incrédulos podem blasfemar contra a Pessoa do Espírito e resistir ao seu poder. (Atos 7:51; Mat. 12:31,32.) Em cada caso o contexto explicará a natureza do pecado. William Evans assinala que: "resistir tem a ver com a obra regeneradora do Espírito; o entristecer tem a ver com a habitação interna do Espírito Santo, enquanto o extinguir tem a ver com o derramamento para servir."

8. Revestimento de poder.
Nesta seção consideraremos os seguintes fatos concernentes à dotação de poder: seu caráter geral, seu caráter especial, sua evidência inicial, seu aspecto continuo, e a maneira de sua recepção.
(a) Sua natureza geral. As seções anteriores trataram da obra regeneradora e santificadora do Espírito Santo; nesta seção trataremos de outro modo de operação: sua obra vitalizante. Esta última fase da obra do Espírito é apresentada na promessa de Cristo: "Mas recebereis a virtude do Espírito, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas" (Atos 1:8).
1) A característica principal dessa promessa é poder para servir e não a regeneração para a vida eterna. Sempre que lemos acerca do Espírito vindo sobre, repousando sobre, ou enchendo as pessoas, a referência nunca é à obra salvadora do Espírito, mas sempre ao poder para servir.
2) As palavras foram dirigidas a homens que já estavam em relação íntima com Cristo. Foram enviados a pregar, armados de poder espiritual para esse propósito (Mat. 10:1); a eles foi dito: "os vossos nomes estão escritos nos céus" (Luc. 10:20); sua condição moral foi descrita nas palavras: "Vos já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado" (João 15:3); sua relação com Cristo foi ilustrada com a figura: "Eu sou a videira, vós as varas" (João 15:5); eles conheciam a presença do Espírito com eles (João 14:17); sentiram o sopro do Cristo ressuscitado e ouviram-no dizer: "recebei o Espírito Santo" (João 20:22). Os fatos acima mencionados demonstram a possibilidade de a pessoa estar em contato com Cristo e ser seu discípulo, e, contudo, carecer do revestimento especial mencionado em Atos 1:8. Pode-se objetar que tudo isso se refere aos discípulos antes do Pentecoste; mas em Atos 8:12-16 temos o caso de pessoas batizadas em Cristo que receberam o dom do Espírito alguns dias depois.
3) Acompanhando o cumprimento dessa promessa (Atos 1:8) houve manifestações sobrenaturais (Atos 2:1-4), das quais, a mais importante e comum foi o milagre de falar em outros idiomas. Que essa expressão oral, sobrenatural, acompanhou o recebimento do poder espiritual é declarado em dois outros casos (Atos 10:44-46; 19:1-6) e infere-se de mais outro caso. (Atos 8:14-19.)
4) Esse revestimento é descrito como um batismo (Atos 1:5). Quando Paulo declara que somente há um batismo (Efés. 4:5), ele se refere ao batismo literal nas águas. Tanto os judeus como os pagãos praticavam as lavagens cerimoniais, e João Batista havia administrado o batismo nas águas para arrependimento; mas Paulo declara que agora somente um batismo é válido diante de Deus, a saber, o batismo autorizado por Jesus e efetuado em nome da Trindade — em outras palavras, o batismo cristão. Quando a palavra "batismo" é aplicada à experiência espiritual, é usada figurativamente para descrever a imersão no poder vitalizante do Espírito Divino. A palavra foi usada figuradamente por Cristo para descrever sua imersão nas inundações de sofrimento. (Mat. 20:22.)
5) Essa comunicação de poder é descrita como ser cheio do Espírito. Aqueles que foram batizados com o Espírito Santo no dia de Pentecoste também foram cheios do Espírito.

(b) Suas características especiais.Os fatos acima expostos nos levam à conclusão de que o crente pode experimentar um revestimento de poder, experiência suplementar e subseqüente à conversão cuja manifestação inicial se evidencia pelo milagre de falar em língua por ele nunca aprendida. A conclusão acima tem sido combatida. Alguns dizem que há muitos cristãos que conhecem o Espírito Santo em seu poder regenerador e santificador, sem terem falado em outras línguas. De fato, o Novo Testamento ensina que a pessoa não pode ser cristã sem ter o Espírito, isto é, ser habitação do Espírito. "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele" (Rom. 8:9). Que o Espírito de Cristo significa o Espírito Santo, indica-se pelo contexto e se prova por 1 Ped. 1:11 onde a frase "espírito de Cristo" pode referir-se unicamente ao Espírito Santo. Outras referências são citadas para sustentar a mesma verdade. (Rom. 5:5; 8: 14, 16; 1Cor. 6:19; Gal. 4:6; 1João 3:24; 4:13.) Também se afirma que muitos obreiros cristãos têm experimentado unções do Espírito, por meio das quais foram capacitados a ganhar almas para Cristo e fazer outras obras cristãs e, no entanto, esses não falaram em outras línguas. Não se pode negar que existe um verdadeiro sentido no qual todas as pessoas verdadeiramente regeneradas têm o Espírito. Mas como é natural, surge a pergunta: "Que há de diferente e suplementar na experiência chamada batismo no Espírito Santo? Respondemos da seguinte maneira: Há um Espírito Santo, mas muitas operações desse Espírito; assim como há uma eletricidade, mas muitas operações dessa eletricidade, a qual aciona fábricas, ilumina as nossas casas, faz funcionar as geladeiras, e efetua muitos outros trabalhos, da mesma maneira, o mesmo Espírito regenera, santifica, dá vigor, ilumina e reveste de dons especiais. O Espírito regenera a natureza humana na ocasião da conversão; depois, sendo o Espírito de santidade que habita no interior, ele produz o "fruto do Espírito", as características distintivas do caráter cristão. Em certas ocasiões, os crentes fazem uma consagração especial e recebem vitória sobre o pecado, e há conseqüente aumento do gozo e paz, experiência que, às vezes, tem sido chamada "santificação", ou uma "segunda obra da graça". Mas além dessas operações do Espírito Santo, há outra, cujo propósito especial é dar energia à natureza humana para um serviço para Deus, resultando em uma expressão externa dum caráter sobrenatural. Duma maneira geral, S. Paulo se refere a essa expressão exterior como "a manifestação do Espírito" (1Cor. 12:7), talvez em contraste com as operações mais quietas e secretas do Espírito. No Novo Testamento essa experiência é assinalada por expressões como: "descer sobre", "ser derramado" e "ser cheio com", expressões essas que dão a idéia de algo repentino e sobrenatural. Todas essas expressões são usadas em conexão com a experiência conhecida como o batismo no Espírito Santo. (Atos 1:5.) A operação do Espírito Santo descrita por essas expressões é tão distinta de suas manifestações quietas e usuais, que os eruditos criaram uma palavra para descrevê-la. Essa palavra é "carismático", duma palavra grega freqüentemente usada para designar um revestimento especial de poder espiritual. A. B. Bruce, erudito presbiteriano, escreve: A obra do Espírito era entendida como transcendente, milagrosa e carismática. O poder do Espírito Santo em um poder que vinha de fora, produzindo efeitos extraordinários que chamaram a atenção até do observador profano, como Simão o mago. Ao mesmo tempo que reconhece que os cristãos primitivos creram também nas operações santificadoras do Espírito (ele cita Atos 16:14), e sua inspiração de fé, esperança e amor em seus corações, o mesmo escritor conclui: O dom do Espírito Santo veio a significar... o dom de falar em estado de êxtase, e de profetizar com entusiasmo, e curar os doentes pela oração. O ponto que desejamos acentuar é o seguinte: o batismo com o Espírito Santo, que é um batismo de poder, é de caráter "carismático", a julgar pelas descrições dos resultados desse revestimento. Assim, ao mesmo tempo que admitimos livremente que cristãos são nascidos do Espírito, e que obreiros têm sido ungidos com o Espírito, afirmamos que nem todos os cristãos têm experimentado a operação "carismática" do Espírito, acompanhada por expressão oral, o falar repentino e sobrenatural.

(c) Sem evidência inicial. Como sabemos que a pessoa recebeu revestimento "carismático" do Espírito Santo? Em outras palavras: Qual é a evidência de que a pessoa recebeu o batismo no Espírito Santo? A questão não se resolve pelos quatro Evangelhos, porque estes contêm profecias da vinda do Espírito, e uma profecia toma-se clara somente pelo seu cumprimento; nem tampouco se resolve pelas Epístolas, porque em sua maioria são instruções pastorais às igrejas estabelecidas nas quais o poder do Espírito com suas manifestações exteriores era considerado como a experiência normal de todo cristão. É, portanto, evidente que o assunto deve decidir-se pelo livro de Atos dos Apóstolos que registra muitos casos de pessoas que receberam o batismo no Espírito e descreve os resultados que se seguiram. Admitimos que em todos os casos mencionados no livro de Atos, os resultados do revestimento não são registrados; mas onde os resultados que se seguiram são descritos, sempre houve uma expressão imediata, sobrenatural, e exterior, convincente, não somente para quem recebeu, mas também para o povo ouvinte, de que um poder divino dominava essa pessoa; e em todos os casos houve um falar estático numa língua que essa pessoa nunca havia aprendido. Será essa declaração meramente a interpretação particular dum grupo religioso ou é reconhecida por outros grupos? O Dr. Rees, teólogo inglês, de idéias liberais, escreve: A glossolalia (o falar em línguas) era o dom mais conspícuo e popular dos primeiros anos da igreja. Parece que foi o acompanhamento regular e a evidência da descida do Espírito Santo sobre os crentes. O Dr. G. B. Stevens, da Universidade de Yale, em seu livro "Teologia do Novo Testamento", escreve: O Espírito era considerado como dom especial que nem sempre acompanhava o batismo e a fé. Os samaritanos não foram considerados como tendo o Escrito Santo quando creram na Palavra de Deus. Eles haviam crido e foram batizados, mais foi somente quando Pedro e João impuseram as mãos sobre eles que o dom do Espírito foi derramado. Evidentemente, aqui se vê algum revestimento ou experiência especial. Comentando Atos 19:1-7, ele escreve: não somente não receberam o Espírito Santo quando creram, nem mesmo depois que foram batizados em nome de Cristo, nas unicamente quando Paulo impôs as mãos sobre eles é que veio o Espírito Santo e falaram em línguas e profetizaram. Aqui é obvio que o dom do Espírito é considerado como sinônimo do carisma estático (revestimento espiritual) de falar em línguas e profetizar. O Dr. A. B. MacDonald, ministro escocês, presbiteriano, escreve: A crença da igreja acerca do Espírito surgiu dum fato que experimentou. Bem cedo em sua carreira os discípulos notaram um novo poder que operava dentro deles. No princípio, sua manifestação mais extraordinária foi "falar em línguas", o poder de expressão oral extática numa língua não inteligível. Tanto esses que eram tomados por esse poder, como também os que viam e ouviam suas manifestações foram convencidos de que um poder do mundo superior atingira suas vidas, dotando-os de capacidades de expressão e de outros dons, os quais pareciam ser algo diferentes, e não apenas uma intensificação da capacidade que já possuíam. Pessoas que até então não pareciam ser nada além do comum, repentinamente se tornaram capazes de orar e de se expressar veementemente, em atitudes sublimes nas quais era manifesto que conversavam com o Invisível. Ele declara que o falar em línguas "parece ter sido o que mais atraia, e a manifestação mais proeminente do Espírito, no princípio". Há alguma passagem no Novo Testamento em que se faz distinção entre aqueles que receberam o revestimento de poder e aqueles que não o receberam? A. B. MacDonald, o escritor acima citado, responde afirmativamente. Ele assinala que a palavra "indoutos" em 1Cor. 14:16,23 (que ele traduz: "cristão particular") denota pessoas que se diferenciam dos incrédulos pelo fato de tomarem parte no culto e o compreendem até ao ponto de dizerem "Amém"; também são considerados diferentes dos demais crentes pelo fato de não serem capazes de tomar parte ativa nas manifestações do Espírito. Parece que uma área especial do local das reuniões era reservada para os "indoutos" (1Cor. 14:16). Weymouth traduz a palavra "indouto" pela expressão "alguns que carecem do dom". O dicionário grego de Thayer interpreta-a assim: "Um que carece do dom de línguas; um cristão que não é profeta." MacDonald descreve-o como "um que espera, ou que é mantido esperando pelo momento decisivo quando o Espírito desça sobre ele". Não obstante sua denominação ou escola de pensamento teológico, eruditos capazes admitem que a recepção do Espírito na igreja primitiva não era uma cerimônia nem uma teoria doutrinária, mas uma verdadeira experiência. O Cônego Streeter diz que Paulo pergunta aos gálatas se fora pela lei ou pela pregação da fé que haviam recebido o dom do Espírito, "como se a recepção do Espírito fora algo bem definido e perceptível".

(d) Seu aspecto continuo. A experiência descrita pela expressão "cheio do Espírito" está ligada à idéia de poder para servir. Devemos distinguir três fases dessa experiência.
1) A plenitude inicial quando a pessoa recebe o batismo no Espírito Santo.
2) Uma condição habitual indicada pelas palavras "cheios do Espírito Santo" (Atos 6:3; 7:55,11:24), palavras que descrevem a vida diária da pessoa espiritual, cujo caráter revela "o fruto do Espírito". A exortação "enchei-vos do Espírito" refere-se a essa condição habitual.
3) Unções para ocasiões especiais. Paulo estava cheio do Espírito, depois da sua conversão, mas em Atos 13:9 vemos que Deus lhe deu uma unção especial para resistir ao poder maligno dum mago. Pedro foi cheio do Espírito no dia de Pentecoste, mas Deus lhe concedeu uma unção especial quando esteve diante do concilio judaico (Atos 4:8). Os discípulos haviam recebido a plenitude ou o batismo do Espírito Santo no dia de Pentecoste, mas, em resposta à oração, Deus lhes deu uma unção especial para fortalecê-los contra a oposição dos lideres judaicos (Atos 4:31). Como disse o pastor F. B. Meyer, de saudosa memória: Tu podes ser um homem cheio do Espírito Santo quando estás no seio de tua família, mas antes de subires ao púlpito, deves ter a certeza de que estás especialmente equipado com uma nova unção do Espírito Santo.

(e) A maneira de sua recepção. Como poderá a pessoa receber esse batismo de poder?
1) Uma atitude correta é essencial. Os primeiros crentes que receberam o Espírito Santo "perseveraram unânimes em oração e súplicas" (Atos 1:14). O ideal seria a pessoa receber o derramamento de poder imediatamente após a conversão, mas normalmente há várias circunstâncias duma e de outra natureza que tornam necessário algum tempo de espera diante do Senhor.
2) A recepção do dom do Espírito Santo subseqüente à conversão está ligada às orações dos obreiros cristãos. O escritor do livro dos Atos descreve da seguinte maneira as experiências dos convertidos samaritanos, que já haviam crido e haviam sido batizados: "Os quais (Pedro e João), tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo... Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo" (Atos 8: 15, 17). Weinel, teólogo alemão, fez um estudo minucioso das manifestações espirituais da época apostólica. Ele diz que "o que podem ser chamadas 'reuniões inspiradoras' realizavam-se constantemente até ao segundo século, por muito estranho que isso pareça às pessoas desconhecedoras do assunto". O Espírito Santo, declara ele, veio aos novos conversos pela imposição das mãos e oração e o próprio Espírito operava sinais e maravilhas. "Reuniões inspiradoras" parece tratar-se de cultos especiais para aqueles que desejavam receber o poder do Espírito Santo.
3) O recebimento do poder espiritual está relacionado com as orações em comum da igreja. Depois que os cristãos da igreja em Jerusalém haviam orado a fim de receberem coragem para pregar a Palavra, "moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo" (Atos 4:31). A expressão "moveu-se o lugar", significa algo espetacular e sobrenatural que convenceu os discípulos de que o poder que desceu no dia de Pentecoste estava ainda presente na igreja.
4) Um derramamento espontâneo, em alguns casos, pode fazer a oração e o esforço desnecessários, como foi o caso das pessoas que estavam na casa de Cornélio, cujos corações já haviam sido "purificados pela fé" (Atos 10:44; 15:9).
5) Visto que o batismo de poder é descrito como um dom (Atos 10:45), o crente pode requerer diante do trono da graça o cumprimento da promessa de Jesus: "Se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lhe pedirem?" (Luc. 11:13). Certa escola de pensamento teológico ensina que não se deve pedir o Espírito, pela seguinte razão: No dia de Pentecoste o Espírito Santo veio habitar permanentemente na igreja; desde então, todo aquele que é agregado à igreja pelo Senhor, é batizado em Cristo. Por esse mesmo fato participa do Espírito (1Cor. 12:13.). É verdade que o Espírito habita na igreja, mas isso não deve impedir que o crente o peça e o busque. Como ressaltou o Dr. A. J. Gordon, que embora o Espírito fosse dado duma vez para sempre no dia de Pentecoste, isso não significa que todo crente haja recebido o batismo. O dom de Deus requer apropriação. Deus deu (João 3:16), nós devemos receber. (João 1:12.) Como pecadores aceitamos a Cristo; como crentes aceitamos o Espírito Santo. Como há uma fé para com Cristo para a salvação, assim há uma fé para com o Espírito para alcançar poder e consagração. O Pentecoste é uma vez para sempre; o batismo dos crentes é sempre para todos. A limitação de certas e grandes bênçãos do Espírito Santo ao reino ideal chamado "Era Apostólica", não bastante ser conveniente como meio de escapar às supostas dificuldades, pode tomar-se o meio de roubar aos crentes alguns dos seus direitos mais preciosos.
6) Oração individual. Saulo de Tarso jejuou e orou três dias antes de ser cheio do Espírito Santo (Atos 9: 9-17).
7) Obediência. O Espírito Santo é a pessoa que "Deus deu àqueles que lhe obedecem" (Atos 5:32).

V. OS DONS DO ESPÍRITO SANTO
1. Natureza geral dos dons.
Os dons do Espírito devem distinguir-se do dom do Espírito. Os primeiros descrevem as capacidades sobrenaturais concedidas pelo Espírito para ministérios especiais; o segundo refere-se à concessão do Espírito aos crentes conforme é ministrado por Cristo glorificado. (Atos 2:33.) Paulo fala dos dons do Espírito ("espirituais", no original grego) num aspecto tríplice. São eles: "charismata", ou uma variedade de dons concedidos pelo mesmo Espírito (1Cor. 12:4,7); "diakonai", ou variedade de serviços prestados na causa do mesmo Senhor; e "energemata", ou variedades de poder do mesmo Deus que opera tudo em todos. Refere-se a todos esses aspectos como "a manifestação do Espírito", que é dado aos homens para proveito de todos. Qual é o propósito principal dos dons do Espírito Santo? São capacidades espirituais concedidas com o propósito de edificar a igreja de Deus, por meio da instrução dos crentes e para ganhar novos convertidos (Efés 4: 7-13). Em 1Cor. 12:8-10, Paulo enumera nove desses dons, que podem ser classificados da seguinte maneira:
1. Aqueles que concedem poder para saber sobrenaturalmente: a palavra de sabedoria, a palavra de ciência, e de discernimento.
2. Aqueles que concedem poder para agir sobrenaturalmente: fé, milagres, curas.
3. Aqueles que concedem poder para orar sobrenaturalmente: profecia, línguas, interpretação. Esses dons são descritos como "a manifestação do Espírito", "dada a cada um, para o que for útil" (isto é, para o beneficio da igreja). Aqui temos a definição bíblica duma "manifestação" do Espírito, a saber, a operação de qualquer um dos nove dons do Espírito.

2. Variedade de Dons.
(a) A palavra de sabedoria. Por essa expressão entende-se o pronunciamento ou a declaração de sabedoria. Que tipo de sabedoria? Isso se determinará melhor notando em quais sentidos se usa a palavra "sabedoria" no Novo Testamento. É aplicada à arte de interpretar sonhos e dar conselhos sábios (Atos 7:10); à inteligência demonstrada no esclarecer o significado de algum número ou visão misteriosos (Apo. 13:18; 17:9); prudência em tratar assuntos (Atos 6:3); habilidade santa no trato com pessoas de fora da igreja (Col. 4:5); jeito e discrição em comunicar verdades cristãs (Col. 1:28); o conhecimento e prática dos requisitos para uma vida piedosa e pura (Tia. 1:5; 3:13, 17); o conhecimento e habilidade necessários para uma defesa eficiente da causa de Cristo (Luc. 21:15); um conhecimento prático das coisas divinas e dos deveres humanos, unido ao poder de exposição concernente a essas coisas e deveres e de interpretar e aplicar a Palavra sagrada (Mat. 13:54; Mar. 6:2; Atos 6:10); a sabedoria e a instrução com que João Batista e Jesus ensinaram aos homens o plano de salvação. (Mat. 11:19.) Nos escritos de Paulo "a sabedoria" aplica-se a um conhecimento do plano divino, previamente escondido, de prover aos homens a salvação por meio da expiação de Cristo (1Cor. 1:30; Col. 2:3); por conseguinte, afirma-se que em Cristo "estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência" (Col. 2:3); a sabedoria de Deus é manifestada na formação e execução de seus conselhos. (Rom. 11:33.) A palavra de sabedoria, pois, parece significar habilidade ou capacidade sobrenatural para expressar conhecimento nos sentidos supramencionados.
(b) A palavra de ciência é um pronunciamento ou declaração de fatos, inspirado dum modo sobrenatural. Em quais assuntos? Um estudo do uso da palavra "ciência" nos dará a resposta. A palavra denota: o conhecimento de Deus, tal como é oferecido nos Evangelhos (2Cor. 2:14), especialmente na exposição que Paulo fez (2Cor. 10:5); o conhecimento das coisas que pertencem a Deus (Rom. 11:13); inteligência e entendimento (Efés. 3:19); o conhecimento da fé cristã (Rom. 15:14; 1Cor. 1:5); o conhecimento mais profundo, mais perfeito e mais amplo da vida cristã, tal como pertence aos mais avançados (1Cor. 12:8; 13: 2,8,14:6; 2Cor. 6:6; 8:7; 11:16); o conhecimento mais elevado das coisas divinas e cristãs das quais os falsos mestres se jactam (1 Tim. 6:20); sabedoria moral como se demonstra numa vida reta (2 Ped. 1:5) e nas relações com os demais (1Ped. 3:7); o conhecimento concernente às coisas divinas e aos deveres humanos (Rom. 2:20; Col. 2:3). Qual a diferença entre sabedoria e ciência? Segundo um erudito, ciência é o conhecimento profundo ou a compreensão das coisas divinas, e sabedoria é o conhecimento prático ou habilidade que ordena ou regula a vida de acordo com seus princípios fundamentais. O dicionário de Thayer declara que onde "ciência" e "sabedoria" se usam juntas, a primeira parece ser o conhecimento considerado em si mesmo; a outra, o conhecimento manifestado em ação.
(c) Fé (Weymouth traduz: "fé especial".) Esta deve distinguir-se da fé salvadora e da confiança em Deus, sem a qual é impossível agradar-lhe (Heb. 11:6). é certo que a fé salvadora é descrita como um dom (Efés. 2:8), mas nesta passagem a palavra "dom" é usada em oposição as "obras", enquanto em 1Cor. 12:9 a palavra usada significa uma dotação especial do poder do Espírito. Que é o dom de fé? Donald Gee descreve-o da seguinte maneira:... uma qualidade de fé, às vezes chamada por nossos teólogos antigos, a "fé miraculosa", parece vir sobre alguns dos servos de Deus em tempos de crise e oportunidades especiais duma maneira tão poderosa, que são elevados fora do reino da fé natural e comum em Deus, de forma que tem uma certeza posta em suas almas que os faz triunfar sobre tudo... possivelmente essa mesma qualidade de fé é o pensamento de nosso Senhor quando disse em Marcos 11:22: "Tende a fé de Deus" (Figueiredo). Era uma fé desta qualidade especial de fé que ele podia dizer, que um grão dela podia remover uma montanha (Mat. 17:20). Um pouco dessa fé divina, que é um atributo do Todo-poderoso, posto na alma do homem — que milagres pode produzir! Vide exemplos da operação do dom em 1Reis 18:33-35; Atos 3:4.
(d) Dons de curar. Dizer que uma pessoa tenha os dons (note-se o plural, talvez referindo-se a uma variedade de curas) significa que são usados por Deus duma maneira sobrenatural para dar saúde aos enfermos por meio da oração. Parece ser um dom-sinal, de valor especial ao evangelista para atrair o povo ao Evangelho. (Atos 8:6,7; 28:8-10.) Não se deve entender que quem possui esse dom (ou a pessoa possuída por esse dom) tenha o poder de curar a todos; deve dar-se lugar à soberania de Deus e à atitude e condição espiritual do enfermo. O próprio Cristo foi limitado em sua capacidade de operar milagres por causa da incredulidade de povo (Mat. 13:58). A pessoa enferma não depende inteiramente de quem possua o dom. Todos os crentes em geral, e os anciãos da igreja em particular, estão dotados de poder para orar pelos enfermos. (Mar. 16:18; Tia. 5:14.)
(e) Operação de milagres, literalmente "obras de poder". A chave é Poder. (Vide João 14:12; Atos 1:8.) Os milagres "especiais" em Éfeso são uma ilustração da operação do dom. (Atos 19:11, 12; 5:12-15.)
(f) Profecia. A profecia, geralmente falando, é expressão vocal inspirada pelo Espírito de Deus. A profecia bíblica pode ser mediante revelação, na qual o profeta proclama uma mensagem previamente recebida por meio dum sonho, uma visão ou pela Palavra do Senhor. Pode ser também extática, uma expressão de inspiração do momento. Há muitos exemplos bíblicos de ambas as formas. A profecia extática e inspirada pode tomar a forma de exaltação e adoração a Cristo, admoestação exortativa, ou de conforto e encorajamento inspirando os crentes. — J. R. F. A profecia se distingue da pregação comum em que, enquanto a última é geralmente o produto do estudo de revelação existente, a profecia é o resultado da inspiração espiritual espontânea. Não se tenciona suplantar a pregação ou o ensino, senão completá-los com o toque da inspiração. A possessão do dom constituía a pessoa "profeta". (Vide Atos 15:32; 21:9; 1Cor. 14:29.) O propósito do dom de profecia do Novo Testamento é declarado em 1Cor. 14:3 — o profeta edifica, exorta e consola os crentes. A inspiração manifestada no dom de profecia não está no mesmo nível da inspiração das Escrituras. Isso está implícito pelo fato de que os crentes são instruídos a provar ou julgar as mensagens proféticas. (Vide 1Cor. 14:29.) Por que julgá-las ou prová-las? Uma razão é a possibilidade de o espírito humano (Jer. 23:16; Ezeq. 13:2, 3) confundir sua mensagem com a divina, 1Tess. 5:19-20 trata da operação do dom de profecia. Os conservadores tessalonicenses foram tão longe em sua desconfiança quanto a esses dons (v. 20), que estavam em perigo de extinguir o Espírito (v. 19); mas Paulo lhes disse que provassem cada mensagem (V. 21) e que retivessem o bem (v. 21), e que se abstivessem daquilo que tivesse aparência do mal (v. 22). Deve a profecia ou a interpretação ser dada na primeira pessoa do singular, como por exemplo: "Sou eu, o Senhor, que vos estou falando, povo meu"? A pergunta é muito importante, porque a qualidade de certas mensagens tem feito muita gente duvidar se foi o Senhor mesmo quem falou dessa maneira. A resposta depende da idéia que tenhamos do modo da inspiração. Será mecânica? Isto é, Deus usa a pessoa como se fosse um microfone, estando a pessoa inteiramente passiva e tomando-se simplesmente um porta-voz? Ou, será o método dinâmico? Isto é, Deus vivifica dum modo sobrenatural o natureza espiritual (note: "meu espírito ora", 1Cor. 14:14), capacitando a pessoa a falar a mensagem divina em termos fora do alcance natural das faculdades mentais? Se Deus inspira segundo o primeiro método mencionado, a primeira pessoa do singular, naturalmente, seria usada; de acordo com o segundo método a mensagem seria dada na terceira pessoa; por exemplo: "o Senhor deseja que seu povo olhe para cima e que se anime, etc." Muitos obreiros experientes crêem que as interpretações e mensagens proféticas devem ser dadas na terceira pessoa do singular. (Veja-se Luc. 1:67-79; 1Cor. 14:14, 15.)
(g) Discernimento de espíritos. Vimos que pode haver uma inspiração falsa, a obra de espíritos enganadores ou do espírito humano. Como se pode perceber a diferença? Pelo dom de discernimento que dá capacidade ao possuidor para determinar se o profeta está falando ou não pelo Espírito de Deus. Esse dom capacita o possuidor para "enxergar" todas as aparências exteriores e conhecer a verdadeira natureza duma inspiração. A operação do dom de discernimento pode ser examinada por duas outras provas: a doutrinária (1João 4:1-6) e a prática (Mat. 7:15-23). A operação desse dom é ilustrada nas seguintes passagens: João 1:47-50; 2:25; 3:1-3; 2Reis 5:20-26; Atos 5:3; 8:23; 16:16-18. Essas referências indicam que o dom capacita a alguém a discernir o caráter espiritual duma pessoa. Distingue-se esse dom da percepção natural da natureza humana, e mui especialmente dum espírito critico que procura faltas nos outros.
(h) Línguas. "Variedade de línguas." "O dom de línguas é o poder de falar sobrenaturalmente em uma língua nunca aprendida por quem fala, sendo essa língua feita inteligível aos ouvintes por meio do dom igualmente sobrenatural de interpretação." Parece haver duas classes de mensagens em línguas: primeira, louvor em êxtase dirigido a Deus somente (1Cor. 14:2); segunda, uma mensagem definida para a igreja (1Cor. 14:5). Distingue-se entre as línguas como sinal e línguas como dom. A primeira é para todos (Atos 2:4); a outra não é para todos (1Cor. 12:30).
(i) Interpretação de línguas. Assim escreve Donald Gee: O propósito do dom de interpretação é tornar inteligíveis as expressões do êxtase inspiradas pelo Espírito que se pronunciaram em uma língua desconhecida da grande maioria presente, repetindo-se claramente na língua comum, do povo congregado. É uma operação puramente espiritual. O mesmo Espírito que inspirou o falar em outras línguas, pelo qual as palavras pronunciadas procedem do espírito e não do intelecto, pode inspirar também a sua interpretação. A interpretação é, portanto, inspirada, extática e espontânea. Assim como o falar em língua não é concebido na mente, da mesma maneira, a interpretação emana do espírito antes que do intelecto do homem. Nota-se que as línguas em conjunto com a interpretação tomam o mesmo valor de profecia. (Vide 1Cor. 14:5.) Por que, então, não nos contentarmos com a profecia? Porque as línguas são um "sinal" para os incrédulos (1Cor. 14:22). Nota: Já se sugeriu que os ministérios enumerados em Rom. 12:6-8 e em 1Cor. 12:28, também derem ser incluídos sob a classificação de "charismata" — ampliando-se dessa forma o alcance dos dons espirituais para incluir os ministérios inspirados pelo Espírito.

3. Regulamento dos dons.
A faísca que fende as árvores, queima casas e mata gente, é da mesma natureza da eletricidade gerada na usina que tão eficientemente ilumina as casas e aciona as fábricas. A diferença está apenas em que a da usina é controlada. Em 1Coríntios capítulo 12, Paulo revelou os grandiosos recursos espirituais de poder disponível para a igreja; no cap. 14 ele mostra como esse poder deve ser regulado, de modo que edifique, em lugar de destruir, a igreja. A instrução era necessária, pois uma leitura desse capítulo demonstrará que a desordem havia reinado em algumas reuniões, devido à falta de conhecimento das manifestações espirituais. O capítulo 14 expõe os seguintes princípios para esse regulamento:
(a) Valor proporcional. (Vs. 5-10.) Os coríntios haviam-se inclinado demasiadamente para o dom de línguas, indubitavelmente por causa de sua natureza espetacular. Paulo lembra-lhes que a interpretação e a profecia eram necessárias para que o povo pudesse ter conhecimento inteligente do que se estava dizendo.
(b) Edificação. O propósito dos dons é a edificação da igreja, para encorajar os crentes e converter os descrentes. Mas, diz, Paulo, se um de fora entra na igreja e tudo que ouve é falar em línguas sem interpretação, bem concluirá: esse povo é demente. (Vs. 12, 23.) A operação desse dom é ilustrada nas seguintes passagens: João 1:47-50; 2:25; 3:1-3; 2 Reis 5:20-26; Atos 5:3; 8:23; 16:16-18. Essas referências indicam que o dom capacita a alguém a discernir o caráter espiritual duma pessoa. Distingue-se esse dom da percepção natural da natureza humana, e mui especialmente dum espírito critico que procura faltas nos outros.
(c) Sabedoria. (Vs. 20) "Irmãos, não sejais meninos no entendimento." Em outras palavras: "Usai o senso comum."
(d) Autodomínio. (Vs. 32.) Alguns coríntios poderiam protestar assim: "não podemos silenciar; quando o Espírito Santo vem sobre nós, somos obrigados a falar. Mas Paulo responderia: "Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas." Isto é, aquele que possui o dom de línguas pode dominar sua expansão e falar unicamente a Deus, quando tal domínio seja necessário.
(e) Ordem. (Vs. 40.) "Mas faça-se tudo decentemente e com ordem." O Espírito Santo, o grande Arquiteto do universo com toda sua beleza, não inspirará aquilo que seja desordenado e vergonhoso. Quando o Espírito Santo está operando com poder, haverá uma comoção e um movimento, e aqueles que aprenderam a render-se a ele não criarão cenas que não edifiquem.
(f) Suscetível de ensino. Infere-se dos versos 36 e 37 que alguns dos coríntios haviam ficado ofendidos pela critica construtiva de seus dirigentes. Nota 1. Infere-se, pelo cap. 14 de I Coríntios, que existe poder para ser governado. Portanto, o capítulo seria sem nenhum significado para uma igreja que não experimenta as manifestações do Espírito. é muito certo que os coríntios haviam descarrilado quanto aos dons espirituais. Entretanto, ao menos tinham os trilhos e uma estrada! Se Paulo tivesse agido como alguns críticos modernos, teria removido até a estrada e os trilhos! Em lugar disso, ele sabiamente os colocou de novo sobre os trilhos para prosseguirem viagem! Quando a igreja do segundo e terceiro séculos reagiu contra certas extravagâncias, ela inclinou-se para o outro extremo e deixou muito pouco lugar para as operações do Espírito. Mas essa é apenas uma parte da explicação do arrefecimento do entusiasmo da igreja e a cessação geral das manifestações espirituais. Cedo na história da igreja começou um processo centralizador de sua organização e a formação de credos dogmáticos e inflexíveis. Ainda que isso fosse necessário como defesa contra as falsas seitas, tinha a tendência de impedir o livre movimento do Espírito e fazer do Cristianismo uma questão de ortodoxia mais do que vitalidade espiritual. Assim escreve o Dr. T. Rees: No primeiro século, o Espírito era conhecido por suas manifestações, mas do segundo século em diante era conhecido pela regra da igreja, e qualquer fenômeno espiritual que não estivesse em conformidade com essa regra era atribuído a espíritos maus. As mesmas causas, nos tempos modernos, têm resultado em descuido da doutrina e da obra do Espírito Santo, descuido reconhecido e lamentado por muitos dirigentes religiosos. Apesar desses fatos, o poder do Espírito Santo nunca deixou de romper todos os impedimentos do indiferentismo e formalismo, e operar com força vivificadora. Nota 2. Devemos diferenciar entre manifestações e reações. Tomemos a seguinte ilustração: a luz da lâmpada elétrica é uma manifestação da eletricidade; é da natureza da eletricidade manifestar-se na forma de luz. Mas quando alguém toma um choque elétrico e solta um grito ensurdecedor, não podemos dizer que o grito seja manifestação da eletricidade, porque não está na natureza da eletricidade manifestar-se em voz audível. O que aconteceu foi a reação da pessoa à corrente elétrica! Naturalmente a reação dependerá do caráter e temperamento da pessoa. Algumas pessoas calmas e de "sangue frio" apenas suspirariam, ofegantes, sem dizer nada. Apliquemos essa regra ao poder espiritual. As operações dos dons em 1Cor. 12:7-10 são biblicamente descritas como manifestações do Espírito. Muitas ações porém em geral chamadas "manifestações", realmente são reações da pessoa ao movimento do Espírito. Referimo-nos a tais ações como gritar, chorar, levantar as mãos e outras cenas. Que valor prático há no conhecimento dessa distinção?
1) Ajudar-nos a honrar e reconhecer a obra do Espírito sem atribuir a ele tudo o que se passa nas reuniões. Os críticos, ignorando a referida distinção, incorretamente concluem que a falta de elegância ou estética na manifestação de certa pessoa prova que ela não está inspirada pelo Espírito Santo. Tais críticos poderiam ser comparados ao indivíduo que, ao ver os movimentos grotescos de quem estivesse tomando forte choque elétrico, exclamasse: "A eletricidade não se manifesta assim"! O impacto direto do Espírito Santo é de tal forma comovente, que bem podemos desculpar a frágil natureza humana por não se comportar como se fosse sob uma influência mais gentil.
2) O conhecimento dessa distinção, naturalmente, estimulará a reagir ao movimento do Espírito duma maneira que sempre glorifique a Deus. Certamente é tão injusto criticar as extravagâncias dum novo convertido como criticar as quedas e tropeços da criancinha que aprende a andar. Mas ao mesmo tempo, orientado por 1Cor. ?, é claro que Deus quer que seu povo reaja ao Espírito, duma maneira inteligente, edificante e disciplinada. "Procurai abundar neles, para edificação da igreja" (1Cor. ?:12).

VI. O ESPÍRITO NA IGREJA
1. O advento do Espírito.
O que ocorreu no Pentecoste. O Salvador existia antes de sua encarnação e continuou a existir depois de sua ascensão; mas durante o período intermediário exerceu o que pode íamos chamar sua missão "temporal" ou dispensacional, e para cumpri-la veio ao mundo e, havendo-a efetuado, voltou para o Pai. Da mesma maneira o Espírito veio ao mundo em um tempo determinado, para uma missão definida, e partirá quando sua missão tiver sido cumprida. Ele veio ao mundo não somente com um propósito determinado, mas também por um tempo determinado. Nas escrituras encontramos três dispensações gerais, correspondendo às três Pessoas da Divindade. O Antigo Testamento é a dispensação do Pai; o ministério terrestre de Cristo é a dispensação do Filho; e a época entre a ascensão de Cristo e sua segunda vinda é a dispensação do Espírito. O ministério do Espírito continuará até que Jesus venha, depois virá outro ministério dispensacional. O nome característico do Espírito durante essa dispensação é "o Espírito de Cristo". Toda a Trindade coopera na plena manifestação de Deus durante essas dispensações. Cada um exerce um ministério terreno: o Pai desceu no Sinai; o Filho desceu na encarnação; o Espírito desceu no dia de Pentecoste. O pai recomendou o Filho (Mat. 3:17); o Filho recomendou o Espírito (Apo. 2:11), e o Espírito testifica do Filho (João 15:26). Como Deus, o Filho cumpre para com os homens a obra de Deus o Pai, assim o Espírito Santo cumpre para com os homens a obra de Deus o Filho. John Owen, teólogo do século dezessete, demonstra como, através das dispensações, há certas provas de ortodoxia relacionadas com cada uma das três Pessoas. Antes do advento de Cristo, a grande prova era a unidade de Deus, Criador e Governante de tudo. Depois da vinda de Cristo a grande questão era se a igreja, ortodoxa quanto ao primeiro ponto, receberia agora o Filho divino, encarnado, sacrificado, ressuscitado e glorificado, segundo a promessa. E quando a operação desse teste quanto à divindade de Cristo havia reunido a igreja de crentes cristãos, o Espírito Santo tomou-se proeminente como a pedra de toque da verdadeira fé. "O pecado de desprezar sua Pessoa e de rejeitar sua obra na atualidade é da mesma natureza da idolatria da antiguidade, e da rejeição da Pessoa do Filho por parte dos judeus." Assim como o eterno Filho encarnou-se em corpo humano no seu nascimento, assim também o Espírito eterno se encarnou na igreja que é seu corpo. Isso ocorreu no dia de Pentecoste, "o nascimento do Espírito". O que foi a manjedoura para o Cristo encarnado, assim foi o cenáculo para o Espírito. Notemos o que ocorreu nesse memorável dia.
(a) O nascimento da igreja. "E, cumprindo-se o dia de Pentecoste." Pentecoste era uma festa do Antigo Testamento que se comemorava cinqüenta dias depois da Páscoa, razão porque era chamado "Pentecoste", que significa "cinqüenta". (Vide Lev. 23:15-21.) Notemos sua posição no calendário de festas:
1) Primeiro vinha a festa da Páscoa, que comemorava a libertação de Israel do Egito na noite em que o anjo da morte matou os primogênitos egípcios enquanto o povo de Deus comia o cordeiro em suas casas assinaladas com sangue. Isto é um tipo da morte de Cristo, o Cordeiro de Deus, cujo sangue nos protege do juízo de Deus.
2) No sábado após a noite Pascal um molho de cevada, previamente disposto, era segado pelos sacerdotes e oferecido perante Jeová como as primícias da colheita. A regra era que a primeira parte da colheita devia ser oferecida a Jeová em reconhecimento do seu domínio e propriedade. Depois disso, o restante da colheita podia ser segado. Isto é um tipo das "primícias dos que dormem" (1Cor. 15:20). Cristo foi o primeiro a ser segado do campo da morte e a ascender ao Pai para nunca mais morrer. Sendo as primícias, ele é a garantia de que todos os que crêem nele o seguirão na ressurreição para a vida eterna.
3) Quarenta e nove dias deviam contar-se desde a oferta desse molho movido, e no qüinquagésimo dia — o Pentecoste — dois pães (os primeiros pães feitos da nova colheita de trigo), eram movidos perante Deus. Antes que se pudessem fazer pães para comer, os primeiros deviam ser oferecidos a Jeová em reconhecimento de seu domínio sobre o mundo. Depois disso, outros pães podiam ser assados e comidos. O seguinte é o significado típico: Os cento e vinte no cenáculo eram as primícias da igreja cristã, oferecidas perante o Senhor pelo Espírito Santo, cinqüenta dias depois da ressurreição de Cristo. Era o primogênito dos milhares e milhares de igrejas que desde então têm sido estabelecidas durante os últimos dezenove séculos.

(b) A evidência da glorificação de Cristo. A descida do Espírito Santo foi um "telegrama" sobrenatural, por assim dizer, anunciando a chegada de Cristo
à destra do Pai. (Vide Atos 2:23.) Um homem perguntou a seus sobrinhos enquanto estes estudavam a sua lição da Escola Dominical: "Como sabem vocês que sua mãe esta lá em cima?" "Eu a vi subir a escada", disse um." Você quer dizer que a viu começar a subir", disse o tio. "Talvez ela não tenha chegado lá, e ela pode não estar lá agora, mesmo que tenha estado lá." "Eu sei que ela está lá", afirmou o menor, "porque fui ao pé da escada, chamei-a e ela me respondeu." Os discípulos sabiam que seu Mestre havia ascendido, porque ele lhes respondeu pelo "som do céu"!
(c) A consumação da obra de Cristo. O êxodo não se completou senão cinqüenta dias mais tarde, quando, no Sinai, Israel foi organizado como povo de Deus. Da mesma maneira, o beneficio da expiação não foi consumado, no sentido pleno, até ao dia de Pentecoste, quando o derramamento do Espírito Santo foi um sinal de que o sacrifício de Cristo foi aceito no céu, e que o tempo de proclamar sua obra consumada havia chegado.
(d) A unção da igreja. Assim como o batismo do Senhor foi seguido por seu ministério na Galiléia, assim também o batismo da igreja foi um preparatório para um ministério mundial; um ministério, não como o dele, criador duma nova ordem de coisas, mas um de simples testemunho; entretanto, para ser levado a cabo unicamente pelo poder do Espírito de Deus.
(e) Habitação na igreja. Depois da organização de Israel no Sinai, Jeová desceu para morar no meio deles, sendo sua presença localizada no Tabernáculo. No dia de Pentecoste o Espírito Santo desceu para morar na igreja como um templo, sendo sua presença localizada no corpo coletivo e nos cristãos individuais. O Espírito assumiu seu oficio para administrar os assuntos do reino de Cristo. Esse fato é reconhecido em todo o livro de Atos; por exemplo, quando Ananias e Safira mentiram a Pedro, em realidade mentiam ao Espírito Santo que morava e ministrava na igreja.
(f) O começo duma nova dispensação. O derramamento pentecostal não foi meramente uma exposição miraculosa de poder com a intenção de despertar a atenção e convidar a que se inquirisse acerca da nova fé. Foi o princípio duma nova dispensação. Foi o advento do Espírito, assim como a encarnação foi o advento do Filho. Deus enviou seu Filho, e quando a missão do Filho havia sido cumprida, ele enviou o Espírito do seu Filho para continuar a obra sob novas condições.

2. O ministério do Espírito Santo.
O Espírito Santo é o representante de Cristo; a ele está entregue toda a administração da igreja até a volta de Jesus.
Cristo sentou-se no céu onde Deus "sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja", e o Espírito desceu para começar a obra de edificar o corpo de Cristo. O propósito final do Consolador é o aperfeiçoamento do corpo de Cristo. A crença na direção do Espírito estava profundamente arraigada na igreja primitiva. Não havia nenhum aspecto da vida em que não se reconhecesse seu direito de dirigir, ou em que não se sentisse o efeito de sua direção. A igreja entregou inteiramente sua vida à direção do Espírito; ela começou a rejeitar as formas fixas de adoração, até que no fim do século, a influência do Espírito começou a declinar e as práticas eclesiásticas ocuparam o lugar da direção do Espírito. A direção do Espírito é reconhecida nos seguintes aspectos da vida da igreja:
(a) Administração. Os grandes movimentos missionários da igreja primitiva foram ordenados e aprovados pelo Espírito. (Atos 8:29; 10:19, 44; 13:2, 4.) Paulo estava consciente de que todo o seu ministério era inspirado pelo Espírito Santo. (Rom. 15:18, 19.) Em todas as suas viagens ele reconhecia a direção do Espírito. (Atos 6:3; 20:28.)
(b) Pregação. Os cristãos primitivos estavam acostumados a ouvir o Evangelho pregado "pelo Espírito Santo enviado do céu" (1Ped. 1:12), o qual recebiam "com gozo do Espírito Santo" (1Tess. 1:6). "Porque nosso Evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza" (1Tess. 1:5). O pastor A. J. Gordon, há muitos anos fez a seguinte declaração: "Nossa época está perdendo seu contato com o sobrenatural: o púlpito está descendo ao nível da plataforma secular."
(c) Oração. Jesus, tal qual João, ensinou a seus discípulos um modelo de oração como guia em suas petições. Porém, antes de partir, ele falou de nova classe de oração, oração "em meu nome" (João 16:23), não repetindo seu nome como uma espécie de superstição, mas, sim, como um modo de se aproximar de Deus, unido espiritualmente a Cristo pelo Espírito. Desse modo oramos como se Jesus mesmo estivesse na presença de Deus. Paulo fala de "orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito" (Efés. 6:18). Judas descreve os verdadeiros cristãos como "orando no Espírito Santo" (v. 20). Em Romanos 8: 26, 27, lemos que o Espírito está fazendo em nós o mesmo que Cristo está fazendo por nós no céu, isto é, está intercedendo por nós. (Heb. 7:25.) Assim como na terra Cristo ensinou a seus discípulos como deviam orar, da mesma maneira, hoje, ele ensina a mesma lição por meio do Consolador ou Ajudador. Naquele tempo foi por uma forma externa; agora é por uma direção interna.
(d) Canto. Como resultado de ser cheios do Espírito, os crentes estarão "falando entre vós em salmos e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração" (Efés. 5:18,19). "Falando entre vós" significa o canto congregacional. "Salmos" pode se referir aos salmos do Antigo Testamento, os quais eram cantados; "cânticos espirituais" denotam expressões espontâneas de melodia e louvor inspiradas diretamente pelo Espírito Santo.
(e) Testemunho. Na igreja primitiva não existia essa linha de separação entre o ministério e o povo leigo que hoje em dia se observa na cristandade. A igreja era governada por um grupo ou concilio de anciãos, mas o ministério de expressão pública não estava estritamente limitado a eles. A qualquer que estivesse dotado com algum dom do Espírito, quer fosse profecia, ensino, sabedoria, línguas ou interpretação, lhe era permitido contribuir com sua parte no culto. A metáfora "corpo de Cristo" descreve bem o funcionamento da adoração coletiva sob o controle do Espírito. Isso traz à nossa mente a cena dum grupo de membros, um após outro, contribuindo com sua função particular no ato completo da adoração, e todos, igualmente, dirigidos pelo mesmo poder animador

3. A ascensão do Espírito.
O que é certo de Cristo é certo do Espírito. Depois de concluir sua missão dispensacional, ele voltará ao céu num corpo que ele criou para si mesmo, esse "novo homem" (Efés. 2: 15), que é a igreja, o seu corpo. A obra distintiva do Espírito é "tomar deles um povo para o seu nome" (de Cristo) (Atos 15:14), e quando isso for realizado e houver "entrado a plenitude dos gentios" (Rom. 11:25), terá lugar o arrebatamento da igreja que, nas palavras do pastor A. J. Gordon, é "o Cristo terreno (1Cor. 12:12,27) levantando-se para encontrar o Cristo celestial".
Assim como Cristo finalmente entregará seu reino ao Pai, assim também o Espírito Santo entregará sua administração ao Filho. Alguns têm chegado à conclusão de que o Espírito já não estará no mundo depois que a igreja for levada. Isso não pode ser, porque o Espírito Santo, como Deidade, é onipresente. O que sucederá é a conclusão da missão dispensacional do Espírito como o Espírito de Cristo, depois da qual ainda permanecerá no mundo com outra e diferente relação.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O dom de línguas hoje

Na postagem anterior, tratei sobre o batismo com o Espírito Santo como um experiência atual, desta­cando o falar em línguas estranhas como a evidên­cia física inicial desse batismo. Este postagem trata­rá, de forma mui particular, sobre o dom de línguas, destacando a importância que ele tem no contexto doutrinário do Movimento Pentecostal.
A primeira alusão no Novo Testamento ao falar em línguas estranhas está nas palavras de Cristo em Marcos 16.17:
"Estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome... falarão novas línguas".
Depois, quando lemos sobre línguas estranhas, é já a manifestação delas entre os quase cento e vinte discípulos no dia de Pentecoste, em Jerusalém (At 2.4); na casa do centurião Cornélio, em Cesaréia (At 10.44-46); em Éfeso quando os doze discípulos de João foram batizados com o Espírito Santo (At 19.6,9); e, provavelmente, entre os crentes samari­tanos quando da estada de Pedro e João em Sama­ria: At 8.17-19. Em todos esses casos, as línguas (glossolalia) foram manifestas como evidência do batismo com o Espírito Santo. Depois ainda lemos na primeira epístola de Paulo aos Coríntios um capítulo inteiro (14) sobre línguas, já não como evi­dência do batismo com o Espírito Santo, mas como um dom do Espírito Santo.
Em 1 Coríntios 12.8-10 lemos:
"Porque a um pelo Espírito é dado a palavra da sabedoria; e a outro pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e a outro a operação de maravilhas; e a outro a profe­cia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a ou­tro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas."
Na opinião do antipentecostal Robert G. Gro­macki, no seu livro "Movimento Moderno de Línguas", o dom de línguas e o de interpretação de­las são os dois menores dos dons do Espírito, em ra­zão de o apóstolo Paulo havê-los citado no final da lista dos dons, no capítulo 12 de 1 Coríntios. Esta opinião cai por terra quando a lista dos dons de 1 Coríntios 12.8-10 é comparada com as palavras do versículo 28 do mesmo capítulo, que provam que Paulo não usou um critério de proporcionalidade e grandeza quanto à colocação dos dons na ordem dos seus valores. Por exemplo: nota-se que quando Paulo aconselha os crentes a buscar os melhores dons, disse que eles os buscassem com diligência mas principalmente o de profecia. Observa-se que se Paulo houvesse feito a listagem dos dons na or­dem dos seus valores, ele teria aconselhado os cren­tes a buscarem "a palavra da sabedoria" (o primei­ro dom da lista) e não o de profecia (o sexto na or­dem dos nove).
O apóstolo Paulo, ainda no capítulo 12, versos 22 e 23 de 1 Coríntios, querendo ensinar sobre a harmonia dos dons do Espírito, comparou-os aos membros do corpo que, juntos, cooperam para o bem comum do mesmo corpo:
"Os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; e os que reputamos ser me­nos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra".
Os dons são diferentes entre si como diferentes são os membros do corpo, mas não existem dons inúteis à edificação do corpo de Cristo, sejam quais forem.
1. LÍNGUAS COMO SINAL
Vale notar que as línguas estranhas têm duas funções na Bíblia. Primeira: elas são apresentadas como sinal, ou evidência de que alguém foi batiza­do com o Espírito Santo. Isso é o que vemos em pelo menos três das cinco ocasiões históricas do derra­mamento do Espírito Santo nos dias do Novo Tes­tamento.
As línguas estranhas neste aspecto manifestam-se uma única vez, isto é, no momento em que o crente recebe o batismo com o Espírito Santo. Se a partir daí o crente continua falando em línguas, es sas línguas já passam para a segunda esfera, que é o dom de línguas propriamente dito, o qual se pode manifestar de duas maneiras: línguas congrega-cionais (interpretáveis); e línguas devocionais (não-interpretáveis).
Aqueles que combatem a doutrina bíblica do batismo com o Espírito Santo intrigam-se com a ênfase que damos quanto à necessidade de se falar línguas estranhas como evidência da recepção des­se batismo, achando ser possível dar-se outra prova em detrimento desta para afirmar que o crente foi batizado com o Espírito Santo. Contudo, o que na prática tenho observado é que aqueles que dizem ter sido batizados com o Espírito mas que não fala­ram línguas, não estão tão seguros de que o foram quanto aqueles que falaram novas línguas.
2. O QUE É DOM DE LÍNGUAS?
O dom de línguas é o meio sobrenatural através do qual o Espírito Santo leva o crente a falar uma ou mais línguas nunca antes estudada, portanto, estranhas àquele que a fala. Este dom nada tem a ver com a habilidade natural de se falar diferentes idiomas. Falar em línguas pela unção do Espírito Santo é "glossolalia" e não "poliglotismo". O dom de línguas está na esfera do sobrenatural.
Muitos estudiosos desse assunto, com freqüên­cia, citam casos de missionários que, após longos anos tentando aprender a língua do povo ou da tri­bo com que trabalham, de momento começam a fa­lar aquela língua com uma fluência invejável, dis­pensando a ajuda de intérprete. E confundem, as­sim, esse fenômeno com o dom de línguas, quando o que aconteceu na verdade foi a manifestação do dom de milagres ou maravilhas.
Quando Paulo escreveu aos Coríntios: "Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos" (1 Co 14.18), não estava com isso dizendo que falava mais idiomas estran­geiros do que os crentes da igreja em Corinto. Se as­sim fosse o que Paulo estaria fazendo era demons­trar pura vaidade. Ele fazia alusão à glossolalia, ou seja, à habilidade sobrenatural de falar em línguas nunca antes estudadas.
3. QUAL A UTILIDADE DO DOM DE LÍNGUAS?
Grande é a utilidade do dom de línguas quando exercitado humildemente e com orientação do Es­pírito Santo. À luz de 1 Coríntios 14, o exercício do dom de línguas é útil para:
a. falar mistérios com Deus. "... quem fala em outra língua, não fala a homens, senão a Deus, vis­to que ninguém o entende, e em espírito fala misté­rios" (v.2);
b. edificação individual. "O que fala em outra língua a si mesmo se edifica..." (v.4);
c. orar bem. "Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato..." (v.14);
d. complemento do culto. "Que fazer, pois, ir­mãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro doutrina; este traz revelação, aquele outro língua, eainda outro interpretação", v.26.
Falar de mistérios com Deus é um grande privi­légio. Aquele que fala em línguas estranhas tem consciência de que está orando a Deus, louvando-o ou rogando algo a Ele, não obstante desconheça o significado daquilo que ora. Fala de acordo com o momento, e com uma força a jorrar dentro de si; mesmo assim, tem consciência de que é ele quem fala, e tem controle para começar ou terminar á hora que quiser. A pessoa fica perfeitamente calma e em pleno uso de suas faculdades mentais, cons­ciente do que está fazendo e do que está acontecen­do em torno dela. Freqüentemente está absorvida por uma conversa racional, e normal, imediata­mente antes e depois de falar em línguas.
Não há nenhum pecado em o crente buscar edi­ficação espiritual ou individual através de uma identificação mais íntima com Deus. John F. Mac­Arthur diz no seu livro "Os Carismáticos" que o falar em línguas é um individualismo condenado por Paulo e que o individualismo deve ser evitado pelo cristão. Essa assertiva não tem apoio nas Es­crituras. Veja, por exemplo: se o falar em línguas mostra individualismo, e se o individualismo não edifica ninguém, como iria Paulo dizer que "o que fala em outras línguas a si mesmo se edifica"? 1 Co 14.4.
Há uma grande incoerência entre a afirmação de John F. MacArthur e o pensamento de Paulo, que está mais claro no versículo 39 de 1 Coríntios 14: “... não proibais falar línguas". Se a edificação pes­soal fosse individualismo e egoísmo, Paulo jamais teria escrito a Timóteo: "Tem cuidado de ti mes­mo..." 1 Tm 4.16. Noutro lugar escreveu Judas: "Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé...", Jd 20.
Uma igreja sólida ergue-se com o respaldo da edificação individual de cada um de seus membros.
Falar a Deus em outras línguas é orar com o espírito e no espírito; fazer assim é orar bem. Atra­vés das línguas estranhas, o crente fala e o Espírito Santo comunica a ele a alegria (ou a angústia) que lhe vai no coração, o que, de outro modo, ao crente não seria revelado. Isto é o que ensina Paulo em Ro­manos 8.26:
"E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que ha­vemos de pedir como convém, mas o Espírito inter­cede por nós com gemidos inexprimíveis".
Através das línguas estranhas, podemos elevar a Deus o mais puro louvor que as nossas tribulações e tentações impedem que façamos em nossa pró­pria língua.
4. QUEM NÃO FALOU EM OUTRAS LÍNGUAS?
Robert G. Gromacki, no seu livro "Movimento Moderno de Línguas", escreve:
"Tem havido, e ainda há, muitos homens piedo­sos que não falaram línguas: Calvino, Knox, Wes­ley, Carey, Judson, Moody, Spurgeon, Torrey, Sundey e Billy Graham (...) Certamente eles têm manifestado mais santidade e têm testemunhado mais efetivamente em prol de Cristo do que muitos que pretendem ter falado línguas".
Este argumento de Gromacki baseia-se em ho­mens, antes que nas Escrituras. O fato de não se ler que esses homens falaram em línguas estranhas, implica deveras em que eles não as tenham falado? Pode-se usar o silêncio deles sobre o assunto para formar uma doutrina de negação daquilo que a Bíblia ensina com clareza meridiana? E se eles não falaram línguas, isto invalidará a promessa divina? - De maneira nenhuma!
Se o fato de alguns cristãos nobres não terem fa­lado em línguas anula a promessa de Deus, ou se o dom de línguas é inautêntico só porque os pentecos­tais "pretensamente" dizem ter falado em línguas, dar-se-ia o caso que a autenticidade ou a inautenticidade de qualquer dom divino pode ser evidencia­da pela aceitação ou pela rejeição parcial ou total desses dons. Partindo dessa premissa, atrevo-me a mostrar um número muito maior de crentes céle­bres que falaram e falam outras línguas do que aquele que os antipentecostais apontam como não tendo falado línguas.
Vem o caso de fazer aqui a indagação de Paulo, feita em 1 Coríntios 3.5: "Quem é Apoio? e quem é Paulo?...". Quem foi Calvino, Knox, Wesley, Ca-rey, Judson, Moody, Spurgeon, Torrey, Sundey? e quem é Billy Granam senão "servos por meio de quem crestes, e isto conforme o Senhor concedeu a cada um". Deve-se porventura evocar a vida piedo­sa de qualquer um desses homens de Deus com o propósito de se anular algum dom do Espírito San­to, mesmo que seja o de língua? - Evidentemente não.
5. QUAL O COMPORTAMENTO MAIS SENSATO QUANTO AO DOM DE LÍNGUAS?
Evidentemente, o melhor comportamento quan­to ao dom de línguas é o que foi demonstrado pelo apóstolo Paulo, ainda no capítulo 14 de 1 Coríntios:
a. - "Eu quero que todos vós faleis línguas es­tranhas", v.5.
b. - “... pelo que, o que fala línguas estranhas, ore para que possa interpretar", v.13.
c. -"Não proibais falar línguas", v.39.
À igreja de Corinto não faltava dom algum (1 Co 1.7), o que faltava era o ensino quanto ao uso desses dons, haja vista o abuso que se fazia deles, principalmente do dom de línguas. Diante dessa necessidade, que fez Paulo? a) Disse que todos os crentes na igreja poderiam falar em línguas, desde que o fizessem de forma ordeira e dirigida, b) Orientou no sentido de que aqueles que falavam línguas orassem para que recebesse do Espírito Santo a capacidade de interpretá-las, a fim de que a igreja fosse edificada. Paulo poderia ter escrito: "Pelo que, o que fala línguas estranhas e não pode interpretar [deixe de falar]", mas não foi assim que fez. O objetivo da observação do apóstolo, visava a dimensionar o uso correto desse dom. c) Exortou en­tão aqueles que, por não possuírem sabedoria, que­riam proibir o dom de línguas, a que dessem livre curso a esse dom.
Não há dons imperfeitos ou desnecessários, o que há é imperfeição ou omissão quanto ao uso dos dons por parte de alguns crentes.
Se alguém tem um dos membros afetado por uma enfermidade, o que deve fazer para extirpar a enfermidade desse membro? - Cortar o membro doente? Não, de modo nenhum! O que deve é tratar do membro enfermo até que este possa voltar a exercer a sua função insubstituível, para o bem de todo o corpo.
Billy Graham é de opinião que existe um dom de línguas real, em contraste com uma imitação, e que muitos dos que receberam esse dom foram transformados espiritualmente - alguns por pouco tempo e outros permanentemente.
6. NORMAS QUANTO AO USO DO DOM DE LÍNGUAS
Quanto ao exercício do dom de línguas, o após­tolo Paulo não só ratifica a liberdade que o crente tem de exercitar o dom, mas também estabelece um princípio normativo para esse exercício, prin­cipalmente no culto público, onde pessoas não-crentes tenham acesso.
Segundo Paulo, aquele que possui o dom de línguas deve observar o seguinte:
a) - "Pelo que, o que fala em outra língua, ore para que a possa interpretar", 1 Co 14.13.
Paulo diz que se alguém fala em línguas e as in­terpreta está contribuindo para a edificação da igreja, como também o faz aquele que profetiza. Assim, aquele que fala em outra língua deve ter o cuidado de não fazer do culto público um espetácu­lo de glossolalia, a não ser que possa interpretar a língua que fala.
b) - "No caso de alguém falar em outra língua, que não seja mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. Mas não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus", 1 Co 14.27,28.
O culto público nunca deve ser transformado num festival de línguas estranhas; tampouco a mensagem evangelística ou de doutrina deve ser in­terrompida pelo falar em língua estranha. Pergunta o apóstolo Paulo:
"Se, pois, toda a igreja se reunir no mesmo lu­gar, e todos se puserem a falar em outras línguas, no caso de entrarem indoutos ou incrédulos, não di­rão porventura, que estais loucos?" 1 Co 14.13.
No caso de manifestar-se o dom de línguas em culto público, que somente dois, ou quando muito três, falem em línguas; não os dois ou os três de uma só vez, mas um após o outro, e com a condição de haver quem interprete; do contrário, que "fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus", ou seja, que não perturbe a boa ordem do culto atraindo para si as atenções dos presentes, em detrimento da pregação e do louvor.
7. "FAÇA-SE TUDO DECENTEMENTE E COM ORDEM", 1 Co 14.40
Os pentecostais, em geral, são tachados de ba­rulhentos, emocionais e, às vezes, de desordeiros. Para aqueles que se lhes opõem, "faça-se tudo de­centemente e com ordem" é o versículo preferido. Para esses (os antipentecostais) "decência e or­dem" é o mesmo que silêncio. Um cemitério, por exemplo, retrata muito bem a decência e ordem que eles gostariam de ver entre os pentecostais. Os que habitam os cemitérios não perturbam ninguém, eles têm perfeita ordem; mas eu conheço milhares de pessoas que preferem mil vezes a "desordem" dos vivos à decência e ordem dos mortos. Vem ao caso lembrar as palavras do Dr. John Alexander Mackay, presidente emérito do Seminário Princeton:
"Se eu tivesse de fazer uma escolha entre a vida inculta dos pentecostais e a morte estática das igre­jas mais antigas, pessoalmente, preferiria essa vida inculta".
Noutra oportunidade disse ainda o Dr. Mackay: "Alguma coisa está errada quando a emo­ção se torna legítima em tudo, exceto na religião". Um certo pregador disse:
"Hoje em dia, vai-se ao futebol para torcer; ao cinema para chorar, e à igreja para gelar". E, pros­seguindo, disse como testar a realidade da emoção em qualquer experiência espiritual, usando esta re­gra: "Não me importa seus pulos e gritos em meio à emoção, desde que, passando aquele momento, vo­cê tenha vida equilibrada".
O medo dos "erros" dos pentecostais, manifes­tos por excesso de emoção, tem impedido que mui­tos crentes sinceros gozem um Cristianismo vivo e dotado do genuíno frescor espiritual. Eles são pes­soas incapazes de acertar, porque são dominados pelo medo de errar, pelo que jamais farão coisa al­guma. Conheço muitos crentes que estão acuados entre o profundamente humano e aquilo que po­dem experimentar pela operação do Espírito Santo, só porque os seus líderes os ensinaram a pensar e a agir assim. Lembra-me a história do pescador que, ao apanhar um peixe, o media, e, se o pescado me­disse mais de 25 centímetros de comprimento, ele o devolvia à água. Naquele instante aproximou-se um turista que, curioso com o que via, perguntou porque o pescador agia assim, ao que ele respon­deu: "É que minha frigideira só tem vinte e cinco centímetros de diâmetro, e não adianta levar para casa um peixe maior do que a medida que ela comporta". Infelizmente, muitos crentes são como esse pescador: incapazes de buscar e reter consigo uma experiência que vá além dos limites estabelecidos pelos seus teólogos e líderes.
João Wesley, o grande avivalista inglês, acerca dos gritos, convulsões, danças, visões e coisas teste­munhadas nos seus dias, disse:
"O perigo consiste em dar-lhes um pouco de va­lor, em condená-las abertamente, em imaginar que não provenham da parte de Deus; e isso serve de obstáculo ao trabalho do Espírito, pois a verdade é que:
"a. Deus tem convencido, forte e subitamente, a muitos de que são pecadores perdidos, e as conse­qüências naturais disso têm sido clamores súbitos e violentas convulsões corporais;
"b. para fortalecer e encorajar os que crêem, e para tornar a sua obra mais evidente, o Senhor fa­voreceu a alguns deles com sonhos divinos, e a ou­tros com êxtases e visões;
"c. em algumas dessas instâncias, após algum tempo, a natureza humana mescla-se com a graça;
"d. o próprio Satanás imita essa parte da obra de Deus, a fim de lançar no descrédito toda a obra; no entanto, não é mais sábio desistir dessa porção do que desistir do todo. A princípio, sem dúvida al­guma, tudo se originava inteiramente em Deus. E, parcialmente, continua assim, até os nossos pró­prios dias; e Ele nos capacitará a discernir até que ponto, em cada caso, a situação é pura, bem como onde se mescla com coisas estranhas e se degenera. A sombra não é motivo para desprezarmos a subs­tância, nem o diamante falso para recusarmos o au­têntico".
Outro depoimento digno de observação quanto a esse assunto, é do Dr. T.B.Barratt, de Oslo, No­ruega:
"Os sinais sobrenaturais, os dons do Espírito, as demonstrações do corpo, tudo é uma parte apenas desse Movimento Pentecostal, mas a grande in­fluência moral desse avivamento, o poderoso ímpe­to espiritual que ele nos traz é de monta muito maior".
Os antipentecostais, preocupados em denunciar as exceções, pisoteiam as regras. Ao tentarem ex­purgar os pentecostais do seio da Igreja, estão de­nunciando a esterilidade de suas próprias igrejas. Isso lembra o que disse o teólogo suíço, Karl Barth:
"Ao jogarem fora a água em que banharam a criança, jogaram também a criança. Ao tentarem tornar o cristianismo plausível para os céticos, o que conseguiram foi torná-lo destituído de senti­do".
O capítulo 6 de 2 Samuel relata a volta da arca do Senhor á cidade de Jerusalém. A alegria de Davi pelo evento era tal, que "saltava com todas as suas forças diante do Senhor".
Mas "sucedeu que, entrando a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul, estava olhando pela janela; e, vendo o rei Davi, que ia bai­lando e saltando diante do Senhor, o desprezou no seu coração".
No final da festa, "embriagado" pela alegria do Senhor, Davi volta para casa, e Mical, sua mulher, sai-lhe ao encontro e lhe censura o comportamento, dizendo:
"Quanto honrado foi o rei de Israel, descobrin­do-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre qualquer vadio. "Disse, porém, Davi a Mical: Perante o Senhor, que me escolheu a mim antes do que a teu pai, e a toda a sua casa, mandando-me que fosse chefe sobre o povo do Senhor, sobre Israel, perante o Senhor me tenho ale­grado. E ainda mais do que isto me envilecerei, e me humilharei aos seus olhos; e das servas, de quem me falaste, delas serei honrado", vv.20-22.
Para Mical, indiferente ao significado da volta da arca do Senhor à cidade de Jerusalém, era fácil, através da janela do palácio real, fazer mau juízo de Davi, que, feliz, em meio ao povo, dançava de alegria na presença do Senhor. Para Mical impor­tava a "etiqueta", como para os antipentecostais importa hoje a "decência e ordem" cemiterial.
Na cristandade de hoje acontece o mesmo: ser pentecostal é para muitos um agravo ao pudor evangélico. Alguém pode escrever ou dizer porque não é pentecostal, e o seu testemunho é como um grande serviço prestado a Deus; mas, se alguém es­creve porque é pentecostal, isso parece uma idioti­ce: é como Davi tentando convencer a Mical porque dançava nas ruas de Jerusalém no meio da plebe.
O último versículo do capítulo 6 de 2 Samuel diz:
"E Mical, a filha de Saul, não teve filhos, até ao dia da sua morte".
O contexto deste versículo mostra que a esterili­dade de Mical era devida à censura feita por ela ao rei Davi. Esta, sem dúvida, tem sido a inevitável sentença sob a qual têm estado grande parte das denominações cujos líderes têm feito do antipentecostalismo o seu apostolado.
Apesar disso, o número de pentecostais conti­nua crescendo, e sabe-se que há hoje em todo o mundo nada menos de cinqüenta milhões de cren­tes que têm experimentado a promessa pentecostal do batismo com o Espírito Santo, acompanhada do falar em outras línguas.
O crescimento das igrejas pentecostais tem sido considerado um verdadeiro fenômeno pelos estu­diosos de assuntos eclesiásticos. O escritor não-pentecostal, Peter Wagner, no seu livro "Cuidado! Aí vêm os Pentecostais", quanto ao comportamen­to das igrejas não-pentecostais diante do acelerado crescimento das igrejas pentecostais, escreveu:
“... as igrejas não-pentecostais ainda têm um problema: seus dirigentes reconhecem (e é óbvio) que as igrejas pentecostais estão crescendo muito mais rapidamente do que as das outras denomina­ções. Eles mesmos fazem a pergunta: 'Por que' E se tornam mais frustrados quando colocam o que está acontecendo em termos teológicos, e levantam a possibilidade de que, por alguma razão, o Espírito Santo seja capaz de trabalhar o milagre da regene­ração mais freqüentemente nas igrejas pentecostais do que em suas próprias. Em vez disso, eles deve­riam pensar: 'O que nós podemos fazer para limpar a erva daninha das nossas igrejas, de modo que o Espírito Santo possa trabalhar? '"
8. A HISTORICIDADE DO DOM DE LÍNGUAS
A história mostra que a experiência pentecostal de falar línguas estranhas constitui-se num círculo ininterrupto desde o dia de Pentecoste até os nossos dias, e continuará até que Cristo volte.
Agostinho escreveu no IV século:
"É de esperar-se que os novos convertidos falem em novas línguas".
Irineu, discípulo de Justino discípulo do apósto­lo João, escreveu:
"Temos em nossas igrejas irmãos que possuem dons proféticos e, pelo Espírito Santo, falam toda classe de idiomas".
João Crisóstomo, no V século escreveu:
"Qualquer pessoa que fosse batizada nos dias apostólicos, imediatamente falava em línguas".
Tertuliano inseriu nos seus escritos manifesta­ção dos dons do Espírito Santo, entre os quais o dom de línguas, no meio dos montanistas, movi­mento ao qual ele pertencia.
O decano Farrar, em seu livro "Das Trevas à Aurora", refere-se aos cristãos perseguidos em Ro­ma, cantando hinos e falando em línguas desconhe­cidas.
Na História da Igreja Alemã, lemos o seguinte:
"O Dr. Martinho Lutero foi um profeta, evange­lista, falador em línguas e intérprete, tudo em uma só pessoa, dotado de todos os dons do Espírito".
Na História da Igreja Cristã, escrita por Filipe Schaff, edição de 1882, ele escreve que o fenômeno de falar em línguas tem reaparecido de quando em quando nos avivamentos dos Camisards e dos Cevennes, na França e entre os primitivos Quakers e Metodistas, seguidores de Lasare da Suécia em 1841-1843, e entre os irlandeses em 1859, e final­mente, até os nossos dias.
Na história dos avivamentos de Finney, Wesley, Moody e outros, houve demonstração do poder do Espírito Santo no dom de falar línguas com pros­trações físicas e estremecimento debaixo do poder de Deus.
Charles G. Finney assegura em sua auto­biografia que o Senhor se manifestou aos seus discí­pulos nesta geração, assim como fez nos tempos apostólicos.
James Gilchrist Lawson, em seu livro "Profun­das Experiências de Cristãos Famosos", escreve: "Em algumas ocasiões o poder de Deus se mani­festava em tal grau nas reuniões de Finney, que quase todos os presentes caíam de joelhos em ora­ção, ou melhor, oravam com lamentos e queixumes inenarráveis pelo derramento do Espírito de Deus". O Rev. R. Boyd, batista, amigo íntimo de Dwight L. Moody, relata no seu livro "Provas e Triunfes da Fé", edição de 1875:
"Quando cheguei ao Vitória Hall, Londres, en­contrei a assembléia ardendo. Os jovens estavam falando em línguas e profetizando. Qual seria a ex­plicação de tão estranho acontecimento? Somente que Moody os estava dirigindo naquela tarde".
Stanley Frodsham, em seu livro "Estes Sinais Seguirão", dá detalhes do poderoso derramamento do Espírito Santo em 1906, em Los Angeles, Cali­fórnia:
"Centenas de leigos e ministros, todos por igual, de todo os Estados Unidos - metodistas, episco­pais, batistas, presbiterianos, e os denominados se­guidores da doutrina da Santidade - de diferentes nacionalidades, foram batizados com o Espírito Santo e falavam em outras línguas, seguindo-se os sinais".
No seu livro "Demonstração do Espírito San­to", H.H. Ness escreveu:
"Quando o fogo pentecostal brotou com ímpeto entre os cristãos das igrejas da Aliança Missionária Cristã nos estados de Ohio, Pensilvânia, Nova Ior­que e outros estados do Noroeste dos Estados Uni­dos, faz alguns anos, em muitos deles houve de­monstração do poder do Espírito Santo, o que foi visto, sentido e ouvido. Resultaram notáveis mila­gres de cura divina - recuperação de saúde de ce­gos, surdos, mancos e outros afligidos - pela oração da fé. Mais ainda, não houve ali somente prostra­ções e línguas desconhecidas, mas houve também surpreendentes casos em que pessoas foram levan­tadas do solo pelo poder de Deus".
Nestes últimos anos tem-se tornado comum ler em jornais, revistas e livros, a respeito da experiên­cia de falar línguas estranhas entre evangélicos de denominações até então invulneráveis à ação sobre­natural do Espírito Santo.
O jornal episcopal "The Living Church", há al­guns anos, trouxe o seguinte sobre o fenômeno de falar línguas estranhas:
"O falar em línguas não é mais um fenômeno de alguma seita estranha do outro lado da rua. Está em nosso meio, e vem sendo praticado pelo clero e pelos leigos, homens de nomeada e boa reputação na igreja. Sua introdução generalizada se chocaria contra nosso senso estético e contra algumas de nossas mais intrincheiradas idéias preconcebidas. Mas sabemos que somos membros de uma igreja que de toda sorte precisa de um choque - se Deus tem escolhido este tempo para dinamitar o que o bispo Sterling, de Montana, designou de 'respeita­bilidade episcopal', não conhecemos explosivo de efeito mais terrivelmente eficaz".
No "The Episcopalian" de 15/05/1968, disse o Rev. Samuel M. Shoemaker:
"Sem importar o que significa o antigo-novo fe­nômeno do 'falar línguas', o mais admirável é que se declara, não apenas no seio dos grupos pentecos­tais, mas também entre os episcopais, os luteranos e os presbiterianos.
Eu mesmo não passei por essa experiência, mas tenho visto pessoas que a têm re­cebido, e isso as tem abençoado e dado um poder que não possuíam antes. Não pretendo entender esse fenômeno, mas estou razoavelmente certo de que indica a presença do Espírito Santo, assim como a fumaça que sai de uma chaminé indica a presença de fogo por baixo. E sei com certeza que isso significa que Deus quer entrar na igreja anti­quada e autocentralizada como geralmente ocorre, para que lhe outorgue uma modalidade de poder que a torne radiante, excitante e altruísta. Devería­mos procurar compreender e ser reverentes para com esse fenômeno, ao invés de desprezá-lo ou zombar dele".
9. CESSOU O DOM DE LÍNGUAS?
No seu livro "Os Carismáticos", John F. Ma­cArthur escreve o seguinte:
"Primeiro Coríntios 13.8 declara claramente que 'as línguas cessarão'. Quanto a esse 'cessar', o verbo grego não se encontra na voz passiva mas na voz reflexiva, que sempre enfatiza o sujeito que faz a ação. O que essa frase no versículo 8 está dizendo é que 'as línguas cessarão por si mesmas'.
"Se as línguas cessarão por si, a questão é quando? Depois de diversos anos de estudo, em que li to­dos os lados da questão e discuti com carismáticos como também com pessoas não-carismáticas, estou convencido, sem dúvida alguma, de que as línguas cessaram na era apostólica, e que, quando cessaram, foi uma coisa permanente".
É evidente que este raciocínio do antipentecostal John F. MacArthur é falho e não honra as Escrituras, nem se harmoniza com a historicidade da glossolalia que se tem tornado um círculo ininterrupto desde o dia de Pentecoste até os nossos dias. O dom de línguas é um dom atualíssimo.
Para melhor compreensão do assunto, é importante citar não só o versículo 8 de 1 Coríntios 13, mas também os versículos 9 e 10:
"A caridade nunca falha; mas havendo profe­cias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciências desaparecerá; porque em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado".
MacArthur assegura que as línguas cessaram na era apostólica, porém, como os demais antipentecostais, é de opinião de que "profecia" e "ciência" são dons ainda operantes na igreja de hoje. É sim­plesmente inconcebível que as línguas tenham ces­sado, e "profecia" e "ciência" que estão sujeitas ao mesmo espaço de vigência, ainda continuem.
A alusão de Paulo às línguas, profecia e ciência, é feita em termos de comparação com a caridade. É evidente que há circunstancia em que o próprio amor chega a faltar, mas isto não é regra, mas uma exceção.
John F. MacArthur tem dificuldade em fixar com exatidão bíblica, quando o dom de línguas ces­saria. A maioria dos antipentecostais, cujas obras tenho consultado, são de opinião de que 1 Coríntios 13.10 - “... mas quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado" - significa que quando fosse encerrado o cânon divino (segundo eles) o que Paulo se refere como "o que é perfeito", então o que é perfeito em parte (segundo eles, refe­rente ao dom de línguas e aos demais dons), será aniquilado.
Se as Escrituras não dizem o que dizem os seus escritos, como dirão aquilo que dizem os antipente­costais? Ao escrever sobre uma aparente transitoriedade do dom de línguas, o apóstolo Paulo se refe­ria simplesmente às limitações às quais estamos su­jeitos até que aquele que é perfeito (Jesus Cristo) apareça na plenitude da sua glória, quando então seremos semelhantes a Ele: Jó 19.25-27; Sl 17.15; 1 Jo 3.2.
"De igual modo, agora só podemos ver e com­preender um pouquinho a respeito de Deus, como se estivéssemos observando seu reflexo num espe­lho muito ruim; mas o dia chegará quando o vere­mos integralmente, face a face. Tudo quanto sei agora é obscuro e confuso, mas depois verei tudo com clareza, tão claramente como Deus está vendo agora mesmo o interior do meu coração", 1 Co 13.12 (0 Novo Testamento Vivo).
10. MAIS EVIDÊNCIAS DA ATUALIDADE DO DOM DE LÍNGUAS
Sabe-se que, hoje, nada menos de cinqüenta mi­lhões de cristãos, espalhados por todas as partes do mundo, em diferentes denominações, falam em línguas. São crianças, jovens, e adultos que gozam do glorioso privilégio de adorar a Deus em novas línguas. Sabe-se que até irmãos mudos-surdos têm sido tomado pelo Espírito Santo e inspirados a falar em línguas como acontece a qualquer pessoa nor­mal. Mesmo igrejas até há pouco invulneráveis à operação do Espírito Santo, têm levantado a sua voz, num vibrante testemunho quanto à atualidade dos dons do Espírito Santo.
Sob o patrocínio do Rev. Sílvio Ribeiro Ladeira, pastor da Igreja Presbiteriana Independente de Carapicuíba, São Paulo, foi publicado recentemente o livro "O Movimento Carismático e a Teologia Re­formada", de autoria do Dr. J. Rodman Williams, que traz a opinião de ilustres teólogos e de famosas igrejas quanto à atualidade do dom de línguas.
A. A. Hoekema, teólogo reformado conservador, escreve:
"... não podemos certamente limitar o Espírito Santo, sugerindo que seria impossível para Ele con­ceder o dom de línguas hoje."
A "Dutch Reformed Church" da Holanda, em sua carta pastoral de 1960, sobre a Igreja e os Gru­pos Pentecostais, diz:
"Achamos presunçoso afirmar que o falar em línguas foi algo somente para o início do Cristia­nismo. A evidência bíblica em Atos e 1 Coríntios 12 a 14 é demasiado explícita para isso. O fato de falar em línguas ter também um significado em nossos dias, não pode ser, portanto, posto de lado."